latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!


O tempo, este deus da transformação, atua de forma desconcertante, fomentando em nosso íntimo o doce desejo da transformação. Vivemos em uma sociedade marcada por visíveis contradições, entre o ser e o ter entre a essência e a aparência. De forma brusca, repentina, a roda da vira movimenta-se e tudo que antes parecia de forma certa e indubitável agora nos afigura incerto e duvidoso. O incessante progresso científico e tecnológico nos leva a uma infinidade de avanços nas mais diversas áreas do conhecimento humano, proporcionando uma série de comodidades e de facilidades. A medicina evoluiu no diagnótico das mais variadas doenças, quase todos os setores da sociedade são beneficiados pela presença da informática, e assim por diante. Os efeitos são enormes, as consequências inumeráveis, e entre os aspectos positivos podemos destacar o encurtamento das distâncias entre os povos e o intercâmbio entre as culturas. A globalização redimensionou o globo terrestre às suas justas proporções. O que nos afigurava longe e distante, hoje pode ser visto ao vivo em questões de segundos. No entanto corremos o risco de estarmos vivendo uma vida virtual, superficial, vigiada e controlada. Os relacionamentos amorosos por exemplo podem nascer de um ambiente totalmente virtual, como as salas de bate papo. O cheiro da pele, os olhos nos olhos e aquele friozinho na barriga são desconhecidos e nem sequer desejados por quem acredita nessa forma de "encontro". Os mecanismos utilizados pelas grandes seguradoras se transformaram em elementos indispensáveis ao bom funcionamento do sistema. Milhares de lojas, empresas e condomínios aderem ao sistema de câmeras vinte e quatro horas, ficamos expostos aos olhos alheios em nome da nossa própria segurança.


Depois de algum tempo perdido, de uma infindável tristeza, de um temporal de lágrimas derramadas no sensível solo da alma, a consciência debruça-se, instantânea, sobre si mesma, procurando respostas, revendo conceitos, alterando rotas, buscando alicerçar-se em novos fundamentos, criando novos paradigmas...
Pessoas que cruzam nossos caminhos, para o bem e para o mal, como se não tivessemos outra escolha, senão aceitar de imediato nossa limitada condição... as imagens oníricas se diluem, o entusiamo de antes não persevera, instala-se novamente uma crise, e os músculos da alma se enfraquecem, tornando sua cor opaca, roubando sua vivacidade sob a tônica do pessimismo reinante...alguns buscam no suícidio a saída, outros vagam pelas ruas, estradas, calçadas, solitários no pensar e no sentir, indiferentes ao frenético movimento das renovações apregoadas pela tecnologia e pela sociedade midiática... Enormes aparelhos televisivos que descortinam, todos os dias, a mesma programação, disseminando a rotina como algo normal, estável, seguro... todos buscam segurança, alguns através de um concurso público, federal, estadual, outros através de camêras e sensores, outros guardam seus verdes papéis nos cofres e passa ano após anos e vivenciamos os mesmos ritos, as mesmas celebrações, os mesmos feriados, respirando a nostálgica repetição incoerente que nos incita a refletir sobre a nossa condição humana... o nascer do sol já não nos afigura como uma novidade, nem mesmo como uma benção celeste, a noite nem sempre nos agracia com o fulgor de seus astros e os olhares marcados pela dor nem sequer questionam sobre sua própria essência. A existência, vazia de sentido e de perspectiva, se afigura como um tenebroso jogo de interesses e de posições... a febril necessidade de sempre estarmos antenados a novidade, atrelados a valores superficiais que com seu colorido anestesiam os nobres valores da alma, pouco a pouco minam a possibilidade de uma real transformação na consciência dos seres humanos. Enquanto isso, em algum matadouro qualquer, ouvem-se os gritos estridentes de um porco sendo morto, seus restos mortais que alimentam nossa fome e nossa intriseca necessidade de viver da morte alheia. O gosto selvagem da vísceras de um animal doméstico e inofensivo.


um grito inaudível,
sozinho transito por ruas escuras,
ébrio, sedento de desejos,
me despero por não poder vivenciar
um momento de solidão na noite.

Um copo de uma bebida quente,
na mente voláteis pensamentos,
saudáveis opiniões sobre si mesmo,
nem que seja por um momento,
por um fugaz instante,
gozar o passamento de espíritos errantes.


a vida sem poesia,
sem regra estabelecida
sem normas, sem leis, sem bíblia
apenas sentimento,
eu sinto, tu sentes, ele sente
nós sentimos...
Pena, compaixão, misericórdia
ódio, impiedade, insana glória
rompe-se ao meio dia o véu
gritos estridentes ao léu
a hierarquia dos fluidos
a qualidade do desejo
o espírito carne insatisfeito
na carne espírito rarefeito
o tempo dilui-se
esvai-se... como as horas...
irremediável
o tempo
não volta...
um segundo é uma eternidade
se tivermos em vista a brevidade
de nossa curta vida carne!!


Engraçado, não temos a dimensão exata de nossa liberdade. Somos responsáveis por nossas escolhas, desde as mais insignificantes, como a cor de nossas peças íntimas até as mais decisivas, como a escolha de nossa profissão. Apenas esboçamos escolhas referentes ao exterior, imagina a escolha de nossos pensamentos, a construção de nossas idéias, o desenvolvimento contínuo e não linear de nossa consciência. Nossas escolhas baseiam-se em nossos referenciais, em nossos modelos, em nossas crenças, em nossos padrões estéticos enfim em nosso conhecimento. Podemos ter como modelo um grande filósofo como Platão ou Nietzsche, ou uma alma nobre como madre Tereza de Calcutá ou Chico Xavier, ou um grande artista, como Picasso e Rafael, ou um operante lavrador, pedreiro e pintor... são vários os motivos que nos levam a escolher uma coisa em detrimento de outra, mas não podemos deixar de refletir sobre isso, afinal, como bem nos lembra Platão, quando fazemos uma escolha deixamos, na verdade de fazer outras mil possíveis. Sejamos sinceros, não ficaríamos espantados se um dia soubéssemos que fomos nós mesmos que escolhemos nosso sexo, nossa família e a cidade que iria nos acolher? Pois então, muitos de nós gozaram desta oportunidade, e acredite, muitos gostariam de estar em seu lugar, enfrentado seus conflitos e passando pelas mesmas dificuldades. Para compreendermos esta assertiva precisamos nos convencer da pré existência do espírito, mortal e eterno e logo após estudarmos as propriedades do corpo espiritual. É normal e compreensível nos identificarmos mais fortemente com o corpo, é a parte mais visível de nós mesmos, é o meio pelo qual nos reconhecemos e nos relacionamos, é a nossa primeira experiência como espíritos, é uma das formas de evolução que nos permite rever o conteúdo estudado e assimilado no plano astral além de nos permitir uma observação mais consciosa dos diversos estágios pelo qual transitam os seres humanos e por quais vias a evolução se opera. Num primeiro estágio temos o reino mineral, no segundo o vegetal e no terceiro o animal, no quarto o ser humano e suas diferentes hierarquias espirituais. No reino mineral podemos observar a inércia e como as substâncias afetam umas ás outras, é o velho ditado, água mole pedra dura tanto bate até que fura, as modificações naturais se operam num tempo milenar incalculável e inconcebível para nós seres humanos; já no estágio vegetal gozamos de uma vida de nutrição e de crescimento; no estágio animal experimentamos nosso primeiro contato com a vida guiada somente pelos instintos, com raras excessões de alguns mamíferos que possuem um certo nível de inteligência, mesmo que maquinal, como no caso dos chimpanzés e dos golfinhos. Mas é no corpo humano que se opera e se dá a mudança mais drástica, evoluimos ao ponto de nos percebemos como uma entidade única, portadora de um eu e vontade totalmente particular. O ego é o casulo protetor, é o botão de rosa fechado, centrado em si mesmo, fase necessária para que no futuro o ser possa se desvencilhar de seu si e interagir de forma harmônica com as outras pessoas. A fase do espelho, de nos vermos a nós mesmos nos outros, esta identificação que nos permite ao menos nos vermos, de certa forma semelhante nos outros. Se formos pensar em toda sua profundidade, é interessante notar como que todos possuímos as mesmas necessidades básicas, vestuário, alimentação e sexo, mas interiormente possuímos tendências, gostos e vocações totalmente diversos e complementares visto vivermos em sociedade e sermos seres progressivamente gregários. Num primeiro momento fazemos parte da família, depois de nosso bairro, da cidade, do estado, do país, do continente, do planeta, do universo, assim sucessivamente. A principal ferramenta de expansão de nossa consciência é a linguagem e o seu surgimento permitiu uma maior compreensão do mundo à nossa volta, os símbolos compartilhados e estruturados por nossa percepção e sensibilidade nos permitiram acumular uma grande quantidade de conhecimento e de informação referente a história de outros povos, comparando costumes, leis e regras dos mais diversos povos, passamos a entender o porquê de agirmos de determinada maneira e não de outra, somos herdeiros de nosso meio, e a nossa família aparece como nosso primeiro referencial. Os fatores religiosos por exemplo exercem uma grande influência na construção de nossa estrutura psíquica ora nos libertando ora nos proporcionando traumas e conflitos que muitas das vezes nos afiguram insuperáveis. Dependendo da religião, os deuses estão sempre próximos, e ao contrário da maioria das religiões monoteístas cada um encerra em si um arquétipo que corresponde às virtudes e aos vícios que predominam na personalidade de cada um de nós. No Brasil, é inevitável a constatação e a admissão da predominância da religião de cunho cristã, em especial à católica , que crê na existência de um único Deus e na vida após a morte, sendo que os bons estão destinados ao céu e os maus ao inferno. O demônio, as vezes, nos afigura como o professor, o mestre astuto que a todos instante coloca a fé dos discípulos em provação, nos incitando ao mal de acordo com sua vontade e desejo, como se pudesse dominar nossa vontade, exercendo um fascinio irrecusável, tirando nossa responsabilidade e a liberdade por nossas escolhas, devido a este tipo de crença muitas vezes deixamos de assumir a total responsabilidade por nossos atos, preferimos nos refugiar na figura de um ser destinado eternamente ao mal. Outras religiões não são precursoras desta idéia mas afirmam existir seres invisíveis que nos influênciam negativamente para que soframos como eles sofrem, destes dois pontos de vista podemos concluir que se por um lado não existe a lendária figura do diabo, por outro não podemos ser tão ingênuos a ponto de negar a maldade de certos espiritos e pessoas. Ainda transitamos por um mundo de prova e de expiações que se caracteriza pela predominância temporária da ignorância como consequência sofremos os mais diversos males e podemos contemplar a tragédia em suas infinitas faces sangrentas e cruéis. Por outro lado, somos entusiasmos e guiados pelos grandes gênios da humanidade que através de um árduo esforço e de um processo de sucessivas reencarnações conseguiram sublimar sua energia nos fornecendo nobres exemplos de bondade e de bom gosto. Cultivaram as qualidades da alma e exemplificaram o grau maior que podemos atingir aqui na Terra, Jesus Cristo e Krishna com certeza foram os maiores seres que a habitaram nosso orbe, trazendo inestimáveis lições de cunho moral, alicerçando os pilares éticos no amor e na caridade, nos encorajando a trilharmos o caminho do bem e da boa vontade, a acreditarmos na existência de um ser superior, que a todos nós criou, referindo ao mesmo como Pai. Nos chamou de filhos de deus, sendo que também possuímos parte da centelha cósmica e fazemos parte de uma única família e que planetas inumeráveis pululam no universo. A visão se amplia para além da vida presente, o futuro nos é descortinado através das revelações e do ensinamento dos espíritos, através da intocável mediunidade de Chico Xavier.


meus nervos cortantes escondem a verdade
de meu ser fragmentado em partes
meus olhos enxergam além da própria visão
sou um mendigo em busca de perdão
me sinto fraco, sou fraco, mas são
culpado, irresponsável e inconsequente
irei ser sugado pelo abismo do erro
gostaria de nesta noite ser devorado por deus
gostaria que deus me matasse
e não me concedesse a eternidade
não gostaria de ter nascido neste mundo
pobre mundo, habitado por tolos humanos
querem que eu lute
que não seja um covarde
mas não consigo sequer pensar em prosseguir
não tenho desejo materiais
sim, tenho, muitos
sou insano e contraditório.
não sei falar de nada além de mim mesmo
e a isso, a esta arte de não querer falar dos outros
chamam egocentrismo, narcisismo, vaidade
qual a validade dos conceitos humanos?
sei lá, vai entender a humanidade


Qual a origem do medo? O medo pode ser real ou imaginário, e talvez o medo existente na cavidade subjetiva se mostre de fato, mais real e forte do que o primeiro, pois o medo que nasce de um fator determinado pela realidade tende a ser dissipado logo se passe às circunstâncias que o ocasionaram, enquanto o imaginado tem a possibilidade de perdurar, e a lembrança de sua presença tende a se tornar a principal constante que perpetua o sofrimento imaginário e irreal.
Uma das principais criações mentais que nos aprisionam a um mundo de penas eternas, onde almas danadas são destinadas a se alimentarem do infortúnio alheio com um prazer imensurável é a imagem do inferno cristão, onde impera absoluto e intransigente o invencível diabo, que após ter decretado sua sentença, cabe ao supliciado, somente a misericórdia de uma alma boa e benevolente que lhe dedique um pouco de seu tempo e de sua atenção. A escassez de bons exemplos e de pessoas dispostas a participarem do aprimoramento da humanidade como um todo, tende a produzir um certo mal estar, gerador de insegurança e de uma contínua desconfiança. Por onde transitamos vemos somente olhares inquiridores de nossos atos e pensamentos, e as vezes nos sentimos inferiores e derrotados, como que se a auto humilhação fosse o único meio de nos redimirmos perante a divindade, que assiste inerte aos nossos mais íntimos sofrimentos, que mesmo que sejam revestidos pelo véu temporário da ilusão nos afiguram reais, e deploravelmente necessários. É a instalação e manutenção de um círculo vicioso interminável, onde a pessoa que dele padece sente uma indefinível e cruel angústia, responsável por um ambiente de desespero e de desesperança. Estas palavras são excludentes, onde uma está a outra não está, são irmãs que se vêem mas não se tocam. A esperança é a afirmação do sofrimento humano, onde há esperança, há insatisfação, por que quem espera, espera por alguém ou alguma coisa que não tem no presente, logo transfere para o futuro a possibilidade de desfrutar de um estado de coisas mais promissor, mais feliz. Claro que para quem sofre e se vê no aqui agora privado de algo que não possa ser satisfeito de imediato é mais do que reconfortante e necessário se projetar no futuro. Mas para que essa imagem não se transforme em mero devaneio devemos ensinar as pessoas a aproveitarem o tempo presente em função de seus sonhos, de seus desejos, fazer com busquem dentro de si um estímulo que as façam despertar de seus letárgico estado físico, moral, logo, social. A fragilidade humana é imensa, mas a fortaleza também, pois ela emana do Pai que faculta a seus filhos iguais oportunidades no vasto horizonte da evolução. O que é muito fácil constatar nos dias de hoje, é o escárnio com que alguns crentes dirigem aos ricos do mundo. No fundo gostariam de estar gozando dos mesmos privilégios e comodidades, mas ao invés de lutarem por se aperfeiçoarem intelectualmente preferem lançar tenebrosos sermões, e condenar os irmãos ao fogo do inferno. E assim, ao invés de nos unirmos no amor de cristo, e nos reconhecermos como uma só família, caminhamos distanciados dos ensinos do mestre e nos atemos somente ao aspecto imediato da vida, atendendo de bom grado os convites e chamados do mundo das aparências sociais, onde nos vestimos de acordo com os mandamentos das igrejas mas por dentro não comungamos de seus ideais, nas palavras de jesus, somos sepulcros caiados por fora e podres por dentro. È triste e lamentável como se porta a civilização ocidental diante de uma novidade tecnológica, todos ávidos por consumir, possuir no intuito de mostrar o quanto somos capazes de participar ativamente deste pobre jogo descartável e superficial. Medimos nossa força e o poder de nossas faculdades meramente pela capacidade que temos de possuir as coisas e os seres, sim, não queremos apenas as coisas, queremos ser aplaudidos e reverenciados, não por nossas qualidades – o que também já seria uma vaidade, menos vulgar obviamente – mas por nossos objetos. Claro que não iremos abrir mão de coisas que foram feitas no intuito de nos entreter e nos distrair saudavelmente, mas não iremos colocar a carroça na frente dos bois. A violência aparece de forma incontestável e os alarmantes índices de assassinatos, roubos, tão somente comprovam a ineficácia do sistema capitalista. E qual seria a solução? Um novo sistema político? Um novo presidente? Mais segurança nas ruas, ou seja, mais polícia? Bem, podemos conferir ao outro algumas responsabilidades, até mesmo por sermos diferentes e por existirem pessoas mais aptas do que as outras para exercerem certas funções. Não somos, absolutamente, iguais. Somos semelhantes na aparência e nas necessidades fisiológicas mas internamente cada um encerra em si mesmo um universo de infindas possibilidades. O que é necessário para um não é para o outro, muitos possuem a frieza de abrirem um corpo humano e se tornam exímios médicos, outros com a mesma habilidade se tornam assassinos sanguinários que assinam suas obras com visíveis resquícios de maldade premeditada, minuciosamente calculada. Podemos, através de uma analise sociológica, comportamental buscar justificativas para tal tipo de comportamento ou simplesmente atestar a existência de pessoas que gostam, de fato, de praticar atos bárbaros. Os presídios se tornam verdadeiros laboratórios para se praticar o estudo da mente humana, o que leva uma pessoa a cometer atos deste tipo? Não vamos nos prender a isto por não ser o cerne da questão. Entretanto não podemos deixar de admitir que a existência de tais seres em nosso meio também provoca medo e insegurança. Se Deus existe, por que motivo Ele nos concedeu a oportunidade de vivermos em meio ao pânico e o terror? Porque?


O Planeta começa a sofrer os primeiros impactos das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global, entre elas a descaracterização das estações do ano que não mais se apresentam de forma cíclica e linear afetando a produção e o cultivo dos alimentos necessários à nossa subsistência. Num primeiro momento podemos dirigir nossos julgadores olhares para as nações mais ricas dos planetas, as denominadas potências mundiais, detentoras de um maior número de fábricas e indústrias com alto teor de poluição atmosférica. No entanto, seremos obrigados a nos olharmos de frente e admitirmos o quanto não participamos ativos deste jogo. Quando adquirimos produtos artificiais, desnecessários a nossa sobrevivência, ajudamos a aumentar o lixo do planeta. O processo de decomposição não se opera num passe de mágica e apesar de uma considerável quantidade de lixo ser orgânico e reciclável, a grande parte ainda fica depositada nos chamados lixões, verdadeiras feridas expostas a céu aberto. Como ainda não encontramos outro meio de acumular o lixo, poderíamos nos conscientizar da importância de constarmos em nosso cardápio alimentar, frutas, verduras e derivados do leite.


o berço da civilização ocidental originou-se na grécia antiga
as primeiras epopéias narradas por Homero: Odisséia e Ilíada
Os atos heroícos, virtudes da época, era de fato a sua paidéia
aedos e rapsodos cantavam a poesia
enquanto a matemática, herança egípcia
ficou sendo a premissa de toda metafísica
filósofos pré-socráticos, questionaram a origem da Terra
aguá, terra, ar, fogo e éter, substâncias primevas
empédocles de agrigento, parmênides de eléia
heráclito de éfeso dizia que o devir é a essência
diante de tantas teorias platão não titubeou
reuniu todos filósofos e um novo mundo instaurou
o mundo dividido em mundos paralelos
de um lado, o sensível, perceptível pelos sentidos
de outro o intelígivel, alcançado pela ascese mística
que se compunha dos principios básicos da geometria
a filosofia deu luz à todas as ciências
é a mãe querida, a verdadeira essência
o questionamento, a reflexão, atributos do espírito
imanentes instrumentos da evolução
na contemplação da verdade em si mesma
o mundo das formas, das aparências
em plena transformação, pura fluidez
em contraposição com o mundo extático
eterno, infinito, imutável
orfeu músico da trácia, conhecedor do lete
o rio do esquecimento, foi o primeiro
a fazer a distinção entre alma e corpo
entre a moldura de barro e o etéreo sopro
assim se inicia os processos vindouros
desde os primórdios até a época do ouro
o pós aristotelismo, o neo platonismo e a "santa inquisição"
a ciência cartesiana, o ceticismo e a copernica revolução
o renascentismo, o barroco, iluminismo, racionalismo
expressões artísticas de inalterável valor
pensamentos originais de inestimável teor
assim caminha a humanidade,
processo ciclicamente catártico,
visceralmente lamentável,
ao mesmo tempo ousado e espantoso
como tudo que é grande e misterioso
enfim, é e não pode deixar de ser assim...
a nossa história, ocidental...
orgulho ou vergonha, só nos resta o agora...
refletir sempre


quarenta anos após a ditadura militar
intelectuais, artistas assumem outra posição no ar
primeiramente eram contra a repressão
o ápice dos protestos a musical revolução
a irreverência comportamental de seus adeptos
o vanguardismo estético presente nos manifestos
a rebeldia dos estudantes contra a ditadura
contra o status quo, a bomba da cultura
movidos pelo ímpeto da transformação
estudantes provocaram a revolução
encruzilhada vivida por esta geração
que foi em 68 ponto de inflexão
viva o milagre ecônomico brasileiro
viva a canção do exílio, ao mártir guerreiro
ou você era engajado ou era alienado
não existiu meio termo na era de aquarius
toda esta agitação político cultural
refletiu diretamente na identidade nacional
no fio da navalha, a violência era constante
radicalização crescente, inferno angustiante
esquerdistas, comunistas, anônimos artistas
não se tratava de um ícone pop
nem mesmo existia preocupação com o ibope
não vendiam sua alma ao diabo
e seu fígado aos vermes não era atirado
as utopias foram tragicamente abortadas
o que beneficiou atitudes ousadas
até a classe média estava bastante emocionada
pois via que seus filhos também estavam envolvidos
correndo perigo pois se tratava de uma tirânica cilada
a marcha dos cem mil entrou para a história
a roda viva ficou na memória
versos fortes que mechiam com o espírito da época
fez surgir uma legião de poetas
vinicius, edu lobo, jobins e buarques
tropicália verso louco, só para quem sabe


acuados com a criminalidade,
a sociedade violenta reage
se uma criança do local
morre com tiro na cabeça
que diferença faz se é de fuzil ou de escopeta
existe uma coisa pairando no ar
parece que hora de assumir a bomba nuclear
ninguém tem coragem de tomar atitudes modernas
tapa na cara, bope, não resolvem o problema
tomam a causa pelo efeito e não enxergam a raiz
quantos capitães nascimentos fizeram um pai infeliz
até hoje respondemos o crime com bala
há duzentos anos chicoteávamos na senzala
lampião foi perseguido pela volante
polícia móvel de estilo torturante
a forma truculenta de agir é o empecilho
para que possamos sonhar com o futuro de nossos filhos
tudo está interligado de forma complexa
o equilibrio urbano, a estrutura periférica
o gás carbônico lançado na cidade do México
pode afetar a temperatura de todo um hemisfério
nem tudo é caótico e desequilibrado
tudo está aqui, divinamente ocultado
aos olhos vulgares incapazes de perceber
a coerência que tem que existir entre o pensar e o fazer
o fio condutor que nos leva a perfeição
é agir acima de tudo com o nosso coração


o sonho do estado é a erupção de dinheiro vulcânico
nos paraísos fiscais, pactos satânicos
moradores dos universos, dos sistemas estelares
a Terra é hospício, hospital, universidade
diante de universos inumeráveis contemplo
a eternidade dos astros em movimento
cometas, cósmicas párticulas, nebulosas,
estrelas coloridas...
enquanto nas entranhas do mundo
correm rios de sangue
enquanto vocês lutam pela ascencão social
eu viajo pelas dimensões do plano astral
o mundo invisível onde paira a verdade
onde dinheiro é papel, sentimento realidade
de que adianta andar de carro zero
todo alinhado, calça de linho e terno
se não tem conhecimento sobre aquilo que é eterno
os homens vivem sem se questionar sobre a essência
valorizam o transitório, a ilusão da aparência
sem carro de luxo, rolex, blindado
playboy não aguenta o tranco
vai pro abismo aloprado
desejos carnais povoam a sua mente
comedor de carne, discipulo da serpente
menosprezou os pequenos na vida
errante, boêmio, quase um suicida
cadê o sorriso estampado no rosto
foi incapaz de perceber o fundo do poço
agora algemado ao mundo terreno
não tem facilidades, apenas o veneno
onde estiver seu coração, estará seu tesouro
não quis a salvação, só o bracelete de ouro
a prática cristã não aceita hipocrisia
fariseu moderno, defensor do adultério e da orgia
experimenta a verdade da sua sintonia
frequencia inferior, criação mental que você mesmo criou!!!


Fabricam armas de grande poder destrutivo
bactérias, vírus, sistema improdutivo
projetamos nos extraterrestres a nossa imagem
invasão em massa, torturas e desastres
o big brother é uma vitrine pra outros países
o brasil de gente rica, famosa e belas atrizes
no jornal saboreio o gosto do sangue alheio
acidentes, chacinas, atentados terroristas
a alta cotação do mercado imobiliário
reflete no bolso e no coração do desempregado
gostaria de poder falar de coisas suaves e belas
mas é impossível vivendo na favela entre feras
a sanidade mental é um raro estado
basta analisarmos quanto dinheiro
nos cofres públicos mal utilizados
a política, sinônimo de descrença, imoralidade
bem vindos amigos à realidade
as multinacionais tiveram um record em seu faturamento
salário irrisório, hora extra como divertimento
o homem máquina preso na rotina
contempla a vida a partir de sua monotonia
a clássica revolução operária foi adiada
na outra encarnação em vez de escrever o capital
e defender o comunismo, karl marx prefira o poder do míssil
não conseguimos conquistar o poder da palavra
não tem nada para dizer, vai no precípicio e se mata
quantas vezes teremos que refletir sobre as nossas diferenças
a madame prefere passar o final de semana em dubai
do que ter que ajudar os índios em função da funai
que descaracteriza a cultura ameríndia
monopolizando terras, elevando o custo de vida
diamantes, riquezas, em terras brasileiras
não pertence ao povo, mas sim a classe burguesa
foi assim desde o ínicio, inteligência em benefício
do assaltante que pratica o crime do branco colarinho
criança indefesa não come comida chinesa
no banco dos réus não está papai do céu
o juiz de citroen, com luxo na mansão
desconhece a humilhação que o preso sofre na prisão
não tivemos oportunidade de cursar faculdade
apenas conhecemos o pátio podre do denarc
na sepultura de pobre não tem lápide
com palavras honrosas, nem mesmo póstuma homenagem
só conhecemos o desprezo da sociedade
que da verdade, só conhece partes

o sistema capitalista possui as teias da sedução
propagando ilusões, institucionalizando mentiras
com ares de sinceridade...
miséria, pobreza, mediocridade como consequências
a vida irrefletida construída com sedução
mentiras sinceras
consequencias da vida


a perspectiva do mercado propõe ascensão social
as marcas dos produtos consumidos expõe a força individual
robô teleguiado pelo sistema,
a novela e os programas ditam os lemas
consumir, bem vestir e se mostrar o tal
não querer se humilhado na cozinha usando avental
até no teste vocacional é possível constatar o preconceito
não aparece a profissão de motorista, padeiro ou pedreiro
é como se essas funções não tivessem importância
uma legião condenada a ignorância
a base da pirâmide novamente se cala
a indústria é a senzala, a produção a chibata
nos livros de história modificam-se os cenários
mas os mecanismos são os mesmos, poder autoritário
a poesia devia ter uma missão política
não se preocupar com a forma
mas ajudar na construção de uma consciência crítica
sem postulados, enigmas, nem mesmo erudição
falsos pedantes que escrevem em vão
as mãos calejadas do humilde lavrador
irão resplandecer no céu mais do que a cabeça de muito doutor

o desespero de escrever sobre algo
docemente frívolo, sarcásticamente profundo
perversamente inusitado...
a mente humana destinada a criar
a suplantar a mediocridade
a transformar o brilho da vaidade
a procurar dentro de si verdades
na vacuidade da vida passageira
palavras se amontoam e se aglutinam
remetendo a imagens, passagens...
sons ecoam do passado distante
tudo se transforma em nosso rosto
corporificamos o hoje, a nossa imagem e semelhança
a poesia vulgarizou-se no palco da vida
qualquer um pode se meter a ser poeta
as palavras dançam em nossas cabeças
e as idéias flutuam sem direção
somos guiados pela intuição
pela descontrução de um pensamento vão
repetir palavras, adereços e estilos
na tentativa de nos fazermos entendidos
escrever e falar sem razão de ser
de saber efetivamente o que se é
e principalmente o que é que se procura
perceber no silêncio e na quietude
o movimento invisível do esforço árduo
é preciso lutar pela serenidade
é preciso querer de fato a verdade
e ver, se somos capazes de suportá-la
o querer, desejo criado
pela história modificado
ainda há de nos levar a muitas controvérsias
no plano da contemporarização
débil, dissonante, diferente, estúpido, presunçoso
louco, louco, louco
relataria nestes versos meus atos loucos
meus atos imbecis
ardis de uma consciência culpada
visivelmente aturdida por conflitos
ouço, em meu leito, as estridentes gargalhadas de espiritos zombeteiros a me mostrarem minha face mais crua e ao mesmo tempo mais doce... somos acres...
ilhas sem destinação
solitários em nossas divagações
equilibrados em nossas meditações
loucos, loucos, loucos...
a loucura resume tudo
tudo é possível áquele que crê


a vida é uma lacuna a ser preenchida
por almas nobres, torpes, arredias
o instinto, movimento inevitável
pela arte transcendente transmutado
remete-nos as sombras cinzas
no lodaçal do humano pantâno civilizado
tempo e espaço desconfigurados
moldados pela descontrução do ser
plasmado pela convicção do ter
vazio de esperanças vindouras
pérfida imediatez concludente
julgam pessoas e poesias
valorizam horas, enumeram dias
criam sistemas, escravizam vidas
sugestionam temas e filosofias
ignoram saberes e os poderes celestiais
providência divina, inalterável justiça
berço da liberdade inconfidente
nos braços da humanidade penitente
reside nossas mais deploráveis esperanças
a espera do amanhacer, na aurora do ser
novamente desfalecer... fortalecer, renascer...
ciclo, continuamente louco...


a ignorância é o mal mais bem distribuido entre os homens
o que desconhecemos é sempre maior
do que aquilo que julgamos conhecer
pequenos prisioneiros no espaço
refém do tempo, humano obstáculo
a percepção limitada, o esforço descompensado
a folha de cheque antecipadamente descontada
o nosso canto que sempre chega ao fim
chegará o dia em que nossa voz será calada
nossos ossos no solo enterrados
subjugados por convenções sociais
por amarras políticas e sexuais
dejetos do desprezo alheio
o desespero de ser sempre igual a si mesmo!!!
ímpar, único, plural, na sistêmica vontade universal
de sermos sempre à todos igual
mesmo sendo, vivendo, de forma individual
complexo antagônico, abissal, desconfigurado, surreal
quebra cabeça ao avesso do bis romântico


aqui não tem poesia romântica ou espiritual
realidade introjetada por telepatia virtual
o bélico arsenal da mídia anestesia
o pensamento do meu povo
novela com o mesmo poder de fogo
do exército israelense, aê grow inventa o novo jogo
a propaganda do honda civic é o fundamento do verso
na favela um sequelado dá ataque epilético
não sobe no morro porque é mais fácil assistir
pela televisão o desconforto daqui
não tem energético, nem campanha financianda
o valerioduto passou longe de minha casa
não me proporcionaram nenhum artigo de luxo
somente um olhar vidrado de preconceito e luto
as vezes até me vejo no martírio de cristo
sendo crucificado, aceitando o fatídico homícidio
se nietzsche nascesse hoje eu perguntaria
quem são realmente os fortes da sua filosofia
será que o boy que não tem compaixão
ou a dona maria atrás do fogão
não queremos piedade, muito menos peninha
não fazemos parte da ideologia da mendicância improdutiva
já estamos cansado de bolsa família,
mais vale um emprego e uma moradia
dignidade, cidadania, são palavras inutilizadas por sua compania
no nosso pobre vocabulário o ódio soa como algo frio sem lógica
para quem passa a vida toda enfurnada em lojas
ó puta, toma o seu cadilac, a última geração
pra na próxima reencarnação herdar doença no coração
assim funciona o livre arbitrio da vida
ação reação a justiça é divina...

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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