latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!

modernidade líquida
mundo artificial
mas a fatura é concreta
no contrato virtual

bem vindo ao mundo real
onde dinheiro contamina
fortalecido por papel 
mais do que por vitamina

cuide da sua vida 
não se importe com ninguém
se você está em paz
então está tudo bem

para quem curte diz amém
e vê se compartilha
mas não esquece aquela foto
para poder postar no insta

logo mais estou na pista 
aberto para negócio
em busca de investimento
e de mais um rico sócio

enriquecer é óbvio
maior sentido da vida 
construir uma grande casa
e uma bela família 

onde está a sua filha 
agora neste momento
perdida em si mesma
ou na selva de cimento?

o que se passa por dentro
nem sempre se reflete 
numa mesa de bar
apenas o cego se diverte

sem nenhum projeto 
plano e objetivo
vou canalizando
atingindo alto nível

saber desinteressado 
a única prerrogativa 
para a verdadeira arte
para o artista que cria

 
Nestes novos tempos virtuais, principalmente nas redes sociais, é comum nos depararmos com inúmeros posts e comentários nascidos de um engano ou mal-entendido gerado por um suposto erro de comunicação. Num eterno papo de surdo e mudo as pessoas parecem ter pedido a capacidade de interpretar um texto e ler nas entrelinhas. Poucos se dão ao trabalho de ler e refletir, digerir e ruminar o conteúdo, deixando, desta forma, escapar o seu sentido e essência.  

Como se isso não bastasse, uma enxurrada de opiniões são lançadas e emitidas sem nenhum tipo de critério ou avaliação, inundando a rede de uma série de conceitos e preconceitos que são diariamente repassados e reproduzidos, de forma irrefletida e inconsequente, em alta escala e velocidade, atingindo milhares de pessoas e lugares ao mesmo tempo.

Uma das maiores preocupações filosóficas de todos os tempos, permanece viva, ativa e operante, transcendendo os corredores da história e do tempo: a busca pela verdade. A verdade é sempre associada às questões estéticas (belo), éticas (justiça) e morais (bem) e sua imagem, forjada por um prisma romântico e poético, pode ser comparado a um espelho que reflete de forma clara, límpida e fidedigna, o brilho de sua luz, cujos raios dissipam todo tipo de dúvida, angústia e incerteza. 
 
No período clássico da Grécia Antiga (500-338 a.C.), Platão, filósofo e matemático ateniense, discípulo de Sócrates, mestre de Aristóteles já nos fornecia os primeiros elementos para que pudéssemos visualizar a diferença entre o conhecimento popular (denominado senso comum, representado pela opinião e adquirido através da experiência e vivência empírica) do conhecimento da verdade, realizado através da busca e investigação filosófica, mediante conceitos lógicos, matemáticos e abstratos.

Acredito que seja de extrema valia e necessidade, para quem quiser construir um argumento lógico, o estudo da lógica: nada mais óbvio. Se por um lado somos obrigados a admitir que o nível das discussões ainda permanece restrito aos “ismos e achismos” de seus interlocutores, por outro nos resta reconhecer que o espaço virtual se transformou, para o bem ou para o mal, na ágora* moderna.       

Polêmicas discussões são alimentadas e mantidas no intuito de defender e convencer o outro do nosso ponto de vista e opinião. Hercúleo esforço é despendido na tentativa de nos fazermos ouvidos, entendidos e aceitos. Não por acaso os gregos reverenciavam a peithó, a arte da persuasão, como uma divindade. Quem detinha o dom da retórica e da oratória era aclamado e reverenciado, o que lhe conferia prestígio, status, e claro, poder.

O debate, assim como a discussão, além de promover e ampliar a compreensão e o entendimento, são elementos indispensáveis na construção do conhecimento e na manutenção da democracia. Na inútil tentativa de evitar o atrito, o conflito e a discórdia, milhares se esquecem ou simplesmente ignoram que o raciocínio dialético nasce justamente do embate e da tensão entre os opostos.

Porém, quantas amizades estão sendo desfeitas e repensadas após infindáveis réplicas e tréplicas desgastantes e desnecessárias? Uma coisa é colocar o argumento acima da amizade, outra é abrir mão de expressar a nossa opinião. Se uma amizade se rompe por este motivo, vale a pena repensarmos nosso conceito de amizade.  

Afinal, o que queremos quando publicamos ou postamos qualquer tipo de comentário? Na melhor das hipóteses ampliar o horizonte da discussão, tornando pública uma reflexão privada. Se eu digo que não penso igual a você, você tem várias opções, entre elas, de levar para o lado pessoal ou simplesmente aceitar o fato de existirem pessoas que pensam diferente. E pensar diferente de você é totalmente diferente de estar contra você. Será que temos essa maturidade e compreensão?

Até que ponto conseguimos aprofundar uma discussão apenas na esfera dos fatos e das ideias sem cairmos na dimensão particular e pessoal? Será que vale a pena abrirmos mão daquilo que temos de mais sagrado: o direito de expressarmos abertamente nossa opinião, seja ela qual for, para mantermos por perto pessoas que se revoltam e se mordem à menor contrariedade?

Ou não seria extremamente vantajoso saber, como hoje sabemos, que existem pessoas do nosso meio que defendem o fascismo, a homofobia e a tortura?  Não seria tão ingênuo a ponto de acreditar cegamente em tudo que leio assim como não seria tão leviano para não reconhecer o valor do sangue derramado de meus irmãos para que eu pudesse ter o direito à liberdade de expressão.

Enquanto isso, intermináveis disputas são travadas aos olhares atentos e ansiosos dos doadores de like. Se nos primórdios combatíamos nas arenas, passando pelo espetáculo dos gramados, hoje, apesar das limitações e dificuldades encontradas pela falta de manejo, traquejo e trato com a língua, nossos gladiadores e craques estão migrando, de forma lenta, contínua e necessária, para o mundo das palavras e do pensamento. Grande salto qualitativo de nossa nação.   

*Ágora era o lugar em que os gregos se reuniam para discutir e debater os seus problemas políticos e sociais.  


Mais uma vez assistimos estarrecidos, desesperançosos e inertes à vitória do retrocesso e do desrespeito aos mais caros direitos, duramente conquistados pelos trabalhadores. Em nome do progresso e da modernização da legislação trabalhista, milhares de empresários, legitimamente representados pela maioria no Senado, saem sorrindo mediante a aprovação irresponsável de uma medida que visa acima de tudo, interesses próprios e particulares.

Os sindicatos deverão ser exorcizados e sua existência demonizada, como se não tivessem tido nenhuma participação ativa na histórica luta pela aquisição e manutenção de direitos. Todos os trabalhadores deverão se curvar perante a carta magna do capital. Cada qual deve ser responsabilizado pelo seu fracasso pessoal, social e profissional.

Através de um apelo emocional e sincero devemos fazer com que todas as pessoas de bem se conscientizem da encenação promovida por todos os pobres e miseráveis. Se existe algum culpado pela sua extrema condição de penúria e miséria, são eles mesmos, e assim lavamos nossas mãos perante aos que amam se fazer de vítimas e pobres coitados.

 A história se repete. Desde a abolição da escravatura, todo e qualquer movimento ou levante que vise à elevação ou melhoria de nosso povo deve ser fortemente atacado e rechaçado, na base da força e do golpe. Para tanto, é necessário utilizar de todos os meios e formas: mídia, justiça e política.

Os donos do poder, leia-se um por cento da população brasileira, conseguiram, de fato, através do uso do mito e de repetidas e reiteradas afirmações arbitrárias, persuadir grande parte da sociedade de que o maior responsável pelos problemas do país é o Estado e sua incapacidade de administrar e gerir a coisa pública.

A melhor saída, nestes casos, é entregar nossas riquezas e patrimônios nas mãos de empresas privadas e de pessoas mais bem preparadas, aquinhoadas e competentes: eles próprios. Os meios de comunicação de massa ao deturparem a imagem do Estado, passaram a dar todo crédito e mérito às leis “reguláveis” do mercado.

O mercado, assim como seus agentes, aparece como uma entidade invisível e abstrata, impessoal e universal, cujos princípios emanam de sua autorregulação natural e espontânea, promovida pela concorrência e pela competitividade, pela lei de oferta e demanda. O Estado, por sua vez, é retratado como particularista e pessoal, corrupto e partidário.

O papel central dos pseudo-sábios da mídia e do jornalismo é a idiotização da classe média, que por sua natureza soberba e orgulhosa, não se reconhece ou se admite povo e ignorante. Mesmo diante de tantos fatos e acontecimentos nem desconfia que também está sendo cegamente conduzida e manipulada pelas mãos do consumismo e do conformismo político e ideológico.

Os miseráveis, herdeiros diretos da senzala, são responsáveis pelo serviço braçal, bruto e pesado. Aos escolhidos pelo sistema e possuidores de grandes patrimônios, cabe o legítimo direito e dever de explorar e manter à sua revelia e critério este atual estado de coisas.

A escravidão no Brasil é um ideal mantido às ocultas, mas hoje, através da reforma trabalhista, revela sua face mais dura e cruel. Por muitos anos, a elite maquiou este fato, de modo que o discurso mais vendido e aceito é o da vitimização por parte dos pobres e excluídos.

Bastou a parte mais pobre da sociedade frequentar os aeroportos para que os mais ricos não demorassem a demonstrar sua indisfarçável insatisfação, comparando-os a rodoviárias. A presença dos mais pobres no shopping e universidades incomodou profundamente uma ala conservadora, branca e elitista, que se considera superior e acima de seus conterrâneos.

O ódio aos mais pobres é claro e explícito, e cada qual parece amar o seu opressor. O Brasil é um país majoritariamente formado e constituído de miseráveis, contudo eles mesmos, ao atingirem certo status social, se tornam, repentinamente, convertidos à seita maligna do capital.

Acreditando nas suas qualidades e na sua vontade de vencer na vida se julgam exemplos a serem seguidos e admirados, como se suas trajetórias pudessem resumir e atestar uma infalível receita de sucesso perfeitamente aplicável e praticável por todos. Mal sabem que sua vida, assim como seus interesses são dirigidos por quem está vários degraus acima.

Mesmo com a corda no pescoço, pagando escolas e hospitais privados, a classe média brasileira não se rende à evidência de que existe uma rapinagem e um sórdido jogo econômico muito acima do que possa imaginar sua débil inteligência.

Cheios de si e fartos dos outros, estes seres posam felizes para as fotos, de forma leve e descontraída, alegre e despreocupada, esquecendo-se que o preço a ser pago é alto: a escravização de si e do outro.

 O poder do povo, ou a democracia, mais uma vez, deixa de ser exercida em função dos interesses daqueles que dizem nos representar. E assim caminhamos em direção à ruína de muitos e à riqueza de uns poucos. E continuo me perguntando: até quando?

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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