latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!


mato verde, verde mato

come mato, mata a sede

fuma mato, mata verde

na minha seca de um dia

mil baseados apertados na bahia

fuma verde, o mato mata

o sol arretado veste escassez

no palidez do rosto o remédio

na miséria do solo dejetos

olhos convulsos desconexos

dívida com a vida sendo paga

pela dor cura-se a chaga

ou seria mesmo a vida ingrata

de certa forma a origem desconheço

na divindade dos fatos me baseio

ao soluço do mundo algemado

passo a bola baseado

contemplo no pasto deitado

a imensidão e beleza dos astros

me dito a ação!!!

quando

não existe prazer no lazer

não se tem para ser
não se faz para viver

falta o mínimo necessário
um sopro vital é apagado

reunião de verbos essenciais
na ausência de valores reais

paralelo ao desperdício omisso,
do vale compra da moeda orgânica

a plasticidade invísivel do suicida
que nunca renova sua espera ânsia

nas ruas, pessoas normais transitam
em busca de novidades, verdades e objetos
pode ser um alimento ou um veneno
para continuarem vivendo


cem ratos no apartamento


apetece a vontade ficar parada
uma tarde a tôa, sem fazer nada
observando as pessoas, caladas
senhores de pernas cruzadas
pombas pacatas pousam na praça

enquanto na rua, vertigem
procura, anda, sonda, vasculha
entre bancos, quitandas, viaturas

motores pulsantes emitem um som a mais
alguém persiste em permanecer vivo
acorrentado ao sexto sentido
admiro o despojamento inato dos animais

e eu continuo respirando...



Há de brotar uma bela flor

neste tenebroso jardim

onde habita a dor



Ignoro o seu nome,

a sua cor,

a sua essência,

mas creio ingenuamente no amor


pressinto sua passagem,

como uma nevada,

preenchida por sutis cristais

refrigerará minha alma


alegrará minha existência


nos dias frios

destarte solitário

sua presença

em minha memória

me fortalecerá


ela me transforma


não sei seu nome

sua existência

neste instante passa

no interior de um ventre

macio e cálido


anseio por sua presença

amena, pequena,

antes de tudo

saudável



penso em ti

como em mim

à anos atrás



a distância

que nos separa

desperta a saudade

mesmo não tendo nascido

sinto

a sua ausência declarada



será uma menina sapeca e levada

destas que se machucam

correndo pelas calçadas?



não existe limite

para a imaginação



não consigo parar

por um instante sequer

de nela pensar

quando for mulher

reconhecerá

em meu rosto,

traços seus


sua vida

versos meus

escrito inocente

avassalador

estou pertubado

perplexo

pelo excesso

de Amor...


Em meio a um aglomerado de átomos lascivos,

pressinto um ardente desejo de fusão...

a fissão nuclear ainda não ocorreu,

pelo menos por aqui,

mas alguém continua a perguntar...

e o mistério indecifrável persiste,

a matéria de fato existe?

O vácuo atômico,

prerrogativa quântica,

já foi elaborado,

por magos esclarecidos,

por cientistas pesquisado,

estou persuadido pelo poder do verso

e sinto que um dia estaremos no espaço,

dançando a valsa dos mortos vivos

num ritmo energeticamente insuspeitável

e com um corpo certamente invisível.

Quais notas, instrumentos, ritmos serão tocados?

se por um lado, a essência do universo musical

é revestida por um suave tom enigmático

por outro, sua aparência terráquea é banalizada

pela perspectiva da formiga capitalista

que vive em função da lucratividade do mercado.



quando não temos nada mais para dizer
e nem mesmo sabemos o que iremos escrever
insistimos, e nossa presunção não se rebaixa
o orgulho, como erva daninha cresce
e o cérebro, paralizado, cede
ao desejo de mais um verso
de mais um arroubo poético
preferível ler e não ser comentado
caminho anônimo, observo telhados
procuro palavras para revestí-las de idéias
ou seria justamente o contrário
o obtuso trago de um cigarro apagado
quando dermos conta da verdade,
talvez seja um pouco tarde...
mas nunca, tarde demais
o tarde demais é uma alegoria
o seu corpo, minha mente fantasia
nesta triste tarde, respiro rotina
hoje é sexta feira, a noite anuncia
os discípulos da alegria agora brindam
numa mesa de um bar qualquer se purificam
e eu aqui, calmamente sentado espero
o meu momento de também ser eterno.

Até que a saidera nos separe!!!
Amém!!!

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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