latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!

mil talentos na praça

entre fumo e cachaça
milhares se perderam
da sua divina graça 

aqui ninguém se abraça
em ninguém se confia
indiferença passa
um olhar que se desvia

a quem fia sua vida
confia no ser humano 
é bom tomar cuidado
não cair no auto engano  

quanto vale a sua vida 
será mesmo o seu salário
refém de sua rotina
de seu saldo bancário 

o poder monetário
segue corrompendo mentes
se para mim já está bom
foda-se a minha gente

mais um ser consciente
abriu mão de sua coragem
se vendeu pra covardia 
perdeu parte da viagem 

aqui estou de passagem
mas vejo muita pobreza
tanto ao lado da miséria
aos que gozam na riqueza

onde reside a nobreza 
a pureza de coração 
num conto de fantasia 
ou na falsa religião 

se o mundo é do cão
também sou responsável
tenho quota de omissão
do clube dos recalcados  

a guerra é real
invisível e espiritual
sigo alterando o nível
elevando o padrão mental

bombardeio surreal
no mundo de fantasia 
estabilizo a frequência
refinando a sintonia 

não preciso de ironia
mais espaço no divã
descartei a hipocrisia 
buscando a mente sã

atento ao Tio Sam 
e sua bela oratória
não me deixo iludir
pela pessoal vitória 

nosso dia de glória
tão temido e esperado
últimos serão os primeiros
a serem convocados 

já fomos avisados 
esteja preparado 
ninguém sabe a hora
e os dias são chegados

no abismo vejo vários
amigos desacordados
sofrendo em silêncio 
ao vício acorrentado

desperta tu que dormes
deixo aberto o convite
a vida é de verdade 
mas há sempre quem duvide 

Você espera que tudo se resolva da melhor maneira possível e que todo contratempo possa ser varrido e eliminado, não restando nenhuma sombra ou vestígio de sua presença. Porém, a vida, esta mestra incansável, reluta, e lhe oferece inúmeros conflitos e desafios, na tentativa de provar para si mesmo sua força e lhe revelar todo seu potencial. Não aprendemos a ler nas entrelinhas e temos dificuldade de perceber os sinais. Estamos perdendo o contato com o divino em si e todo assunto relacionado à espiritualidade tende a ser considerado místico, esotérico e supersticioso, como se as forças invisíveis que agem e atuam, a todo instante no universo, fossem obra de débeis lunáticos ou meros autores de ficção. O sentido da vida e do próprio planeta, que pode e deve ser discutido e analisado de forma exaustiva, se torna uma reflexão pequena e irrelevante frente às preocupações imediatistas e mundanas regidas pelo poder do mercado e do capital. A transformação das pessoas em mercadorias e do tempo em dinheiro, serviu e serve para nos mostrar o quanto erramos ao adotar a postura e percepção de que os seres assim como as coisas, só servem caso nos sirvam. A ótica do mercado inverteu os mais belos valores, e existem milhares de seres lutando desesperados pela realização de seus sonhos na esfera material. Muitos, submetidos as vantagens obtidas pelo momento, fecham os olhos para os problemas e dilemas daqueles que estão vivenciando maiores dificuldades ao seu lado, ignorando o drama e as dores morais de milhares, que não possuem acesso ao mínimo e necessário a uma sobrevivência digna e saudável. Os detentores do poder e do capital se arrogam o direito de impor e imprimir o peso de suas decisões políticas e econômicas, arbitrárias e sem nexo, que podem ser sentidas numa rotina fria, empobrecida e entediante. Uma legião de almas, vagam a esmo e sem destino, sem o recurso moral e cultural para se elevarem, por si mesmas, a um patamar mais elevado da existência. O tempo neste planeta, onde cada segundo deveria ser vivido e aproveitado, da melhor forma possível, sempre visando o nosso progresso e evolução, coletiva e pessoal, está sendo covardemente desperdiçado e destinado a execução de atividades estranhas a nossa maneira de sentir e pensar. Poucas pessoas se identificam com o ritmo impostos pelas máquinas, e raros operários se apresentam felizes e orgulhosos, com sua vida, trabalho e salário. Sim, existem certas funções e atividades que sempre terão que ser realizadas e executadas por alguém, porém o tempo destinado ao trabalho poderia ser reduzido ao mínimo necessário. Para que fabricamos tantas coisas e objetos? Porque utilizar todo bem e recurso na construção de uma sociedade que sabemos ser doente e fadada ao fracasso? Não necessitamos de tantos objetos e alimentos para termos uma vida rica, significativa e válida. É preciso um pouco mais de arte e vontade para desvencilharmos do atual estado de coisas. Estamos caminhando para uma guerra de todos contra todos, onde a desconfiança e o egoísmo serão os maiores responsáveis pelo nosso processo de autodestruição. Cada qual, pensando somente em si mesmo, esquece que vivemos numa dinâmica rede interligada, onde as partes afetam o todo e o todo afetam as partes. Não estamos e nunca estivemos, de fato, sozinhos. Um dos maiores erros e ilusões, é nos considerarmos como os únicos agentes responsáveis pela nossa vida e existência terrestre. Estamos sendo, a todo instante, testados e provados, tanto em nossos pontos fortes como fracos, e poucos serão aqueles capazes de suportar a visão refletida de si mesmos no espelho da consciência.  Ainda iremos presenciar a morte e o nascimento de inúmeros fatos e fetos e ao lado da sorte lançada pelos dados existe sim, a certeza de podemos mudar a nós mesmos. Afinal, como diria o saudoso e querido Chico Xavier “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo final.  

Você liga o rádio, abre o jornal, assiste ao noticiário na ânsia de que algo extremamente positivo e benéfico possa reacender a chama da esperança e renovar sua crença no ser humano. Acredita, ingenuamente, que um dia possa se deparar com algo que provoque e desperte uma súbita mudança em sua vida e conta bancária, no mínimo em seu humor. Nada de novo acontece, ao contrário, parece a reprodução monótona do mesmo filme, cujas cenas, repetidas vezes projetadas, anestesiam e entorpecem a realidade, para não dizer a própria alma.

É necessário nos alimentarmos, diariamente, das centenas de tragédias do cotidiano, engolir nossa quota de medo, angústia e desespero para nos sentirmos felizes em meio a nossa própria dor e sofrimento.   O triste e decadente cenário da miséria, o grotesco quadro da guerra, os índices alarmantes do desemprego, do medo e da violência, não mais nos chocam, assustam ou impressionam, apenas nos impõem um silêncio ou um grito de impotência ou revolta. Acostumamos a acreditar que a vida é assim mesmo, e que devemos aceitar todo tipo de humilhação e injustiça, tendo sempre em vista o reino dos céus e o paraíso das consolações celestiais. Proibidos de questionar ou até mesmo reivindicar nossos direitos, passamos uma vida desacreditados e sem expectativa de qualquer tipo de melhora, rezando para que as coisas e situações ao menos não piorem.

A forma como lidamos com nossos dramas pessoais reflete a forma como lidamos com os problemas nacionais. Muitas pessoas, nas redes sociais, postam belas fotos e retratos, mas raríssimas de fato se mostram. Temos dificuldade de nos abrirmos e nos revelarmos, intimamente, ao outro. Apreciamos a auto- suficiência e a independência de fazer e resolver as coisas sozinhos, do nosso jeito. Não possuímos um verdadeiro espírito coletivo e a união, assim como o orgulho cívico, ainda são raros e reservados para o carnaval, shows e partidas de futebol.      

A ditadura da felicidade nos impõe o sorriso e a alegria como atributos e prerrogativas de uma vida socialmente plena e aceitável, como se a tristeza, a dor e o sofrimento devessem ser varridos e apagados de nossas existências, sem nenhum tipo de postagem ou comentário. Não por acaso, uma pessoa extremamente deprimente e queixosa é rotulada de negativa e passa a ser evitada pelos amigos, colegas e familiares.

Ninguém quer incomodar, nem ser incomodado, mas se eu lhes dissesse que viemos neste mundo para vivenciarmos justamente o contrário? Ora, somente uma pessoa egoísta é incapaz de ceder pequena parcela de seu tempo, energia e atenção na resolução de um problema alheio. Por sua vez, somente uma pessoa extremamente orgulhosa sente dificuldade de realizar um pedido de ajuda ou um simples favor.

Os problemas de nosso país não se resumem às peripécias políticas, acrobacias jurídicas ou licenciosas sabatinas atávicas. Eles perpassam o âmbito social, familiar e pessoal. Desde a relação com nossa cidade, bairro e vizinhos, à limpeza de nossa casa, roupas e pratos.   

Do privado ao público, do particular ao universal, a verdadeira mudança ocorre em nós, de dentro pra fora. De nada adianta enumerarmos os intermináveis problemas sociais se não temos a boa vontade de contribuir para o equilíbrio e a harmonia no seio familiar. Podemos vomitar o mais empolado discurso, com uma verborragia prolixa, cansativa e desnecessária, arrotar sermões e senões envolvidos com ares de certeza e verdade, mas se as palavras não forem exemplificadas pelos nossos atos, não terão nenhum peso e validade.

É necessário nos conscientizarmos da importância de utilizarmos cada segundo na construção de um mundo mais justo, igualitário e humano. Seguidas vezes, tropeçamos nas pedras do orgulho e da insana vaidade, confundindo humildade com humilhação, nos esquecendo, da nossa pequenez e ignorância. Como diria Blaise Pascal, filósofo francês do século XVII, “ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar, ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender...”

O mundo ainda será palco das mais temíveis e terríveis atrocidades, mas podemos enfeitar nossa casa mental com um pensamento positivo de amor e serenidade, com fé e confiança em nossa vitória coletiva e pessoal. A verdadeira mudança começa pela gente, somos agentes diretos da nossa felicidade, e depositários fiéis do nosso futuro, que será reflexo deste inestimável presente.

De nada adianta cobrir nossos corpos de cinza, nos despir da alegria e abrir mão da própria vontade. Precisamos, sim, assumir uma nova postura e identidade, perante um mundo novo que descortina, a cada dia, um horizonte de infinitas e amplas possibilidades. Desligarmo-nos daquilo que nos prejudica, inferioriza e enfraquece, nos aproximando, ao contrário, daquilo que nos eleva e nos fortalece. A arte da prece, sem o ofício da fé e a realização das obras é morta. Reconhece-se a árvore pelo fruto, já diria o Mestre. O melhor momento para mudar, é este eterno agora. Então, mãos à obra!

Poderia ser o chamariz de algum circo, promovendo sua mais nova atração, mas tal habilidade pode ser facilmente constatada em alguns juristas, políticos, jornalistas e empresários brasileiros. Um majestoso show de pirotecnia, onde fascinantes faíscas incandescentes e incendiárias são lançadas, mas suas vítimas são bem reais. Atingindo desde os grandes representantes da indústria de alimentos até um time de segunda divisão que perdeu grande parte de sua receita por ter contratado o açougueiro, digo, goleiro Bruno, conhecido por apreciar carne fatiada e nas horas vagas, apresentar uma grande número de mágica: “ocultação de cadáver”. Boa!

A lista do Janot é “vazada” e veiculada de forma bem menos arriscada e embaraçosa do que a negociação promovida por um grande time interessado na compra de um famoso jogador de futebol. Sem contar a vantagem do informante ser preservado sob o manto do anonimato e do que, no meio jornalístico, convencionou-se chamar de “entrevista coletiva em off”. Se por um lado a fonte é protegida, por outro gera o mínimo de incertezas e desconfianças, seja pelo teor das acusações ou pelo peso das consequências, que são sobretudo políticas, para não dizer partidárias e pessoais. 

A operação Lava Jato faz três anos e seu aniversário será comemorado ou lamentado,  do mesmo jeito e da mesma forma, nos mesmos bairros, ruas e endereços, nos restaurantes ou iates (será?) mais bem frequentados (?) do país, em especial nas capitais do Rio, São Paulo, Distrito Federal e  Paraná com direito a vinho, uísque e  champanhe, sem citar os canapés e os acepipes mais finos e sofisticados.

Mesmo diante das inúmeras manifestações de protesto realizadas nas principais capitais e cidades do interior do país, o desejo de grande parte dos meios de comunicação era que a reforma da previdência pudesse passar despercebida e silenciosa, pequena e sem importância. Os principais jornais e emissoras, tanto escritos como televisionados, optaram por abordar outros temas e assuntos, nas edições e editoriais que seguiram ao desenlace. O pacote de maldades será sentido por nós e principalmente pelas futuras gerações, que terão de iniciar sua jornada de trabalho mais cedo, caso tenham interesse em se aposentar com 65 anos e receber o valor integral dos seus vencimentos. 


Por uma destas misteriosas ironias do destino, a polícia federal deflagrou, na mesma semana, a operação carne fraca, que constatou várias irregularidades e absurdos cometidos por grandes indústrias do setor alimentício, desde a mistura de material cancerígeno ao fornecimento de carne podre e estragada. Numa atitude de extremado desespero e desrespeito ao consumidor, uma das empresas veio a público, não para se retratar ou pedir desculpas, o que por si só seria insuficiente, mas sim para tentar justificar o ocorrido através de fotos e postagens de seus funcionários ostentado produtos em suas casas.  

A contratação do goleiro Bruno pelo time mineiro de Varginha, o Boa, que irá disputar a segunda divisão do campeonato brasileiro, gerou polêmica e discussão. Os maiores patrocinadores, num gesto de repulsa e desaprovação, para não terem o nome de sua empresa envolvido ou associado ao goleiro, retiraram seu time de campo e rescindiram o contrato com o clube. Numa entrevista concedida a uma conhecida emissora de televisão seu presidente foi questionado se daria esta mesma  oportunidade ao goleiro , caso a vítima tivesse sido sua filha. De uma forma inteligente e pouco usual, o presidente respondeu no mesmo tom e altura, com outra pergunta: “e se o Bruno fosse o seu filho?”

Estamos vivendo um período de profunda transformação política e o monopólio da informação, detido até pouco tempo, pelas maiores empresas de comunicações do país estão sendo diluídos através de outros canais, modos e meios. A internet e os dispositivos móveis, que hoje são responsáveis pelo maior número de acessos, operam, mesmo que de forma lenta e gradativa, uma verdadeira revolução na nossa maneira de agir, sentir e pensar. A interação virtual é algo real e o número de informações compartilhadas é infinitamente superior ao que era possível constatar uma década atrás. 

Apesar de parcela significativa da população estar atenta e vigilante aos mandos e desmandos operados pelos agentes do poder, ainda sim, é possível contemplar um esforço desmedido de algumas emissoras, principalmente as de canal aberto, para negarem e ignorarem determinados fatos e eventos,  dando ênfase a aspectos irrelevantes de certos acontecimentos, como se nada estivesse acontecendo.

Não por acaso Buda nos diz que “três coisas não podem ser escondidos por muito tempo: o sol, a lua e a verdade”. Em Marcos, capítulo 4, versículo 22 podemos ler que “nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia”. Me despeço com uma célebre frase de Abraham Lincoln: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos por todo o tempo”.

Deve ser porque não me encaixo no formato e não consigo, de boa vontade, me submeter as leis e regras impostas por qualquer autoridade, principalmente àquelas contrárias aos ditames do bom senso e da razão. Não sigo as tendências da moda, não tenho um penteado arrojado, não consigo mentir e dizer algo diferente daquilo que sinto e penso. Deve ser porque estou muito além de qualquer tipo de padrão e conceito estabelecido pelo outro. Deve ser porque corro o perigoso risco de ousar pensar por mim mesmo. Deve ser porque busco por uma novidade interna, invisível e impessoal. As vezes me sinto constrangido a mentir, para me sentir um pouco mais igual e não ser de fato, tão diferente. Não tenho as roupas da moda, nem me preocupo com o lançamento do último disco, filme ou celular. Tenho hábitos antigos e arraigados, gosto de acordar cedo e de estar no mato, comer comida simples e farta. Me sinto assim por não usar máscaras e sempre dizer o que eu penso. De não ter medo de errar, de pedir desculpas, de voltar atrás. Deve ser por que valorizo o brilho nos olhos mais do que a cifra no bolso ou no banco. Deve ser porque eu me mostro e me revelo por inteiro, sem medo de expor meus vícios, erros e defeitos. Porque não me sinto desconfortável ao permitir que outro me conheça sem reservas e restrições, com meus traumas, medos e inseguranças. Deve ser pela beleza e pela pureza presente em todo ser que se permite, se conhece e se sabe, dependente e vulnerável. Porque não sou perfeito e me atrevo a dizê-lo. Num mundo afeito a mentiras, a verdade assusta, afasta e espanta. Deve ser porque ainda conservo uma veia poética e espiritualizada, idealista e humanitária, filosófica e libertária, política e revolucionária. Porque às vezes me pego pensando mais no outro do que em mim mesmo. Deve ser porque não sei ser feliz sabendo que outro está do meu lado sofrendo. Porque vejo no outro um igual a mim. Porque amo sem pedir nada em troca. Porque amo, mesmo sabendo que não vou ser correspondido, do mesmo jeito e da mesma forma. Deve ser porque ainda tenho um certo respeito e honestidade intelectual, para investigar a fundo o porquê de certas coisas e causas. Dever ser porque sou febril, profundo e intenso, por que sou inteiro e não sei ser pela metade, ou sou tudo, ou sou nada, não acredito em meio termo, muito menos no amor. Deve ser pela facilidade que tenho em me despir dos meus achismos, ismos e opiniões e buscar, dentro das minhas limitações, o novo. Por mais que seja teimoso e fechado a certas coisas, ainda sim, sei da necessidade que tenho de buscar e aceitar a mudança, sempre.   Deve ser porque me movo e me alimento do que realmente me importa e me faz feliz. No fundo, me sinto bem do jeito que sou. Não tenho nada para mal dizer, blasfemar ou agourar, estou em paz comigo, agora, neste momento. Mesmo diante de tantas tribulações, ainda encontro tempo para agradecer e honrar o nome do Senhor no silêncio do meu quarto e do meu coração.  

desperte seu espírito
retenha sua atenção
medite no momento
liberte da distração 

respire em silêncio
concentre na oração
veja a chama acesa
em meio a escuridão

receba de mente aberta
muita paz no coração
a vida vem em ciclos
rompendo com a ilusão

é só questão de tempo
reconhecer sua missão
revolução do planeta
se em outra dimensão

buscando a religação
conectado a matriz
preso a surto de ecos
entre egos a raiz 

do espaço aprendiz
seguindo itinerante 
os rastros do universo
paralelo e mutante 

Com certeza uma das maiores vozes e ícones da música popular brasileira. A título de curiosidade e para quem tiver interesse em se aprofundar na vida e obra deste grande músico, indico a obra "Vale Tudo", biografia escrita por Nelson Motta. "O gordinho mais simpático da tijuca" conviveu, desde a infância, com grandes nomes, entre eles Erasmo Carlos e Jorge Ben. Seu primeiro conjunto musical, "The Sputnicks", contava com a presença de Roberto Carlos. Não por acaso, depois de ter sido convidado a se retirar dos Estados Unidos por porte de drogas e prática de pequenos delitos, a gravação da música "Não vou ficar" pelo rei foi essencial para impulsionar sua carreira e lançar seu nome no cenário musical brasileiro. Além de ter sido um dos pioneiros na inserção do "soul" no Brasil, Tim Maia se distingue pelo talento, timbre e polêmicas, mas também pelo seu humor e temperamento. Afeito ao discurso claro, objetivo e direto, não tinha meias palavras, sempre dizendo e agindo de acordo com aquilo que acreditava. Entre inúmeros episódios, podemos citar a vez em que abandonou o palco do programa do Chacrinha. Para convencê-lo a voltar, o velho guerreiro apelou para a única pessoa que ele ouvia sem contestar: sua mãe. Fundou sua própria gravadora, a Vitória Régia Discos (primeiramente batizada de Seroma devido as iniciais de seu nome Sebastião Rodrigues Maia e onde se lê a palavra "amores" ao contrário) "a única que paga aos sábados, domingos, feriados depois das 21 horas!", como bem gostava de frisar. Colecionou inúmeros processos pela sua recorrente ausência nos shows mas sua vida particular desregrada em nada interfere na incontestável genialidade de sua obra.

mais um dia se inicia
forjado nesta fornalha 
se quiser vencer a guerra
se prepare pra batalha 

sinta o peso da mortalha
nosso final decadente 
testemunha do duelo
eterno com nossa mente

mais um elo da corrente 
sempre firme e operante
conheço muitos mistérios
todos infernos de Dante

na fórmula a constante,
cansado das variáveis
de pessoas que oscilam 
mudam ao sabor dos ares 

percorri os sete mares
conheço sete segredos
conquistei as sete chaves
abri a porta do meio 


A grande maioria de nós, brasileiros, possui apenas uma vaga noção da configuração política, geográfica e econômica do país, o que nos impede de reconhecer e visualizar, os verdadeiros governantes e quais são seus reais interesses. 
 

Banqueiros, empreiteiros e multinacionais andam de mãos dadas com um grupo de latifundiários, empresários e industriais, cujos principais empreendimentos se concentram desde do agronegócio às grandes indústrias de energia (petróleo), transporte (automóveis), mineração (minério de ferro) e bebidas (cerveja). 

Logo em seguida podemos enumerar uma série de políticos, juízes e militares, além do poder do clero e claro, a grande arquiteta, simbolizada pelo olho que tudo vê: a Rede Globo e os meios de comunicação de massa, leia-se mídia e imprensa. 

Difícil é crer e acreditar que os defensores desta ordem e deste progresso, além de serem recrutados na base da pirâmide, são obrigados a servir e se alistar para defender com unhas e dentes os interesses de quem oprime a si e ao seu povo.

Enquanto adotarmos uma postura de conivência e submissão aos ditames impostos por este modelo piramidal de globalização, os tentáculos do capitalismo tendem a esmagar a maioria da população que se contenta em reproduzir e se enquadrar nos moldes e padrões pré-estabelecidos.  

Enquanto não formos incentivados a criar e a pensar uma solução nova para o país estaremos destinados ao fracasso. Até quando seremos reféns da mediocridade, do medo e da covardia? Necessitamos de pessoas sérias e dispostas a realizar algo de relevante em prol do país. 

Gostaria de, ao invés de apontar os erros e as injustiças, propagar as soluções, mas não existe nenhuma intervenção mágica e de fácil resolução. Demandará tempo, paciência e energia, pois ainda iremos assistir alguns espetáculos de gosto duvidoso, seriam cômicos se não fossem trágicos. 

A competitividade, a especulação em torno da economia, as respostas simplórias e reducionistas que exemplificam um profundo desconhecimento do assunto pode ser contemplado nas respostas vazias e evasivas "o problema é a crise internacional" "os juros, a inflação" na verdade, são vários fatores. Ainda somos vítimas dos grandes monopólios de terra e de renda. 

Uma minoria hipócrita, que não acredita e nunca acreditou na melhoria efetiva do país, que sempre se beneficiou da esfera privada, que nunca se privou de nada em benefício do povo, que sempre se julgou superior e intocável pelas leis vigentes em nosso país, começa a se render aos fatos de que, futuramente, as pessoas possam novamente reivindicar seus direitos à força. Por isso elas temem a elevação da consciência e lançam um olhar perverso sobre a realidade. 

Enquanto o povo permanecer escravizado, lutando pela sobrevivência com baixos salários e assumindo a responsabilidade por toda mão de obra pesada, iremos assistir passivos a passagem de bravos espíritos que tão somente exemplificam e nos mostram, através de sua vida e de seus atos, os verdadeiros valores que deveríamos admirar e respeitar. 

A agricultura familiar, o desenvolvimento sustentável, a abertura de novos mercados, o investimento maciço na educação de base, a revisão dos bens exportados e importados, a descentralização do poder e a adoção de medidas para impedir o avanço da inflação, como o investimento em outros meios de transporte e energia são formas inteligentes de encarar certos problemas ou se preferimos, assumirmos desafios.   

A crença passiva, de que alguém será capaz de resolver todos os nossos problemas e conflitos num passe de mágica é o que nos mantém cativos de nós mesmos, prisioneiros do tempo e escravos da esperança. 

Por outro lado, somos motivados a enxergar as mudanças operadas em nossas próprias vidas. Se por um lado conseguimos visualizar as mudanças que podem e devem ser operadas no interior do sistema por outro ousemos admitir, que só podemos e devemos mudar a nós mesmos. 

Mesmo que as coisas piorem e os problemas se multipliquem existem outros meios e formas de mudar o mundo que vivemos. Cada qual em sua área, exercendo sua atividade, buscando dar sempre o seu melhor. Acredito que um dia iremos viver num país decente, afirmando nossa identidade, reconhecendo nossos valores e nossa capacidade de crescermos e evoluirmos através de nossa inteligência, persistência e criatividade. 

Contamos com pessoas criativas, que acreditam na mudança, que operam, silenciosas, a verdadeira revolução: a de consciências. Pessoas que teimam em permanecer fiéis aos princípios esposados. Que vivem em função daquilo que acreditam e creem ser correto: a ética, o respeito, a honradez. 

Conheço muitas pessoas que não abrem mão de serem reconhecidas como honestas, que se fiam na palavra e no fio de bigode. Espero que possamos ser responsáveis pela renovação e a mudança, que se fazem tão urgentes e necessárias. Nos resta agir, em prol da melhoria efetiva em nossas vidas, sabendo que a verdadeira mudança começa em nós mesmos.

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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