latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!



30 janeiros se passaram
poucos foram os carnavais
o ressurgir da primavera
a morte de raros animais
nada mudou
no velho novo mundo
procuram carniças
na esquina de um país qualquer
lembro-me bem
no dia em que nos disseram
nada neste mundo é eterno
cuidado nas suas escolhas
pois tudo está envolvido de interesse
não se aproxime de ninguém,
se possível para seu próprio bem
sempre se afaste...
graças a deus existem poetas
extremo alicerce de nossa queda
solitários no sentir e no pensar
norteiam o nosso caminhar
 no limite linguístico distinguimos
a inferioridade de nosso ser instinto
o céu ainda é o desafio
caminhamos entre pedras e necessidades
consciente de que deste mundo
infelizmente ainda fazemos parte
não deve ser muito agradável
para um ser espiritualmente evoluído
ter que se deparar todo dia com seu canino
mas se temos que defender a humildade.
diga que sim ainda fazemos parte da humanidade
não acredito no mistério
muito menos em um ser especial
desvendamos os segredos
como mais um ser universal
procuramos na história deste mundo
o motivo de sempre sermos surdos
precisamos sim dos convites da vida
a minha trajetória retrata um suicida
ao menos procuramos pela verdade,
na sinceridade do homem que parte
para abismos e antros indesejáveis
mas que culpa temos?
se tivemos contato com a carne?
carregamos desejos insanos, incofessáveis...
contemplamos caminhos entristecidos
mas somos pelos fatos favorecidos
não existem valores, sorte ou acaso
tudo foi por nós mesmos premeditado
nunca queiras fugir de ti mesmo
pois acima de tudo paira soberbo respeito
mesmo que queira desvencilhar deste tempo
ainda sim sinta o gosto inefável do momento
desligue seus aparelhos televisivos
a distração é um vil lenitivo
queira se encontrar com o silêncio da noite
este exercício nos livra do açoite
não digo com ar de superioridade
tente me entender,
faço parte de sua humanidade
já tive experiências reais e místicas
supremacia ontológica da metafísica
se morresse hoje com certeza desertasse
tomara que o diabo promova a catarse
ligeiro é o tempo, nada tenho a perder
digo de mim, o que você diz de você
tenho saudade de muitos amigos
momentos felizes carrego comigo
me diga onde está a sua saudade
o seu poder, vontade de verdade
sonho com magos bruxas e druidas
sintetizando a mesma vida
interligados por comunhão
aqui não existe nenhuma paixão
o que você quer é produto do meio
não se entregue, critique sem medo   
já vi almas nobres vagarem em umbrais
homens discretos para nós tanto faz
mas existiram exemplos na nossa história
pensar por si mesmo eu sei que incomoda
pagamos o preço da liberdade
mas tenha certeza
somos de verdade!!!


 














A vida nos embriaga com suas inumeráveis possibilidades de crescimento espiritual. Se por um lado somos repentinamente lançados ao confronto direto de nossos atos e pensamentos ao mesmo tempo temos o absoluto conhecimento das formas como poderíamos viver. Um ser humano, empobrecido materialmente não é impossibilitado de sonhar em um dia poder desfrutar de um iate, de uma mansão e de todos privilégios destinados aos ricos do mundo. A desigualdade social é um mal terrível que tende a dissipar nossas mais íntimas esperanças. Para nós, seres encarnados, reféns da matéria, é extremamente difícil não pensar em termos de comparação. Sabemos que isto provoca um enorme sofrimento visto que atráves de qualquer comparação sempre nos sentiremos inferiores ou superiores desconhecendo desta forma nosso verdadeiro valor. Mas nem tudo está irremediável. Busquemos as causas: por que possuímos esta tendência, de nos compararmos com os outros? E porque as vezes os pais se utilizam deste recurso na tentativa de mudar o comportamento de seus filhos? Com certeza a possibilidade de nos comportamos desta forma se deve ao simples fato de todos nós sermos diferentes. Somos seres marcados por caracteres individuais, cada um de nós possui sua "História de Vida" sendo que podemos colher as merecidas lições, seja de um retirante ou de um phd em psiquiatria clínica. No entanto a forma pela qual passamos pela vida difere substancialmente uns dos outros, a forma pela qual encaramos os problemas revelam se temos uma postura otimista, de fé, de esperança, ou de pessimismo, descrença e desânimo. A melhor imagem para podermos sintetizar o que a vida espera de nós está na própria natureza, a gazela correndo desesperadamente de seu algoz nos dá uma visão do quanto devemos lutar pela vida até o último instante, pois afinal de contas temos a certeza do sopro derradeiro e a morte não é uma fatalidade, ao contrário é uma necessidade natural que todos teremos que passar. Mas não precisamos nos aterrorizar diante da vida, sim ela as vezes é angustiante e causa arrepio pensar nas maldades cometidas pelos seres humanos, seres mentirosos, inescrupulosos, sem caráter.. Quantas pessoas não anseiam por um emprego honesto que lhe proporcionem a satisfação de suas necessidades físicas e psíquicas? A desigualdade material é, visivelmente, uma das principais causas da inveja e do egoísmo, em uma sociedade que prima pela aparência, a pessoa bem sucedida materialmente granjeia facilmente a notoriedade e os aplausos da maioria das pessoas, independente de seu carisma e de seus valores. Neste mundo não podemos falar de valores, príncipios e respeito sem passarmos pelo crivo da sociedade, gostaríamos ao menos de sermos respeitados e não delegados para segundo plano. Todos nós gostaríamos de receber nosso quinhão de respeito e de dignidade. Nada pior no mundo do que nos sentirmos distantes e sem motivação para continuar a caminhada. As vezes mesmo sabendo que existem milhares de pessoas que sofrem mais do que nós ainda sim nos mantemos numa postura negativa, de decepção e de frustração. Na infância todos nós possuímos sonhos cor de rosa e não temos vergonha de revelar nossos mais íntimos sonhos, contudo ao passar esta fase entramos na adolescência e descobrimos que ao mesmo tempo que percebemos as coisas, pessoas e fatos, também somos percebidos e julgados segundo nossas atitudes, surge o senso moral, e os príncipios éticos norteiam nossas relações, estrutando valores, reafirmando atitudes, ganhamos experiência e passamos agir de forma confiante e destemida, elevando nossa estima e a de nossos convivas. Mas nem sempre nos deparamos com pessoas de fácil trato no relacionamento. O relacionamento humano é permeado de conflitos, desejos, medos, recalques. A sociedade vive uma crise de conceitos. Poderíamos por um instante nos indagar quem são, efetivamente, os educadores de nossa geração, por quais meios e modos apreendemos o modo de nos interagirmos com o mundo e com as pessoas. Quando nascemos já encontramos, de certa forma, tudo pronto, apenas nos encaixamos nos moldes estabelecidos pela sociedade vigente. Sabemos, através dos milhares de nãos que recebemos na infância qual o tipo de comportamento é aprovado pelos adultos, ou seja, não respeitamos a infância e sua ávida vontade de conhecimento e de experiências, apenas tentamos moldar a criança a nossa imagem e semelhança, tanto que toda criança "boazinha" é a que se mantém idêntica ao comportamento adulto, a incompatibilidade dela se relacionar com as demais crianças de sua idade passa a ser o referencial de sua superioridade em relação as demais, perdendo dessa forma a possibilidade de se relacionar de forma espontânea e natural, com sua ingenuidade e incoêrencias. Claro que as vontades e os desejos das crianças devem ser dosados, e nosso sim deve ser sim, nosso não não, pois somos responsáveis por aquela alma que se encontra em formação. Nada mais justo e prudente do que recorrer as instituições de cunho educacional e religioso para podermos alicerçar o caráter de nossos pequenos desde cedo, mas os atos dos pais, com certeza, sempre serão o maior referencial no ato de educar, pois se as palavras edificam, o exemplo arrasta. Num clima de incerteza e insegurança é impossível mantermos o equilibrio necessário para podermos a todo instante manifestar um comportamento ideal na frente da criança. Não adianta nos escondermos atrás de uma máscara idealizada por nós mesmos, pois fatalmente um dia cairá, deveríamos utilizar a sinceridade como elemento imprenscidível na relação que estabelecemos conosco mesmos. As crianças são muito mais sensíveis e percebem facilmente quando estamos mentindo e como somos de fato na nossa intimidade. Foi se o tempo em que as crianças eram ingenuamente educadas com os patinhos e os cabritinhos amarelos, agora elas veêm tv, não sei quantas horas por dia, tem acesso a internet, são incentivadas a estudar outras línguas, (o que é muito bom, sempre que não representar um excesso) a exercer inumeráveis papéis dependendo de seu meio social. Claro que num ponto podemos pensar em comum, todas as crianças deveriam ser incentivadas a estudar um instrumento musical, a terem contatos com a artes plásticas, a desenvolverem um trabalho cênico no intuito de se tornarem pessoas desinibidas e bem resolvidas. Mas, como sempre tem um mas não podemos nos esquecer o exorbitante número de pessoas que ficaram traumatizadas com experiências da infância. Aquela criança que era chamada de feia pelos coleguinhas, se transformou num belo rapaz mas não consegue se apaixonar por nenhuma menina bonita, pois ainda não se livrou daquelas imagens de rejeição. Os exemplos seriam fartos e exite uma farta bibliografia referente a vários casos deste e de outros tipos. O menino franzino que não gostava de praticar esportes e que ao se deparar numa situação de inevitável contato físico se esquiva e é cruelmente chamado pelos seus coleguinhas de fracote. A infância também não é um mar de rosa, as vezes ficamos saudosos desse tempo mas apenas nos lembramos dos bons momentos...



eu sou o chato da mesa

cravejado de erros e perdas
caminho entre homens bêbados

sou o chato da mesa

sinta-se
superior

despeje seus restos em mim

fale, insinue, sorria...

você está certo
sou realmente assim

eu sou o chato da mesa

minha gentileza
se reduz na beleza
de pagar a conta

é sempre bom
ter alguém
para pagar a conta

eu sou o chato da mesa

seu olhar desprezo
me entretém
destarte
me convence

eu sou o chato da mesa

aquele que se conserva indiferente
ao conservadorismo imanente
às convenções do tempo presente
ao refinamento do gosto ambiente

eu sou o chato da mesa

o louco falante
que incorpora macacos
sorri como um cavalo
e de perto acena para a morte

eu sou o chato da mesa

**************************************************************
sou o chato da festa
entre frestas
rombos e quimeras
sou o chato da festa
disparate disparatado
sou o chato
o louco insatisfeito
e acabrunhado
mal amado
mal amante
sou o louco débil
sou um verso
escrito ao avesso
avesso ao mundo
imaginário e caduco
louco mundo desregrado
anjos voam,
demonios gritam
desamparo inexiste
proteção inerte persiste
no vício insano a morte

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

um abraço
um beijo
um aperto de mão
bom dia
boa tarde
olhos nos olhos
vagueio
delírio
meu dia passa
repasso-o
sinto
vazio
profundamente
louco
respiro um pouco
sem vontade de deitar
sento na mesa de um bar
peço uma cerveja
acendo um cigarro
cruzo as pernas
calmamente observo calado
as pessoas à minha volta
mulheres
olhares
desejo
silêncio
miro por pouco tempo o ambiente
meus pensamentos se encontram ausente
sinto
pressinto sua ausência
no peito coração demência
reticência de um texto mal escrito
que insiste em duvidar
negligencio a disciplina
não aceito a rotina
e minha boca quer cantar
louco
espera um pouco
louco, este mundo oco
num instante irá se acabar
a chama da vida não irá apagar
não existe mais diferença entre o dormir e o acordar
tudo passou como uma chuva destas tardes de verão
que conseguem com seu cheiro elevar o coração
lembro-me de minha infância e de meus desejos
inibido por um sentido único, intransferível
_____________________________________________________

confissão

quem não sabe
brigar
bola jogar
menina beijar
está frito, lascado,
este é o retrato
do menino
nascido e criado
no periférico bairro!


sou movido pelo ímpeto inaudível do outro
do outro parente, morto esquecido
respiro o ar podre de embriagados mendigos
esqueço por um minuto de mim
para me ver no olhar do outro
é a mesma vaidade que impede
a mesma indiferença que impele
a não ver no outro eu
em mim outro não habita
sangue,
martírio de um suicida
venho beber a vida
devorar meu amor
suplantar a dor
urro desesperado
vórtice desequilibrado
verdade oculta
mentira absoluta
fragmento extático
tempo parado penso
sinto o vou ser isto
luz que cega o porvir
tristeza eterna, sem fim
vulgares olhares, espanto
tira gosto, cachaça, vômito
mal necessário a humana espécie
macarrão, farofa, frango,
bucólico almoço de domingo
suspiro por um estado frívolo
a lucidez aumenta minha angústia
a loucura expressa a guerra interna
fantasmagórica, alegre, amena
incurável, letal e eterna
sempre guerra!!!

quando as palavras são idéias
é hora de transpor o verbo
 talvez seja vazio,
talvez seja sincero,
a inspiração
possui algum sentido?
quando não é hora de parar
temos que girar o vazio
pela inspiração contínua
transpor a angústia que aparece
na poética ausência refletida
sincera, pensada e sentida
quando temos inspiração
transpomos o conhecimento
não é contínua a angústia
palavras requerem reflexão
palavras tem conhecimento
sinto parar o vazio
palavras parecem nos possuir
quando transpomos o momento
não é palavra o sentimento
o vazio parece requerer inspiração
é o conhecimento sincero da angústia
quando não é palavra poética
parece conhecimento a reflexão
transpomos a palavra ter
no contínuo querer sincero
vazio momento de sentimento
conhecimento requer inspiração
quando parece transpor
o contínuo vazio
a palavra requer o momento
é sentimento a palavra reflexão
sentimento é inspiração
da poética reflexão do vazio
quando a contínua angústia
não requer palavra
a reflexão tem sentimento
e o poético vazio aparece
vazio é o querer inspiração
sinceridade é reflexão do momento
quando não se é poético
o vazio da sinceridade
é reflexão
requerer contínua palavra
através do vazio do não
é conhecimento a angústia
quando a palavra sentimento aparece
requer a inspiração do momento
quando o vazio não requer o ter
a palavra querer não é sincera
a reflexão contínua sobre o vazio
faz da angústia sentimento
quando a reflexão causa angústia
o vazio da palavra é sentimento
e requer a sinceridade do momento
quando o vazio requer a reflexão
a palavra vazio é angústia contínua
quando a palavra vazio esvazia
requer a angústia contínua da reflexão

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

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A imaginação é mais importante que o conhecimento.

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