latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!

Você liga o rádio, abre o jornal, assiste ao noticiário na ânsia de que algo extremamente positivo e benéfico possa reacender a chama da esperança e renovar sua crença no ser humano. Acredita, ingenuamente, que um dia possa se deparar com algo que provoque e desperte uma súbita mudança em sua vida e conta bancária, no mínimo em seu humor. Nada de novo acontece, ao contrário, parece a reprodução monótona do mesmo filme, cujas cenas, repetidas vezes projetadas, anestesiam e entorpecem a realidade, para não dizer a própria alma.

É necessário nos alimentarmos, diariamente, das centenas de tragédias do cotidiano, engolir nossa quota de medo, angústia e desespero para nos sentirmos felizes em meio a nossa própria dor e sofrimento.   O triste e decadente cenário da miséria, o grotesco quadro da guerra, os índices alarmantes do desemprego, do medo e da violência, não mais nos chocam, assustam ou impressionam, apenas nos impõem um silêncio ou um grito de impotência ou revolta. Acostumamos a acreditar que a vida é assim mesmo, e que devemos aceitar todo tipo de humilhação e injustiça, tendo sempre em vista o reino dos céus e o paraíso das consolações celestiais. Proibidos de questionar ou até mesmo reivindicar nossos direitos, passamos uma vida desacreditados e sem expectativa de qualquer tipo de melhora, rezando para que as coisas e situações ao menos não piorem.

A forma como lidamos com nossos dramas pessoais reflete a forma como lidamos com os problemas nacionais. Muitas pessoas, nas redes sociais, postam belas fotos e retratos, mas raríssimas de fato se mostram. Temos dificuldade de nos abrirmos e nos revelarmos, intimamente, ao outro. Apreciamos a auto- suficiência e a independência de fazer e resolver as coisas sozinhos, do nosso jeito. Não possuímos um verdadeiro espírito coletivo e a união, assim como o orgulho cívico, ainda são raros e reservados para o carnaval, shows e partidas de futebol.      

A ditadura da felicidade nos impõe o sorriso e a alegria como atributos e prerrogativas de uma vida socialmente plena e aceitável, como se a tristeza, a dor e o sofrimento devessem ser varridos e apagados de nossas existências, sem nenhum tipo de postagem ou comentário. Não por acaso, uma pessoa extremamente deprimente e queixosa é rotulada de negativa e passa a ser evitada pelos amigos, colegas e familiares.

Ninguém quer incomodar, nem ser incomodado, mas se eu lhes dissesse que viemos neste mundo para vivenciarmos justamente o contrário? Ora, somente uma pessoa egoísta é incapaz de ceder pequena parcela de seu tempo, energia e atenção na resolução de um problema alheio. Por sua vez, somente uma pessoa extremamente orgulhosa sente dificuldade de realizar um pedido de ajuda ou um simples favor.

Os problemas de nosso país não se resumem às peripécias políticas, acrobacias jurídicas ou licenciosas sabatinas atávicas. Eles perpassam o âmbito social, familiar e pessoal. Desde a relação com nossa cidade, bairro e vizinhos, à limpeza de nossa casa, roupas e pratos.   

Do privado ao público, do particular ao universal, a verdadeira mudança ocorre em nós, de dentro pra fora. De nada adianta enumerarmos os intermináveis problemas sociais se não temos a boa vontade de contribuir para o equilíbrio e a harmonia no seio familiar. Podemos vomitar o mais empolado discurso, com uma verborragia prolixa, cansativa e desnecessária, arrotar sermões e senões envolvidos com ares de certeza e verdade, mas se as palavras não forem exemplificadas pelos nossos atos, não terão nenhum peso e validade.

É necessário nos conscientizarmos da importância de utilizarmos cada segundo na construção de um mundo mais justo, igualitário e humano. Seguidas vezes, tropeçamos nas pedras do orgulho e da insana vaidade, confundindo humildade com humilhação, nos esquecendo, da nossa pequenez e ignorância. Como diria Blaise Pascal, filósofo francês do século XVII, “ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar, ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender...”

O mundo ainda será palco das mais temíveis e terríveis atrocidades, mas podemos enfeitar nossa casa mental com um pensamento positivo de amor e serenidade, com fé e confiança em nossa vitória coletiva e pessoal. A verdadeira mudança começa pela gente, somos agentes diretos da nossa felicidade, e depositários fiéis do nosso futuro, que será reflexo deste inestimável presente.

De nada adianta cobrir nossos corpos de cinza, nos despir da alegria e abrir mão da própria vontade. Precisamos, sim, assumir uma nova postura e identidade, perante um mundo novo que descortina, a cada dia, um horizonte de infinitas e amplas possibilidades. Desligarmo-nos daquilo que nos prejudica, inferioriza e enfraquece, nos aproximando, ao contrário, daquilo que nos eleva e nos fortalece. A arte da prece, sem o ofício da fé e a realização das obras é morta. Reconhece-se a árvore pelo fruto, já diria o Mestre. O melhor momento para mudar, é este eterno agora. Então, mãos à obra!

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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