latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!






Insatisfeito

vocifero bobagens

na esquina

de uma rua qualquer



solitário

caminho errante

vontade de estar

com uma mulher



Me embriagar

com seu cheiro,

preenche-la
por inteiro

de carinhos

mimos e beijos



para na sua ausência

chorar sozinho,

e sentir que sofro

mas estou vivo



Ridicularizado

na medíocre

calçada social



não estampo

em meu corpo

as marcas

indeléveis

do status quo

convencional


ANORMAL




Continuo omisso

ao artíficio rígido

criado pelo cego

instinto místico


Mas acredito

no plano onírico

e no paradoxal

reino metafísico


Deitado sob o infinito

contemplo

no chão Terra

meus restos, dejetos

carne decomposta,

minúscula

pequena vontade,

astúcia


Microscópicas palavras

me

interessam


Sou a força

que move

o universo


Meu pulso

rio de sangue

segue seu curso

involuntário


no micro corpo

espelho do cosmos

despedaçado


Preferível estar

do que ser


para

no mundo

aparência

não perecer


sóbrio


Neste mundo

transformação

segundo Heráclito

imutável é ilusão

inteligível diria Platão


invisível

desilusão


embriaguez!


Acordo sob a ordenação do destino

desconheço minha vontade diária

cachoeira, churrasco, bares

ou simplesmente ficar em casa



tecendo comentários elogiosos

seja sob a comida de minha mãe

seja pela índole de meu pai



minha humana condição irredutível

me limita ao sentido perceptível



gostaria de neste momento

em meu rosto esboçar um sorriso

mas me sinto só e indeciso

sobre o que fazer com o meu dia

comprar um jornal ou ler poesia



mais um dia trancado em meu quarto

conversando com os mortos



nietzsche sacode seu sarcófago

para eliminar seu niilismo

augusto dos anjos iluminado

condena hoje seu pessimismo

murilo mendes ajoelhado

entoa um lindo cântico lírico

castro alves revolucionário

nos convida a sermos amigos

a entretermos vigorosos discursos

aparentemente vazios, sem sentidos

com os profundos e necessários livros



neste domingo respiro indecisão

vontade de dizer sim

vontade de dizer não



poderia ter acordado

com tudo planejado:



maracanã no rio lotado

litoral brasileiro ensolarado

cachoeiras delícias de minas



onde estão agora as premissas

dos filósofos existencialistas

que religiosamente rezam suas missas

no altar das convenções idealistas?



Desbaratinado continuo indeciso

se faço isso, ou se faço aquilo



Em minha torre de marfim

de fato me conservo



O pensamento inseguro e incerto

faz parte de nossa reflexão

escolhas permeiam a nossa vida

seja o peso excessivo da rotina

ou o medo imaginário da saída

novidade busca o anseio

ser outro, sendo sempre o mesmo



me alívio com a escrita

minha tarja preta comprimida

entre versos, estrofes e rimas



ainda não sei o que fazer

mas apetece ao espírito escrever

e isto para mim já basta!



ganhei o meu dia

escrevi uma poesia



simples mas sincera!



BOM DOMINGO A TODOS!!!


Dilacero com ódio profundo
a hipocrisia atrás dos muros
falsos olhares inquisidores
pintarei quadros belos
em meio ao circo dos horrores
a revolta na ausência de sentido
mundo transformado em circo
palhaços de ternos caros rindo
miseráveis da terra, cínicos
estarão colhendo frutos nos abismos
lampejo de trevas e desespero
já não somos homens
e sim lobos traiçoeiros
egoístas por unanimidade
cortejamos celebridades
espantalhos da vaidade
no prazer desmedido
soberbo orgulho
contemplo este tempo caduco
em que homens adoram o absurdo
ajoelham perante ídolos esdrúxulos
ignorantes de sua essência espiritual
diariamente contribuimos para o mal
no desprezo da fome e dor alheia
sorrimos nos bares com cerveja
sobriedade é um estado raro
para o espirito no corpo enjaulado
o sofrimento é imanente, necessário
sabedoria perversa e inversa
ao desejo imediato que nos conserva
vivos, mesmo sem desejarmos
escravos dos sentidos e do estado
escasso!!!


Vila Rica, Vila pobre... Famílias tradicionais escondem sua riqueza, desigualdade em meio a arquitetônica beleza... veloso, santana, piedade. Mês de festividades, Santa Efigênia com os negros do congo entoam líricos cânticos de angústia e tristeza por ver a soberba e a astúcia com que certas pessoas tentam ludibriar, primeiramente, a si mesmas, depois o outro. Referencial torpe, decadente cenário, na barroca vertigem, um pseudo retrato. No horizonte árcade o alcoól e outras coisitas mais já fazem parte... refém do medo e da ignorância. Militarismo defendido como príncipio. O falso moralismo dos arcanjos do pau oco. Mais um poeta morre. Não foi reverenciado em vida, ao contrário, sua vida e hábitos marcados pela indiferença e pela amarga, porém necessária, amizade com a incompreensão alheia. Nos olhos a revolta, no coração o luto, assim caminho por este antro com aspecto sombrio e noturno. Ouro Preto quem lhe conhece não lhe compra jamais. Resplandece a ambição de outrora nos discursos evasivos de seus políticos e donos ancestrais. O que queres de mim Ouro Preto, se afagas mimosamente a cabeça de afortunados e se ergue majestosa para seres indiferentes ao seu verdadeiro valor. Tu contemplas de forma irreverente e indiscriminada aqueles que não são nativos, da terra. Seus filhos jazem esquecidos nas obrigações estabelecidas pela rotina e seu apetite insaciável nos devora, nos aglutina em escassas condições de vida. Turistas do Mundo, subam o santana, visitem a piedade, vangloriem os cidadãos honestos do veloso. Taciturna Ouro Preto eclode dentro de mim um certo desprezo por sua importância arquitetônica e histórica pois tu és reféns do lucro imediatista e da vitória a qualquer preço. Tiradentes contempla extático as brigas por um pedaço da fatia da grande empresa clandestina que transformaste-te. Núcleo do saber, fonte de sabedoria, palavras vazias numa cidade conhecida pelo alto teor etílico de seus convivas. Rumores de uma procissão, oxalá conserve a paz neste mês de Santa Efigênia.


Labaredas bruxuleantes ecoam no silêncio da noite
Sons, ruídos, estrelas, cosmos, fascínio
Realidade transmutada por diáfano delírio
Uma multidão de "invisíveis" seres adversos
Compõem o noturno cenário com seu ethos
Cintilantes pirilampos ensaiam sutil dança
Cegos morcegos martirizam a bruma
Na inútil tentativa de dissipá-la perecem
sob o peso do cansaço e da insensatez
Corujas comungam pios em seus buracos
um metro quadrado de necessidade

Enquanto isso:

O devasso poeta arquiteta com suprema malícia
Tendo as palavras sublimadas pela dor como premissa
A morte risível do matemático soneto universal
Na lápide imagens de um tempo surreal
Guerreiros de lanças, escudos e espadas
Flechas entrecruzam o espaço
Em meio a estridentes gargalhadas
Satíricas risadas...
Desventurados amigos que comigo caminham
Não tereis, ao acaso, em um momento sombrio
Pensado em teres como seguro pórtico a morte
O suicídio tardio de uma inocente verdade
Não existe vontade sem liberdade
Repensar o amor sob o peso da cruz
Arrancar de nossa alma o humano pus
Sincretizado pelo indecifrável mistério,
Encerrado num corpo finito sabendo-se eterno,

Os lógicos conceitos arraigados

A mente ao corpo
O tempo ao espaço

A substância etérea, instintivamente lapida
nossa consciência à evolução se alia

de modo vago, repentino
mudamos o destino

de nossa pequena grandeza cósmica!!!


É com extremo pesar e tristeza que venho até vós desabafar e por que não, tentar desvencilhar, através da escrita, deste sentimento enfadonho e triste que hoje me aprisiona. Ao constatar a insatisfação crescente dos jovens, que se inserem sem nenhum preparo acadêmico, sem os instrumentos necessários, para que sejam vistos, de fato, como seres dignos de serem elevados ao seio social, percebo o preconceito e o descaso da sociedade em relação aos mesmos . O formato básico do sistema resume-se nas seguintes fases: ensino fundamental, ensino médio, graduação, pós graduação, mestrado, doutorado e phd. Quem não se encaixa nestes moldes e não absorve o saber com este critério de caráter mercadológico está prestes a cometer um autocídio, voluntário ou não.
O conhecimento não é visto como um fim em si mesmo mas sempre como um meio. Ao adentrar o interior de uma biblioteca pública não é raro a interpelação: você está estudando para quê, para qual concurso? Estou estudando para fundir a minha cuca e quem sabe um dia entender os desígnios divinos que estão sendo constantemente ocultados por esta atmosfera nauseabunda e terrificante, caracterizada pela dor multifacetada.
Temos que ser temerários até a morte, caso quisermos gozar de um estado de alma mais elevado, mas não tenhais dúvida, a medida que avançamos no conhecimento das coisas e dos seres, cresce proporcionalmente o nosso sofrimento íntimo, pessoal e instranferível. É o ápice da loucura divina! Cresce assustadoramente o questionamento e na mesma medida, o espanto, que segundo Platão, é a principal condição do conhecimento e o permanente estado que nos permite entrever o mundo das idéias, na verdade, "os homens podem ser considerados superiores e inferiores segundo a sua capacidade de se espantarem" (Shopenhauer, Da Necessidade Metafísica).
A partir do momento em que a classe burguesa se apossa, não somente dos meios de produção mas do próprio saber, restrigindo e limitando a sua disseminação de forma indiscriminada, utilizando-se de forma criminosa e vil da grande mídia, que exerce a função de inocular o letal vírus da conformidade e da insensatez que faz com que milhões de seres ajoelhem irrefletidamente aos pés de qualquer autoridade, beatificando seres esdrúxulos como Ivete Sangalo (é assim que escreve? - um riso debochado, pelo amor de dadá ) e Claudinha Leite, transformando o big brother num celeiro de celebridades, é de causar enjôo e repugnância a ignorância e o nível de idolatria que nós conseguimos atingir, sem apelar para a esfera do religioso.
Seguidores fiéis do modus operandis do sistema, cultuam de forma exarcebada no altar das futilidades, a inércia mental e a letargia como formas de agradar ao seu Senhor. Quando não são sacrificados em nome da sobrevivência, a ocuparem cargos que não condizem com sua aptidão, não conseguem refletir e nem sequer passa pelo crivo de sua razão questionar a sua própria vocação.
Seus sonhos estão mortos e tudo se reduz ao "som do batidão". Sinto uma verdadeira ojeriza por cantores de pagodes, mesmo sambistas consagrados, ou falsos mc´s que tentam romantizar os córregos podres e a miséria estampada nos becos e ruelas das favelas. Não é bom nem saudável morar na favela, e ao tentar minimizar o sofrimento dos que nela habitam, acabam por favorecer a manutenção e perpetuação desta inadmissível desigualdade que permeia a sociedade.
Os valores cristãos também podem ser tomados como um pesado fardo que terão de ser rompidos, deixados para trás, como frutos de um tempo bárbaro em que a fala era um dom raro e para poucos. Ao exaltar a pobreza, a feiúra, os aleijados, coxos, sofredores de todos os matizes Cristo acabou por optar pelo enfraquecimento da espécie e todo aquele que declaresse seu amor pela vida e que auto afirmasse a sua existência estaria condenado às diabólicas brasas do inferno. O Brasil é um país cristão e os jesuítas foram os primeiros responsáveis pela nossa catequização, que se por um lado provocou este comportamento passivo, submisso, por outro trouxe um admirável progresso no campo das belas letras. Uma página não seria suficiente para analisarmos os efeitos positivos e negativos do cristianismo, para tanto, aconselho aqueles que se interessarem pelo assunto a ler o Anticristo de Nietzsche que em nenhum momento apedreja o nazareno, tão somente o "cristianismo" - resultado da interpretação errônea dos atos e ensinamentos de Cristo - e aqueles que se apropriaram e divulgaram a sua doutrina de forma indevida e perigosa, como o apóstolo Paulo, por exemplo, que o mesmo acusa de ser o apóstolo do ressentimento, do ódio e da vingança.
Todos os revolucionários nunca cansarão de repetir, e suas vozes nunca cessarão de dizer o quanto é importante investir na educação. A educação que visa tão somente a perpetuação deste sistema deve ser excluída e modificada por uma que integre e unifique o saber, respeitando os limites de compreensão de cada indivíduo, fazendo que o mesmo, perceba, por si mesmo, a importância e a necessidade de aperfeiçoar o seu intelecto, e acima de tudo, descubra o prazer imanente ao ato de conhecer. Quando estivermos entronizados com este pensamento estaremos nos distanciando sensivelmente dos educadores de outrora, que se dispunham a defender a palmatória com seu discurso rígido, ríspido e autoritário.
Novas reflexões irão surgir, novos discursos irão despontar neste novo cenário virtual, mas os clássicos sempre serão os clássicos e sempre haverá espaço para o diálogo com o passado. Entrementes, tentem imaginar, por um segundo, a geração vindoura, com toda esta gama de informações contidas na internet... bebês filosofando, crianças kamikazes polindo seus fuzis, cantarolando canções em oito idiomas ou simplesmente reproduzindo tudo aquilo que assimila de forma automática, não crítica... imagine...

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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