O discurso promovido pelo
ódio a um único indivíduo e partido concedeu concessões de venda e entrega de
nossas riquezas nacionais, vide Amazônia, petróleo e Petrobrás. Sim, a esquerda
brasileira deve ser reconstruída e repensada sob o risco de ver suas principais
bandeiras naufragarem no tempestuoso mar do descaso, do desprezo e da
indiferença.
O preço de ter feito política a moda antiga, com alianças escusas
e descabidas com raposas e aves de rapina da famigerada oligarquia foi pago com
o impeachment e o inglório resultado obtido nas últimas eleições. Primando pelo
“toma lá, dá cá”, negociando cargos e verbas, alinhando e submetendo seu
discurso político e ideológico ao poder de mando e desmando do mercado e de
megaempresários, a esquerda brasileira, sobretudo petista, colheu os frutos de
seus atos em sua derrocada política e moral.
A elitista golpista e
destituída de qualquer caráter e critério ético e moral se viu imbuída da
missão de privatizar ganhos e privilégios, enriquecendo o próprio bolso e
empobrecendo de vez a nação. É mil vezes preferível entregar nossos recursos
para os gringos do que deixá-lo na mão dos políticos corruptos e do Estado
devasso.
O neoliberalismo econômico e o conservadorismo político levou nossa
classe média ao delírio, e o povo, como num surto hipnótico coletivo foi
arrebanhado por uma legião de sanguessugas e vampiros, lobos em vestes de
cordeiros. Através de mensagens e
imagens negativas, baseadas em mentiras (fakenews), reproduzidas à exaustão no
púlpito e pela mídia conseguiram convencê-lo que o maior problema da nação era
apenas um: Luis Inácio Lula da Silva do PT.
O caminho para o
soerguimento será árduo e pouquíssimas pessoas poderiam prever que em pleno
século XXI seríamos capazes de temer o retorno a 64. A cada dia amanheço sob a tônica do pessimismo
e da indiferença. Difícil acreditar e alimentar a esperança em dias melhores
tendo como presidente Jair Messias Bolsonaro. A verdadeira revolução não será
promulgada através de ritos, leis e passeatas, conflitos, apitos e dissensões
mas sim pelo esforço diário e contínuo pela elevação de classes e consciências.
Os donos da Terra sorriem
perante as profecias científicas e bíblicas, ignorando os danos e prejuízos a
médio e longo prazo proporcionado pela exploração indiscriminada dos recursos
naturais. Raríssimos estudos políticos, econômicos e sociais tratam de forma
séria, metódica e acadêmica a nefasta influência do orgulho, da vaidade e do
egoísmo na manutenção e perpetuação da violência e da miséria.
A melhoria de vida e
condições de nosso povo se dará mediante a educação, a luta de classes e a
libertação de consciências. O velho e carcomido discurso do “querer é poder” e
da “meritocracia” serve apenas para atestar e legitimar, de forma embusteira e
falaciosa, o “status quo” de uma elite ociosa, superficial e fugaz.
O auto conhecimento é, e sempre será, o
antídoto contra a ignorância e a inércia. O verdadeiro inimigo reside dentro e
não fora. Os políticos, assim como os donos do poder e do mercado, poderão
imprimir o efeito negativo de seus atos, se recusando a dividir riquezas e
multiplicando as formas de medo e opressão, mas nunca poderão controlar os nossos
pensamentos.
O Brasil não é um país
para principiantes, já profetizava o maestro Antônio Carlos Jobim. Difícil de
ser lido, compreendido e interpretado num primeiro momento em virtude de sua dimensão
continental, num segundo é forçoso aceitar o desafio de aprofundar o estudo de
suas raízes, matrizes e origens. Além das diferenças geográficas, ambientais e climáticas,
que resulta numa biodiversidade rica e complexa, de faunas, floras e sistemas,
somos uma mistura de raças, culturas e credos. É necessário transpor o abismo
da ignorância criado pela intolerância para nos libertarmos do cativeiro dos
erros e preconceitos ancestrais. De que adianta a interpretação acadêmica,
histórica e sociológica realizada por Buarques, Freires e Fernandes se do homem
cordial ao bolsominion à uma longa fileira a ser percorrida?