latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!


a vida sem poesia,
sem regra estabelecida
sem normas, sem leis, sem bíblia
apenas sentimento,
eu sinto, tu sentes, ele sente
nós sentimos...
Pena, compaixão, misericórdia
ódio, impiedade, insana glória
rompe-se ao meio dia o véu
gritos estridentes ao léu
a hierarquia dos fluidos
a qualidade do desejo
o espírito carne insatisfeito
na carne espírito rarefeito
o tempo dilui-se
esvai-se... como as horas...
irremediável
o tempo
não volta...
um segundo é uma eternidade
se tivermos em vista a brevidade
de nossa curta vida carne!!


Engraçado, não temos a dimensão exata de nossa liberdade. Somos responsáveis por nossas escolhas, desde as mais insignificantes, como a cor de nossas peças íntimas até as mais decisivas, como a escolha de nossa profissão. Apenas esboçamos escolhas referentes ao exterior, imagina a escolha de nossos pensamentos, a construção de nossas idéias, o desenvolvimento contínuo e não linear de nossa consciência. Nossas escolhas baseiam-se em nossos referenciais, em nossos modelos, em nossas crenças, em nossos padrões estéticos enfim em nosso conhecimento. Podemos ter como modelo um grande filósofo como Platão ou Nietzsche, ou uma alma nobre como madre Tereza de Calcutá ou Chico Xavier, ou um grande artista, como Picasso e Rafael, ou um operante lavrador, pedreiro e pintor... são vários os motivos que nos levam a escolher uma coisa em detrimento de outra, mas não podemos deixar de refletir sobre isso, afinal, como bem nos lembra Platão, quando fazemos uma escolha deixamos, na verdade de fazer outras mil possíveis. Sejamos sinceros, não ficaríamos espantados se um dia soubéssemos que fomos nós mesmos que escolhemos nosso sexo, nossa família e a cidade que iria nos acolher? Pois então, muitos de nós gozaram desta oportunidade, e acredite, muitos gostariam de estar em seu lugar, enfrentado seus conflitos e passando pelas mesmas dificuldades. Para compreendermos esta assertiva precisamos nos convencer da pré existência do espírito, mortal e eterno e logo após estudarmos as propriedades do corpo espiritual. É normal e compreensível nos identificarmos mais fortemente com o corpo, é a parte mais visível de nós mesmos, é o meio pelo qual nos reconhecemos e nos relacionamos, é a nossa primeira experiência como espíritos, é uma das formas de evolução que nos permite rever o conteúdo estudado e assimilado no plano astral além de nos permitir uma observação mais consciosa dos diversos estágios pelo qual transitam os seres humanos e por quais vias a evolução se opera. Num primeiro estágio temos o reino mineral, no segundo o vegetal e no terceiro o animal, no quarto o ser humano e suas diferentes hierarquias espirituais. No reino mineral podemos observar a inércia e como as substâncias afetam umas ás outras, é o velho ditado, água mole pedra dura tanto bate até que fura, as modificações naturais se operam num tempo milenar incalculável e inconcebível para nós seres humanos; já no estágio vegetal gozamos de uma vida de nutrição e de crescimento; no estágio animal experimentamos nosso primeiro contato com a vida guiada somente pelos instintos, com raras excessões de alguns mamíferos que possuem um certo nível de inteligência, mesmo que maquinal, como no caso dos chimpanzés e dos golfinhos. Mas é no corpo humano que se opera e se dá a mudança mais drástica, evoluimos ao ponto de nos percebemos como uma entidade única, portadora de um eu e vontade totalmente particular. O ego é o casulo protetor, é o botão de rosa fechado, centrado em si mesmo, fase necessária para que no futuro o ser possa se desvencilhar de seu si e interagir de forma harmônica com as outras pessoas. A fase do espelho, de nos vermos a nós mesmos nos outros, esta identificação que nos permite ao menos nos vermos, de certa forma semelhante nos outros. Se formos pensar em toda sua profundidade, é interessante notar como que todos possuímos as mesmas necessidades básicas, vestuário, alimentação e sexo, mas interiormente possuímos tendências, gostos e vocações totalmente diversos e complementares visto vivermos em sociedade e sermos seres progressivamente gregários. Num primeiro momento fazemos parte da família, depois de nosso bairro, da cidade, do estado, do país, do continente, do planeta, do universo, assim sucessivamente. A principal ferramenta de expansão de nossa consciência é a linguagem e o seu surgimento permitiu uma maior compreensão do mundo à nossa volta, os símbolos compartilhados e estruturados por nossa percepção e sensibilidade nos permitiram acumular uma grande quantidade de conhecimento e de informação referente a história de outros povos, comparando costumes, leis e regras dos mais diversos povos, passamos a entender o porquê de agirmos de determinada maneira e não de outra, somos herdeiros de nosso meio, e a nossa família aparece como nosso primeiro referencial. Os fatores religiosos por exemplo exercem uma grande influência na construção de nossa estrutura psíquica ora nos libertando ora nos proporcionando traumas e conflitos que muitas das vezes nos afiguram insuperáveis. Dependendo da religião, os deuses estão sempre próximos, e ao contrário da maioria das religiões monoteístas cada um encerra em si um arquétipo que corresponde às virtudes e aos vícios que predominam na personalidade de cada um de nós. No Brasil, é inevitável a constatação e a admissão da predominância da religião de cunho cristã, em especial à católica , que crê na existência de um único Deus e na vida após a morte, sendo que os bons estão destinados ao céu e os maus ao inferno. O demônio, as vezes, nos afigura como o professor, o mestre astuto que a todos instante coloca a fé dos discípulos em provação, nos incitando ao mal de acordo com sua vontade e desejo, como se pudesse dominar nossa vontade, exercendo um fascinio irrecusável, tirando nossa responsabilidade e a liberdade por nossas escolhas, devido a este tipo de crença muitas vezes deixamos de assumir a total responsabilidade por nossos atos, preferimos nos refugiar na figura de um ser destinado eternamente ao mal. Outras religiões não são precursoras desta idéia mas afirmam existir seres invisíveis que nos influênciam negativamente para que soframos como eles sofrem, destes dois pontos de vista podemos concluir que se por um lado não existe a lendária figura do diabo, por outro não podemos ser tão ingênuos a ponto de negar a maldade de certos espiritos e pessoas. Ainda transitamos por um mundo de prova e de expiações que se caracteriza pela predominância temporária da ignorância como consequência sofremos os mais diversos males e podemos contemplar a tragédia em suas infinitas faces sangrentas e cruéis. Por outro lado, somos entusiasmos e guiados pelos grandes gênios da humanidade que através de um árduo esforço e de um processo de sucessivas reencarnações conseguiram sublimar sua energia nos fornecendo nobres exemplos de bondade e de bom gosto. Cultivaram as qualidades da alma e exemplificaram o grau maior que podemos atingir aqui na Terra, Jesus Cristo e Krishna com certeza foram os maiores seres que a habitaram nosso orbe, trazendo inestimáveis lições de cunho moral, alicerçando os pilares éticos no amor e na caridade, nos encorajando a trilharmos o caminho do bem e da boa vontade, a acreditarmos na existência de um ser superior, que a todos nós criou, referindo ao mesmo como Pai. Nos chamou de filhos de deus, sendo que também possuímos parte da centelha cósmica e fazemos parte de uma única família e que planetas inumeráveis pululam no universo. A visão se amplia para além da vida presente, o futuro nos é descortinado através das revelações e do ensinamento dos espíritos, através da intocável mediunidade de Chico Xavier.


meus nervos cortantes escondem a verdade
de meu ser fragmentado em partes
meus olhos enxergam além da própria visão
sou um mendigo em busca de perdão
me sinto fraco, sou fraco, mas são
culpado, irresponsável e inconsequente
irei ser sugado pelo abismo do erro
gostaria de nesta noite ser devorado por deus
gostaria que deus me matasse
e não me concedesse a eternidade
não gostaria de ter nascido neste mundo
pobre mundo, habitado por tolos humanos
querem que eu lute
que não seja um covarde
mas não consigo sequer pensar em prosseguir
não tenho desejo materiais
sim, tenho, muitos
sou insano e contraditório.
não sei falar de nada além de mim mesmo
e a isso, a esta arte de não querer falar dos outros
chamam egocentrismo, narcisismo, vaidade
qual a validade dos conceitos humanos?
sei lá, vai entender a humanidade

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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