latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!


sempre estamos 
em busca de algo
essencialmente insatisfeitos
nada parece nos preencher
apenas o vazio

o amor é apenas uma palavra
para ser balbuciada 
em ocasiões especiais
ou em cima de uma cama

nada dura para sempre
não existe uma chama 
que não se apague

é preciso coragem 
para despirmos 
de nossas certezas

assumimos publicamente 
nossas fraquezas
e convivermos 
com a nossa fragilidade

somos seres vulneráveis
qualquer fortaleza se desmorona 
perante a presença da perda, 
da morte!

nunca mais seremos como antes
não podemos mais voltar
já estamos indo
pra onde?

nunca é tarde
sempre vale a pena 
se questionar...



O Brasil, ainda há de enfrentar, duros golpes, em sua frágil e jovem democracia. Um pequeno grupo de empresários, banqueiros e políticos, que aqui aportaram no único intuito de explorar e consumir as riquezas nacionais em benefício próprio, ainda ousam ignorar solenemente, o fato de outras pessoas co-habitarem o mesmo tempo e espaço. Não queremos ser dirigidos ou novamente teleguiados por forças estranhas a nossa forma de agir, sentir e pensar. Estamos cansados de sermos pisoteados e escravizados por autoridades estranhas a nossa razão. Não queremos ser usurpados do direito a vida e a dignidade. Queremos sonhar com um país que caminhe com as próprias pernas, distante dos moldes capitalistas vigentes. Queremos que um maior número de pessoas possa ser beneficiada e que o direito a terra seja uma prerrogativa de todo e qualquer cidadão dito brasileiro. Não queremos ser reconhecidos como massa ou povo. Temos nome, endereço e identidade. Não somos peças de reposição ou mera mão de obra barata. Somos seres humanos, com os mesmos desejos e vontades. Queremos que nossos filhos frequentem as melhores escolas, que habitem os melhores lugares e possam caminhar livremente, exercendo o direito de ir e vir sem serem revistados. Não queremos em nossa vida, nunca mais, ouvir aquela velha frase, que bem representa a forma como o direito é tratado no Brasil: Você sabe com quem está falando? Já nascemos sem acesso as mais elementares formas de higiene, educação e decência, mas nem por isso gostaríamos de testemunhar a invasão de nossos lares por pessoas armadas que por estarem fardadas dizem nos defender. Não queremos ser os únicos a carregarem o peso e rigor das leis, exigimos que a mesma medida que vocês usam para nos julgar, seja usada para todos de forma indistinta e imparcial. Estamos cansados de sermos iludidos pela justiça. Desejamos, que todo órgão, instituição ou empresa, em nosso país, sirva aos interesses da coletividade acima do mero interesse particular. Que possamos ter acesso ao saber e ao conhecimento. Que nossos filhos possam comungar o mesmo espaço, inclusive o social e imaterial. Que nosso país possa ressurgir da crise com uma nova identidade, fortalecido pelo aprendizado advindo dos próprios erros. Não queremos assistir passivos a vitória de uma classe sobre a outra. Não podemos mais aceitar a distribuição arbitrária e parcial de qualquer tipo de favor ou privilégio.  Não queremos mais habitar o quarto da empregada, queremos comer a mesa em regime de igualdade. Queremos ter acesso aos mesmos modos de produção e facilidades promovidos pelo progresso científico e tecnológico. Queremos ver nossas crianças empunhando livros e não fuzis. Queremos ser reconhecidos como o país do presente e não de um futuro fantasioso e imaginário. Queremos ser um país livre agora. De que necessitamos para nos soltarmos das amarras que nos impedem de caminhar livremente em direção a construção de uma nova e grande nação? Precisamos nos desfazer dos laços que nos prendem a ideia de estado e a todo contrato social estabelecido sem o nosso consentimento. Precisamos de coragem para desvencilharmos, de uma vez por todas, das leis e convenções instituídas com o único propósito de defender os interesses, direitos e posses dos detentores do capital. Precisamos destruir as cercas e muros que nos impedem o acesso a nossa autonomia e auto suficiência. Precisamos gritar nas rádios, nas tvs e nos jornais. Precisaremos reivindicar de forma violenta ou seremos ouvidos de bom grado? Acho que vocês já possuem a resposta. Liberdade ainda que tardia!



como poeta marginal
vivo no fio da navalha
devasso pensamentos
renasço em cada batalha
como oculto vampiro 
seu espírito sondava  
sugava energia
no abismo habitava
com poderes psíquicos 
pela mente alterada
percorrendo caminhos
pelo breu da madrugada 
hoje de mente aberta
com a boca fechada 
observo em silêncio
as feridas na alvorada
quantas almas perdidas
pelo mundo devorada 
elevar a consciência
é a meta desejada
sigo abrindo mentes
com a lâmina afiada
cultivando sementes
em paisagem descampada 
minha matéria prima
é bruta, não lapidada
minha vida pregressa
confusa e complicada
minha vida passada
esquecida e apagada
minha vida presente
só por hoje equilibrada
agora me encontro
preparado na largada
minha mente acelera
coração vem e dispara 
miro a bola da vez
mato numa só tacada
a mente engatilhada 
pensamento rajada
bombardeios de ideias
é a guerra declarada
manual guerrilheiro
meu modus operandi
educação em massa
muitos livros na estante
sou só um militante
da guerrilha cultural
disseminando ideias
meu acervo arsenal   
ignorância é o mal
que deve ser alvejado
diariamente banido
do mundo eliminado
por todos direitos
duramente conquistados
pelo sangue inocente
na história derramado
por todos os mártires
que foram assassinados
por todos os loucos
que nunca se entregaram
por todas cabeças 
que nunca se curvaram
por todos joelhos
que nunca se dobraram
por todos rebeldes 
que nunca se aceitaram
mudei minha postura
nunca minha vontade
lutarei até o fim
por amor a liberdade
nunca me enquadrei
neste sistema arcaico
nasci periferia
e cresci no mesmo bairro
sem pré requisito
ou artigo publicado
não sou nenhum produto
no mercado ofertado
não tenho nenhum preço
na minha testa estampado
não vendo minha alma
para Deus ou o Diabo
não sei se estou certo
ou estarei errado
amanhã é outro dia
não vou me sentir culpado
defendo o que penso
não vou pagar o pato
ser sempre verdadeiro
é o alto preço do ato

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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