latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!

mil talentos na praça

entre fumo e cachaça
milhares se perderam
da sua divina graça 

aqui ninguém se abraça
em ninguém se confia
indiferença passa
um olhar que se desvia

a quem fia sua vida
confia no ser humano 
é bom tomar cuidado
não cair no auto engano  

quanto vale a sua vida 
será mesmo o seu salário
refém de sua rotina
de seu saldo bancário 

o poder monetário
segue corrompendo mentes
se para mim já está bom
foda-se a minha gente

mais um ser consciente
abriu mão de sua coragem
se vendeu pra covardia 
perdeu parte da viagem 

aqui estou de passagem
mas vejo muita pobreza
tanto ao lado da miséria
aos que gozam na riqueza

onde reside a nobreza 
a pureza de coração 
num conto de fantasia 
ou na falsa religião 

se o mundo é do cão
também sou responsável
tenho quota de omissão
do clube dos recalcados  

a guerra é real
invisível e espiritual
sigo alterando o nível
elevando o padrão mental

bombardeio surreal
no mundo de fantasia 
estabilizo a frequência
refinando a sintonia 

não preciso de ironia
mais espaço no divã
descartei a hipocrisia 
buscando a mente sã

atento ao Tio Sam 
e sua bela oratória
não me deixo iludir
pela pessoal vitória 

nosso dia de glória
tão temido e esperado
últimos serão os primeiros
a serem convocados 

já fomos avisados 
esteja preparado 
ninguém sabe a hora
e os dias são chegados

no abismo vejo vários
amigos desacordados
sofrendo em silêncio 
ao vício acorrentado

desperta tu que dormes
deixo aberto o convite
a vida é de verdade 
mas há sempre quem duvide 

Você espera que tudo se resolva da melhor maneira possível e que todo contratempo possa ser varrido e eliminado, não restando nenhuma sombra ou vestígio de sua presença. Porém, a vida, esta mestra incansável, reluta, e lhe oferece inúmeros conflitos e desafios, na tentativa de provar para si mesmo sua força e lhe revelar todo seu potencial. Não aprendemos a ler nas entrelinhas e temos dificuldade de perceber os sinais. Estamos perdendo o contato com o divino em si e todo assunto relacionado à espiritualidade tende a ser considerado místico, esotérico e supersticioso, como se as forças invisíveis que agem e atuam, a todo instante no universo, fossem obra de débeis lunáticos ou meros autores de ficção. O sentido da vida e do próprio planeta, que pode e deve ser discutido e analisado de forma exaustiva, se torna uma reflexão pequena e irrelevante frente às preocupações imediatistas e mundanas regidas pelo poder do mercado e do capital. A transformação das pessoas em mercadorias e do tempo em dinheiro, serviu e serve para nos mostrar o quanto erramos ao adotar a postura e percepção de que os seres assim como as coisas, só servem caso nos sirvam. A ótica do mercado inverteu os mais belos valores, e existem milhares de seres lutando desesperados pela realização de seus sonhos na esfera material. Muitos, submetidos as vantagens obtidas pelo momento, fecham os olhos para os problemas e dilemas daqueles que estão vivenciando maiores dificuldades ao seu lado, ignorando o drama e as dores morais de milhares, que não possuem acesso ao mínimo e necessário a uma sobrevivência digna e saudável. Os detentores do poder e do capital se arrogam o direito de impor e imprimir o peso de suas decisões políticas e econômicas, arbitrárias e sem nexo, que podem ser sentidas numa rotina fria, empobrecida e entediante. Uma legião de almas, vagam a esmo e sem destino, sem o recurso moral e cultural para se elevarem, por si mesmas, a um patamar mais elevado da existência. O tempo neste planeta, onde cada segundo deveria ser vivido e aproveitado, da melhor forma possível, sempre visando o nosso progresso e evolução, coletiva e pessoal, está sendo covardemente desperdiçado e destinado a execução de atividades estranhas a nossa maneira de sentir e pensar. Poucas pessoas se identificam com o ritmo impostos pelas máquinas, e raros operários se apresentam felizes e orgulhosos, com sua vida, trabalho e salário. Sim, existem certas funções e atividades que sempre terão que ser realizadas e executadas por alguém, porém o tempo destinado ao trabalho poderia ser reduzido ao mínimo necessário. Para que fabricamos tantas coisas e objetos? Porque utilizar todo bem e recurso na construção de uma sociedade que sabemos ser doente e fadada ao fracasso? Não necessitamos de tantos objetos e alimentos para termos uma vida rica, significativa e válida. É preciso um pouco mais de arte e vontade para desvencilharmos do atual estado de coisas. Estamos caminhando para uma guerra de todos contra todos, onde a desconfiança e o egoísmo serão os maiores responsáveis pelo nosso processo de autodestruição. Cada qual, pensando somente em si mesmo, esquece que vivemos numa dinâmica rede interligada, onde as partes afetam o todo e o todo afetam as partes. Não estamos e nunca estivemos, de fato, sozinhos. Um dos maiores erros e ilusões, é nos considerarmos como os únicos agentes responsáveis pela nossa vida e existência terrestre. Estamos sendo, a todo instante, testados e provados, tanto em nossos pontos fortes como fracos, e poucos serão aqueles capazes de suportar a visão refletida de si mesmos no espelho da consciência.  Ainda iremos presenciar a morte e o nascimento de inúmeros fatos e fetos e ao lado da sorte lançada pelos dados existe sim, a certeza de podemos mudar a nós mesmos. Afinal, como diria o saudoso e querido Chico Xavier “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo final.  

Você liga o rádio, abre o jornal, assiste ao noticiário na ânsia de que algo extremamente positivo e benéfico possa reacender a chama da esperança e renovar sua crença no ser humano. Acredita, ingenuamente, que um dia possa se deparar com algo que provoque e desperte uma súbita mudança em sua vida e conta bancária, no mínimo em seu humor. Nada de novo acontece, ao contrário, parece a reprodução monótona do mesmo filme, cujas cenas, repetidas vezes projetadas, anestesiam e entorpecem a realidade, para não dizer a própria alma.

É necessário nos alimentarmos, diariamente, das centenas de tragédias do cotidiano, engolir nossa quota de medo, angústia e desespero para nos sentirmos felizes em meio a nossa própria dor e sofrimento.   O triste e decadente cenário da miséria, o grotesco quadro da guerra, os índices alarmantes do desemprego, do medo e da violência, não mais nos chocam, assustam ou impressionam, apenas nos impõem um silêncio ou um grito de impotência ou revolta. Acostumamos a acreditar que a vida é assim mesmo, e que devemos aceitar todo tipo de humilhação e injustiça, tendo sempre em vista o reino dos céus e o paraíso das consolações celestiais. Proibidos de questionar ou até mesmo reivindicar nossos direitos, passamos uma vida desacreditados e sem expectativa de qualquer tipo de melhora, rezando para que as coisas e situações ao menos não piorem.

A forma como lidamos com nossos dramas pessoais reflete a forma como lidamos com os problemas nacionais. Muitas pessoas, nas redes sociais, postam belas fotos e retratos, mas raríssimas de fato se mostram. Temos dificuldade de nos abrirmos e nos revelarmos, intimamente, ao outro. Apreciamos a auto- suficiência e a independência de fazer e resolver as coisas sozinhos, do nosso jeito. Não possuímos um verdadeiro espírito coletivo e a união, assim como o orgulho cívico, ainda são raros e reservados para o carnaval, shows e partidas de futebol.      

A ditadura da felicidade nos impõe o sorriso e a alegria como atributos e prerrogativas de uma vida socialmente plena e aceitável, como se a tristeza, a dor e o sofrimento devessem ser varridos e apagados de nossas existências, sem nenhum tipo de postagem ou comentário. Não por acaso, uma pessoa extremamente deprimente e queixosa é rotulada de negativa e passa a ser evitada pelos amigos, colegas e familiares.

Ninguém quer incomodar, nem ser incomodado, mas se eu lhes dissesse que viemos neste mundo para vivenciarmos justamente o contrário? Ora, somente uma pessoa egoísta é incapaz de ceder pequena parcela de seu tempo, energia e atenção na resolução de um problema alheio. Por sua vez, somente uma pessoa extremamente orgulhosa sente dificuldade de realizar um pedido de ajuda ou um simples favor.

Os problemas de nosso país não se resumem às peripécias políticas, acrobacias jurídicas ou licenciosas sabatinas atávicas. Eles perpassam o âmbito social, familiar e pessoal. Desde a relação com nossa cidade, bairro e vizinhos, à limpeza de nossa casa, roupas e pratos.   

Do privado ao público, do particular ao universal, a verdadeira mudança ocorre em nós, de dentro pra fora. De nada adianta enumerarmos os intermináveis problemas sociais se não temos a boa vontade de contribuir para o equilíbrio e a harmonia no seio familiar. Podemos vomitar o mais empolado discurso, com uma verborragia prolixa, cansativa e desnecessária, arrotar sermões e senões envolvidos com ares de certeza e verdade, mas se as palavras não forem exemplificadas pelos nossos atos, não terão nenhum peso e validade.

É necessário nos conscientizarmos da importância de utilizarmos cada segundo na construção de um mundo mais justo, igualitário e humano. Seguidas vezes, tropeçamos nas pedras do orgulho e da insana vaidade, confundindo humildade com humilhação, nos esquecendo, da nossa pequenez e ignorância. Como diria Blaise Pascal, filósofo francês do século XVII, “ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar, ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender...”

O mundo ainda será palco das mais temíveis e terríveis atrocidades, mas podemos enfeitar nossa casa mental com um pensamento positivo de amor e serenidade, com fé e confiança em nossa vitória coletiva e pessoal. A verdadeira mudança começa pela gente, somos agentes diretos da nossa felicidade, e depositários fiéis do nosso futuro, que será reflexo deste inestimável presente.

De nada adianta cobrir nossos corpos de cinza, nos despir da alegria e abrir mão da própria vontade. Precisamos, sim, assumir uma nova postura e identidade, perante um mundo novo que descortina, a cada dia, um horizonte de infinitas e amplas possibilidades. Desligarmo-nos daquilo que nos prejudica, inferioriza e enfraquece, nos aproximando, ao contrário, daquilo que nos eleva e nos fortalece. A arte da prece, sem o ofício da fé e a realização das obras é morta. Reconhece-se a árvore pelo fruto, já diria o Mestre. O melhor momento para mudar, é este eterno agora. Então, mãos à obra!

Poderia ser o chamariz de algum circo, promovendo sua mais nova atração, mas tal habilidade pode ser facilmente constatada em alguns juristas, políticos, jornalistas e empresários brasileiros. Um majestoso show de pirotecnia, onde fascinantes faíscas incandescentes e incendiárias são lançadas, mas suas vítimas são bem reais. Atingindo desde os grandes representantes da indústria de alimentos até um time de segunda divisão que perdeu grande parte de sua receita por ter contratado o açougueiro, digo, goleiro Bruno, conhecido por apreciar carne fatiada e nas horas vagas, apresentar uma grande número de mágica: “ocultação de cadáver”. Boa!

A lista do Janot é “vazada” e veiculada de forma bem menos arriscada e embaraçosa do que a negociação promovida por um grande time interessado na compra de um famoso jogador de futebol. Sem contar a vantagem do informante ser preservado sob o manto do anonimato e do que, no meio jornalístico, convencionou-se chamar de “entrevista coletiva em off”. Se por um lado a fonte é protegida, por outro gera o mínimo de incertezas e desconfianças, seja pelo teor das acusações ou pelo peso das consequências, que são sobretudo políticas, para não dizer partidárias e pessoais. 

A operação Lava Jato faz três anos e seu aniversário será comemorado ou lamentado,  do mesmo jeito e da mesma forma, nos mesmos bairros, ruas e endereços, nos restaurantes ou iates (será?) mais bem frequentados (?) do país, em especial nas capitais do Rio, São Paulo, Distrito Federal e  Paraná com direito a vinho, uísque e  champanhe, sem citar os canapés e os acepipes mais finos e sofisticados.

Mesmo diante das inúmeras manifestações de protesto realizadas nas principais capitais e cidades do interior do país, o desejo de grande parte dos meios de comunicação era que a reforma da previdência pudesse passar despercebida e silenciosa, pequena e sem importância. Os principais jornais e emissoras, tanto escritos como televisionados, optaram por abordar outros temas e assuntos, nas edições e editoriais que seguiram ao desenlace. O pacote de maldades será sentido por nós e principalmente pelas futuras gerações, que terão de iniciar sua jornada de trabalho mais cedo, caso tenham interesse em se aposentar com 65 anos e receber o valor integral dos seus vencimentos. 


Por uma destas misteriosas ironias do destino, a polícia federal deflagrou, na mesma semana, a operação carne fraca, que constatou várias irregularidades e absurdos cometidos por grandes indústrias do setor alimentício, desde a mistura de material cancerígeno ao fornecimento de carne podre e estragada. Numa atitude de extremado desespero e desrespeito ao consumidor, uma das empresas veio a público, não para se retratar ou pedir desculpas, o que por si só seria insuficiente, mas sim para tentar justificar o ocorrido através de fotos e postagens de seus funcionários ostentado produtos em suas casas.  

A contratação do goleiro Bruno pelo time mineiro de Varginha, o Boa, que irá disputar a segunda divisão do campeonato brasileiro, gerou polêmica e discussão. Os maiores patrocinadores, num gesto de repulsa e desaprovação, para não terem o nome de sua empresa envolvido ou associado ao goleiro, retiraram seu time de campo e rescindiram o contrato com o clube. Numa entrevista concedida a uma conhecida emissora de televisão seu presidente foi questionado se daria esta mesma  oportunidade ao goleiro , caso a vítima tivesse sido sua filha. De uma forma inteligente e pouco usual, o presidente respondeu no mesmo tom e altura, com outra pergunta: “e se o Bruno fosse o seu filho?”

Estamos vivendo um período de profunda transformação política e o monopólio da informação, detido até pouco tempo, pelas maiores empresas de comunicações do país estão sendo diluídos através de outros canais, modos e meios. A internet e os dispositivos móveis, que hoje são responsáveis pelo maior número de acessos, operam, mesmo que de forma lenta e gradativa, uma verdadeira revolução na nossa maneira de agir, sentir e pensar. A interação virtual é algo real e o número de informações compartilhadas é infinitamente superior ao que era possível constatar uma década atrás. 

Apesar de parcela significativa da população estar atenta e vigilante aos mandos e desmandos operados pelos agentes do poder, ainda sim, é possível contemplar um esforço desmedido de algumas emissoras, principalmente as de canal aberto, para negarem e ignorarem determinados fatos e eventos,  dando ênfase a aspectos irrelevantes de certos acontecimentos, como se nada estivesse acontecendo.

Não por acaso Buda nos diz que “três coisas não podem ser escondidos por muito tempo: o sol, a lua e a verdade”. Em Marcos, capítulo 4, versículo 22 podemos ler que “nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia”. Me despeço com uma célebre frase de Abraham Lincoln: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos por todo o tempo”.

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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