latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!

milhares de pessoas 
jazem na ignorância
na era dos extremos 
respiro intolerância
sonhos de criança
no chão despedaçado 
esperava ser feliz
despertei do outro lado
que mundo bizarro
pra quê tanta informação
na ausência de saber 
apelo pra distração
neste mundo de ilusão
vivemos de aparência
ninguém se arrepende pelo ato
mas sim pelas consequências
onde está a inocência 
me diz quem foi enganado
quantos se fazem de vítimas
sabendo ser culpados 
não estou preocupado
em sanar a injustiça
se Deus nos deu um fardo
da cobra nos deu malícia

Roubaram nossos sonhos
Disseminaram fracassos
arquitetos do universo
controlando nossos atos

ousadia de quem pensa
além da dualidade
se sou bem não sou mal
busco fazer minha parte

se é direita é coxinha
se é esquerda é petralha
e assim nos dividimos
caímos numa cilada

retiraram o prazer
de todo aprendizado
avaliam o conteúdo 
estudam por resultado

se tivessem sido
de fato alfabetizados
devorariam vários livros
como acendem baseados 

repensariam seus atos
talvez voltassem pra escola
mas procurariam em si mesmos
a chave de muitas portas

sem pensar nas notas
no castigo aplicado
que importa ser o primeiro
ou último classificado



A cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro sempre esteve preocupada em perpetuar seu poder através de um laço consanguíneo e familiar, cuja estrutura pudesse ser aceita e mantida sem nenhum tipo de questionamento ou constrangimento jurídico e legal, ético e moral. Forjado e estabelecido por uma complexa teia social, cujos fios são sutilmente entrelaçados, sua existência e sobrevivência durante todos estes anos se deve a sua perspicaz astúcia na arte de manipular dados, cifras e consciências, além de sua alta aceitação social entre as pessoas de baixo estudo e renda. Seus acordos, no mais das vezes, são políticos e diplomáticos, sem uso da violência, e vão desde o pagamento de propina a policiais até desembargadores da suprema corte. Assim como na máfia italiana, as brigas e intrigas mais sérias e sangrentas se dão no seio das próprias famílias que guerreiam entre si na tentativa de aumentar e expandir seu poder e império. Os capos do estado do Rio de Janeiro durante muitos anos, principalmente no regime militar quando eram responsáveis por nutrir e acomodar vários coronéis e generais em sua folha de pagamento, não tinham experienciado a concorrência com membros e representantes legais do estado: a polícia carioca. Se por um lado o tráfico de drogas é responsável por gerir e gerar, mensalmente, números que ultrapassam a casa dos seis zeros, por outro, o bicho, além de ser uma atividade ilícita altamente lucrativa e rentável, permite ao contraventor ter uma vida social ativa e invejável, com direito a camarote nas principais escolas de samba e presença constante nos melhores hotéis, restaurantes e boates da cidade. Apesar de viverem na ilegalidade, de forma clandestina e mafiosa, são defendidos e aclamados, temidos e respeitados nas periferias e subúrbios do Rio. O povo brasileiro absorveu o jogo de tal forma, que não seria errôneo dizer que já se tornou um problema cultural, muito além do social. O jogo do bicho atravessa gerações e o dinheiro é facilmente lavado na compra de fazendas e gado, motéis e restaurantes, frotas de táxi até de lanchas e aviões. A justiça brasileira faz vista grossa e sempre que surge um policial ou juiz honesto, o mesmo passa a ser rigorosamente observado. Se possui algum desvio de comportamento que possa comprometer a sua reputação o mesmo é utilizado como forma de suborno e ameaça. Quando não, tem decretada sua morte. O Brasil definitivamente não é um país para iniciantes. A receita do bicho além de movimentar milhões é responsável pelo acréscimo salarial de vários representantes do estado que enxergam na corrupção um excelente meio de proporcionar um alto estilo de vida, bem acima dos padrões, para seus entes queridos e familiares. Para quem passa a vida defendendo os interesses de quem está rendido confortável no sofá de sua mansão por um salário irrisório, não é difícil ceder a esta tentação. Mas cabe aos contraventores a defesa do seu espaço e território, e para isso, necessitam de pessoas, armas e dinheiro. Quando um capo morre, geralmente outro assume, e este acréscimo de poder concedido a um membro, além de despertar a inveja e cobiça dos consorciados, passa a fomentar o ódio e as conspirações. É muito comum, nestes momentos, os chefes se aproveitarem da fragilidade dos familiares e proporem concessões em regime de benefício mútuo ou simplesmente se atacarem. Quando isto acontece, florescem cadáveres pelas ruas e becos, esquinas e vielas do Rio de Janeiro. O poder do bicho é grande e não deve ser subestimado. Em sua intrincada estrutura existem matadores e advogados, contadores e magistrados, policiais e o próprio estado, na figura de políticos: ministros, governadores, senadores e deputados, etc. Vários tiveram sua campanha financiada por famigerados bicheiros e ninguém estima a quê preço. A contravenção no Rio é regra e nunca a exceção.

O caminho do auto conhecimento é permeado de dúvidas, angústias e incertezas, assim como medos, conflitos e dissensões. Por qual caminho seguir? O que devemos fazer para melhor nos conhecer? Em qual área da minha vida desejo me aprimorar? Por qual motivo devo buscar a mudança? Qual a distância que existe entre aquilo que sou e o que desejo ser? Consigo expressar de forma verdadeira, autêntica e original meu eu? Ou será que estou sendo guiado e dirigido pelos apelos imediatos e ilusórios do ego cuja máscara, imposta pela sociedade ou pela própria família, acaba por sufocar, ocultar e reprimir nossos mais íntimos anseios e sentimentos? Se desejamos a mudança simplesmente para agradar ou se adequar as expectativas de alguém, com certeza iremos nos deparar com a frustração e a ansiedade: inimigas número um de nossa paz e harmonia interior. Viver uma vida em função das expectativas alheias, além de ser  desgastante, desnecessário e prejudicial, nos desconecta com o divino em nós. As correntes do universo necessitam de canais honestos e abertos para poderem expressar sua beleza em toda sua amplitude e exatidão. Nada ocorre por acaso e cada dia se apresenta como a mais bela oportunidade de desfazermos e descartamos desde coisas e objetos, até pensamentos, sentimentos e ideias, assim como pessoas, hábitos e lugares. Como iremos nos transformar em agentes da própria mudança alimentando-nos  das mesmas ideias e crenças, pensamentos e sensações? É necessário reconstruir a matriz mental. Através das experiências e ocorrências do cotidiano acumulamos, com o tempo, uma quota de conhecimentos e informações, que podem impedir ou alavancar nossa própria evolução e progresso. As crenças negativas e derrotistas absorvidas durante a adolescência e a infância podem estar ressoando, até hoje, na vida adulta. Não é uma tarefa fácil se olhar no espelho da própria consciência. Exige esforço e vontade, sobretudo honestidade. Ninguém gosta de admitir e aceitar a existência em si mesmo de um grave defeito moral. Todos gostaríamos de ser contemplados sob uma ótica positiva, em que nossas virtudes e qualidades pudessem ser sempre realçadas e reiteradas. Porém devemos aceitar o fato de que nem sempre somos a pessoa que gostaríamos de ser e que por algumas vezes, uns mais outros menos, fomos capazes de machucar e ferir, de forma inconsciente ou não, as pessoas que mais nos amam e amamos. Refletir diariamente sobre os atos e fatos do cotidiano nos permite visualizar com mais facilidade e clareza o que podemos e devemos mudar em nós. Este inventário é extremamente importante e necessário para quem está disposto a se aventurar em busca do eu. Um dia iremos perceber que somos totalmente responsáveis por tudo que acontece em nossas vidas. Tomara que possamos nos alegrar com nossas próprias escolhas. Por hoje é isso. Abraços fraternos.

Correndo altos riscos
cataliso a esperança
como já estava previsto
tenho sede de mudança

neste mundo atrasado
minha mente persevera
sublimando os instintos
inauguro nova era

entre homens primatas
afloram psicopatas
lobos se vestem de ovelhas
para manter a ordem intacta

pessoas são guiadas  
por ideias atrasadas
que mil vezes repetidas
parecem verdades dadas 

o amor se declara
impotente perante o ódio
milhares jazem na miséria
outros correm atrás do pódio

Não estou habituado
a velar por sua mentira 
se a verdade fosse boa
mil vezes seria dita 

sem nenhum subterfúgio
máscaras e anestesias 
drogas podem lhe dar asas
mas também lhe tiram a vida 

nada que não saiba 
e já não tenha ouvido
repito velhos ditados 
ignoro novos hinos 

na era dos extremos 
das opiniões contrárias
várias "ideias progressistas"
se revelam atrasadas

Esquece de cara a fama
poder, dinheiro e sucesso
os frutos são consequência
de seus atos pregressos 

penso no progresso
como algo inevitável
evolução se opera 
até diante do fracasso

o amor é escasso
milhares na miséria 
muitos pobres de espírito
são escravos da matéria 

por aqui quem peca
é julgado condenado
mas se esquecem que o erro 
é o pai do aprendizado 

Sem tempo para perder
nascemos para ganhar
conquistaremos nosso espaço
mas nunca sem lutar

tentei abreviar
o pesadelo dos meus dias
com uma dose de conhaque
e um coquetel suicida

hoje encontrei a saída
deste antro deplorável
confesso tinha me tornado
um ser humano lastimável

atado as algemas do vício
preso na pior prisão
aquela que não tem grade
e te joga no chão

pensamentos destrutivos
habitavam a minha mente
só por hoje busco ser
um homem mais consciente

vivendo momento presente
me sinto mais realizado
só não posso me esquecer
do que fui no passado

mais um ser derrotado
destruído pelo vício
pedindo aos anjos e a Deus
para mudar o meu destino

sozinho eu não consigo
sou fraco e vulnerável
preciso de ajuda
se quiser dar longos passos

me desculpe o atraso
agora preciso partir
tem reunião lá no Progresso
só por hoje quero ir





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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

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