1º. Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.
2º. Viemos a acreditar que um Poder maior do que nós poderia devolver-nos à sanidade.
3º. Decidimos entregar nossa vontade e nossas vidas aos cuidados de Deus, da maneira como nós o compreendíamos.
4º. Fizemos um profundo e destemido inventário moral de nós mesmos.
5º. Admitimos a Deus, a nós mesmos e a outro ser humano a natureza exata das nossas falhas.
6º. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
7º. Humildemente pedimos a Ele que removesse nossos defeitos.
8º. Fizemos uma lista de todas as pessoas que tínhamos prejudicado, e dispusemo-nos a fazer reparações a todas elas.
9º. Fizemos reparações diretas a tais pessoas, sempre que possível, exceto quando faze-lo pudesse prejudica-las ou a outras.
10º. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11º. Procuramos, através de prece e meditação,
melhorar nosso contato consciente com Deus, da maneira como nós O
compreendíamos, rogando apenas o conhecimento da Sua vontade em relação a
nós, e o poder de realizar essa vontade.
12º. Tendo experimentado um despertar espiritual,
como resultado destes passos, procuramos levar esta mensagem a outros
adictos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
O primeiro passo, dentro da programação, é admitir que é impotente perante a doença e que sua vida tinha se tornado incontrolável. Percebo, que a maioria das pessoas, que adentram uma sala, admitem que tem um problema, mas muita das vezes não aceitam. Existe uma grande diferença entre admitir e aceitar. Eu posso admitir que sou alcoólatra mas posso não aceitar o fato de não poder mais beber. No meu caso, mesmo tendo vivenciado o fundo de poço, confesso que não queria parar de usar drogas. Queria sim, uma outra forma de usar. Queria parar com o crack e a cocaína, mas desejava continuar usando a maconha. Queria parar com a cachaça e o uso de destilados, mas queria continuar tomando cerveja. Alguém conhece uma mulher meio grávida? Ou a mulher está grávida ou não está grávida, mesma coisa o adicto: ou está em recuperação ou não. A eficácia do programa reside na abstinência total e completa de qualquer substância que venha a alterar o nosso humor. Uma é pouco e mil não bastam, não temos controle sobre o uso. Temos que admitir nossa derrota, aceitar a nossa condição e nos render as evidências sem nenhum tipo de reservas: somos portadores de uma doença incurável com alto poder destrutivo sobre nós e nossas vidas. O programa é sábio e nos diz, ainda no primeiro passo, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis. Perceba, que não estamos lidando com pessoas que usam de uma forma social e que cumprem religiosamente com seus compromissos e obrigações, mas sim, com pessoas, cujo uso, além de terem comprometido, seriamente, suas faculdades mentais, levam uma vida disfuncional, que muita das vezes foi reduzida ao nível animal. Por mais exagerada que esta frase possa soar, esta foi a realidade vivenciada por muito de nós. Chegamos, em sua grande maioria, empurrados pela dor e pelo sofrimento. Muitos de nós, para não dizer todos, só tiveram direito a recuperação após terem passado pelo fundo de poço. É muito duro para um familiar, amigo ou conhecido ouvir isso, mas é a mais pura realidade. Muitos dependentes nunca irão reconhecer o fracasso e a derrota em suas vidas, a não ser que possam ver e presenciar, a total destruição física e moral. No meu caso, foi preciso ser abandonado pela família e viver em condições sub humanas como farrapo. Não tive outra escolha a não ser pedir, desesperado, ajuda. Tentei parar de todas as formas e de todos os jeitos: mudança geográfica, substituição de uma droga pela outra, promessas, curtos períodos de abstinência, enfim, nada adiantava, sempre voltava ao uso. No dia 02 de Outubro de 2012 empreendi meu pedido de ajuda e fui resgatado pelos meus pais na cidade de São João Del Rei. No dia seguinte, estive com um psiquiatra que me receitou os remédios necessários para aliviar os fortes sintomas decorrentes da abstinência. Pesando 60 kg (1,86m) fui internado numa comunidade terapêutica cujos os 12 passos eram utilizados. Com uma rotina preenchida por estudos, reuniões e atividades laborais comecei a dar os meus primeiros passos em direção a uma vida sóbria e feliz. Me aconselharam a evitar Pessoas, Hábitos e Lugares que pudessem me fazer voltar ao uso e a ter Mente Aberta (para poder absorver novas ideias e principios), Boa Vontade (para poder colocar em prática o conhecimento adquirido) e Honestidade (para poder falar de mim mesmo sem restrição). Ao me deparar com o segundo passo, vim a acreditar que um Poder Maior, o Deus da minha compreensão, pudesse me devolver a sanidade. No terceiro passo, procurei entregar minha vida e a minha vontade aos cuidados de um Deus amoroso, zeloso e cuidadoso. Se eu disser que foi ou está sendo fácil, com certeza, estou mentindo, mas com o tempo a obsessão e a compulsão pelo uso diminuem e a vontade de usar quase não existe. Lidar com isso de uma maneira madura e positiva é um desafio que aceito todos os dias ao acordar. Só por hoje eu tenho uma opção: me manter limpo e sóbrio, afinal é minha vida que está em jogo. Agradeço a Deus, a minha família, o grupo e aos amigos que torcem por mim, por mais um dia de vida. SÓ POR HOJE, 24 HORAS, TAMO JUNTO, FUNCIONA: FORÇA.