latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!


Durante anos estive envolvido no submundo das drogas. Experimentei várias substâncias que me propiciaram estados de extâse, relaxamento, angústia e depressão. A felicidade ilusória contida nos comprimidos, nos pós aspirados em demasia, nas sedas apertadas em excesso, nas garrafas aglutinadas na mesa de um bar qualquer, nos não sei quantos mil cigarros apagados no cinzeiro da existência reflete, tão somente, a necessidade que todos temos de buscar fora de si mesmo as respostas relativas às questões existenciais.

Mergulhei de cabeça neste mundo fascinante, mágico e avassalador. As drogas voláteis sempre foram as minhas preferidas... o mundo visto sob a tonalidade vibrante de suas cores inumeráveis, a pupila dilatada, a boca que se cala, o pensamento que divaga e o corpo que se transforma em pura sensação... as portas da percepção se abrem e um novo mundo se descortina, o mistério da existência visto por um buraco na fechadura, nem que seja por minutos, segundos ou milésimos... por um instante gozar da compania dos anjos e demônios que nos cercam.

Neste intérim me envolvi com todo tipo de gente, desde a classe A até a classe Z, do intelectual ao mendigo na praça com sua meiota de cachaça catando bitucas para fazer um cigarro. Já comi com talhares de ouro, já bebi em copos de lata, as aparências sociais nunca me serviram como referência na escolha de minhas amizades. Não participo de tribos, minto, participo de todas, estou com meus amigos punks idealizando algum manifesto, em algum baile funk dançando até o chão, sentado em uma mesa repleta de homossexuais, transitando pelas ruas com a malucada da cidade, com os traficantes dos morros, com o grupo de jovem, com os hippies subversivos relatando suas peripécias, com os poetas sublimando algum ideal, com o grupo de ajuda mútua, com os playboys e sua ideologia, estou assistindo big brother com minha namorada, mandando uma rima improvisada no bar do gilmar, assistindo a uma partida de futebol no maneira mineira, na lan house jogando xadrez, na biblioteca lendo um livro de poesia, na internet explorando seus recursos e repensando a teoria shopenhauriana sobre a vontade, ansiando por um mundo novo e justo onde todo tipo de sacanagem seja excluída de nosso meio, exceto a sexual.

Amo a diversidade e aprecio a singularidade de cada pessoa, de cada lugar e situação. Penso as questões universais de forma intuitiva, ampla e aberta... Cada ser encerra em si mesmo uma variedade infinita de poderes e possibilidades... Tudo depende da abertura de nossa consciência e do amor contido em nossos corações.

No entanto, por muito tempo acreditei, que somente através de substâncias psicoativas poderia contemplar e conhecer de fato a "verdade". Sempre tentei usar a droga como um meio e não como um fim, mas isto nem sempre é possível, pois em alguma parte do processo, que não saberia precisar, ela também começa a reinvindicar seu espaço e a interferir em nossos processos cognitivos, mentais, logo sensoriais. A memória é gravemente lesada, a coordenação motora sofre os efeitos imediatos logo após a ingestão, o cérebro não raciocina com a mesma eficácia e rapidez, sem falar nos prejuízos do pulmão, coração, fígado, rins, estômago... O corpo físico se ressente, o espiritual na mesma medida em que se amplia se enfraquece, e o círculo de amizades já não é mais o mesmo...

Por muitos anos perambulei por lugares a esmo, escadarias imensas, morros, becos e vielas em busca de algo que pudesse me proporcionar um alívio imediato. O dinheiro gasto era o de menos, o que mais importava naquele momento era o prazer a qualquer preço. Remédio, anfetaminas, cocaína, cola, crack e conhaque, um coquetel suicida que se pudesse ser reduzido à um único comprimido e o mesmo fosse diluído em algum rio africano, dizimaria uma porcentagem considerável de hipopótamos e rinocerontes que habitam parte de sua admirável savana.

Neste contexto, não é difícil imaginar a série de conflitos gerados por este modo de vida. Entre eles destaco, sem duvída, o conflito policial. Poderia citar os relacionamentos que não vingaram, os amigos que se distanciaram, a família que se desestruturou, mas não, prefiro fazer este recorte e deflagrar o meio e o modo como o Estado lida com esta situação que perpassa muito mais pelo âmbito da saúde do que propriamente pelo judicial.

Quantas vezes não fui abordado de forma desumana por policiais despreparados que não possuíam a mínima formação necessária para poderem desempenhar um papel que requer um equilíbrio psicológico e um profundo conhecimento das relações humanas. Se formos pensar, um pouco que seja, no porquê de sermos abordados, na melhor das hipóteses, deveríamos pensar que os policiais estão, de fato, preocupados com nossa saúde e com nosso bem estar. Mas ao contrário do que prega a constituição, os "porcos fardados", quando não se utilizam de sua força física armada, muitas das vezes aproveitam de seu poder para humilharem aqueles que são vítimas de seu orgulho imbecil e autoritário. Quantos homens afirmam a sua masculinidade através do uso da farda? No ato da abordagem se sentem verdadeiros deuses encarnados na figura triste e medíocre de seus personagens. O policial também é um ator que se insere na sociedade mediante a teatralidade e o uso de artifícios cênicos. Podemos não ser a favor da legalização mas podemos pensar a respeito da discriminalização. Seria um passo decisivo no resgaste de nossa "humanidade".


A sociedade é regida por uma gama de valores que podem e devem ser contestados à luz de uma reflexão sóbria e sem afetações. Se por um lado somos obrigados a emitir o nosso parecer sobre a melhor pessoa capaz de nos governar por outra temos o direito de reinvindicar melhorias e transformações na nossa realidade. A quantidade de arbitrariedades cometidas por nossos governantes sem o nosso consentimento gera uma revolta e um mal estar coletivo sem precedentes. A forma como a mídia veicula as informações e seu extremo cuidado em velar, por exemplo, as atitudes positivas tomadas por nosso vizinho Hugo Chavez - implementou o maior salário mínimo da América do Sul de quinhetos e cinquenta reais e decretou o preço de cinco reais por quarenta litros de gasolina - nos leva a questionar sobre o esquema político arquitetado pelas grandes emissoras de televisão que ganham milhões com este corrupto jogo de influências e poder.

Não existe capitalismo sem cultura capitalista. Que a indústria cinematográfica hollyowdiana é responsável pela dissimenação da cultura americana, isto todos sabem, mas ninguém sabe o que reza o contrato assinado com o senhor Roberto Marinho na década de sessenta. Várias empresas norte americanas investiram um grande volume de dinheiro para que as emissoras se dispusessem a inserir em suas programações o modus operandi americano. José Sarney e Antônio Carlos Magalhães, na década de 80, foram agraciados com parte das ações da globo. Se fizermos uma análise criteriosa sobre quem são os donos das retransmissoras da globo, das grandes emissoras de rádio e da mídia escrita iríamos constatar que em oitenta por cento dos casos, no mínimo, são de políticos que exercem grande influência nas decisões mais importantes para o país. A estrutura do sistema está nas mãos de pessoas que ignoram e desprezam o bem estar comum e o desenvolvimento intelectual da coletividade. Espaços como este, reservados pela internet, podem ser tomados como parâmetros na construção de uma sociedade mais alternativa e mais justa. Em meio a este aglomerado de víboras e serpentes que rastejam no córrego podre de suas vis ações temos a possibilidade de manifestar toda nossa repulsa e ódio.

Feito estas considerações não é preciso analisar a sociedade de forma minuciosa para entender o porquê de determinados tipos de comportamento e situações. Em meio ao barulho e a agitação das grandes cidades a percepção da angústia e do vazio, ao contrário do que a maioria das pessoas possa imaginar é um dos primeiros passos para o pensar filosófico. O auto conhecimento tão apregoado por psicólogos e filósofos, desde a antiguidade clássica, necessita deste estado de alma. Esta percepção nasce no silêncio e manifesta-se com maior clareza na solidão. A ausência de distrações e de divertimentos de toda a espécie propiciam o contato do ser consigo seu mesmo. A solidão, que na contemporaneidade é tida como um dos inumeráveis sintomas da depressão, neste caso, aparece como pré condição à uma reflexão mais aprofundada sobre nós mesmos. Os filósofos pós aristótelicos, em especial os estóicos, acreditavam que o homem deveria viver de tal forma que a alteridade entre a solidão e a multidão fosse uma constante em sua vida. O homem moderno, ao preencher seu tempo com um trabalho que não faculta o desenvolvimento de suas potencialidades e que além disso, não exercita sua criatividade tende a se tornar um autômato, a agir de certa forma porque a maioria age assim. A maioria das pessoas ainda está condicionada aos ditames do sistema: a idéia de sucesso e fama no plano material lhes seduzem de tal forma que os apelos emitidos pelo canto da sereia global exerce um fascínio irresistível. Segundo Aristóteles, uma das prerrogativas ao filosofar é o ócio, e não o ócio no sentido da preguiça e da indolência, mas o ócio que faculta o desabrochar de nossas inerentes faculdades. A crise dos valores prevista por Nietzsche foi detuparda em beneficío de uma sociedade condenada a viver escrava de seus desejos e de seus próprios valores. Ao transferir paro o exterior a possibilidade de alcançarmos à tão almejada felicidade, o homem deixou de olhar para si mesmo e de se preocupar com seu desenvolvimento espiritual. Iludidos e embriagados pelo conforto proporcionado pela riqueza e pelo luxo exarcebado, uma minoria de privilegiados usufruem indiscriminadamente de todo tipo de regalias e modormias que o dinheiro pode proporcionar. Mas o mal não está aí. O mal está em todos quererem a todo custo alcançarem este estado. É impossível e incoerente para a economia do universo esta possibilidade. Não sendo universal, a riqueza não deveria ser tida como a coisa mais importante deste planeta. Verdadeiramente sábio é aquele que de menos coisas necessita para viver e que não faz sua felicidade depender de algo que não dependa de si mesmo.



Sempre que falamos sobre as religiões de origem africana, em especial o candomblé, nos remetemos, quase inconscientes, para a capital da Bahia, Salvador, a cidade brasileira com o maior número de terreiros por metro quadrado. As curiosidades e os mistérios do candomblé por muitos anos foram relegados a um plano inferior, de segunda ordem. Ao interpretá-lo pela ótica do catolicismo e reduzí-la a uma religião profana, muitas pessoas erroneamente estabeleceram um paralelo inadmissível entre os orixás e os santos da cristandade.




A figura de Exu, o orixá mais controverso e difícil de explicar através dos parâmetros morais estabelecidos pelo cristianismo, ficou associada à figura do diabo. Ao se deparar com as imagens de Exu - este representado por uma estátua que ostenta o pênis em permanente ereção e pelas cores vermelho e preto - o homem branco não teve duvídas, é a encarnação do coisa ruim. Mas não é bem por aí. As cores vermelho e preto nos remete às paixões e aos sentimentos mais primitivos dos seres humano. O vermelho, segundo os hindus representa o chakra da genitália responsável pela produção da energia genésica que quando sublimada é capaz de despertar a criatividade e conceber as mais grandiosas obras do espírito, no entanto, dentro do contexto africano, exu aparece como o mensageiro, como o elo entre os orixás e os homens. Brincalhão, astuto, inteligente e principalmente inconsequente exu não é exatamente bom nem mal, apenas exemplifica a nossa ligação mais forte com o planeta Terra. Apreciador de carne de bode, azeite de dendê, cachaça, traz a fama de ser um galanteador e de admirar muitas mulheres, no entanto, podemos colher relatos que desmitificam essa imagem e que provam justamente o contrário, não é raro ouvir dizer que exu se apieda daqueles que se entregam incontinentis às volúpias carnais. Não temos como limitar a área de atuação deste ser que muitas vezes não foi reconhecido como um orixá. Exu é uma das potências da natureza e atua nas esferas mais próximas dos seres humanos, é o dono das encruzilhadas e o responsável pela abertura dos caminhos.



Uma das curiosidades que podemos perceber ao estudar seriamente as religiões de origem afro é a inexistência, em sua própria terra, de uma religião destinada a fazer e cultuar o mal. Na magia negra podemos destacar o surgimento do vudu, principalmente no haiti. Uma das explicações para o surgimento destas seitas estaria estreitamente ligado ao mal que o homem branco fez ao negro. Ao retirar a sua liberdade e reduzi-lo a um animal de carga os negros que não aceitavam a sua condição e que possuíam a faculdade de comunicar com os espíritos faziam alguns feitiços para que seus agressores fossem punidos pelo mal que praticavam. Era um tipo de vingança e de reação à exploração indiscriminada a que eram submetidos. Dentro deste contexto, é mais fácil entender o porquê do nascimento e surgimento destas seitas no meio de nós. Apesar de muitas pessoas procurarem as seitas ligadas à linha esquerda no intuito de tão somente prejudicarem outras pessoas, seja por vingança ou por inveja, ou por mero capricho de sua vontade, isto não quer dizer que naquela época elas desempenhavam a mesma função e da mesma forma, ou seja, não era uma troca material, de favores, ou a venda de sua alma ao diabo, mas uma reação natural do ser humano diante das adversidades e da privação injusta de sua liberdade. Era um ato de extremado desespero. A partir deste ponto de vista fica mais fácil compreendermos o porque de tantos preconceitos associados ao candomblé. A moral das religiões africanas de maneira alguma correspondem aos nossos conceitos de bem e de mal, ao praticante do candomblé é lícito desejar e querer qualquer coisa, mesmo que para isso prejudique outra pessoa. O desejo, se existe, pode e deve ser realizado no aqui e agora, e não num céu transcendente. A rapidez e a imediata solução dos problemas é um dos fatores que seduz e leva milhares de pessoas ao encontro do candomblé. Todavia a beleza imanente ao culto, as vestimentas dos orixás, sua dança e todo seu simbolismo representam de fato, a sua maior riqueza e herança. Ao som dos atabaques os orixás se manifestam através do médium e dependendo do dia e da festividade cada um é homenageado e adorado segundo suas próprias preferências. Xangô representa a justiça e por muito tempo foi cultuado na figura de são josé, oxôssi o exímio caçador das matas na figura de são sebastião, ogum, o orixá da guerra e senhor dos metais é são jorge, santa bárbara iansã, etc... O candomblé é uma religião essencialmente oral e seus conhecimentos são transmitidos de geração em geração... Cada orixá possui uma característica que lhe é própria e imanente, uma pessoa feita no santo ao se deparar com alguém dançando é capaz de identificar o orixá sem recorrer as roupas e aos adereços. Xangô e seu machado, ogum e sua espada, oxôssi e seu arco, etc.. As danças protagonizadas por Xangô e Iansã são caracterizadas pelas firmeza e precisão dos movimentos e um pai de santo experimentado sabe quando as pessoas estão blefando e fingindo incorporar o orixá. Uma coisa que muito chama atenção a quem não pertence e não conhece os domínios do candomblé são as circulações de dinheiro entre os pais de santo e seus clientes e entre os pais de santo e seus filhos de santo. Os clientes geralmente recorrem ao terreiro interessados nas realizações de seus desejos, geralmente ligados a problemas de ordem econômica, amorosa e de saúde. O prestígio do terreiro também está diretamente ligado a quantidade e à qualidade de clientes que o mesmo possui. Não é raro os terreiros que possuem políticos, artistas e famosos em seu meio. Os filhos de santo possuem suas obrigações e estas podem ser classificadas de diversas formas, como sacrificio pessoal, ajuda nos preparos das festividades e de ajuda efetivamente material. Ao se tornar filho de santo o iniciado penetra nos círculos mais íntimos e começa a fazer parte de fato daquela "família".


Apesar das especulações em torno do novo presidente norte americano serem positivas e o mesmo possuir um histórico multicultural, ainda assim, carregaremos para sempre a certeza de que sempre teremos o direito à dúvida. Embora o clima otimista prevaleça, estamos passando por um período de turbulência mundial: os intermináveis conflitos na faixa de gaza se intensificam e milhares de pessoas morrem vítimas da barbárie e da truculência do governo israelita; o caos ocasionado pela crise financeira afeta todos os setores da economia gerando desemprego e desajustes fiscais; as leis trabalhistas são diariamente reformuladas visando o aumento da produtividade e os interesses das grandes multinacionais; as alterações de fatores climáticos influem diretamente nos ciclos naturais...

Como o novo presidente norte americano irá reagir diante das adversidades e quais serão seus aliados no combate ao terrorismo é uma pergunta pertinente que perpassa pelo âmbito da diplomacia e culmina na coerência de seu discurso em defesa dos direitos humanos. Se por um lado, Barack Obama confirmou a retirada das tropas americanas do Iraque em 2010 por outro não relutou em dizer que permanecerá firme na sua decisão de pressionar o Afeganistão na tentativa de desmantelar as organizações terroristas como a Al Queda. O que constitui uma ameaça aos seus olhos pode no fundo ser um sentimento de insatisfação com as regras do jogo econômico. Além de ter a missão de restaurar a economia norte americana, o novo presidente terá pela frente a difícil tarefa de reconstruir a imagem de seu país, manchada de sangue pelo despótico poder exercido pelo seu antecessor. A desconfiança, neste caso, nos salva da ingênua crença em um possível salvador do mundo. Não podemos nos esquecer que, acima de tudo, Obama primará por defender e fortificar a supremacia dos EUA em relação aos demais povos. Ele não se apossou de uma Instituição de Caridade e não sabemos quais serão seus critérios em sua investida no Afeganistão. Ainda é cedo para acusações ou justificativas descabidas que investem de crédito sua figura. Resta-nos esperar para ver com nossos próprios olhos as mudanças que serão operadas em seu governo, para o bem ou para o mal, pois é desnecessário discorrer sobre a influência e as consequências que tem para o mundo a direção tomada pela maior potência mundial.


Vivemos numa era tão banal, que até esse título é banal. A banalização da violência, da palavra, do sexo, das drogas, enfim, temas que deveriam ser tratados com o mínimo de delicadeza, educação e respeito são tratados de forma midiática, rápida e embusteira. Existem tantos questionamentos em minha cabeça que resolvi me abdicar das leis gramaticais em favor da essência do pensamento. Não quero me expor com começo, meio e fim... lhes introduzir em um assunto para logo após concluir... não, não, mil vezes não... mas também não gostaria de escrever desenfreadamente e abordar muitos temas ao mesmo tempo, seria desgastante e nada prático. Convenhamos, quando transbordamos idéias e ideais parece que somos invadidos por uma crescente necessidade de nos expormos, de reinvidicarmos, junto com João Cabral de Melo Neto, a parte que nos cabe deste latifúndio. A banalização da linguagem é um sério sintoma de como os meios empregados na arte de educar são inúteis e retrógrados. Há uma insatisfação no coração de nossos jovens que reflete na sociedade como um todo. A ausência de valores favoráveis ao crescimento psicológico do indíviduo lhe priva de alçar voos mais altos e entrever horizontes mais amplos. Não há um incentivo verdadeiro de nossos governantes no desenvolvimento das instituições educacionais. Os discursos demagógicos e repletos de alusões referentes a educação não passam de engodo para subordinar o bom senso dos ouvintes ao requinte do palavrório.Não creio, firmemente, que a intelectualização do povo brasileiro é o único meio para atingirmos um certo progresso, óbvio que não. Muitas pessoas não se interessam pela leitura, ainda não descobriram o prazer de ler e devem ter o direito de dar ás suas vidas o destino que quiserem, o que não podemos é compactuar com a postura de um governo omisso, que conhece bem de perto a dura realidade e não fazem jus aos títulos que consigo carregam.Sei, o quanto é importante defendermos o discurso revolucionário, nos engajarmos na luta pela igualdade social e tal, mas não vivemos de ideal. Cristo ao invés de dizer que a felicidade não é deste mundo poderia dizer que o idealismo não é desse mundo, essa é a verdade. Uma coisa é sermos movidos por um nobre ideal, outra é acreditar piamente que um dia todos seremos felizes.... que sonho lindo... sim, sonhar é bom e faz bem para a alma, mas precisamos articular idéias e transformações na realidade.O sistema educacinal brasileiro prima por sua estrutura militar, ou seja, dá uma grande enfâse no ensino de português e de matemática, mas peca pela precariedade com que são tratados as matérias relacionadas as artes: música, filosofia, sociologia, artes plásticas, artes cênicas, teatro, poesia. Será que nosso país será somente habitado por construtores de pontes? Qual o nível de sublimação queremos atingir? Em pleno século XX, após as revoluções feitas pela psicanalise nas diversas áreas da alma humana ainda engatinhamos em matéria de sublimação. Não há uma preocupação com o refinamento da sensibilidade, só com os dos sentidos, no sentido mais grosseiro que essa frase pode ter.Após a exibição do filme tropa de elite, um dos policiais que faziam parte do bope na vida real, foi obrigado a confessar a triste realidade dos morros cariocas que são visitados somente por policiais armados até os ossos. Ele disse que o único órgão do governo que sobe nos morros é o bope e a sociedade espera uma resposta diferente. Veja que o conceito de sociedade em nosso meio é definido apenas como uma parcela da população. Isto é alarmante. Não adianta sensacionalismo, pontos no ibope, financiamento de multinacionais, etc... tudo é loby, tudo é marketing, tudo é comercial...Mas a morte é de verdade, a vida é de verdade e no final irá existir somente o julgamento de cada consciência. É triste, lamentável constatar a crescente corrupção no meio político, e ainda ouvimos nas rádios, tvs, nas ruas, as pessoas reclamando da quantidades de políticos que existem em nosso país... na verdade somos obrigados a admitir, assim como Aristóteles, o homem é um animal político, logo no Brasil, por mais absurdo que essa afirmação possa num primeiro momento parecer, falta políticos. Numa nação constituída de cento e sessata milhões de habitantes no mínimo cem milhões deveriam participar ativamente das decisões políticas. A esfera do político habita a alma humana, todos possuímos em algum grau um certo nível de politização, ao adotarmos certas posturas em detrimentos de outra estamos tomando uma decisão política, daí a política de boa vizinhança, etc... e por falar nisso, vejamos como o aurélio define o termo política:1.conjunto dos fenômenos e das práticas relativos ao estado ou a uma sociedade. 2.arte e ciência de bem governar, de cuidar dos negócios públicos. 3. qualquer modalidade do exercício da política. 4. habilidade no trato das relações humanas. 5.modo acertado de conduzir uma negociação, estratégia.Dessa forma, podemos perceber que a política permeia praticamente toda esfera do humano agir e pensar...


Muitos dos problemas atuais seriam evitados se o ser humano limitasse seus desejos e se conduzisse de acordo com suas reais aspirações. As grandes empresas multinacionais, visando a lucratividade dos seus negócios, disseminam através da grande mídia, a necessidade de incorporarmos seus produtos às nossas vidas como se fossem indispensáveis à nossa felicidade. O cenário decadente dos grandes centros urbanos, em que a desigualdade social favorece o crescimento dos excluídos e marginalizados pelo sistema, reflete o produto gerado pelo excesso de individualismo e indiferença em que vivemos. A existência material passa a ser a única realidade possível e todos os atos e valores ficam a ela atrelados. O ponto de vista estreita-se e todo manancial energético do ser humano passa a ser utilizado em função de sua segurança e de seu bem estar momentâneo, ilusório e passageiro. Aproveitando-se da natural tendência do ser humano em se enfeitar, a vaidade, além de ser vista como algo positivo, é encorajada por estímulos de toda ordem. A prerrogativa do sistema capitalista é o consumo e seu excitamento ao máximo é a missão das grandes corporações. Aproveitando-se do cansaço físico e mental, as grandes emissoras, no fim de todos os dias, e principalmente em sua programação noturna, repetem incessantemente os apelos comerciais, sem nenhum respeito ou consideração pelas nossas escolhas e opções existenciais. Se por um lado a revolução industrial proporcionou o aumento da produção, possibilitando o acesso de um mesmo produto à um grande número de pessoas por outro, anulou nossas diferenças nos tornando iguais. O conceito de igualdade sempre foi visto como uma premissa para toda e qualquer sociedade que queira pautar suas leis e normas para todos os cidadãos indistintamente. Independente do grau de escolaridade, de esclarecimento e de desenvolvimento intelectual todos somos iguais perante as leis. O não cumprimento de alguma ação obrigatória estabelecida pelo estado por parte de qualquer pessoa será passível de punição. Mas as diferenças, que nos marcam e nos diferem essencialmente, tão importante como este tipo de igualdade, foi esquecido e até mesmo rechaçado de nosso meio. Nas grandes cidades ainda temos a possibilidade de nos afinizarmos entre tribos, no interior, ou nos enquadramos ou somos isolados e discriminados por nossas escolhas por nosso jeito "diferente" de ser. Nossas roupas e a forma com que penteamos nossos cabelos passa a representar nosso estilo, e através deles podemos reconhecer a ideologia que está por trás de nossas ações e escolhas. Todo discurso ideológico oculta sua verdadeira finalidade, que é justamente a de esconder os interesses de uma minoria que lucra com a ignorância alheia. O capitalismo transmite mensagens preconceituosas que podem ser decifradas à luz de um pensar crítico e racional. O despertar da consciência espiritual é um dos meios de se elevar acima das teias do cotidiano mecânico e repetitivo.

A familiaridade com que nos relacionamos com as máquinas e as facilidades por elas proporcionadas realça a intensa necessidade que temos de não nos movermos em direção a nada. Se o propósito da natureza, se é que existe algum propósito, for a criação de uma espécie hierarquizada pela força de sua vontade, com certeza os excluídos do processo de inserção digital serão os maiores beneficiados, visto estarem acostumados, habituados a se entregarem com ardor ao trabalho braçal pesado que muitos continuam a considerá-los como inferior. Aos trabalhos mais pesados, os piores salários e a mais alta cotação nos mercados dos céus... o reino celeste celebra a vinda destes homens e mulheres que com afinco dedicaram sua força e capacidade tão somente a manutenção de sua vida, à sua sobrevivência. E me pergunto: o intelectual erudito que se submeteu ao crivo da razão e que destinou horas e mais horas ao desenvolvimento de seu aparato cognitivo será submetido ao férreo julgamento da massa inculta e ressentida?

As diferenças sociais marcantes, em países subdesenvolvidos como o nosso, que não contam com o apoio maciço da implantação de uma política voltada para a criação de uma tecnologia nacional provoca um sentimento de revolta e de desprezo por aqueles que detêm o poder e a possibilidade de transformar teoria em prática, sonho em realidade.

O comércio clandestino praticado em Brasília não sofre sequer a vista grossa do rappa, enquanto isso, os excluídos, os marginalizados comerciantes da vinte e cinco de março convivem com esta dura realidade.

Enquanto isso, em Ilha Grande no Estado do Rio de Janeiro podemos contemplar o imenso contigente de turistas estrangeiros que aportam em terras amerindias em busca do desbravamento de nossas matas e mares... as belezas naturais brasileiras sendo apreciadas pelos olhos do colonizador...na verdade, creio que não somente eu, mas muitos brasileiros que lá estiveram nesta alta temporada de janeiro de 2009 se sentiram, de fato, os estrangeiros, tão grande era o número de alemães e franceses que se acotovelam na vila do abraão.

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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