Latentes Viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!



A Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (ROTA) é considerada a Tropa de Elite da Polícia Militar do Estado de São Paulo e é constituída por um seleto grupo de policiais. Depois de terem sido submetidos aos mais variados testes, provas e avaliações, foram aprovados com a  missão de defender e proteger os interesses da sociedade e principalmente do cidadão. Temida e reconhecida por ser uma Instituição extremamente violenta, tem como uma de suas principais características, a cultura de atirar primeiro para depois perguntar. Seus policiais foram responsáveis pela morte de mais de 4000 pessoas no período compreendido entre 1970 a 1992. Ao contrário do que gostam de difundir e disseminar, a maioria dos indivíduos baleados não são constituídos de assassinos, estupradores e ladrões, e sim, de  pessoas simples e comuns, que nunca chegaram a cometer um delito. Em virtude disso, mais de duas mil pessoas, que tiveram sua vida ceifada, não possuem nenhum tipo de registro de queixa, ocorrência ou denúncia. Todos possuem ficha limpa, além de grande parte, exercerem uma profissão: operários, pedreiros, auxiliares, pintores, marceneiros, mecânicos, etc. A grande maioria é constituída de pessoas negras, pardas e pobres, oriundos do nordeste e moradores das periferias, em especial da zona oeste e sul, áreas com maior concentração de miséria e pobreza. A maioria dos registros e dos boletins de ocorrência seguem o mesmo padrão implantado na ditadura militar pelos esquadrões da morte: resistência a prisão seguido de tiroteio e morte. Interessante notar o baixo número de policiais mortos e feridos em pleno combate. Dos 120 policiais mortos no mesmo período, apenas 42 tiveram suas vidas ceifadas em confronto, o que corresponde a 3% do total de pessoas mortas pela polícia. Outro fato curioso, e nem por isso menos importante, é a estratégia de interferir e modificar a cena do crime. Para dificultar o trabalho dos peritos criminais, todos os corpos são levados imediatamente para os hospitais sem os documentos de identidade, que são retirados pelos próprios policiais na tentativa de impedir a identificação dos corpos no IML. O número de empresários e de ladrões ricos mortos no mesmo período não corresponde a 0,3% do total. O número de matadores é pequeno se considerarmos toda tropa, porém eles agem impulsionados sobre os aplausos e elogios de seus superiores. As chacinas e brutalidades cometidas pelos policiais são premiadas pelo alto comando com títulos, honrarias e glória, além das condecorações e promoções inerentes a carreira militar. Parcela significativa da sociedade paulista, impulsionada por radialistas inflados e por uma mídia manipulada, defende a prática de torturas e assassinatos impostos pelos policiais militares, o que confere um ar de legitimidade aos macabros atos executados. Aos excluídos e marginalizados resta a triste agonia de assistirem, passivos e impotentes, o julgamento dos envolvidos que via de regra são ouvidos, absolvidos e liberados. Raramente neste país os policiais militares são condenados pelos crimes que cometem, principalmente depois te ter sido aprovada a lei que permite aos acusados serem julgados por um tribunal especial: o militar.

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Admiro todas as pessoas que ousam pensar por si mesmas.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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