muitos querendo ouro
outros sonhando com paz
alguns desejam tão pouco
outros possuem até demais
quanto custa sua alegria
nestes tempos imorais
maioria anda perdida
das coisas que são reais
sentimentos são banais
na terra dos anormais
o que você consegue vê
além dos bens materiais
frente aos grandes capitais
regência dos maiorais
sobrevive quem tem fé
não desistir jamais
já passei por temporais
testemunhei vendavais
hoje de longe observo
mandando quem ganha mais
quanto tempo passou
desde que fui resgatado
os olhos que se abriram
nunca mais se fecharam
quantos que duvidaram
em mim não acreditaram
não estenderam a mão
ao contrário me empurraram
a estes agradeço
de alma e coração
revelaram minha força
minha luz na escuridão
meus erros, meus acertos
meus atos disparatados
meus piores pesadelos
neste chão dilacerados
já corri acelerado
nadando contra corrente
hoje um pouco mais sábio
tento fazer diferente
converso com minha mente
não deixo ela divagando
ela tenta me engolir
eu que sigo mastigando
não caio no auto engano
satisfazer sua vontade
tudo vem no seu tempo
questão de prioridade
a pé pela cidade
em meu estado natural
sigo rezando a missa
travando guerra mental
no mundo dos normais
somos tão diferentes
as vezes somos frios
outras vezes tão quentes
não há quem se contente
com sua própria imagem
a ditadura da moda
dita sua felicidade
A Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (ROTA) é considerada a Tropa de Elite da Polícia Militar do Estado de São Paulo e é constituída por um seleto grupo de policiais. Depois de terem sido submetidos aos mais variados testes, provas e avaliações, foram aprovados com a missão de defender e proteger os interesses da sociedade e principalmente do cidadão. Temida e reconhecida por ser uma Instituição extremamente violenta, tem como uma de suas principais características, a cultura de atirar primeiro para depois perguntar. Seus policiais foram responsáveis pela morte de mais de 4000 pessoas no período compreendido entre 1970 a 1992. Ao contrário do que gostam de difundir e disseminar, a maioria dos indivíduos baleados não são constituídos de assassinos, estupradores e ladrões, e sim, de pessoas simples e comuns, que nunca chegaram a cometer um delito. Em virtude disso, mais de duas mil pessoas, que tiveram sua vida ceifada, não possuem nenhum tipo de registro de queixa, ocorrência ou denúncia. Todos possuem ficha limpa, além de grande parte, exercerem uma profissão: operários, pedreiros, auxiliares, pintores, marceneiros, mecânicos, etc. A grande maioria é constituída de pessoas negras, pardas e pobres, oriundos do nordeste e moradores das periferias, em especial da zona oeste e sul, áreas com maior concentração de miséria e pobreza. A maioria dos registros e dos boletins de ocorrência seguem o mesmo padrão implantado na ditadura militar pelos esquadrões da morte: resistência a prisão seguido de tiroteio e morte. Interessante notar o baixo número de policiais mortos e feridos em pleno combate. Dos 120 policiais mortos no mesmo período, apenas 42 tiveram suas vidas ceifadas em confronto, o que corresponde a 3% do total de pessoas mortas pela polícia. Outro fato curioso, e nem por isso menos importante, é a estratégia de interferir e modificar a cena do crime. Para dificultar o trabalho dos peritos criminais, todos os corpos são levados imediatamente para os hospitais sem os documentos de identidade, que são retirados pelos próprios policiais na tentativa de impedir a identificação dos corpos no IML. O número de empresários e de ladrões ricos mortos no mesmo período não corresponde a 0,3% do total. O número de matadores é pequeno se considerarmos toda tropa, porém eles agem impulsionados sobre os aplausos e elogios de seus superiores. As chacinas e brutalidades cometidas pelos policiais são premiadas pelo alto comando com títulos, honrarias e glória, além das condecorações e promoções inerentes a carreira militar. Parcela significativa da sociedade paulista, impulsionada por radialistas inflados e por uma mídia manipulada, defende a prática de torturas e assassinatos impostos pelos policiais militares, o que confere um ar de legitimidade aos macabros atos executados. Aos excluídos e marginalizados resta a triste agonia de assistirem, passivos e impotentes, o julgamento dos envolvidos que via de regra são ouvidos, absolvidos e liberados. Raramente neste país os policiais militares são condenados pelos crimes que cometem, principalmente depois te ter sido aprovada a lei que permite aos acusados serem julgados por um tribunal especial: o militar.
Por sua efervescência cultural, o livro Solar da Fossa, de Toninho Vaz, merece ser lido e relido várias vezes. Nos serve como remédio, antídoto e precaução contra todo tipo de pensamento pequeno, medíocre e tacanho. Alimenta nossa crença e esperança numa possível catarse artística e cultural da humanidade. Sua atmosfera preenchida por compositores, músicos, artistas, jornalistas, cineastas, filósofos e poetas nos transporta para um universo quase onírico, romântico e idealizado. Construído no final do século XVIII, no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro, o antigo casarão, constituído de 85 quartos foi transformado, em 1965, numa pensão que fora zelosamente administrado por Dona Jurema. Entre seus ilustres moradores figuraram os nomes de Caetano Veloso, Gal Costa, Paulinho da Viola, Zé Keti, Ruy Castro, Maria Gladys, Betty Faria, Darlene Glória, etc. Frequentado pela elite intelectual da época, o solar seria visto como um celeiro de gênios cuja produção reverberava diretamente no cenário artístico nacional. No auge dos festivais, serviu como lugar de inspiração e criação de diversas músicas e sucessos. Condecorado como reduto da contracultura o Solar serviu de refúgio e abrigo a muitos militantes de esquerda e do partido comunista. Cristovam Buarque chegou a se esconder por lá algum tempo. Durante o ápice da ditadura, em 68, foi por diversas vezes, invadido e revistado, por agentes do Dops, que chegaram a conduzir alguns moradores aos porões do Doi Codi. O livro narra trechos de um tempo marcado pelo medo, o pânico e o silêncio, mas o viés artístico e cultural se sobrepõe de forma contundente. É impossível não se extasiar perante os relatos de quem testemunhou com seus próprios olhos a improvável reunião de um seleto grupo que chamava a atenção não só pelas roupas mas principalmente pela genialidade e talento. O livro é um convite aos corredores da casa mais bem frequentada do Brasil nos anos sessenta. Entre e Confira!
O final de ano é um excelente período para a renovação e adoção de novos hábitos, atitudes e ideias. E um verdadeiro convite a mudança e uma bela oportunidade, para quem passa por certos desafios, problemas e dificuldades, para sacudir a poeira e dar a volta por cima. E necessário sobretudo sair da zona de conforto e lançar mão de uma pequena palavra que com certeza irá fazer uma grande diferença: a vontade. Mudar não é fácil e como tudo na vida, exige tempo, esforço e dedicação. E necessário uma dose generosa de vontade, determinação e o principal: perseverança. Percebo que a grande maioria das pessoas que fazem suas promessas possuem o real desejo de modificarem algo em suas vidas ou em si mesmos, porém, muitos desistem no primeiro empecilho ou dificuldade encontrado. Outros são mestres na arte das justificativas, racionalizações e adiamentos. Muitos desejam parar de fumar e na hora da virada, jogam seus maços fora, para no dia seguinte acordarem fumando. Outros, adiam a dieta para depois do réveillon. Os que desejam parar de beber, adiam para depois do carnaval e assim seguem instintivamente o cortejo do desânimo, da preguiça e da procrastinação. E preciso tomar uma atitude, e esta exige o mínimo de vontade e desejo do indivíduo. Sempre temos algo de novo para aprender, fazer e exercitar. Todos, sem exceção, deveríamos aproveitar este tempo para reformular nossas vidas, mudar nossos hábitos alimentares, aderir a prática frequente e regular de um esporte ou atividade física, adotar um animal de estimação, cultivar uma horta, cuidar de plantas, aprender uma nova língua, tocar um instrumento musical, mudar o guarda roupa, aprender uma nova receita culinária, fazer um trabalho voluntário, visitar asilos, presídios e hospitais, enfim, inumeráveis oportunidades de realização e aperfeiçoamento nos esperam, basta ter olhos para ver e enxergar. Quem tem ouvidos, ouça! O melhor tempo e hora é este infinito agora que aparece, não por acaso, na forma de um eterno "presente". Basta abrirmos e utilizarmos da melhor forma. Feliz ano novo a todos!
consigo
seu canto
ressoe
nunca conte seu sonho
antes dele concretizar
muitos poderão sorrir
nem sequer acreditar
é uma questão de tempo
conquistar nossa vitória
testemunho seu sofrimento
espero seu dia de glória
para todos faxineiros
pedreiros e operários
para todo ser humano
que vive com um salário
para a base da pirâmide
que sabe o que é a vida
mesmo que a todo instante
se apresente severina
em plena luz do dia
ou em meio a noite fria
me diz quantas pessoas
por você daria a vida?
me diz quem aceitaria
ser morto e crucificado
para salvar sua alma
e pagar todos pecados?
talvez esteja errado
por agir daquele jeito
estender a outra face
abrir mão do seu direito
quem pode bater no peito
se sentir com autoridade
para julgar todos erros
condenar a humanidade?
por favor fale a verdade
ao menos uma vez na vida
vire os olhos pra si mesmo
e me diga onde é a saída...
Permaneci em silêncio, tentando digerir e ruminar, a morte do líder político mais polêmico e conhecido da América Latina: Fidel Castro. Para muitos, um líder carismático, guerrilheiro revolucionário, que libertou Cuba dos tentáculos do imperialismo norte americano, se consagrando o herói da nação, para outros, impedidos de expressar a sua opinião, e que eram duramente perseguidos pelo regime, um ditador facínora, que agia a seu bel prazer sem consultar ou se importar com nada nem com ninguém. Entre os extremos, existe o Fidel de carne e osso, homem de hábitos e costumes refinados, que se recusava a ser o primeiro a experimentar um simples prato com medo de ser envenenado. Fidel é acusado de ter transformado Cuba no maior centro de treinamento de guerrilha urbana do mundo, assim como de ser responsável pela formação dos melhores e maiores médicos. A educação em Cuba possui números e índices que em nada deixam a desejar se comparados a países de primeiro mundo. O índice de analfabetismo é baixíssimo e a prática de esportes é difundida e adotada como algo normal e corriqueiro, não por acaso Cuba sempre possuiu posição de destaque nas Olimpíadas, principalmente no Basquete e no Vôlei. Vários grupos guerrilheiros, de vários países, passaram por lá, recebendo treinamento árduo e pesado, que incluía táticas e formas de sobrevivência em condições extremas, além de estudos ideológicos e doutrinários pregados pela cartilha comunista. Vários movimentos de esquerda do Brasil, durante o regime militar, receberam o apoio necessário (financeiro, militar e moral) para continuarem seguindo e mantendo suas práticas e atos. O receio que a chama vermelha se propagasse pela América fez com que os Estados Unidos interviessem diretamente na política de vários povos, entre eles o Brasil. Não é nenhuma novidade, o fato de termos sido e tido, o único país da América do Sul, que depois da segunda guerra mundial, recebeu a indesejável visita de navios de guerra norte americanos em sua costa. Para garantir a vitória e a implementação do golpe, os americanos enviaram suas frotas para servir como base de sustentação e conferir um ar de legalidade e legitimidade ao novo regime. O que ocorreu durante este período de 21 anos (abril de 1964 a março de 1985), todos nós sabemos. Outro fato e dado curioso, é sua estreita ligação com o narcotráfico internacional e grupos terroristas do oriente. Não seria exagero afirmar, que Cuba, representada pela ilustre figura de Fidel, esteve presente, de forma direta ou indireta, nos principais conflitos e guerras urbanas do Planeta. Não é incorreto supor que grupos de extrema esquerda, ou que apresentavam o mínimo de ódio as forças americanas, pudessem ser considerados como amigos e aliados na guerra em comum. Líderes políticos do Brasil, da Rússia, China, Espanha, França, México, Venezuela, Bolívia, Equador, Portugal, Argentina, Índia, Palestina, Grécia, Síria e Irã, expressaram suas condolências e consternações pela morte do líder cubano. Entre tantas controvérsias, dilemas e discussões, sobrevive a figura do mito e da lenda, que se perpetuará por muitos anos na memória dos cubanos, para o bem e para o mal. Muitos livros serão publicados e divulgados na tentativa de compreender o enigma Fidel, resta nos torcer para que adotem uma postura de impessoalidade e imparcialidade, princípios estes que conferem seriedade e ditam as normas e regras do bom trabalho histórico, jornalístico e investigativo.
Desconheço
por completo a obra do poeta, mas acompanhava assiduamente sua coluna
na Folha. Apesar de ter adotado um discurso mais polido e reservado
quanto aos ideais de esquerda, ardorosamente defendidos durante a
ditadura militar, sua última publicação em vida prima por um caloroso
convite a distribuição de renda e por uma cuidadosa atenção com os mais
pobres. O título por si só já nos diz muita coisa "Para que alguém
necessita ter a sua disposição milhões de dólares?" Assumindo, na
coluna, a identidade poética proposta por João Cabral de Melo Neto, cuja
poesia retratava as contradições e conflitos vividos pelo sofrido povo
nordestino, Gullar primava por realçar e expor de maneira clara,
objetiva e contundente as disparidades sociais presentes em nosso país.
Não era apenas o poeta, era sobretudo o cidadão, extremamente consciente
e politizado que sobressaia em seus textos, crônicas e ensaios. Não
foram poucas as críticas dirigidas aos principais dirigentes e
representantes do partido dos trabalhadores mas também não poupou,
quando necessário, a ala mais rica e conservadora. Para quem estava
habituado a ouvir e ler Gullar sob o viés comunista, socialista e
marxista, era muito difícil, quiçá impossível, pensar na sua suposta
"endireitada". Porém, aos olhos mais atentos, que conseguem enxergar nas
entrelinhas, suas preocupações e pontos de vista permaneciam os
mesmos, ao menos nos aspectos ditos essenciais. Homem atualíssimo que
viveu e respirou até o último momento os problemas e os desafios de seu
tempo, com lucidez e inteligência invejáveis. Sem se render de forma
insensata, pueril e leviana ao cegos discursos ideológicos partidários,
conseguiu avaliar e analisar cada situação sob uma perspectiva ímpar,
com o devido distanciamento, cautela e cuidado. Quem se dispor a lê-lo
atentamente, com certeza irá se deparar com a impossibilidade de reduzir
sua produção e posição, no sentido político e jornalístico, a um único
viés e ótica. Que Deus Abençoe Ferreira Gullar!
A Federação Galáctica é ou não é uma realidade? Se sim, qual sua
principal missão, finalidade e objetivo? Não sou nenhum médium
experimentado e plenamente consciente de minhas faculdades e
possibilidades, no entanto, acredito, que a mesma lógica aplicada nos
terreiros e centros espíritas, pode e deve ser aplicada neste item que
além de estudo aprofundado merece sim, nossa atenção. Sabemos que todo
centro ou terreiro, além de ser constituído de uma substância etérea
especial que impede e blinda a passagem de certos espíritos possui em sua
entrada os guardiões, que são seres responsáveis pela proteção e segurança
do lugar. Só nos protegemos de algo ou de alguém quando existe a
possibilidade tangível e real de um ataque ou ameaça, correto? Seria
muita ingenuidade crer somente na existência de seres puros, celestes e
angelicais. Nossos mentores nos dizem, com muita propriedade, que o
plano astral de cada planeta é reflexo fidedigno dos hábitos e
pensamentos, alimentados e emitidos, por seus habitantes. Ora, diante da
pluralidade de seres e de estilos de vida, podemos afirmar que a
população do orbe, assim como do espaço, é constituída por seres com
boas e más intenções. Acredito na existência de uma federação galática,
que atua e opera, em nossa dimensão, para nos proteger e assegurar o
equilíbrio energético entre a população do orbe e os povos do espaço.
Por outro lado, os termos utilizados por nós, apenas reproduz a nossa
necessidade de humanizar e antropomorfizar os seres e as coisas.
Projetamos e criamos os alienígenas a nossa imagem e semelhança.
Queremos nomear, ordenar, classificar e principalmente institucionalizar
a presença e ocorrência de fenômenos que fogem da nossa capacidade de
compreensão e entendimento. Não resta dúvidas de que este planeta
atravessa um período delicado em sua história e que os seres humanos,
mesmo em escala reduzida, estão se conscientizando do seu verdadeiro
papel na ordem das coisas e dos mundos, redimensionando sua perspectiva e
assumindo sua pequenez frente a grandiosidade e as inúmeras
possibilidades de evolução e crescimento que a vida nos brinda e
proporciona. Acredito que um dia, provavelmente daqui a mil anos, muitas
pessoas irão rir deste pequeno período de infância planetária, em que a
esmagadora maioria de habitantes do planeta duvidava, não só da
existência ou não dos espíritos, como da possibilidade de vida em outros
planetas. Temos, que nos lembrar, que habitamos, temporariamente, um
mundo atrasado, com espíritos recém nascidos do seio do Criador. Demorou
bilhares de anos para que pudéssemos atingir a forma humana, e com
certeza, vai demorar mais um tanto para conseguimos atingir a roupagem
celeste.
ferida na alma
aprenda com a vida
as cartas na mesa




