latentes viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!

Possuo duas escolhas. Escrever sobre os últimos acontecimentos policiais e políticos, tanto no meio empresarial ou jurídico, relatando escândalos e vazamentos, denúncias e delações, ou me manter em silêncio, numa postura de indiferença e incredulidade quanto à justiça e às possíveis mudanças e destinos da nação.

As cifras, assim como as delações, chocam e impressionam; os áudios assustam e refletem, além da relação promíscua entre o meio político e empresarial, a iminente crise dos valores éticos e morais. Tanto as denúncias, como os flagrantes transcendem as questões ideológicas e partidárias revelando, mais uma vez, a fragilidade dos três poderes: executivo, legislativo e judiciário.


O Brasil precisa ser refeito, revisto e redescoberto. O povo, desacreditado, ainda assim é facilmente conduzido e manipulado por interesses que escapam ao seu entendimento e compreensão. Longe das discussões políticas e econômicas, nem sequer ousam imaginar os efeitos a médio e longo prazo das eventuais medidas votadas e aprovadas para lhes "favorecer" e "beneficiar".

O engodo supremo é vendido nas coloridas propagandas do agronegócio. Querem transformar o país num vasto pasto, em que pesem os lucros gerados por bois, vacas e soja. Seria interessante se o povo, ao invés de protestar uma vez por mês nas ruas, começasse a se conscientizar que a verdadeira revolução se faz em casa, na escolha do prato, da alimentação e do consumo.


Deveríamos incentivar as pessoas a parar de consumir produtos derivados de empresas corruptas e desonestas, que submetem seus funcionários a um regime de trabalho cruel e subumano, de servilismo e escravidão. Um trabalho mecânico e repetitivo, que não favorece o desenvolvimento de suas faculdades, com elevada carga horária e baixos salários, deve ser rechaçado e banido. Isto não é um favor, é tortura, covardia e exploração. Que o povo não aceite as agruras do cotidiano como algo normal e positivo, destinado aos eleitos do céu, acreditando ingenuamente que para serem salvos e redimidos perante a Deus e a sua própria consciência, necessitem passar pelas mais diversas provações de dor, miséria e sofrimento.

Quando os responsáveis por protegerem o Estado, começarem a se conscientizar que são e foram, durante muito tempo, usados para atender e defender os interesses dos verdadeiros bandidos e tiranos, o mundo nunca mais será o mesmo. O Estado é opressor por natureza, e tudo está bem, desde que a fatura do cartão de crédito, assim como os impostos, estejam sendo pagos. Não nos comove a dor e sofrimento de milhares que jazem na miséria, principalmente depois de termos abrigado, de forma confortável e macia, a verdade dentro de nossa barriga.


Querer é poder, que se pesem as possíveis abstrações e considerações. Cada qual é responsável pela vida que leva. E assim somos levados a acreditar que milhares de miseráveis se fazem de vítimas, de pobres coitados, como se a vontade fosse o suficiente para fazer com que suas vidas saíam da penumbra e se revelem na luz. Os opressores, em sua grande maioria, estudaram nas melhores escolas, frequentaram os melhores lugares e estiveram com as melhores pessoas adquirindo, desta forma, belos hábitos e exemplos. Apesar de dependerem financeiramente dos pais até a idade de concluírem seus estudos superiores, ainda assim, são os primeiros a defender este tipo de pensamento.

Aos pobres, cabe o mortal pecado, de serem o que são, de terem nascido num meio inferior e inadequado ao aprendizado e ao processo de inserção social. Em função disso, os partidos que militam na esquerda, que defendem os interesses sociais, devem perecer sob o rugido do capital e da força do mercado. Para isso, um grande arsenal deve ser utilizado, desde os meios de comunicação de massa, que fraudam e moldam notícias ao seu bel prazer, ao aparato bélico e militar, utilizado para oprimir e dispersar, a horda de manifestantes, desordeiros e desocupados, que sem nenhum pudor, querem implantar o caos e a anarquia.


Enquanto isso, no senado, um membro admite a possibilidade de assassinar alguém que possa vir delatá-lo. Nesta altura, toda e qualquer hipótese de atentado contra Teori e Eduardo Campos aparece como mais uma pueril e ilusória teoria da conspiração, cujos dados são habilmente manipulados por débeis lunáticos, cujas mentes fracas e férteis ousam criar mundos fictícios e imaginários. Também seria um erro supor e concluir que exista qualquer tipo de vínculo ou relação entre o aeroporto em Cláudio e o helicóptero encontrado com 445 kg de cocaína, furtado da família Perrela, a qual por mais uma destas misteriosas ironias do destino teve encontrada em sua residência a mala de propina recebida da JBS por Aécio Neves.

Ou buscamos aprofundar nossos conhecimentos na tentativa de compreender os verdadeiros motivos e interesses que regem o mundo dos negócios e da política, ou procuramos esquecer e anestesiar a nossa falta de interesse político nos chafurdando na ignorância e na alienação. Não existem muitas opções.
 

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Escritor, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Político, Rapper, Dependente Químico, Militante Ativo do PC do B, Técnico Administrativo do CEFET, Membro de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Grupo Levanta de Novo. Ministra Palestras Gratuitas sobre Dependência Química e assuntos relacionados a Política, Educação e Cultura em Geral. Áreas de Interesse: Filosofia, Literatura, Psicologia, Psicanálise, Sociologia, Cinema, Música, Biografias, Dependência Química, Estudo das Artes e Religiões.

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