latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!

sonhos não cabem no bolso
pensamentos não são moderados
o inferno são sempre os outros
e os desejos serão revelados
traumas habitam a noite
de dia urro desesperado
já projetei o meu lado oculto
no rosto do outro estampado
visualizei os meus segredos
aceitei os erros perpetrados
mantive singela demência
na tentativa de ser preservado
hoje admito o meu ser processo
matei por dentro meu advogado
aceitei minhas incoerências
ninguém justifica o injustificável
ninguém engana a própria consciência
sem ser por si mesmo lesado
hoje aceito minha inconsequência
como um cego por outro guiado
ignorância é letal veneno
me sinto até iluminado
por ter ao menos descoberto
o que aqui dentro era velado
como principio valorizo o tempo
sua riqueza presente infindável
me reconstruo neste momento
no agora eterno insondável

me recolho, fecho o olho
peço a Deus no coração
se tiver merecimento
mande mais uma canção


ameniza o sofrimento
reviva a recordação
de que a vida é passageira
e o mundo a distração


cansado de me iludir
neste mundo me perder
estive longe de mim
pra hoje reconhecer


que cada passo dado
aponta uma direção
além de ser caminho
também sou a construção


discípulo do tempo
contemplo a constelação
mantenho a vela acesa
refugio na oração


peço a Deus sabedoria
ao Anjo sua proteção
necessito de ajuda
auxilio na escuridão


na humildade me ajoelho
e peço para revelar
o caminho verdadeiro
para que possa trilhar


além do desfiladeiro
um motivo para sonhar
tenho a alma de guerreiro
sempre pronto pra lutar


o inimigo desafia
pronto pra te derrubar
mas me sinto protegido
pelo manto de Oxalá


o destino foi previsto
alerta à multidão
interesse coletivo
movendo nova visão


a teoria requer prática
além da improvisação
o rap é compromisso
aceito minha missão


dentro do peito bate
vontade de se encontrar
vivendo pela verdade
por ela devo lutar


amanhã vou despertar
esboçando um sorriso
pode parecer um sonho
mas nunca será impossível


a mensagem que levo
vai direto ao coração
o corpo todo arrepia
reconhece a vibração


sintonia positiva
fortalece a oração
a corrente é intensa
voltagem alta tensão


ontem estive em trevas
hoje em plena comunhão
elevo a Deus o espirito
a mente e o coração

Diante desta incontestável crise nacional vários personagens e fatos agravam o momento trágico cujas consequências podem ser medidas e observadas no aumento abusivo contido nas contas de energia e de gasolina. Não se trata de uma manifestação contra atos abstratos mas contra fatos concretos, realizados a luz do dia e às claras, com nome, endereço, CPF e RG, o povo brasileiro mais uma vez desperta perante a conta colocada em seu nome e arremessada de madrugada por algum "desconhecido". A distância que nos separa transcende os zeros presentes nas contas bancárias, já não temos tempo de sermos o país do futuro e parcela significativa de nossos filhos jazem esquecidos nos bares, nas ruas e avenidas, alguns carregam o pessimismo, o desânimo, outros o álcool, a maconha e a cocaína, e no desfile ostensivo de ostentações, no rol das fúteis vaidades, o colorido ultrajante do sorriso contrasta com a miséria e preocupação do povo, universidades decretam greve, terceirizados são severamente punidos e dispensados, como extrema medida na contenção de despesas, mais um verão se vai e sua herança pode ser resumida no baixo índice de água contida nos reservatórios e nos inumeráveis paus de selfie desproporcionalmente distribuídos entre os pontos turísticos do país, ainda assim, muitos continuam bonitos na foto, podemos perder tudo menos a pose, ao menos a vaidade para alguns ainda serve como útil reconforto. Anestésicos ideológicos são distribuídos por partidos de oposição que ainda teimam em nos convencer que possuem a fórmula mágica do equilíbrio e que são os únicos capazes de fazer com que o país se aprume, entre tantas idas e vindas, o ministério da educação mais uma vez se encontra de mãos dadas com o rodízio, o vazio da pasta resume o critério obtido pelo partido, que se dane a mensagem, vamos crucificar o mensageiro e mais uma vez conseguimos dar uma lição da ausência de comprometimento e devido respeito a fala alheia. A pátria amada se une festiva no almoço de domingo e a tarde se reúne para entoar o hino de seu clube preferido, mais um clássico adia por hora o grito de indignação, o pão e circo aliado ao cansaço e a preguiça de quem já não mais acredita em qualquer expectativa positiva de mudança, anestesia o sentido e mina qualquer indicio de contestação politica, econômica ou social, preferível deixar para amanhã, mas as mudanças mais importantes neste país nunca acontecem na segunda feira, pois gostamos das coisas na última hora, no último minuto, no último dia, ou penúltimo, pois o que mais aparece são trabalhos per fazer na sexta, mas sempre adiamos: deixa pra segunda e assim seguimos o vicioso ciclo dos dias sucessivos e repetitivos que nos convidam a arte de pensar e de deliberar assertivamente um propósito superior e elevado que faça com que nossas vidas assumam uma feição e expressão de verdade, algo que eleve o sentimento, embeleze o pensamento, que consiga impulsionar, imprimir um folego de vida, algo que seja construído com sangue, desejado com o coração, que faça com que seu autor esteja presente, atuante, desejoso de se aperfeiçoar segundo seus próprios critérios pessoais, um grito de alforria e liberdade, ao cativo detentor de desejos e vontades, acreditar por um segundo nos mistérios contidos no interior do sonho, ao menos poder imaginar por um instante o que significa em toda sua profundidade o significado da palavra liberdade que em verdade se aproxima sorrateira da responsabilidade, aquela que temos conosco, com o outro e com o mundo, pois não vivemos isolados, vivemos em conjunto. É aquela que nos faz prestar contas de nossos atos e pensamentos, é a consciência que nos direciona ao reto caminhar e agir, em tempos regidos pela supremacia da impunidade e da absoluta incerteza quanto ao futuro do Planeta é hora de silenciar a mente e ouvir com um pouco mais de cuidado e carinho a voz presente no coração, é hora de arregaçarmos a manga, com menos ansiedade e um pouco mais de sabedoria, é hora de unirmos forças, convergimos para um propósito comum, criarmos novos caminhos e estabelecermos novos parâmetros, é a hora do homem novo, para aqueles que duvidam, que deixaram se contaminar pela voz da descrença e do pessimismo reinante, cabe um convite, pois o reino do espirito é amplamente espaçoso e luminoso, nada falta além de um pouco mais de generosidade e paciência. Assim seja!


Uma das maiores contradições imanentes a sociedade capitalista, se refere à adoção de um conjunto de valores e princípios defendidos no intuito de fazer com que o individuo se responsabilize sozinho pelo seu insucesso e malogro. Diante de um país com taxas tributárias de primeiro mundo e serviços de terceiro, torna-se necessário um aprofundamento perante algumas medidas e providências tomadas no intuito de incentivar o consumo e conter a inflação, cujo índice cresce em passos galopantes. A sociedade tende a reforçar o mito do individualismo nos aplausos e reverências emitidos àqueles que defenderam e expuseram pontos de vista que visavam acima de tudo a aferição de lucros exacerbados e a manutenção do poder e privilégio nas mãos de uns poucos eleitos e escolhidos pelo sistema. É fácil emitir um juízo econômico e político do alto de seus respectivos postos e cargos, difícil é admitir de forma honesta, perante a própria consciência, que milhares de seres nasceram sem a possibilidade de escolherem entre o ser isto ou aquilo, nem ouso dizer do ter isso ou aquilo. Quando os olhos se fecham a dimensão humana da existência, é possível contemplar uma geração de cegos tateando errantes os infindáveis labirintos promovidos pela selva de pedra, em que a competitividade e a busca incessante por novos mercados se amplia e se fortalece, transformando-se no único e possível horizonte presente, homens se tornam meios e meios se tornam fins, o lucro desmedido promovido por negócios escusos e distantes de qualquer ato ético transparente, tende a ser o refúgio encontrado por todos aqueles que recusam viver uma vida coletiva baseada em valores e princípios diversos ao egocentrismo que permeia a base deste tipo de pessoa e personalidade. O sofrimento diário, de milhares de brasileiros, tende a ser ignorado e rebatizado com outros nomes por uma elite que se arroga o direito de legislar em beneficio próprio. Enquanto a classe média não tem seus benefícios e privilégios previamente atingidos, leia-se: seu próprio bolso, o sofrimento de seus semelhantes se afigura perfeitamente normal e aceitável, como se a pobreza pudesse ser extinta com uma dose generosa de boa vontade, afinal, um dos lemas ideológicos defendidos por estes indivíduos se resume no famoso "querer é poder" e para isto apenas uma vontade determinada basta, é preciso ler além das entrelinhas e buscar novas soluções além da economia e da política, é preciso repensar o amor e a condição que nos torna verdadeiramente humanos, é preciso expulsar das nossas relações o egoísmo, o orgulho e a vaidade, estes sim, nossos verdadeiros demônios, pois enquanto subsistirem em nossas vidas nenhum caminho coletivo poderá ser desbravado. Oxalá abençoe a todos.


Já estive na Igreja sendo batizado,
na rua da lama com cachorros viciados,
com as vacas mugindo e trepando pelos pastos,
com gatos no cio passeando por telhados,
presenciei o prenúncio  da primavera,
visitei pela história os primitivos porões da guerra,
psicodélicas visões surrealistas da Terra,
já recitei poemas desvairados,
com seres iletrados, rendidos e ajoelhados,
já jurei em partes com dedos cruzados,
já menti diversas vezes por incredulidade,
já defendi a vida, Deus e os pobres mártires,
já manipulei por vários aspectos a realidade,
já fiz a minha e outras vontades,
já me privei de certos duelos e combates,
já fiz e desfiz várias amizades,
já misturei concreto e construí pequena parte da cidade,
já fiz poda e subi em árvores,
já colhi verduras, ervas e legumes,
já conversei com ets, gnomos e abutres,
já fui euforicamente festejado,
já fui fortemente odiado,
já fui expulso da Igreja e de bares por estar chapado,
já fui abandonado derrotado,
com a camisa suja e o corpo vomitado,
já fui sequestrado para usar drogas em lugares inusitados,
já pedi cigarro, parei de fumar pelo excesso de pigarro,
já fui grosseiro, estúpido e bizarro,
já estive com malucos de todos os tipos e espécies,
ouvi coro de lamentações, lamúrias e preces,
conjunto de  sistemas, dissertações e teses,
convivi com várias gerações,
já tive surto de reflexões,
em meio a legiões,
de desejos, vontades e alucinações, 
vampiros, poetas e proféticas visões,   
primazia do corpo em decomposição,
da mente em expansão,
uma nova visão,
novas faculdades,
numa nova idade, 
nível vibratório elevado,
já fui massacrado,
pela polícia, mulheres e o Estado,
já estive enjaulado, como um macaco,
sendo interrogado, pelado, dentro do distrito,
por homens encarregados,
de prender bandidos e defender o Estado, 
sou espirito errante, quiçá um traficante,
de ideias e pensamentos elevados, 
um pouco retardado,
biologicamente adulterado, 
com um chip implantado,
por seres invisíveis, alienígenas do espaço,  
estive em outros planetas, hemisférios, sistemas estelares,
conheço a solidão do deserto e a imensidão dos mares,
hoje respiro outros ares,
além da tristeza, 
a beleza dos pomares, 
salve salve Zumbi e a resistência de Palmares,  
já conversei com mortos, postes e paredes,
já dormi de bruço encima de uma rede,
já tive sede, já passei fome,
já dormi pelas ruas, pelas calçadas,
já fui expulso e querido em várias quebradas,
sei a minha área,
conheço meu limite,
amo a liberdade,
detesto o dedo em riste,
abomino a corrupção,
já fui perseguido pelo excesso de honestidade,
já fui admirado por defender sempre a verdade,
hoje sou eu mesmo aqui e em qualquer parte...

Vivemos aprisionados pela era do politicamente correto, e é quase impossível emitir qualquer tipo de opinião sem passar pelo crivo do senso comum. Hoje é o dia Internacional da Mulher, e neste texto poderíamos citar o nome de mulheres que se destacaram e se destacam na história, que fizeram e fazem toda diferença. Podemos contemplar milhares de rostos anônimos, realizando as pequenas mas indispensáveis tarefas do cotidiano. Vale realçar a figura da mulher que é mãe, que além de mãe é esposa, que além de esposa é filha, que além de filha é irmã, que além de irmã é profissional, que além de profissional é humana e necessita de ter um tempo para si. Num mundo marcado pela ausência de tempo, pela pressa, pelo ininterrupto anseio pelo novo,  a mulher deste mundo moderno assim como o próprio homem necessita de um espaço único e exclusivo para si. Na verdade, preciso admitir que possuo uma séria restrição em discorrer  e falar em termos de gêneros, não acredito em estereótipos, grupos e classes, acredito no ser humano, mas não seria tão ingênuo a ponto de negligenciar as conquistas das mulheres, dos negros, dos homossexuais, dos pobres e desvalidos no decorrer dos últimos anos, a revolução sexual, os movimentos feministas, as passeatas GLBT, os programas de inclusão social, enfim, uma série de medidas foram tomadas, e por mais que facilmente ainda esbarremos em algum tipo de entrave proporcionado por algum segmento mais conservador da sociedade, os tabus sexuais do presente nem de longe se assemelham aos de algumas 24horas, o passado bate a porta, e sua face é irreconhecível, seria inimaginável para um pai dos anos 60 admitir a hipótese da filha dormir com o namorado no seu próprio quarto, o progresso é visível, e convenhamos, se por um lado demos saltos por outro parecemos retroceder ou caminhar em passos lentos. Velhas discussões ainda se arrastam sem uma conclusiva solução, entre elas a inclusão do negro na sociedade, a maioria dos cargos de direção assumidos por homens e um certo desajuste salarial em relação ao mesmo trabalho e atividade exercido por mulheres, ainda falta muita coisa per fazer e o que está bom ainda sim pode melhorar. Por outro lado, é quase impossível exercer com assertividade a necessidade de criticar certos grupos e condutas, pois os mesmos, por serem minorias, se tornam imediatamente imunes a crítica e caem num grau de permissividade onde tudo e todos podem ser atacados e pressionados, menos os seus membros, isto me faz lembrar algumas práticas adotadas por certos partidos políticos, é a velha frase, aos amigos tudo e aos inimigos a lei, ainda sim, acredito que tudo faz parte de um processo e que no futuro discussões deste teor serão vistas como algo de um tempo longínquo e que pertenceu aos primeiros passos democráticos da humanidade. Oxalá abençoe a todos!

sou seu divino mistério
sua dor imaculada
seu filho pródigo tempo
sua secreta cilada

sou seu sabor
seu veneno
o grito sufocado

sou seu alivio remédio
sou seu senhor
seu escravo

não tenha pressa
eu lhe peço
fique um pouco
calada

ouça a prece
do silêncio
segredo
desta jornada

ouvi o canto
das almas

num dia
vestido
triste

ainda
lembro
seu rosto

condeno
seu
dedo
em riste

nada de mim
conservo

além de
sua amizade

sou seu poeta
sou servo
sou filho
desta cidade

sou fruto
raro da selva
sou flor
sou morte
sou arte

sou seu divino segredo
sou o seu porta estandarte

nada desta vida levo
além da chama sagrada
já estive no templo
caminho na encruzilhada

perambulei universo
dentro achei a morada
hoje sou assim confesso
o amor é minha estrada

minha


vida


diluída


num


rio


de


mistério


desejo


minha


vontade,


constante


mente


induzida


por


estímulos


externos


diversos


anseia


por


coisas,


suspira


por


objetos,


sou


refém


vitima


da massiva


cultura


da exposição.


Desfile de 


carros,


casas


asas


pavão


representa


ações


de sucesso,


sucessão


de imagens


conceitos


desvinculados


da pobre


realidade


miserável


dos atos

O Brasil é um país a ser descoberto, infelizmente até os dias de hoje ele só foi explorado. A cultura da exploração é a tônica dominante em seu modus operandi. Definir o Brasil é um tarefa árdua pois é impossível retratar em algumas poucas linhas as suas dimensões continentais. Com uma multiplicidade de climas, hábitos, costumes, culturas e diferentes tipos de desenvolvimento é impossível delinear um quadro extático que represente de maneira inequívoca seu povo, seja pela sua própria natureza heterogênea, seja pela sua grandeza continental. O país já foi objeto de estudo de vários pesquisadores, configura entre aqueles de maior biodiversidade, entre seus campos, pampas, serras e florestas é possível descortinar um horizonte de inigualáveis belezas naturais. O clima, fruto da sua proximidade com os trópicos é dito tropical, seu povo é constantemente retratado como essencialmente cordial e alegre, ingênuo e indiscreto, emotivo e passional, no entanto temos enfrentado uma das piores crises políticas e humanas de todos os tempos, é possível constatar o crescimento acelerado de um comportamento voltado exclusivamente para o consumo e a ostentação - sem citar o fato de uma centena de políticos estarem diretamente envolvidos em escabrosos esquemas de corrupção e o crescente poder conferido ao regime paralelo de governo: o crime organizado. Por mais que nas últimas décadas isto seja reflexo de políticas públicas voltadas para as camadas de menor poder aquisitivo e pode sim, ser visto como algo positivo, do ponto de vista econômico e social, por outro, não se pode ignorar que a aparência ocupou o lugar da essência, o parecer do ser. Infelizmente, podemos ser capazes de formular as mais belas teorias e estudos, sistemas e dissertações, enquanto não tocarmos na pedra de toque do egoísmo e do individualismo incitado pela veste corporativa do grande capital não daremos um passo em direção a solução de nossos verdadeiros problemas. Ao estar inserido neste contexto global forjado por mídias e empresas movidas pela busca incessante de novos mercados, leia-se lucro a todo e qualquer preço, milhares de trabalhadores serão oprimidos e obrigados a ocuparem um cargo de pequena relevância social mas de grande importância para a manutenção do atual estado de coisas. Por mais que estejamos atravessando um período negativo de crises e confrontos, de desconforto e insegurança, é necessário lembrar que diante de um fato deste teor podemos sempre ter duas posturas, uma que se fecha e outra que se abre às mudanças inerentes a todo processo de maturação social. O objetivo deste texto é abolir os referencias políticos reduzidos a partidos de direita ou esquerda e tentar entender o porque de termos tanta dificuldade em aceitarmos o nosso povo e de tentarmos operar uma brusca mudança em sua estrutura por uma transformação radical nos seus hábitos e costumes elementares. É preciso repensar a educação e conciliar os seus objetivos com o de uma nação que visa acima de tudo o seu próprio crescimento, infelizmente existem fortes indícios que nos levam acreditar que os regentes dos meios de comunicação não estão interessados no despertar de corpos e consciências. Ao contrário, parecem utilizar de seu poder para anestesiar e levar mansamente o rebanho ao matadouro das ideias e das soluções. É preciso reduzir o número de educadores e sucatear ao máximo os laboratórios destinados ao cultivo do ensino, pois só assim irão perpetuar os seus desejos e continuarão fantasiosamente dono de nossos anseios e destinos. Se existem dominadores bem sucedidos é porque existem dominados de bom grado, numa sociedade esclarecida, afeita aos elaborados processos da reflexão é impossível fazer com que um sujeito se curve passivamente a ditames contrários aos seus próprios valores e princípios. Somente numa sociedade regida e conduzida por cegos é possível constatar o elevado índice de mediocridade produzido no intuito de denegrir e rebaixar a nossa condição verdadeiramente espiritual e humana. Somos polidamente talhados por mentes astutas e sutis que conseguem se inserir sem o uso coercitivo da força, pois a verdadeira guerra é invisível mas suas armas são tão letais quanto, pois se o poder de um fuzil pode ser medido na quantidade de tiros e vitimas produzidas por minuto, por outro, o poder de uma ideologia pode ser medido na quantidade maciça de adeptos dispostos a seguir cegamente o seu credo. Por outro lado, é possível entrever um cenário apocalíptico provocado pela carência de recursos naturais indispensáveis a manutenção da vida no planeta, discursos ambientais aplaudidos por acadêmicos devem ser postos em prática pelos empresários, construtores e exploradores de todo recurso natural disponível. É necessário angariar forças e esperanças, só assim para continuarmos acreditando que o melhor está por vir, assim poderíamos terminar o nosso texto, numa grotesca farsa otimista e irrealista, prefiro acreditar que a mudança está nas nossas mãos, no aqui e agora.

Aos padrões globais
Destes tempos imorais
Rezando por temporais
Cansado de tanto faz

Daqui nada se leva
não quero negociar
mas se for possível
sua alma elevar

darei asas pra voar
olhos para enxergar
ouvidos pra escutar
pernas para caminhar

Neste sombrio precipício
errante eu caminhei
por quantas veredas
alamedas me encontrei

perdido na esquina
no boteco travado
tomando uma cerveja
acendendo um baseado

um cego escravizado
ao vício acorrentado
destruindo minha vida
sorrindo desnorteado

já estive do outro lado
hoje um sequelado
carrego as feridas
da química o estrago

se soubesse o que sei
nunca aceitaria
nem mesmo um dois
cocaína ou tequila

com certeza evitaria
mandaria passear
dá linha na pipa
está ideia não vou comprar

na serenidade
aceito a verdade
avesso a mentira
rejeito a futilidade

quanto tempo
perdido na loucura
vagando pela rua
atento à viatura
assumo outra postura

assisto passivo
o seu carnaval
omisso na política
ativo transcendental

neste mundo imoral
comédia pagando pau
até se achando o tal
mas no fundo é um boçal
fazendo sempre igual

a arte é um instrumento
de lapidação interna
através da poesia
sublimo a minha guerra

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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