latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!


Nestes dias insólitos adormeço com a dúvida gerada pela incerteza, por uma falta de fé mórbida que me impele para a preguiça e a indolência. A vida agita-se sob o bramido nervoso e descontrolado da multidão afeita ao progresso. As novas tecnologia descerram meus olhos para este novo prisma virtual. Aglomerados de pessoas reunidas num intuito vão e desconhecido para mim. A pia da cozinha me remete à ação e as panelas me convidam timidamente ao agir. Insisto em permanecer deitado e a cama, extensão de meu corpo, óbolo divino a contestar meus pensamentos é um convite intríseco a permanência no não ser, do não querer saber das coisas e dos seres ao redor, mas continuamos girando inconscientes no espaço e galáxias longíquas nos brindam com o brilho de suas inusitadas e desconhecidas constelações. Imagino o nascimento de uma nova astrologia, menos antropomorfizada, mas ainda sim imanente aos arquétipo humanos universais.

Diariamente visito as páginas arquivadas da história, abro um relato vivo de países distantes, nações heroícas e orgulhosas de suas conquistas e derrotas. A humanidade forjada pela essência cultural da guerra e da barbárie. Nos templos semi deuses guerreiros são adorados e reverenciados pela tentativa da busca. A ausência de obstáculos e conflitos representa a morte risível da vontade. Um mundo constituído de sonhos, paraíso onírico a preencher minha pobre alma angustiada e vil. Sigo pela estrada da rotina e meu cotidiano se restringe a uma sala cheia de livros, um auxiliar de biblioteca orgulhoso de seu pequeno ofício. A tempestade provocada pelo ácumulo de coisas per fazer, pelos livros que não li, pelo tempo que não dediquei a execução de atos e afazeres realmente importantes e essenciais. Respiro o ar inocente das crianças que brincam com a fantasias inumeráveis proporcionadas por uma imaginação irrefreável e compulsiva por adentrar a realidade subjetiva que a natureza material oculta e por ela vela. Minha vida não é muito diferente do acender um cigarro. Sei que em algum momento ele irá apagar, mas a vontade e o vício irá me levar ao encontro de outro, e assim sucessivamente, num horizonte sem fim e ilimitado, neste termos vislumbro o infinito matemático que atormentou e ainda atormenta os gênios dispostos a viver uma vida pela verdade.

O mito da novidade é continuamente reafirmado nas propagandas e comerciais, na vitrine das vaidades possuir o novo é um acréscimo de força a personalidade, valores humanos atrelados a objetos superficiais, ideologia sórdida, consumidora dos mais belos ideais. E não por acaso a beleza sempre esteve associada a idéia de justiça, mas para uma sociedade reduzida a estatística os números revelam tão somente a miséria imposta a maioria dos povos.

Os devaneios solitários sugerem épocas, cores e transmutações, não posso fugir do sofrimento e do lugar comum, eles me pertecem e considero meu bem mais precioso, talvez o último resquício palpável de minha própria humanidade. Ainda não consegui superar o sentir pelo pensar e minha intuição diz que nesta e em outras vidas isto será impossível, pois o coração bate e sua cadência acelera meu anseio pela morte.

As almas levianas e infantis, acorrentadas ao aspecto exterior da vida, virão seus sonhos e desejos serem reduzidos as cinzas. Num tempo de leveza e paz, a união dos povos se faz necessária pela manutenção da guerra.

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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