latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!


qual o seu perfil
a sua identidade
me diz quantas curtidas
visualiza na postagem
vivendo de imagem
refém da vaidade
alimento do ego
é o número de like
quais comunidades
você mais visita
será que as carentes
ou as listadas no insta?
quais páginas e site
você mais frequenta?
o número de acesso
e o que ele representa?
quais suas preferências
seu estilo musical
programa televisivo
 ou cinema nacional?
eis a nova vida
universo virtual
conectado à rede
desligado do real 
chega a ser surreal
um divino delírio 
imagina um homem
preso a tela de vidro
passando sua vida
projetando uma imagem
constrói o figurino
dando vida ao personagem
seleciona os momentos
mais felizes da viagem
e os momentos tristes
retoque de maquiagem
milhares de apelos
diariamente emitidos
me diz quantos jovens
pela rede seduzidos
vivendo uma vida
paralela a realidade
acredita ser normal
uma grande vantagem  
entre sombras e miragens
procuro alguém vivo
que saiu da caverna
e que sinta o que eu sinto
nos velhos escombros
da nova sociedade
vasculho entre os restos
um pouco de humanidade

34 milhas percorridas
com direito a nome
escrito no livro da vida
quem se identifica
como um ser alado
com sorriso no rosto
permanente estampado
sei que é possível
basta ter paciência
somente os escolhidos
reconhecem a ciência
desvelam sua essência
muito além da aparência
sabem que sua vida 
é uma eterna experiência
adquirem sapiência
humilde sabedoria
por fora a tempestade
por dentro a calmaria
agora o que importa 
se nada lhe incomoda
a morte é só um nome
pequeno que abre a porta
a vida vem em ondas
para quem sabe surfar
segredo é deixar fluir
a prancha em alto mar
surfista do universo
do espaço sideral
magnéticas ondas
se propagam no astral
neste oceano abissal
perdidos no exterior
quantos conflitos íntimos
ainda provocam dor
na ausência de amor
daquele humano calor
o homem vira bicho
um animal sem valor

o caminho é solitário
tente andar devagar
abandone toda pressa
todo medo de errar 
não se cobre tanto
caso venha a falhar
pois o medo de cair
nos impede de voar
todos erros cometidos
são mestres a ensinar
o que devemos perder
para podermos ganhar  
tem que ser para ter
caso queira conquistar
o segredo da vida
é cada coisa em seu lugar
se tem sede de justiça
tem sede de mudança
qual será sua medida
o peso fiel da balança
voltar a ser criança
na pureza dos atos
para habitar o céu
a beleza dos astros
sigo seguindo rastros
sempre atento aos sinais
nunca estamos sozinhos
não ouse olhar pra trás
navego sempre em frente
as ilusões deixei no cais
remando em mar aberto
enfrentando temporais
chuvas ou vendavais
que diferença faz
toda dor é pequena
para quem sofreu demais

compreensivo
subversivo
verso ao vivo
ainda insisto
nunca desisto 
por isso existo
por estes ares
além dos mares
vejo milhares
de dramas
na minha cama
só tem espaço
pra minha dama
quem ama?
deixei seu pesadelo
e você passando mal
caminhando na moral
sem rótulos e títulos
correntes e grilhões
abandonei no abismo
nunca estive sozinho
se prepare pro levante
além da minha vitória
espero nossa revanche 
evoque sua falange
batalha espiritual
me diga o que é
fantasia
eu lhe mostro
o que é real
 percepção natural
muito além do normal
sem uso de remédio
planta química letal
sem sair do meu quintal
mergulho no interior
 viajo pelo universo
guiado pelo amor
absorvendo calor
em nome do Criador
aquilo que tem valor
quase sempre não tem preço
ao menos monetário
de cara eu reconheço
cultivando apreço
mereço meu respeito
não espero do outro
o que devo a mim mesmo
raciocínio sem freio
sem peias, sem volta
não sei o que é pior
 viver com medo
ou sem revolta

Assim como a sociedade, os países e principalmente, as grandes nações, ninguém gosta de se olhar no espelho. Ninguém gosta de ouvir a verdade, em especial o povo brasileiro. As pessoas sorriem na sua frente e te apunhalam pelas costas. Países do hemisfério norte tendem a ser mais sinceros neste sentido mas infelizmente pagam um alto preço por isso: solidão, angústia e isolamento. Não existe nenhum estilo de vida que não ganhe de um lado e perca por outro. Tudo na vida parece ser assim, dual: positivo/negativo, bom/ruim, bem/mal, quente/frio, claro/escuro, é um jogo de polaridades,  que ora alternando entre um e outro, nos fornece um tipo de conhecimento e entendimento necessário para sobrevivermos neste plano. 

O mundo é um grande espelho onde vemos refletida a nossa imagem. Quebrar este espelho é perigoso e envolve questões complexas, como o ser do outro. Nietzsche, por exemplo, diz que  os homens se distinguem justamente pelo "quantum" de verdade são capazes de suportar. Infelizmente, não creio em verdades eternas e absolutas, principalmente na esfera das relações humanas. Primeiro, para conhecer o outro é necessário conhecer a si mesmo. Nos relacionamos com o outro na mesma intensidade e nível que permitimos nos relacionar conosco mesmo. Os relacionamentos humanos nascem da arte do encontro e crescem pela cumplicidade através do tempo.

Segundo Marx, toda relação nasce do interesse; segundo Freud, nos procuramos para fugir do tédio; segundo os teóricos econômicos, para trocarmos mercadorias; segundo Blaise Pascal, por dois motivos, primeiro por não conseguirmos ficar sozinhos conosco mesmo, segundo pela vaidade de nos mostrarmos ao outro; segundo Aristóteles por sermos seres políticos e essencialmente sociais, gregários. Alguns idealistas diriam que a amizade é o fim último da existência. Enfim, existem várias possibilidades e justificativas para nos relacionarmos com o outro. É, porém, indubitável pensar que ninguém evolui ou erra sozinho. A solidão limita nossa forma de sentir e pensar o mundo.

Voltando-nos ao cerne de nossa questão, peço desculpas se acaso for "demasiado humano" e pessoal. Acredito que todas as teorias expostas acima contém partes da mesma verdade: necessitamos do outro, pois somente um ermitão, completamente isolado no deserto, seria capaz de proclamar em alto e bom tom que vive essencialmente sozinho e não necessita da presença de ninguém. Particularmente não acredito nesta ideia.

Vou arriscar meu primeiro passo, delineando um pequeno esboço contemporâneo da sociedade. Não podemos ignorar o fato de vivermos numa sociedade capitalista, regida por princípios e valores estruturados em seus moldes econômicos, políticos e sociais. Pode até parecer algo novo, mas desde o século XVI, o homem se distingue e difere do outro, ora pelo uso da força, ora através do aparato externo que lhe confere um certo status. Se antes eram o número de posses, gados e cavalos, hoje é o tamanho da casa, do carro e o valor do salário. Uma mulher, por exemplo, era reconhecida e admirada  pelo estilo de seu penteado, o qual conotava o número de lacaios necessários para elaborá-lo. O que quero dizer com isso? Nas relações humanas, de forma invariável e constante, há uma relação de força e poder. Não podemos ignorar aspectos como o egoísmo, o orgulho e a vaidade, nem mesmo a benevolência, a virtude e a caridade. Não nascemos predispostos a reverenciar e tratar o outro como a nós mesmos, por sermos ainda reféns das armadilhas perpetradas pelo ego. Ignorando estes dados, que por si só, revelam um lado sombrio da nossa personalidade, podemos passar a acreditar nas amizades que nascem pelo puro e simples prazer de estar na companhia do outro, de forma desinteressada e plena. Esses casos são, entretanto, raros.

Atentemos a essa pergunta: até que ponto conseguimos nos relacionar com o outro? Até o ponto em que conseguimos nos relacionar conosco e até onde ele permita e nos dê abertura. A relação humana é uma via de mão dupla e não de mão única. Depende essencialmente da disponibilidade de nossas mentes e corações. Pense por um instante: por que Deus, em sua infinita bondade iria permitir sermos tentados por seres inferiores? Ora, o amigo, muita das vezes, não tem coragem de nos dizer a verdade. O inimigo sim.

Mas não podemos ignorar que vivemos numa sociedade que prima pela superficialidade, pelo riso fácil, e ninguém está disposto a ouvir nossas queixas e lamentações. Vivemos a ditadura da felicidade em que as pessoas postam somente o lado doce e alegre da vida. Ninguém está interessado em conhecer de fato o outro, suas angústias e crises existenciais: nascemos sozinhos e vamos morrer sozinhos. A sociedade é sobretudo hedonista, o princípio de prazer anda de mãos dadas com o princípio da realidade, o que por si só, já denota uma sociedade imatura que vive em função dos seus interesses e vontades. O imediatismo como valor imanente, não existe a arte e magia da espera, tudo é para ontem. Se ontem podíamos contemplar as crianças brincando e se divertindo em velhos quintais, hoje vemos as mesmas emparedadas em seus ambientes virtuais: tudo é supérfluo e industrializado, desde dos alimentos aos consumo das idéias e dos pensamentos. Não temos tempo para nós mesmos, muito menos para outro. Não escrevemos, não respondemos, apenas adotamos um vocabulário monossilábico que corresponda aos apelos imediatos das demandas sociais. Mal temos conhecimento para emitir determinado juízo e ao invés de repensar e refletir sobre o peso das palavras, saímos por aí, vomitando nossas opiniões como verdades absolutas e universais. Não conversamos, discursamos! Não temos interesse em saber como o outro pensa e sente pois somos incapazes de nos colocar em seu lugar, não nos preocupamos em criar empatia. E assim assistimos, mais uma vez, inertes, o crescimento de uma geração imatura, irresponsável, que diz querer mudar o mundo mas é incapaz de manter seu quarto organizado. É capaz de ter as mais belas ideias mas ainda tropeçam em suas meias e cuecas pois é muito mais fácil falar do que fazer, imaginar do que realizar, enfim, somos contraditórios por excelência. Parece que estou fugindo do tema, mas se não buscarmos um esclarecimento mais aprofundado de nós mesmos e das relações que se dão neste mundo de hoje, dificilmente iremos ter um entendimento maior sobre as relações que criamos no decorrer de nossa jornada existencial.

Eu, particularmente, passei a trilhar o caminho do auto conhecimento depois de ter completado 30 anos. Não é fácil, mas não é impossível. Viver de acordo entre aquilo que eu penso e aquilo que eu faço é um constante desafio: é um exercício contínuo e diário. Mas vale a pena, já não posso culpar ou responsabilizar, a minha família, o estado ou a sociedade, sou obrigado a olhar para dentro de mim mesmo: rever meus conceitos, minhas posturas, mudar a matriz do me pensamento. Quantas vezes não fui obrigado a me ver como realmente sou : pequeno, ignorante e limitado. Não sou dono da verdade, entre aquilo que eu penso e aquilo que é, existe uma grande distância. Infelizmente toda minha bagagem teórica me serviu de muito pouco. Existe uma grande diferença entre conhecimento e sabedoria, precisei passar toda minha experiência e vivência intelectual ao filtro do coração, de nada adianta me enveredar por um universo acadêmico e literário se isso não faz de mim uma pessoa melhor, se isto não me aproxima das pessoas que pensam e agem diferente de mim, se isso não aumenta a minha tolerância e aceitação ao que é diferente de mim mesmo. A vida só faz sentido se compartilhada, não quero ver minha vida reduzida numa sala fria e sem amor. O amor não é apenas uma palavra, é algo vivo e atuante.

De qualquer forma só posso me relacionar com o outro até o ponto em que ele permitir. Depende dele se abrir ou não para mim. Só posso falar de mim mesmo. Não tenho nenhum receio ou medo de me mostrar ao outro como sou, apesar de ser desnecessário discorrer que existem certas coisas sob as quais não gostaria de falar, e sobre aquilo que não podemos falar, devemos nos calar, é a velha história, minha liberdade termina onde começa a do outro.

Nas últimas décadas temos presenciado um vertiginoso crescimento do uso de entorpecentes, principalmente entre os jovens. Podemos constatar este fato tanto entre as classes mais e menos favorecidas socialmente.  O motivo que leva o jovem a experimentar as drogas são diversos, entre eles os principais ainda são: curiosidade, auto afirmação perante os colegas (medo de ser rejeitado pelo grupo), meio de se rebelar contra os pais ou contra a sociedade (auto-destruição) etc.
Inadvertidamente, todos começam a usar sem prever as maléficas consequências a curto, médio e longo prazo, afetando diretamente sua relação consigo mesmo, com a família e com a sociedade. Os furtos, decorrentes da necessidade de obter a todo custo as drogas, são frequentes, podendo ocasionar até mesmo a morte dos envolvidos, porém este ainda não é o principal problema. Diversos estudos científicos comprovam que o termo droga leve, por exemplo, não passa de uma cortina social para legitimar o uso de qualquer tipo de substância que venha a alterar o normal funcionamento do organismo, sejam: soníferos, álcool, maconha, cocaína, crack, etc. Todas provocam danos irreversíveis ao sistema nervoso central, este constituído de delicadas células que não se regeneram: os neurônios, prejudicando o reflexo, a memória e o aprendizado. Além disso, o uso prolongado de drogas, faz com que o cérebro condicione a produção de dopamina, substância ligada ao prazer, somente ao momento do uso, daí a falsa sensação de alegria e euforia: o barato. Estes são os principais malefícios fisiológicos mas não podemos nos esquecer daqueles mal estares provocados por descontroladas bebedeiras: a depressão advinda após o uso da cocaína, a apatia provocada pela maconha e a ansiedade causada pela abstinência de qualquer uma delas.
Como dependente químico em recuperação posso afirmar que o usuário de drogas sofre de uma séria doença incurável que o deixa fortemente desequilibrado emocionalmente. Todavia a dependência pode ser controlada, contudo requer: grande força de vontade, auto conhecimento, aprimoramento do ser espiritual, crença no Ser Superior, ajuda dos familiares, compreensão dos amigos, etc. A frequentação assídua e permanente a alguma instituição religiosa ou grupo de auto ajuda que o satisfaça espiritualmente é um dos mais belos caminhos a ser seguido por todos aqueles que decidiram firmemente parar de usar drogas. Ajuda a resgatar o controle das emoções a leitura de bons livros, a renovação dos hábitos, das amizades, a gratidão a Deus pela vida e pelos pais. A vontade de se recuperar, a confiança em Deus, em si mesmo e na Vida são o melhores remédios.
Qual a melhor maneira de se ajudar um usuário de drogas? Esta pergunta precisa ser respondida desapaixonadamente e com certeza requer Amor e Energia. Os familiares não podem mais "passar a mão na cabeça", esta é uma das piores formas de "ajuda" pois prolonga-se seu estado emocional infantil e irresponsável. Muitos familiares amedrontados, ou simplesmente por falta de informação, satisfazem à todas as excentricidades do filho, talvez este seja um dos maiores erros cometidos, porque? Ora, estamos cercados de responsabilidades e o usuário precisa não somente apreendê-las mas participar ativamente de sua execução. A ociosidade é um dos maiores problemas a serem combatidos e enfrentados, não somente pelas autoridades mas pelos familiares. Desfrutamos de uma preciosa Biblioteca Pública, as crianças devem ser incentivadas a frequentá-la rotineiramente, aliando prazer e educação, tomando gosto pelos estudos dificilmente se submeterá a prazeres menos dignos. Isto requer orientação da Escola mas principalmente dos familiares, precisamos mudar a falsa concepção de que a Escola é a única responsável pela educação de nossas crianças: nunca foi e nunca será. Bons hábitos adquirem-se em casa através dos exemplos dos pais. O amor ainda é o melhor caminho, sempre...   

Os dias passam e a vida, sorrateira, segue seu fluxo irrefreável. Por quantas vezes, as horas parecem nos empurrar para um espaço sem luz e vazio. Nestes dias, em que acordo sob os acordes pessimistas da rotina, com vontade de desistir e entregar os pontos, costumo questionar seriamente o sentido da vida e confesso que me surpreendo com as respostas. Diante das limitações impostas pela minha ignorância e pela minha pequenez resta esperar a vinda de dias melhores e mais salutares. Viver é bom, solidão que nada, já diria o poeta Cazuza. Triste é constatar que estes dias tendem a ocorrer com mais frequência na vida de uns do que na de outros. Mas o que eu tenho a ver com a vida de uns e outros, tudo por sinal, a não ser que opte por ser uma pessoa absolutamente indiferente a dor e sofrimento alheio. Nada melhor do que pensar nas contas para pagar e levantar sem murmurar, fazendo o que tenho que fazer e não aquilo que eu quero, a vida é o que é e não do jeito que eu gostaria que fosse, o segredo está na realização das minhas necessidades e não das minhas vontades. Também gosto de lembrar que milhares de pessoas dariam tudo para acordarem e terem um emprego. Só olhando para trás para poder desvencilhar de certos sentimentos. E como é ruim falar ou desabafar sobre a tristeza, parece que as pessoas não resistem a tentação de dar um conselho, e com isso, perdem o meu respeito. O que menos quero nesta hora é ouvir qualquer tipo de indicação segura contra o mal estar, que me afigura irremediável no momento, mas no fundo, devido ao tempo e a idade, sabemos que nunca o é, eis uma das maiores vantagens de envelhecer: a maturidade, e com ela, a maioria dos jovens nem sequer ousa sonhar, não conseguem visualizá-la nem de longe. Só queremos ser ouvidos. Muita das vezes necessito da atenção que sou incapaz de ceder aos outros. A vida é sobretudo instável e inconstante, não existe nenhum tipo de contrato que me forneça as devidas garantias sobre o dia de amanhã. Querer que a vida seja o que ela não é, estável e segura, é o que nos aprisiona numa sucessão de rotineiros dias sem fim. Mas a rotina é um ótimo remédio contra a insanidade pois ela nos protege, sem dúvida, sobretudo de nós mesmos. Nos fornece a falsa sensação de que estamos minimamente no controle, e que de alguma forma, a mudança depende de nós. Temos uma necessidade muito forte de estarmos no controle de tudo e se possível, ter o controle de todos, e isto, de certa forma, é o que está acontecendo com o mundo: um numero reduzido de pessoas, não satisfeitas com sua vida bem aquinhoada, como se não bastasse deter 80% de toda renda mundial, ainda querem o controle sobre nossas vidas e mentes, hábitos e costumes, pensamentos e sentimentos e para isso, utilizam-se de todo tipo de estratégias e artifícios. Estímulos são projetados e reiterados, repetidas vezes, numa cega sucessão de propagandas sem fim, alardeiam a felicidade como algo palpável, coisificam sensações e principalmente pessoas, tudo se torna rentável e comercializado, e a finalidade é apenas uma: aumento do consumo, logo, do lucro. Longe de mim, defender qualquer tipo de ideal politicamente correto, pelo amor de Deus, nada contra as pessoas possuírem seu objeto de desejo, mas defender este estilo de vida como único possível ou com ares de ser uma verdade absoluta e universal é lastimável. A singularidade e unicidade de cada indivíduo se dá mediante a afirmação de sua vida no mundo. Uma das coisas mais interessantes deste planeta é a diversidade de línguas, países e culturas, porque reduzir tudo a UM? Uma única língua deve ser estudada e propagada como a língua universal de todos os povos; um único regime político, econômico e social deve ser implantado mediante o uso da força e da presença militar, para impedir que terroristas e ditadores autoritários se perpetuem ilegitimamente no poder; a democracia deve ser defendida e disseminada como único regime capaz de gerir a relação entre os povos, e assim marcharmos, cegos em relação ao futuro que pode ser contemplado em cada esquina, no centro comercial de toda e qualquer metrópole na solene figura de Ronald Mc Donald. A coca cola elevada a bebida cósmica universal, o dólar como moeda corrente do universo, e o padrão de vida americano como o sonho de todo e qualquer cidadão decente. Uma vida sem música e sem poesia, deveras marcada pela técnica e pela competitividade, promovendo um individualismo e um nível de stress sem precedentes. A ansiedade, frente aos novos moldes sociais, gera um terrível desconforto e mal estar. A homogeneidade dos povos é a vitória das massas e do império do grande capital. Sim, diga ao Tio Sam, que ele venceu. Após décadas investindo na propagação de sua cultura através da disseminação cinematográfica de hábitos e costumes, do alto investimento na indústria da guerra e na construção de centenas de bases militares, distribuídas estrategicamente sobre o globo, ele conseguiu. Agora, todas as pessoas, sem exceção, sonham com suas big casas e com o progresso de cunho científico e tecnológico. Comem hambúrguer e arrotam o besteirol americano. Diga ao Tio Sam que o mundo foi reduzido em sua aldeia e que ele atingiu o seu objetivo, que foi o de nos convencer que a vida rural, em meio a natureza, é triste e sem sabor, que não vale a pena investirmos na vida ecologicamente sustentável, que o projeto da agricultura familiar foi engolida pela agroindústria. Me diga Tio Sam, o que queres a mais, afinal, seu apetite se mostra, a cada dia, cada vez maior e insaciável. Sorria Tio Sam, o mundo é seu!    

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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