Latentes Viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!

Tive sérios problemas no passado em relação ao uso e abuso de drogas. Na verdade, para ser sincero, tinha sérios problemas em todos os níveis e aspectos da minha existência: físico, mental e espiritual, familiar, profissional e social, sobretudo de ordem emocional.  Era muito teimoso, orgulhoso e prepotente, além de só ouvir a mim mesmo, queria sempre fazer as coisas do meu jeito. Tinha uma grande mania de controle, um desejo absurdo de agradar todas as pessoas (fórmula perfeita do fracasso) e de rejeitar tudo que pudesse me despertar para a realidade. Não tinha mente aberta para receber e pedir ajuda, acreditava somente nas minhas ideias, crenças e opiniões. Infelizmente, tive que colecionar várias perdas para poder compreender que precisava mudar meu comportamento e adotar um novo estilo de vida. Durante vários anos, passei acreditando, que o problema do mundo era o Estado, o Governo e a Sociedade. Passei projetando minhas expectativas, desejos e frustrações nos outros, como se todos fossem responsáveis pelo meu fracasso e pela minha derrota.  Hoje, um pouco mais lúcido e sóbrio, percebo que o maior problema na minha vida sou eu mesmo. Posso ser meu maior amigo ou inimigo, depende da minha mente estar aberta ou fechada. Posso aceitar ou não o conselho ou crítica de alguém a respeito da minha vida. Depende de mim, aceitar ou mudar a realidade. Não sou responsável pela minha doença, (dependência química) mas sou responsável pela minha recuperação. Uma das coisas mais incríveis e difíceis de aceitar, foi reconhecer, de uma forma verdadeira e honesta, que nunca tive problemas com as drogas, e sim com a droga do meu comportamento. Eu não tropeço numa pedra do tamanho do elefante, estas geralmente eu vejo, de longe inclusive, caio nas pequenas. Uma toalha que deixei em cima da cama, uma louça e roupa que não lavei, um chão que não varri, uma casa que não arrumei, um café e almoço que não preparei, enfim,  são essas coisas que nos preenchem e nos fazem sentir, verdadeiros humanos: o cuidar de si. Sou portador de uma doença progressiva, incurável e de determinação fatal. Agradeço todos os dias ao Criador por ter usado e abusado do crack, pois sem ele, com certeza estaria bebendo uma cervejinha, fumando um baseadinho e cheirando uma carreirinha. Só por hoje não quero usar nunca mais. Minha vida foi roubada e lesada pelo uso abusivo de certas substâncias, comparou perdeu. Mas vou ser bem sincero. Muita das vezes, percebo que as pessoas acham, que parei de usar, por não ter condições psíquicas, por não saber usar, por exagerar na dose, por ter chegado no fundo do poço, mas o verdadeiro motivo foi o seguinte. Numa terça feira, a noite, depois de cinco meses internado, dentro de uma clínica de recuperação, um terapeuta me chamou no canto e disse o seguinte: "Gino, olha pro lado." Eu olhei e vi dezoito pessoas, assim como eu, buscando recuperação. Ele disse pra mim que somente um iria ficar limpo. No momento senti muita raiva, fiquei com ódio daquilo. Putz, cara otário, babaca, estamos aqui, internados de forma voluntária, buscando com honestidade e ele vem jogar água fria na nossa recuperação. Diante da minha reação, ele disse: "Gino meu querido, logo você, uma pessoa inteligente, formado em filosofia, professor, servidor público federal, passou por sete cidades e com certeza conhece muita gente (ele possuía minha ficha completa). Pensa no seguinte: quantas pessoas você conhece no uso?" Eu respondi, umas cinco mil. Ele emendou outra: "e quantas você conhece que pararam de usar?". Nesta hora, só me recordei de duas pessoas. Fui para o quarto, tranquei a porta, apaguei a luz, fiquei sozinho comigo mesmo e ali naquele instante eu tive um profundo despertar espiritual. Percebi que tinha caído nas garras de uma doença terrível, que mata desmoralizando, muita das vezes sorrindo e brindando. Entrar é relativamente fácil, sair é extremamente difícil. Eu posso me enganar, achar que não pega nada, que posso usar mais uma dose, mas no fundo eu sei, que para mim, uma dose de qualquer substância é muito e mil não bastam. Não tenho limites. Por outro lado, não quero ser refém de algo que não posso ter o controle. E eu me questiono, até hoje, alguém tem? Estamos lidando com um poder altamente destrutivo. Enquanto eu estou dormindo, minha doença está do lado da minha cama fazendo flexão, esperando eu acordar. Me conhece de todos os lados, ângulos e perspectivas. Sabe das minhas fraquezas, mazelas e limitações, vícios, defeitos e vontades. Preciso estar sempre vigilante, vivendo um dia de cada vez. Primeiro tive que querer, e querer muito. Segundo tive que pedir ajuda, primeiro a Deus, segundo ao meu pai, terceiro ao Levanta de Novo.  Depois de querer e pedir ajuda tive que admitir que era impotente perante o uso. Percebo que admitia, mas não queria aceitar. Muitos acham que eu queria parar assim, de boa. Até parece. Queria parar de usar crack e cocaína, mas continuar fumando maconha. Queria parar de tomar cachaça e continuar bebendo cerveja. Admitir é uma coisa, aceitar é outra. Depois da admissão, tive que trabalhar a aceitação, para logo em seguida, me render, retirar todos os mecanismos de defesa e me ver de frente. Depois agir. Vim acreditar que um Poder Superior pudesse me devolver a sanidade, pois naquela altura, já tinha perdido o controle. Enfim, partilho um pouco com vocês da minha experiência enquanto adicto em recuperação. Só posso falar de mim. O que desejo para mim, desejo para todas, que são serenas 24 horas.

muitos querendo ouro
outros sonhando com paz
alguns desejam tão pouco
outros possuem até demais

quanto custa sua alegria
nestes tempos imorais
maioria anda perdida
das coisas que são reais

sentimentos são banais 
na terra dos anormais
o que você consegue vê 
além dos bens materiais   
  
frente aos grandes capitais
regência dos maiorais 
sobrevive quem tem fé
não desistir jamais 

já passei por temporais 
testemunhei vendavais
hoje de longe observo
mandando quem ganha mais

quanto tempo passou
desde que fui resgatado
os olhos que se abriram
nunca mais se fecharam

quantos que duvidaram
em mim não acreditaram 
não estenderam a mão
ao contrário me empurraram

a estes agradeço 
de alma e coração
revelaram minha força
minha luz na escuridão

meus erros, meus acertos
meus atos disparatados 
meus piores pesadelos
neste chão dilacerados

já corri acelerado
nadando contra corrente
hoje um pouco mais sábio
tento fazer diferente 

converso com minha mente
não deixo ela divagando
ela tenta me engolir
eu que sigo mastigando

não caio no auto engano
satisfazer sua vontade
tudo vem no seu tempo
questão de prioridade  

a pé pela cidade
em meu estado natural
sigo rezando a missa
travando guerra mental


no mundo dos normais
somos tão diferentes
as vezes somos frios
outras vezes tão quentes

não há quem se contente
com sua própria imagem
a ditadura da moda 
dita sua felicidade



A Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (ROTA) é considerada a Tropa de Elite da Polícia Militar do Estado de São Paulo e é constituída por um seleto grupo de policiais. Depois de terem sido submetidos aos mais variados testes, provas e avaliações, foram aprovados com a  missão de defender e proteger os interesses da sociedade e principalmente do cidadão. Temida e reconhecida por ser uma Instituição extremamente violenta, tem como uma de suas principais características, a cultura de atirar primeiro para depois perguntar. Seus policiais foram responsáveis pela morte de mais de 4000 pessoas no período compreendido entre 1970 a 1992. Ao contrário do que gostam de difundir e disseminar, a maioria dos indivíduos baleados não são constituídos de assassinos, estupradores e ladrões, e sim, de  pessoas simples e comuns, que nunca chegaram a cometer um delito. Em virtude disso, mais de duas mil pessoas, que tiveram sua vida ceifada, não possuem nenhum tipo de registro de queixa, ocorrência ou denúncia. Todos possuem ficha limpa, além de grande parte, exercerem uma profissão: operários, pedreiros, auxiliares, pintores, marceneiros, mecânicos, etc. A grande maioria é constituída de pessoas negras, pardas e pobres, oriundos do nordeste e moradores das periferias, em especial da zona oeste e sul, áreas com maior concentração de miséria e pobreza. A maioria dos registros e dos boletins de ocorrência seguem o mesmo padrão implantado na ditadura militar pelos esquadrões da morte: resistência a prisão seguido de tiroteio e morte. Interessante notar o baixo número de policiais mortos e feridos em pleno combate. Dos 120 policiais mortos no mesmo período, apenas 42 tiveram suas vidas ceifadas em confronto, o que corresponde a 3% do total de pessoas mortas pela polícia. Outro fato curioso, e nem por isso menos importante, é a estratégia de interferir e modificar a cena do crime. Para dificultar o trabalho dos peritos criminais, todos os corpos são levados imediatamente para os hospitais sem os documentos de identidade, que são retirados pelos próprios policiais na tentativa de impedir a identificação dos corpos no IML. O número de empresários e de ladrões ricos mortos no mesmo período não corresponde a 0,3% do total. O número de matadores é pequeno se considerarmos toda tropa, porém eles agem impulsionados sobre os aplausos e elogios de seus superiores. As chacinas e brutalidades cometidas pelos policiais são premiadas pelo alto comando com títulos, honrarias e glória, além das condecorações e promoções inerentes a carreira militar. Parcela significativa da sociedade paulista, impulsionada por radialistas inflados e por uma mídia manipulada, defende a prática de torturas e assassinatos impostos pelos policiais militares, o que confere um ar de legitimidade aos macabros atos executados. Aos excluídos e marginalizados resta a triste agonia de assistirem, passivos e impotentes, o julgamento dos envolvidos que via de regra são ouvidos, absolvidos e liberados. Raramente neste país os policiais militares são condenados pelos crimes que cometem, principalmente depois te ter sido aprovada a lei que permite aos acusados serem julgados por um tribunal especial: o militar.

Quando me deparo com qualquer artigo, livro ou ensaio sobre filosofia, sou remetido aos porões da academia, em que me via sendo diariamente tolhido, reprimido e torturado por professores distantes do verdadeiro conceito de educação e aprendizado. Longe das muralhas acadêmicas respirei ares mais elevados, tanto no âmbito artístico, científico e filosófico quanto no sentido cultural, social e histórico. A academia pode ser comparada a um restaurante que serve comida fria, vencida e mal preparada. Sua preocupação não está em servir um alimento puro e saudável, ao contrário, a prerrogativa de sua existência se deve ao ato de contaminá-la. Por quantas vezes não me alimentei dos vômitos e restos deixados por outras pessoas. As interpretações emitidas pelos professores devem ser aceitas, engolidas e mastigadas sem a mínima dose de crítica, critério e avaliação. Por outro lado, quem ousa desafiar seus conceitos, ideias e abstrações, estará condenado a viver enclausurado e isolado num vil deserto solitário, impossibilitado de se  aproximar de seu círculo íntimo, mítico e sagrado. Todos os pensadores autônomos, com perfil independente, que apresentem o menor indício de originalidade, devem ser rechaçados, excluídos e afastados, por terem ousado, pensar e criar por si mesmos, seus próprios sistemas, teoremas e postulados. No nobre círculo acadêmico não existe espaço para almas rebeldes, criativas e apaixonadas. A aquisição de títulos, currículos e rótulos depende, necessariamente, da disposição ativa do neófito em se submeter de forma passiva, omissa e covarde aos ditames emitidos pelos profissionais do ensino e do saber. Os alunos que seguirem os passos e as diretrizes impostas por seu orientador sem hesitar serão os eleitos e os escolhidos para habitarem o bem aventurado mundo acadêmico. Aos alunos que optarem por trilhar um caminho próprio resta contar com suas próprias pernas, leituras e interpretações. Por ter ousado me aproximar mais dos filósofos do que dos doutores, mestres e professores, me tornei um aluno perdido e desorientado. Incapaz de seguir os passos e caminhos por outro já trilhado tornei-me discípulo da vida. Fiel ao meu instinto e curiosidade, perambulei a esmo, por vastos corredores, que ora estavam em trevas, ora pujantemente iluminados, por escritores sombrios, esquecidos e apagados ou por figuras ilustres, reconhecidas e admiradas. As bibliotecas se tornaram minha escola e os livros meus mestres. Por vezes seguia lendo e estudando de forma metódica, analítica e organizada, por outras devorava de forma aleatória, sintética e precipitada dezenas de obras desconexas, mas todas muito bem escritas e elaboradas. Meus devaneios oníricos e literários foram consumidos, preenchidos e habitados por pessoas de vários continentes, países e estados. Não me contive ao conhecer os filósofos pré socráticos. Animadamente estendi a mão ao convite de Parmênides, Empédocles e Heráclito, Anaxágoras, Anaxímenes e Anaximandro, Tales, Pitágoras e Demócrito. Conversei por horas a fio com Sócrates, Platão e Aristóteles. No mundo das ideias encontrei várias respostas aos questionamentos de ordem metafísica e de cunho existencial. Com os filósofos pós aristotélicos descobri o valor da amizade e da postura ascética, cética, hedonista e pirrônica. Da necessidade de buscarmos o prazer com equilíbrio e moderação. Sentei-me alegremente no jardim de Epicuro e ouvi Lucrécio declamando versos em prosa, ouvi com prazer as recomendações estóicas de Sêneca e Marco Aurélio. Convivi com os filósofos Neo Platônicos, em especial Plotino, que me convidou a contemplação do Uno indizível, indivisível e inefável. Estive na França do século XVI e XVII, conversando animadamente, por horas a fio, com Montaigne, Descartes e Pascal. Na Inglaterra fui a apresentado ao empirismo inglês promovido e defendido secularmente por Francis Bacon, John Locke e David Hume. Conheci Espinoza, Leibniz e Newton. Travei intermináveis diálogos com Rousseau, Voltaire e Kant. No século XIX, enquanto vivíamos as fases tardias do romantismo, com Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu e Castro Alves o velho mundo era banhado por  um conjunto de correntes políticas, econômicas, filosóficas, científicas e sociais. Fiquei hipnotizado pela escrita límpida, clara e bela, sobretudo prazerosa, de Schopenhauer e Nietzsche que podem ser considerados, por uma questão de estilo, gosto e influência, os percursores da psicanálise freudiana e das futuras pesquisas empreendidas por Carl Gustav Jung. Marx, Engels e Lenin me inspiraram revoluções no plano político, econômico e social. Bakunin, Tolstoi e Proudhon me ensinaram a questionar o Estado e a visualizar com mais clareza suas imanentes contradições. Me assustei com o liberalismo econômico proposto por Adam Smith, Thomas Malthus e David Ricardo. Presenciei o nascimento do existencialismo na Dinamarca com Kierkegaard, da fenomenologia com Bertrand Hurssel, Max Scheler, Heidegger, Merleau Ponty e Sartre e do positivismo com Auguste Comte. Depois de ter transitado pelo círculo de Viena, me aventurei pelos campos da lógica, da filosofia da mente e da matemática na Escola de Cambridge com Russel e Wittigenstein. Na escola de Frankfurt, dei as mãos à Horkheimer, Adorno, Marcuse e Erich Fromm que me ensinaram a desconfiar tanto do capitalismo americano quanto do socialismo soviético, propondo a construção de um caminho social alternativo. Na contracultura me perdi com os escritos lisérgicos e libertários da geração beat muito bem representa por Jack Kerouac e Allen Ginsberg. Tive um surto de reflexões ao me deparar com Aldous Huxley e as Portas da Percepção assim como me extasiei com Carlos Castanedã e os índios mexicanos na sua busca pela verdade e o auto conhecimento. Foucault me trouxe, mais uma vez, ao chão da realidade através da sua obsessão por prisões, violência e loucura. Hoje trafego por ruas claras e escuras mas sempre munido do único propósito de aprender, digerir e ruminar, para poder absorver, expelir e repassar, não o conteúdo, e sim, a fonte.


Por sua efervescência cultural, o livro Solar da Fossa, de Toninho Vaz, merece ser lido e relido várias vezes. Nos serve como remédio, antídoto e precaução contra todo tipo de pensamento pequeno, medíocre e tacanho. Alimenta nossa crença e esperança numa possível catarse artística e cultural da humanidade. Sua atmosfera preenchida por compositores, músicos, artistas, jornalistas, cineastas, filósofos e poetas nos transporta para um universo quase onírico, romântico e idealizado. Construído no final do século XVIII, no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro, o antigo casarão, constituído de 85 quartos foi transformado, em 1965, numa pensão que fora zelosamente administrado por Dona Jurema. Entre seus ilustres moradores figuraram os nomes de Caetano Veloso, Gal Costa, Paulinho da Viola, Zé Keti, Ruy Castro, Maria Gladys, Betty Faria, Darlene Glória, etc. Frequentado pela elite intelectual da época, o solar seria visto como um celeiro de gênios cuja produção reverberava diretamente no cenário artístico nacional. No auge dos festivais, serviu como lugar de inspiração e criação de diversas músicas e sucessos. Condecorado como reduto da contracultura o Solar serviu de refúgio e abrigo a muitos militantes de esquerda e do partido comunista. Cristovam Buarque chegou a se esconder por lá algum tempo. Durante o ápice da ditadura, em 68, foi por diversas vezes, invadido e revistado, por agentes do Dops, que chegaram a conduzir alguns moradores aos porões do Doi Codi. O livro narra trechos de um tempo marcado pelo medo, o pânico e o silêncio, mas o viés artístico e cultural se sobrepõe de forma contundente. É impossível não se extasiar perante os relatos de quem testemunhou com seus próprios olhos a improvável reunião de um seleto grupo que chamava a atenção não só pelas roupas mas principalmente pela genialidade e talento. O livro é um convite aos corredores da casa mais bem frequentada do Brasil nos anos sessenta. Entre e Confira!



Ninguém em sã consciência ousaria negar a existência de grupos mafiosos que controlam e conduzem atividades lícitas e ilícitas pelo mundo, porém, poucas pessoas possuem noção da dimensão e da real extensão de seus escusos negócios e de sua ampla esfera de atuação e influência, sobretudo política e econômica. As principais organizações criminosas do mundo sempre tiveram grande interesse em se aproximar e se associarem, de forma discreta - mas nem por isso, menos ativa e atuante - ao principais líderes políticos do globo. A troca de favores, regida por um jogo de interesses, fez com que diversos líderes políticos concedessem, de forma vil, leviana e covarde, privilégios de toda sorte a meia dúzia de afortunados larápios da res pública. Vários exemplos podem ser colhidos e analisados folheando os capítulos da história mundial. Vale destacar a supremacia das máfias russa, italiana e japonesa, juntamente com os principais cartéis de droga da Colômbia e do México. Volumosas quantias de dinheiro são adquiridas mediante o tráfico de armas, drogas e o contrabando de produtos falsificados, sendo os mais comuns e procurados, bebidas, cigarros e eletrônicos. Porém, o crime como as organizações não são mais os mesmos, e a própria máfia, durante muitos anos, demonstrou sua vocação e perspicácia para se introduzir no seio da sociedade com uma fachada limpa e honesta. Os negócios se diversificaram e vão desde a criação de famosas redes de hotéis, restaurantes e alimentos até os domínios da especulação imobiliária. Os tentáculos da máfia não possuem limites e seus territórios são sempre ampliados seguindo a mesma lógica e perspectiva de uma empresa multinacional que busca por demanda e mercado. Quem quiser, de fato, compreender o mundo, tal como ele é, terá que perpassar o olhar sob a dinâmica teia do crime e das suas promíscuas relações com as altas esferas do poder, caso contrário, será incapaz de perceber, de forma clara, nítida e transparente a arquitetura política e econômica que nos impede de visualizar o topo da pirâmide e de nossa cadeia social.                           

O final de ano é um excelente período para a renovação e adoção de novos hábitos, atitudes e ideias. E um verdadeiro convite a mudança e uma bela oportunidade, para quem passa por certos desafios, problemas e dificuldades, para sacudir a poeira e dar a volta por cima. E necessário sobretudo sair da zona de conforto e lançar mão de uma pequena palavra que com certeza irá fazer uma grande diferença: a vontade. Mudar não é fácil e como tudo na vida, exige tempo, esforço e dedicação. E necessário uma dose generosa de vontade, determinação e o principal: perseverança. Percebo que a grande maioria das pessoas que fazem suas promessas possuem o real desejo de modificarem algo em suas vidas ou em si mesmos, porém, muitos desistem no primeiro empecilho ou dificuldade encontrado. Outros são mestres na arte das justificativas, racionalizações e adiamentos. Muitos desejam parar de fumar e na hora da virada, jogam seus maços fora, para no dia seguinte acordarem fumando. Outros, adiam a dieta para depois do réveillon. Os que desejam parar de beber, adiam para depois do carnaval e assim seguem instintivamente o cortejo do desânimo, da preguiça e da procrastinação. E preciso tomar uma atitude, e esta exige o mínimo de vontade e desejo do indivíduo. Sempre temos algo de novo para aprender, fazer e exercitar. Todos, sem exceção, deveríamos aproveitar este tempo para reformular nossas vidas, mudar nossos hábitos alimentares, aderir a prática frequente e regular de um esporte ou atividade física, adotar um animal de estimação, cultivar uma horta, cuidar de plantas, aprender uma nova língua, tocar um instrumento musical, mudar o guarda roupa, aprender uma nova receita culinária, fazer um trabalho voluntário, visitar asilos, presídios e hospitais, enfim, inumeráveis oportunidades de realização e aperfeiçoamento nos esperam, basta ter olhos para ver e enxergar. Quem tem ouvidos, ouça! O melhor tempo e hora é este infinito agora que aparece, não por acaso, na forma de um eterno "presente". Basta abrirmos e utilizarmos da melhor forma. Feliz ano novo a todos!

cante, ande, 
levante

se reinvente
crie, brinque, 
dance

saia da zona 
de conforto

caia na zona 
de conflito

abrace de frente 
seu confronto

pronto, 
consigo

extravase 
sua alegria

transborde 
seu encanto

na arte 
do encontro

a ciência 
do riso

nas asas
do mito

liberte
seu grito

invente
seu rito

ecoe
seu canto
 
reverbere
ressoe  

nos quatro 
cantos
do mundo

ouse 
ser 
você

nunca conte seu sonho
antes dele concretizar
muitos poderão sorrir
nem sequer acreditar

é uma questão de tempo
conquistar nossa vitória 
testemunho seu sofrimento 
espero seu dia de glória
 
para todos faxineiros
pedreiros e operários
para todo ser humano
que vive com um salário

para a base da pirâmide
que sabe o que é a vida
mesmo que a todo instante
se apresente severina

em plena luz do dia 
ou em meio a noite fria 
me diz quantas pessoas
por você daria a vida?

me diz quem aceitaria
ser morto e crucificado
para salvar sua alma
e pagar todos pecados?

talvez esteja errado
por agir daquele jeito
estender a outra face
abrir mão do seu direito

quem pode bater no peito
se sentir com autoridade
para julgar todos erros
condenar a humanidade?

por favor fale a verdade
ao menos uma vez na vida
vire os olhos pra si mesmo
e me diga onde é a saída...



Permaneci em silêncio, tentando digerir e ruminar, a morte do líder político mais polêmico e conhecido da América Latina: Fidel Castro. Para muitos, um líder carismático, guerrilheiro revolucionário, que libertou Cuba dos tentáculos do imperialismo norte americano, se consagrando o herói da nação, para outros, impedidos de expressar a sua opinião, e que eram duramente perseguidos pelo regime, um ditador facínora, que agia a seu bel prazer sem consultar ou se importar com nada nem com ninguém. Entre os extremos, existe o Fidel de carne e osso, homem de hábitos e costumes refinados, que se recusava a ser o primeiro a experimentar um simples prato com medo de ser envenenado. Fidel é acusado de ter transformado Cuba no maior centro de treinamento de guerrilha urbana do mundo, assim como de ser responsável pela formação dos melhores e maiores médicos. A educação em Cuba possui números e índices que em nada deixam a desejar se comparados a países de primeiro mundo. O índice de analfabetismo é baixíssimo e a prática de esportes é difundida e adotada como algo normal e corriqueiro, não por acaso Cuba sempre possuiu posição de destaque nas Olimpíadas, principalmente no Basquete e no Vôlei. Vários grupos guerrilheiros, de vários países, passaram por lá, recebendo treinamento árduo e pesado, que incluía táticas e formas de sobrevivência em condições extremas, além de estudos ideológicos e doutrinários pregados pela cartilha comunista. Vários movimentos de esquerda do Brasil, durante o regime militar, receberam o apoio necessário (financeiro, militar  e moral) para continuarem seguindo e mantendo suas práticas e atos. O receio que a chama vermelha se propagasse pela América fez com que os Estados Unidos interviessem diretamente na política de vários povos, entre eles o Brasil. Não é nenhuma novidade, o fato de termos sido e tido, o único país da América do Sul, que depois da segunda guerra mundial, recebeu a indesejável visita de navios de guerra norte americanos em sua costa. Para garantir a vitória e a implementação do golpe, os americanos enviaram suas frotas para servir como base de sustentação e conferir um ar de legalidade e legitimidade ao novo regime. O que ocorreu durante este período de 21 anos (abril de 1964 a março de 1985), todos nós sabemos. Outro fato e dado curioso, é sua estreita ligação com o narcotráfico internacional e grupos terroristas do oriente. Não seria exagero afirmar, que Cuba, representada pela ilustre figura de Fidel, esteve presente, de forma direta ou indireta, nos principais conflitos e guerras urbanas do Planeta. Não é incorreto supor que grupos de extrema esquerda, ou que apresentavam o mínimo de ódio as forças americanas, pudessem ser considerados como amigos e aliados na guerra em comum. Líderes políticos do Brasil, da Rússia, China, Espanha, França, México, Venezuela, Bolívia, Equador, Portugal, Argentina, Índia, Palestina, Grécia, Síria e Irã, expressaram suas condolências e consternações pela morte do líder cubano. Entre tantas controvérsias, dilemas e discussões, sobrevive a figura do mito e da lenda, que se perpetuará por muitos anos na memória dos cubanos, para o bem e para o mal. Muitos livros serão publicados e divulgados na tentativa de compreender o enigma Fidel, resta nos torcer para que adotem uma postura de impessoalidade e imparcialidade, princípios estes que conferem seriedade e ditam as normas e regras do bom trabalho histórico, jornalístico e investigativo.



Desconheço por completo a obra do poeta, mas acompanhava assiduamente sua coluna na Folha. Apesar de ter adotado um discurso mais polido e reservado quanto aos ideais de esquerda, ardorosamente defendidos durante a ditadura militar, sua última publicação em vida prima por um caloroso convite a distribuição de renda e por uma cuidadosa atenção com os mais pobres. O título por si só já nos diz muita coisa "Para que alguém necessita ter a sua disposição milhões de dólares?" Assumindo, na coluna, a identidade poética proposta por João Cabral de Melo Neto, cuja poesia retratava as contradições e conflitos vividos pelo sofrido povo nordestino, Gullar primava por realçar e expor de maneira clara, objetiva e contundente as disparidades sociais presentes em nosso país. Não era apenas o poeta, era sobretudo o cidadão, extremamente consciente e politizado que sobressaia em seus textos, crônicas e ensaios.  Não foram poucas as críticas dirigidas aos principais dirigentes e representantes do partido dos trabalhadores mas também não poupou, quando necessário, a ala mais rica e conservadora. Para quem estava habituado a ouvir e ler Gullar sob o viés comunista, socialista e marxista, era muito difícil, quiçá impossível, pensar na sua suposta "endireitada". Porém, aos olhos mais atentos, que conseguem enxergar nas entrelinhas,  suas preocupações e pontos de vista permaneciam os mesmos, ao menos nos aspectos ditos essenciais. Homem atualíssimo que viveu e respirou até o último momento os problemas e os desafios de seu tempo, com lucidez e inteligência invejáveis. Sem se render de forma insensata, pueril e leviana ao cegos discursos ideológicos partidários, conseguiu avaliar e analisar cada situação sob uma perspectiva ímpar, com o devido distanciamento, cautela e cuidado. Quem se dispor a lê-lo atentamente, com certeza irá se deparar com a impossibilidade de reduzir sua produção e posição, no sentido político e jornalístico, a um único viés e ótica. Que Deus Abençoe Ferreira Gullar! 



A Federação Galáctica é ou não é uma realidade? Se sim, qual sua principal missão, finalidade e objetivo? Não sou nenhum médium experimentado e plenamente consciente de minhas faculdades e possibilidades, no entanto, acredito, que a mesma lógica aplicada nos terreiros e centros espíritas, pode e deve ser aplicada neste item que além de estudo aprofundado merece sim, nossa atenção. Sabemos que todo centro ou terreiro, além de ser constituído de uma substância etérea especial que impede e blinda a passagem de certos espíritos possui em sua entrada os guardiões, que são seres responsáveis pela proteção e segurança do lugar. Só nos protegemos de algo ou de alguém quando existe a possibilidade tangível e real de um ataque ou ameaça, correto? Seria muita ingenuidade crer somente na existência de seres puros, celestes e angelicais. Nossos mentores nos dizem, com muita propriedade, que o plano astral de cada planeta é reflexo fidedigno dos hábitos e pensamentos, alimentados e emitidos, por seus habitantes. Ora, diante da pluralidade de seres e de estilos de vida, podemos afirmar que a população do orbe, assim como do espaço, é constituída por seres com boas e más intenções. Acredito na existência de uma federação galática, que atua e opera, em nossa dimensão, para nos proteger e assegurar o equilíbrio energético entre a população do orbe e os povos do espaço. Por outro lado, os termos utilizados por nós, apenas reproduz a nossa necessidade de humanizar e antropomorfizar os seres e as coisas. Projetamos e criamos os alienígenas a nossa imagem e semelhança. Queremos nomear, ordenar, classificar e principalmente institucionalizar a presença e ocorrência de fenômenos que fogem da nossa capacidade de compreensão e entendimento. Não resta dúvidas de que este planeta atravessa um período delicado em sua história e que os seres humanos, mesmo em escala reduzida, estão se conscientizando do seu verdadeiro papel na ordem das coisas e dos mundos, redimensionando sua perspectiva e assumindo sua pequenez frente a grandiosidade e as inúmeras possibilidades de evolução e crescimento que a vida nos brinda e proporciona. Acredito que um dia, provavelmente daqui a mil anos, muitas pessoas irão rir deste pequeno período de infância planetária, em que a esmagadora maioria de habitantes do planeta duvidava, não só da existência ou não dos espíritos, como da possibilidade de vida em outros planetas. Temos, que nos lembrar, que habitamos, temporariamente, um mundo atrasado, com espíritos recém nascidos do seio do Criador. Demorou bilhares de anos para que pudéssemos atingir a forma humana, e com certeza, vai demorar mais um tanto para conseguimos atingir a roupagem celeste.


modernidade líquida
vidas desperdiçadas
atraindo almas leves
repelindo as pesadas

o homem primata
fareja oportunidade
o homem é o lobo do homem
gosta de tirar vantagem

lucrando em alta margem
fechando mais um negócio
qual o melhor investimento
o preço para ser seu sócio

como você define o óbvio
depois da física quântica
como interpretar o mundo
sem o uso da semântica 

minha visão romântica
transcende a linguagem
será que mil palavras
sintetizam uma imagem?

operando a catarse
num fluxo natural
acredito no universo
e na cura espiritual

além do bem e do mal 
contemplo nossas escolhas  
homens se parecem ilhas
fechadas em suas bolhas



perca seu tempo 
na esquina parado
nunca duvide
acredite no estado
  
vê 
se si renda
se venda 
se cale
se desespere
ajoelhe, 
si mate

sinta o acorde
no peito oprimido
nunca desperte
deserte sorrindo

olhe
sua mente
seu corpo 
sua alma
venda o espírito
veja com calma

ferida na alma
nunca cicatriza
nem com pomada
poder da saliva

aprenda com a vida
levando porrada
o bonde é pesado
nunca pega nada

rolê de quebrada
pela madrugada
corações feridos
almas machucadas

mentes carregadas
lotando infernos
milhares de ritos
inúmeros credos

aquilo que quero
de fato consigo
sei quem está blefando
quem está mentindo

as cartas na mesa
por mim foram dadas
todas conhecidas
já estão marcadas

hino de gritos
de aflitos gestos
restos da ordem
ferindo afetos 

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Admiro todas as pessoas que ousam pensar por si mesmas.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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