latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!



Na natureza é vísivel a existência dos fortes e dos fracos, daqueles que nascem para matar (o leão por exemplo) e daqueles que nascem para morrer, que são sacrificados para que outros possam sobreviver ( o gnu por exemplo). Mas, se por um lado, gostamos de nos ver distantes da nossa animalidade ancestral, por outros ignoramos os princípios éticos e morais que deveriam permear nossa conduta e enriquecer a existência com valores nobres e dignos que nos elevem enquanto seres destinados a compartilhar dos segredos imanentes à Criação. Sem quaisquer considerações metafísicas ou espirituais, mas devemos nos conscientizar que todos estamos interligados de uma forma dinâmica, onde o todo afeta as partes e as partes afetam o todo. A população é responsável por uma porcentagem de lixo e resíduos tóxicos emitidos no meio ambiente, mas as grandes empresas, ainda sim, são as maiores causadoras do problema e todos aqueles que se beneficiam e utilizam seus produtos, alimentam de forma direta, esta indústria do consumo onde objetos são descartados de forma compulsória e sistemática, sendo taxados de ultrapassados. O conceito de progresso, hoje, não representa o conceito de felicidade. Nossas crianças não são criadas nas sombras dos velhos quintais e não raro já se acham atenados as novidades tecnológicas apregoadas pelo sistema. Ontem davámos banho em nossos cachorros com sabão de coco e água fria e nunca ninguém passou mal. Contávamos casos e tinhámos tempo de trocarmos nossas experiências e comungar nossos ideais. Os olhos nos olhos, está expressão tão rara e tão escassa, cede, cada vez mais, lugar a um cenário decadente em que a ausência de diálogo provoca a todo instante, fraturas expostas e aparentemente incuráveis como a violência e o aumento de ingestão de alcoól e outras drogas. O ser humano perdeu o contato consigo mesmo. Isto é apenas o reflexo desta crise de valores em que vivemos, em que mulheres jaca, melão, ainda servem como referência para nossas ingênuas crianças.


o limite do réu
a vida sem véu
deus é cruel
sadismo inato
prefiro o oculto
espanto difuso
bandeja de ratos
condenados pelos rastros
de ignóbil pretensão
um verso pobre e vão
um minuto intacto
no silêncio da noite
dueto necessário
ao acorde eternizado
pela analogia dos astros
pulsantes membranas sociais
fragéis desmoronamentos grupais
aterrorizados pelas coisas banais
a morte, o sangue, a dor, a revolta, o ódio
plastificado das prateleiras
no espelho vitrine das lojas brasileiras
pastores, padres, políticos, igrejas
instituições públicas, federais
aparato burocrático indispensável
ao cultivo das amebas ancestrais
em pleno vigor literário
um poeta morreu asfixiado
pelos caos iletrado
do trânsito engarrafado
perdido no abismo trafego
entre feras, ogros e elfos
um laço de magia lasciva
uma chama acesa, viva
permita-me viver só
só viver é permitido
a morte é um artificio rígido
absoluta certeza, cego instinto
no chão terra irei me decompor
mais um poema escrito sem amor
como uma bela flor sendo contemplada
pela multidão distraída e desavisada
andando na contramão, não vi a placa
como uma criança vil e assustada
em meio a parafernália pragmáticas
dieta cultural iminente,
ao corpo espirito a mente se extende
tudo é artificial, neste novo tempo virtual
menos o seu rosto, sua face animal.

malabaristas, diaristas, motoristas,
funções exercidas pela escravizada maioria
no suor de seu rosto, o peso da saliva
sob o cansaço físico, o exercício mental
em outros planos, a dimensão espiritual
a revolta com o tráflico de drogas,
saberes ideais ocultados na forma de um paradigma
meninos e meninas que já não brincam na esquina
alguém acabou de assaltar uma padaria
na faixa de gaza tiros a luz do dia
mais um banco quebra na suiça
um palhaço anestesia o sentido da mídia
alguém ri e destroí milhares de sonhos
abortos, contorções, falsos planos
alguém nasce no palco da existência
a sua idade espiritual que revela
o conceito mórbido da selva
vive em benefício da mudança genética
dna inscrito em cada parasitária célula
recebe o conteúdo informativo como guia
vive as expensas da rotina
fantasia com delicada ternura a alegria
estimula com encanto e doçura a nostalgia
em meio a multidão enfurecida
acorrentado aos desejos consumistas
de uma sociedade patética e rídicula
com letras garrafais seduz e glorifica
os propensos ídolos globais
servidores fiéis de satanáz
trabalho árduo e competitivo
poesia traduzida como lixo
quântico, maquinal, repetitivo
iludido caminho entristecido
rostos sofridos, corações corrompidos
um minuto de sacríficio em benefício
da paz e ordem mundial
atrás de um imposto universal
pagar com amor a moeda de césar
aglutinar a dor com a salvação eterna
o medo do desconhecido que encerra
a porta de um novo mundo,
de uma nova era
com diversas teorias, ideologias e sistemas
psicologia adversa, com destreza educa,
desde cedo reza, um hábito que despreza
o raciocinio culto, vítima de uma quimera
supostas guerrilhas verbais
no espaço demarcado por animais
sorrir da desgraça e da tragédia
chorar no berço de uma nova existência




As questões políticas sempre estarão em primeira instância se considerarmos o seu aspecto dinâmico e prático de influenciar decisivamente a vida de um grande número de pessoas de forma imediata e "espontânea". Até pouco tempo atrás, não era raro atribuir a denominação intelectual a quem defendia de forma impetuosa e ousada os ideais da esquerda. Ser de esquerda ou ser intelectual era praticamente a mesma coisa, prinpalmente na Europa em que a expressão intelectual de esquerda soava como uma redundância. No entanto, após o declínio do comunismo e do enfraquecimento do discurso marxista no seio das principais potências mundiais, o capitalismo e seus tentáculos multinacionais acenaram como uma luz no fim do túnel. Os grandes avanços tecnológicos na área das comunicações, o advento da internet, proporcionou uma ligeira vertigem às grandes corporações de reduzir o globo à uma única aldeia global. A indústria cultural, em especial a cinematográfica, serviu e ainda serve como difusor de um modelo de vida baseado no consumo e no status quo. O grande dragão do Estado vê sua máquina burocrática crescer assustadoramente, e com ela a chama de seu fogo em forma de impostos injustificáveis e emendas descabíveis que em sua grande maioria visa apenas o enriquecimento ilícito e imoral de seus servos eleitos por uma população ignorante do poder do voto. Diante desta perspectiva, podemos dizer que atravessamos um período em que as reflexões sobre um novo modo de governo se faz urgente e necessária. A idéia do Estado unificado e centralizado cujo poder emana de uma única pessoa, nos remetendo a monarquia, deve ser discutida e analisada de forma criteriosa por todo os segmentos da sociedade. Invariavelmente, os grandes centros urbanos já enfrentam o "problema" do poder paralelo que, mesmo que seja de forma autoritária, arca com certas responsabilidades que caberiam exclusivamente ao Estado. Jean Paul Sartre, filósofo e romancista francês,um dos principais expoentes do existencialismo do século passado, em sua obra "O que é Literatura" expõe de maneira clara e contudente o principal argumento que o levou a duvidar das poucas possibilidades de governabilidade existentes em nosso meio. Segundo o filósofo, é muito mais fácil pensarmos que só existem o socialismo, o comunismo, o anarquismo e capitalismo do que afirmarmos a possibilidade de cada ser pensar e agir de por si só, de forma autônoma e independente, sem a força coercitiva do Estado; cada ser é em si mesmo um governo a parte, e diante das diversidade seria incoerente a defesa de um único Estado vigente em nossa sociedade. A idéia de Estado Paralelo sempre esteve diretamente ligado ao crime organizado, ou seja, às facções criminosas presentes nos grandes centros urbanos e que hoje possuem ramificações por todo o país. Se Che Guevara renascesse hoje no Brasil com os mesmos ideais que defendeu na revolução cubana, com certeza não menosprezaria a possibilidade de uma luta armada contra o atual governo. A tomada de poder pelos militares provocou uma das maiores feridas na história de nosso país e no fundo, ainda somos herdeiros dessa geração que além de ter sido financiada pela corte americana, foi a principal responsável pela manuntenção dos grandes latifúndios e pelos grandes monopólios.



Não tenho tempo de postar um texto
não sei o título, a métrica e o adereço
excluído do mundo louco por um minuto me lanço
perdidamente apaixonado no espaço agora danço

não aceno com alegria para meu passado
nem procuro no futuro um diferente retrato
vivo agora, sou fugaz e transitório
procuro no vazio da escrita a realização do ócio

entre históricas paisagens um insight letal
em meio as romagens de um período feudal
passeio pelo tempo procurando as luzes
procurando fogo, para queimar as cruzes

não tenho tempo para lamentar minhas perdas
no plano metafísico guardo algumas certezas
sem o dogmatismo estéril das bestas
rio do discurso evasivo de algumas igrejas

transporto para dentro de mim a visão
na certeza do EU-SOU posso ser então
pois todo louco certamente guarda
dentro de si como jóia rara

a plenitude da imortalidade
nas nuvens do céu vejo a liberdade

atravesso este portal com um riso
debochado, irônico e esquisito
me vejo menor do que um mosquito
para poder viver imune ao sentido

deste teatro barato e ridículo

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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