Latentes Viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!



30 janeiros se passaram
poucos foram os carnavais
o ressurgir da primavera
a morte de raros animais
nada mudou
no velho novo mundo
procuram carniças
na esquina de um país qualquer
lembro-me bem
no dia em que nos disseram
nada neste mundo é eterno
cuidado nas suas escolhas
pois tudo está envolvido de interesse
não se aproxime de ninguém,
se possível para seu próprio bem
sempre se afaste...
graças a deus existem poetas
extremo alicerce de nossa queda
solitários no sentir e no pensar
norteiam o nosso caminhar
 no limite linguístico distinguimos
a inferioridade de nosso ser instinto
o céu ainda é o desafio
caminhamos entre pedras e necessidades
consciente de que deste mundo
infelizmente ainda fazemos parte
não deve ser muito agradável
para um ser espiritualmente evoluído
ter que se deparar todo dia com seu canino
mas se temos que defender a humildade.
diga que sim ainda fazemos parte da humanidade
não acredito no mistério
muito menos em um ser especial
desvendamos os segredos
como mais um ser universal
procuramos na história deste mundo
o motivo de sempre sermos surdos
precisamos sim dos convites da vida
a minha trajetória retrata um suicida
ao menos procuramos pela verdade,
na sinceridade do homem que parte
para abismos e antros indesejáveis
mas que culpa temos?
se tivemos contato com a carne?
carregamos desejos insanos, incofessáveis...
contemplamos caminhos entristecidos
mas somos pelos fatos favorecidos
não existem valores, sorte ou acaso
tudo foi por nós mesmos premeditado
nunca queiras fugir de ti mesmo
pois acima de tudo paira soberbo respeito
mesmo que queira desvencilhar deste tempo
ainda sim sinta o gosto inefável do momento
desligue seus aparelhos televisivos
a distração é um vil lenitivo
queira se encontrar com o silêncio da noite
este exercício nos livra do açoite
não digo com ar de superioridade
tente me entender,
faço parte de sua humanidade
já tive experiências reais e místicas
supremacia ontológica da metafísica
se morresse hoje com certeza desertasse
tomara que o diabo promova a catarse
ligeiro é o tempo, nada tenho a perder
digo de mim, o que você diz de você
tenho saudade de muitos amigos
momentos felizes carrego comigo
me diga onde está a sua saudade
o seu poder, vontade de verdade
sonho com magos bruxas e druidas
sintetizando a mesma vida
interligados por comunhão
aqui não existe nenhuma paixão
o que você quer é produto do meio
não se entregue, critique sem medo   
já vi almas nobres vagarem em umbrais
homens discretos para nós tanto faz
mas existiram exemplos na nossa história
pensar por si mesmo eu sei que incomoda
pagamos o preço da liberdade
mas tenha certeza
somos de verdade!!!


 














A vida nos embriaga com suas inumeráveis possibilidades de crescimento espiritual. Se por um lado somos repentinamente lançados ao confronto direto de nossos atos e pensamentos ao mesmo tempo temos o absoluto conhecimento das formas como poderíamos viver. Um ser humano, empobrecido materialmente não é impossibilitado de sonhar em um dia poder desfrutar de um iate, de uma mansão e de todos privilégios destinados aos ricos do mundo. A desigualdade social é um mal terrível que tende a dissipar nossas mais íntimas esperanças. Para nós, seres encarnados, reféns da matéria, é extremamente difícil não pensar em termos de comparação. Sabemos que isto provoca um enorme sofrimento visto que atráves de qualquer comparação sempre nos sentiremos inferiores ou superiores desconhecendo desta forma nosso verdadeiro valor. Mas nem tudo está irremediável. Busquemos as causas: por que possuímos esta tendência, de nos compararmos com os outros? E porque as vezes os pais se utilizam deste recurso na tentativa de mudar o comportamento de seus filhos? Com certeza a possibilidade de nos comportamos desta forma se deve ao simples fato de todos nós sermos diferentes. Somos seres marcados por caracteres individuais, cada um de nós possui sua "História de Vida" sendo que podemos colher as merecidas lições, seja de um retirante ou de um phd em psiquiatria clínica. No entanto a forma pela qual passamos pela vida difere substancialmente uns dos outros, a forma pela qual encaramos os problemas revelam se temos uma postura otimista, de fé, de esperança, ou de pessimismo, descrença e desânimo. A melhor imagem para podermos sintetizar o que a vida espera de nós está na própria natureza, a gazela correndo desesperadamente de seu algoz nos dá uma visão do quanto devemos lutar pela vida até o último instante, pois afinal de contas temos a certeza do sopro derradeiro e a morte não é uma fatalidade, ao contrário é uma necessidade natural que todos teremos que passar. Mas não precisamos nos aterrorizar diante da vida, sim ela as vezes é angustiante e causa arrepio pensar nas maldades cometidas pelos seres humanos, seres mentirosos, inescrupulosos, sem caráter.. Quantas pessoas não anseiam por um emprego honesto que lhe proporcionem a satisfação de suas necessidades físicas e psíquicas? A desigualdade material é, visivelmente, uma das principais causas da inveja e do egoísmo, em uma sociedade que prima pela aparência, a pessoa bem sucedida materialmente granjeia facilmente a notoriedade e os aplausos da maioria das pessoas, independente de seu carisma e de seus valores. Neste mundo não podemos falar de valores, príncipios e respeito sem passarmos pelo crivo da sociedade, gostaríamos ao menos de sermos respeitados e não delegados para segundo plano. Todos nós gostaríamos de receber nosso quinhão de respeito e de dignidade. Nada pior no mundo do que nos sentirmos distantes e sem motivação para continuar a caminhada. As vezes mesmo sabendo que existem milhares de pessoas que sofrem mais do que nós ainda sim nos mantemos numa postura negativa, de decepção e de frustração. Na infância todos nós possuímos sonhos cor de rosa e não temos vergonha de revelar nossos mais íntimos sonhos, contudo ao passar esta fase entramos na adolescência e descobrimos que ao mesmo tempo que percebemos as coisas, pessoas e fatos, também somos percebidos e julgados segundo nossas atitudes, surge o senso moral, e os príncipios éticos norteiam nossas relações, estrutando valores, reafirmando atitudes, ganhamos experiência e passamos agir de forma confiante e destemida, elevando nossa estima e a de nossos convivas. Mas nem sempre nos deparamos com pessoas de fácil trato no relacionamento. O relacionamento humano é permeado de conflitos, desejos, medos, recalques. A sociedade vive uma crise de conceitos. Poderíamos por um instante nos indagar quem são, efetivamente, os educadores de nossa geração, por quais meios e modos apreendemos o modo de nos interagirmos com o mundo e com as pessoas. Quando nascemos já encontramos, de certa forma, tudo pronto, apenas nos encaixamos nos moldes estabelecidos pela sociedade vigente. Sabemos, através dos milhares de nãos que recebemos na infância qual o tipo de comportamento é aprovado pelos adultos, ou seja, não respeitamos a infância e sua ávida vontade de conhecimento e de experiências, apenas tentamos moldar a criança a nossa imagem e semelhança, tanto que toda criança "boazinha" é a que se mantém idêntica ao comportamento adulto, a incompatibilidade dela se relacionar com as demais crianças de sua idade passa a ser o referencial de sua superioridade em relação as demais, perdendo dessa forma a possibilidade de se relacionar de forma espontânea e natural, com sua ingenuidade e incoêrencias. Claro que as vontades e os desejos das crianças devem ser dosados, e nosso sim deve ser sim, nosso não não, pois somos responsáveis por aquela alma que se encontra em formação. Nada mais justo e prudente do que recorrer as instituições de cunho educacional e religioso para podermos alicerçar o caráter de nossos pequenos desde cedo, mas os atos dos pais, com certeza, sempre serão o maior referencial no ato de educar, pois se as palavras edificam, o exemplo arrasta. Num clima de incerteza e insegurança é impossível mantermos o equilibrio necessário para podermos a todo instante manifestar um comportamento ideal na frente da criança. Não adianta nos escondermos atrás de uma máscara idealizada por nós mesmos, pois fatalmente um dia cairá, deveríamos utilizar a sinceridade como elemento imprenscidível na relação que estabelecemos conosco mesmos. As crianças são muito mais sensíveis e percebem facilmente quando estamos mentindo e como somos de fato na nossa intimidade. Foi se o tempo em que as crianças eram ingenuamente educadas com os patinhos e os cabritinhos amarelos, agora elas veêm tv, não sei quantas horas por dia, tem acesso a internet, são incentivadas a estudar outras línguas, (o que é muito bom, sempre que não representar um excesso) a exercer inumeráveis papéis dependendo de seu meio social. Claro que num ponto podemos pensar em comum, todas as crianças deveriam ser incentivadas a estudar um instrumento musical, a terem contatos com a artes plásticas, a desenvolverem um trabalho cênico no intuito de se tornarem pessoas desinibidas e bem resolvidas. Mas, como sempre tem um mas não podemos nos esquecer o exorbitante número de pessoas que ficaram traumatizadas com experiências da infância. Aquela criança que era chamada de feia pelos coleguinhas, se transformou num belo rapaz mas não consegue se apaixonar por nenhuma menina bonita, pois ainda não se livrou daquelas imagens de rejeição. Os exemplos seriam fartos e exite uma farta bibliografia referente a vários casos deste e de outros tipos. O menino franzino que não gostava de praticar esportes e que ao se deparar numa situação de inevitável contato físico se esquiva e é cruelmente chamado pelos seus coleguinhas de fracote. A infância também não é um mar de rosa, as vezes ficamos saudosos desse tempo mas apenas nos lembramos dos bons momentos...



eu sou o chato da mesa

cravejado de erros e perdas
caminho entre homens bêbados

sou o chato da mesa

sinta-se
superior

despeje seus restos em mim

fale, insinue, sorria...

você está certo
sou realmente assim

eu sou o chato da mesa

minha gentileza
se reduz na beleza
de pagar a conta

é sempre bom
ter alguém
para pagar a conta

eu sou o chato da mesa

seu olhar desprezo
me entretém
destarte
me convence

eu sou o chato da mesa

aquele que se conserva indiferente
ao conservadorismo imanente
às convenções do tempo presente
ao refinamento do gosto ambiente

eu sou o chato da mesa

o louco falante
que incorpora macacos
sorri como um cavalo
e de perto acena para a morte

eu sou o chato da mesa

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sou o chato da festa
entre frestas
rombos e quimeras
sou o chato da festa
disparate disparatado
sou o chato
o louco insatisfeito
e acabrunhado
mal amado
mal amante
sou o louco débil
sou um verso
escrito ao avesso
avesso ao mundo
imaginário e caduco
louco mundo desregrado
anjos voam,
demonios gritam
desamparo inexiste
proteção inerte persiste
no vício insano a morte

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um abraço
um beijo
um aperto de mão
bom dia
boa tarde
olhos nos olhos
vagueio
delírio
meu dia passa
repasso-o
sinto
vazio
profundamente
louco
respiro um pouco
sem vontade de deitar
sento na mesa de um bar
peço uma cerveja
acendo um cigarro
cruzo as pernas
calmamente observo calado
as pessoas à minha volta
mulheres
olhares
desejo
silêncio
miro por pouco tempo o ambiente
meus pensamentos se encontram ausente
sinto
pressinto sua ausência
no peito coração demência
reticência de um texto mal escrito
que insiste em duvidar
negligencio a disciplina
não aceito a rotina
e minha boca quer cantar
louco
espera um pouco
louco, este mundo oco
num instante irá se acabar
a chama da vida não irá apagar
não existe mais diferença entre o dormir e o acordar
tudo passou como uma chuva destas tardes de verão
que conseguem com seu cheiro elevar o coração
lembro-me de minha infância e de meus desejos
inibido por um sentido único, intransferível
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confissão

quem não sabe
brigar
bola jogar
menina beijar
está frito, lascado,
este é o retrato
do menino
nascido e criado
no periférico bairro!


sou movido pelo ímpeto inaudível do outro
do outro parente, morto esquecido
respiro o ar podre de embriagados mendigos
esqueço por um minuto de mim
para me ver no olhar do outro
é a mesma vaidade que impede
a mesma indiferença que impele
a não ver no outro eu
em mim outro não habita
sangue,
martírio de um suicida
venho beber a vida
devorar meu amor
suplantar a dor
urro desesperado
vórtice desequilibrado
verdade oculta
mentira absoluta
fragmento extático
tempo parado penso
sinto o vou ser isto
luz que cega o porvir
tristeza eterna, sem fim
vulgares olhares, espanto
tira gosto, cachaça, vômito
mal necessário a humana espécie
macarrão, farofa, frango,
bucólico almoço de domingo
suspiro por um estado frívolo
a lucidez aumenta minha angústia
a loucura expressa a guerra interna
fantasmagórica, alegre, amena
incurável, letal e eterna
sempre guerra!!!

quando as palavras são idéias
é hora de transpor o verbo
 talvez seja vazio,
talvez seja sincero,
a inspiração
possui algum sentido?
quando não é hora de parar
temos que girar o vazio
pela inspiração contínua
transpor a angústia que aparece
na poética ausência refletida
sincera, pensada e sentida
quando temos inspiração
transpomos o conhecimento
não é contínua a angústia
palavras requerem reflexão
palavras tem conhecimento
sinto parar o vazio
palavras parecem nos possuir
quando transpomos o momento
não é palavra o sentimento
o vazio parece requerer inspiração
é o conhecimento sincero da angústia
quando não é palavra poética
parece conhecimento a reflexão
transpomos a palavra ter
no contínuo querer sincero
vazio momento de sentimento
conhecimento requer inspiração
quando parece transpor
o contínuo vazio
a palavra requer o momento
é sentimento a palavra reflexão
sentimento é inspiração
da poética reflexão do vazio
quando a contínua angústia
não requer palavra
a reflexão tem sentimento
e o poético vazio aparece
vazio é o querer inspiração
sinceridade é reflexão do momento
quando não se é poético
o vazio da sinceridade
é reflexão
requerer contínua palavra
através do vazio do não
é conhecimento a angústia
quando a palavra sentimento aparece
requer a inspiração do momento
quando o vazio não requer o ter
a palavra querer não é sincera
a reflexão contínua sobre o vazio
faz da angústia sentimento
quando a reflexão causa angústia
o vazio da palavra é sentimento
e requer a sinceridade do momento
quando o vazio requer a reflexão
a palavra vazio é angústia contínua
quando a palavra vazio esvazia
requer a angústia contínua da reflexão


Nestes dias insólitos adormeço com a dúvida gerada pela incerteza, por uma falta de fé mórbida que me impele para a preguiça e a indolência. A vida agita-se sob o bramido nervoso e descontrolado da multidão afeita ao progresso. As novas tecnologia descerram meus olhos para este novo prisma virtual. Aglomerados de pessoas reunidas num intuito vão e desconhecido para mim. A pia da cozinha me remete à ação e as panelas me convidam timidamente ao agir. Insisto em permanecer deitado e a cama, extensão de meu corpo, óbolo divino a contestar meus pensamentos é um convite intríseco a permanência no não ser, do não querer saber das coisas e dos seres ao redor, mas continuamos girando inconscientes no espaço e galáxias longíquas nos brindam com o brilho de suas inusitadas e desconhecidas constelações. Imagino o nascimento de uma nova astrologia, menos antropomorfizada, mas ainda sim imanente aos arquétipo humanos universais.

Diariamente visito as páginas arquivadas da história, abro um relato vivo de países distantes, nações heroícas e orgulhosas de suas conquistas e derrotas. A humanidade forjada pela essência cultural da guerra e da barbárie. Nos templos semi deuses guerreiros são adorados e reverenciados pela tentativa da busca. A ausência de obstáculos e conflitos representa a morte risível da vontade. Um mundo constituído de sonhos, paraíso onírico a preencher minha pobre alma angustiada e vil. Sigo pela estrada da rotina e meu cotidiano se restringe a uma sala cheia de livros, um auxiliar de biblioteca orgulhoso de seu pequeno ofício. A tempestade provocada pelo ácumulo de coisas per fazer, pelos livros que não li, pelo tempo que não dediquei a execução de atos e afazeres realmente importantes e essenciais. Respiro o ar inocente das crianças que brincam com a fantasias inumeráveis proporcionadas por uma imaginação irrefreável e compulsiva por adentrar a realidade subjetiva que a natureza material oculta e por ela vela. Minha vida não é muito diferente do acender um cigarro. Sei que em algum momento ele irá apagar, mas a vontade e o vício irá me levar ao encontro de outro, e assim sucessivamente, num horizonte sem fim e ilimitado, neste termos vislumbro o infinito matemático que atormentou e ainda atormenta os gênios dispostos a viver uma vida pela verdade.

O mito da novidade é continuamente reafirmado nas propagandas e comerciais, na vitrine das vaidades possuir o novo é um acréscimo de força a personalidade, valores humanos atrelados a objetos superficiais, ideologia sórdida, consumidora dos mais belos ideais. E não por acaso a beleza sempre esteve associada a idéia de justiça, mas para uma sociedade reduzida a estatística os números revelam tão somente a miséria imposta a maioria dos povos.

Os devaneios solitários sugerem épocas, cores e transmutações, não posso fugir do sofrimento e do lugar comum, eles me pertecem e considero meu bem mais precioso, talvez o último resquício palpável de minha própria humanidade. Ainda não consegui superar o sentir pelo pensar e minha intuição diz que nesta e em outras vidas isto será impossível, pois o coração bate e sua cadência acelera meu anseio pela morte.

As almas levianas e infantis, acorrentadas ao aspecto exterior da vida, virão seus sonhos e desejos serem reduzidos as cinzas. Num tempo de leveza e paz, a união dos povos se faz necessária pela manutenção da guerra.


Algarismos geométricos, entes matemáticos, invisíveis abstrações concretas me interessam, repouso sorrateiro no ambiente incrédulo das convenções. Minha alma anseia por espaço mas meu corpo se contenta com o minimo necessário a uma vivência digna porém sem limites imagináveis. Ilusórias são as concepções físicas do corpo e meus atómos anseiam por desintegrar-se no fértil solo das experiências humanas. Como todo aprendiz de feiticeiro que anseia desesperado pela presença de um mestre munido de todas as informações necessárias para dissipar as trevas impostas pela dúvida, caminho sóbrio por entre os últimos resquícios de nossa humanidade, perdida entre o falso brilho de futéis distrações. O ambíguo jogo refinado das pueris considerações sobre o complexo arranjo social, me diz que, todos sem exceção, nos encontramos no presente momento doentes, carentes de um modo de vida simples e completo, daí a necessidade de incorporarmos em nosso dia a dia a idéia heraclítica de sermos um eterno devir, cuja missão primordial se resume na busca pelo equílibrio e pela perfeição. Se estamos distantes desta realidade sombria que anima a maioria dos povos a buscarem o progresso através do desenvolvimento desordenado de algumas tecnologias, corremos o risco de sermos a curto ou médio prazo taxados de loucos ou até mesmo seres subversivos que colaboram para a perpetuidade do pensamento tacanho e retrógrado. No entanto a natureza das coisas nos convida a todo instante ao ato de refletir sobre o por quê de estarmos aqui agora neste planeta cujas condições de realização de nossos mais intímos desejos se afigura distante, perdido em projeções futuras cuja concretização sempre se mostra incerta. Por mais que gozemos de um estado de espírito condizente com nossa essência sempre estaremos de mãos dadas com a vontade de querermos um pouco mais de nós mesmos. O perfeccionismo ingênuo apregoado nos altares foi no decorrer da história substituído por um comportamento competitivo e egoísta que busca acima de tudo a exaltação primária do próprio eu. O valor conferido a personagens que nem de longe podemos chamar de ilustres nos fornece a exata medida do caminho que ainda temos que percorrer. Já não existe tempo para ficarmos atordoados com as messiânicas profecias do final dos tempos pois tudo se desenrola diante de nossos olhos e somente o contato com nossa "sombra" é capaz de fazer com que tenhamos um impulso verdadeiro e consciente rumo a plenificação integral do ser. O viés artístico sempre foi o preferido dos grandes gênios que aterrissaram por alguns instantes no chão da humanidade. O planeta geme sob os acordes desafinados da guerra, impulso primitivo que reflete de forma fidedigna a exacerbação do ser. A medúla óssea do sistema é uma sucessão de miragens criadas sob os moldes de um midiático prazer estéril. A produção em série de seres desajustados com graves distúrbios psíquicos é intensa. Desconectado de nossa realidade intena mergulhamos inertes no tempestuoso mar das aparências sociais, afastando cada vez mais a oportunidade de nos reerguemos perante as adversidades naturais que nos afetam. Existe um abismo entre o que efetivamente somos (ser em si) da pessoa que gostaríamos de ser ( o ser para si), isto nos confere uma certa dualidade que se apresenta imanente ao processo evolutivo. O espírito, portador de conhecimentos milenares muita das vezes desconhece o poder intrínseco de suas faculdades. Adquirimos conhecimentos e acumulamos informações mas nem sempre nos preocupamos em desenvolver de forma justa e saúdavel os bons sentimentos, ao nobres impulsos que nascem do coração cabe a injusticável medida de classificá-los como um sintoma de fraqueza e extremado desespero frente a uma realidade que se afigura muitas vezes cruel e aparentemente sem sentido. As correntes metafísicas ainda repousam esquecidas nos escaninhos da ciência mas é possível entrever de forma intuitiva e racional a unificação de todos os saberes. Muitos serão aqueles que irão professar idéias contrárias ao advento de uma nova era porém diante de tantas ocorrências serão obrigados a se renderem a evidências dos fatos.


Depois de um breve período enclausurado na débil senzala das convenções humanas eis que desponta no horizonte mais um irrecusável convite da vida. Superdimensionamos nossos problemas e nos esquecemos facilmente dos compromissos assumidos em outra dimensão. Aparentemente não temos controle sobre os acontecimentos da vida mas tudo se sucede segundo uma ordem natural, uma sucessão de atos desagua no rio das consequências. O manancial contido no interior do ser humano continua coberto pela hipócrita covardia dos tempos modernos. Revestida de máscaras e desejos inconfessáveis a sociedade busca refúgio na corrupção dos costumes, investindo todas as suas fichas na manutenção da fraqueza humana. Dotada de recursos inquestionáveis na arte do convencimento, faz com que o supérfluo se torne uma real necessidade. Este valor conferido aos objetos é um visível sintoma de cegueira espiritual. Deixando de atender ao chamado do espírito o corpo se rende inerte à um conjunto de falsas imagens projetadas pelo pequeno eu. O ser se rende alegre e feliz aos pés de uma vida preenchida pela etílica miragem de uma vã sexta feira. O pressuposto da felicidade é um sorriso mecânico guiado pelas quatro rodas. O regime extravagante de alguns povos, ditos ascetas, seria a receita correta para empreendermos o caminho de volta à nossa verdadeira natureza. O espírito anseia por despertar e participar ativo do grande concerto da criação. O regente, oculto e invisível, se manifesta na simplicidade sensível ao detalhe. Tanto nos pequenos quanto grandes acontecimentos somos levados a refletir sobre o que originou a sua causa. A magia renovada do amor abre as portas de um mundo justo e verdadeiro, em que a luz abundante não deixa espaço para as dúvidas projetadas pelas nossas sombras. Despido de sua velha couraça de preconceitos o espírito visualiza confiante um futuro repleto de oportunidades de crescimento e aprendizado. Após ter partilhado por algum tempo do banquete promovido pelos porcos seu corpo fragilizado pela ignorância clama por um momento de reflexão. Ao ver descaracterizado seu pomposo aspecto exterior, percebe que sempre se refugiou por detrás da imagem de um falso eu, reconhecido por rótulos e exterioridades sem nenhum tipo de contacto com a realidade. Banalizam o sexo, desconhecem o amor, priorizam o prazer e se transformam em servos da dor. O crucifixo de fato é apenas uma imagem que simboliza uma passagem, a morte do homem velho e o nascimento do homem novo. Uma nova roupagem se anuncia e se antes a natureza lhe servia como guia agora poderá recorrer ao estudo metódico e dedicado dos fatos que desenrolam-se bem debaixo do seu nariz. Sem desconfiar de que pode estar sendo constantemente enganado, o homem cego pelo orgulho continua na sua busca desenfreada pelo poder, tiranizando seres e pagando pelo inferno a prestação. Nunca ouseis levantar o nome de deus em vão, mas por amor ao perdão, saibamos também a nossa hora de dizer não.

Vivemos numa era marcada pela presunção? Pela angústia? Que era? O que é uma coisa moderna? O abestado no plenário ou uma carne sendo vendida no mercado? Somos portadores de uma doença incurável, impossível contemplar feliz e de bom grado um pássaro engaiolado. Somos vítimas e algozes da loucura mas nos contentamos com as migalhas do hedonismo e do prazer proporcionado pelos sentidos... sois suas vestes, seu trabalho e o escárnio sórdido do esquema publicitário. Quem terá a ousadia de arrotar uma guerrilha verbal? O demagogo, o político, o místico ou um ser inclassificável? Vejo bordões ultrapassados, ouço imagens de um diagnóstico pré fabricado, até quando seremos responsáveis pela irresponsabilidade de não assumir a dor alheia? Escrevo para eruditos, pedantes e falsos idólos, mas me diga quem pagou a sua universidade? Licenciatura? Reverter para as vítimas do sistema (que nos bancaram) o que eu aprendi? Nunca será... É, precisamos mesmo usar óculos... pelo menos assim nossa caveira assume um ar interessante. Enfeites, por sexo ou por pura vaidade... Quanto vale para ti o valor sincero e singelo da amizade? O número que enfeita o cabeçalho do seu orkut, ou será que realmente todos que estão inseridos no seu facebook? Gostaria de quebrar uma vidraça, pegar a bola do time adversário e furá-la. Onde está o sentido enigma da vida? No nosso interior? Mas temos medo e desejamos a competitividade, me diga quem foi o primeiro, o melhor da sua classe? A sociedade tem medo de artistas preferem aqueles que se adaptam de forma inconsciente e frívola aos moldes herdados por uma estrutura fria e rígida. Será a religião o ópio do mundo? Será que não podemos ser aquilo que realmente somos, loucos e surdos? Me diga onde estará o seu tesouro pois lá estará seu coração... Abrace o seu ego com carinho, é preciso sim ser si mesmo para poder carregar no peito uma vontade transcedental de mudança. Me diga que você deseja a abastança pois até mesmo nos redutos esquerdistas eu prevejo o desejo oportunista. Estamos mortos na senzala dos desejos, me diga o que queres, eu lhe dou o preço... é isto e mais nada... o resto é bobagem e fantasia, não repare nos meninos que passam a sua infância na esquina... seja indiferente, tolo e selvagem o que vale realmente é a sua cultural bobagem... não pense que pertencestes a humanidade, o que importa é a sua íntima e egoísta felicidade... seja isso, queira aquilo e se possível grite seu nome nos holofotes pois até artistas se transformam em pavões... na selva o que vale é a lei do mais forte, seja no sul, ou seja no norte, a geografia ainda está viva e suas fronteiras são bem delimitadas, não queira pousar no oriente, queira os refinados sepulcros caiados do ocidente... brutal dissonância no país em que o vaticano em 60% de nossas terras ainda manda... políticos são marionetes e as construtoras, empreiteiras , vão bem obrigado... mídias sociais eclodem e fico feliz quando escrevo de forma livre e espontânea para os famigerados e famitos de conhecimento... quero mais é que os acadêmicos se danem... oxalá nos abençõe!!! Um brinde a cachaça e ao tabaco! As maiores invenções do mundo! TIM TIM

não tenho amores
na memória
escondidos

nem comungo
de um mundo ideal,
dito metafísico

sou apenas
mais um
ser-no-mundo
tentando ser mudo

projeto inconsciente
nos outros
minha imagem

estou na infância
respirando outros ares

é a insatisfação comigo
que me une ao verbo
exteriorizar a dor imanente
através de um verso

poeta é aquele
que escreve poesia

independente da palavra,
de sua matéria prima,

a dor é alegria disfarçada

para o sábio o tempo
nunca por ele passa

deveras esperar
sempre o inevitável:
a morte,
o calor do último trago

a xícara de café oculta
o promíscuo instante

decifrar os mistérios
da existência
através dos extáticos
livros da estante

instante, estante,

quanto tempo levei
para poder rimar

num segundo apenas
um neurônio a queimar

somos livres pensadores
ambulantes
sem hemisférios,
ou língua predominante

o que vale na hora h
é a poesia sincera

pensar é uma arte
transcedental
nestes tempos de exercício
virtual

é só isso,
que interessa

o resto é
pura demagogia!

meus sonhos

foram diluídos

pela necessidade

de pagar os impostos,

os dizímos da liberdade

gostaria de neste instante

por um segundo levitar

acima deste humano horizonte

o espírito contemplar

infelizmente em meus versos

consagro o pessimismo

a lucidez do desencanto

é um eterno farol íntimo

no rol das preocupações humanas

destaco a vaidade

no palco da existência

vários atores

e quase nenhuma

pessoa de verdade!!!

hoje escrevo
com as mãos engessadas
preconceito de ser um bandido
poeta lírico com endereço fixo
e hábitos acorrentados

a rotina é uma deusa pervesa
que com destreza adestra
e domestifica os humanos animais...

sou um relés mortal a ansiar
por desventurada liberdade,
num solo de aves de rapinas,
empresários, banqueiros e estelionátarios,
da frágil carne humana fresca

sou a decomposição
de uma sociedade desajustada
conspiro para que tudo acabe em cinzas,
ou desague num rio de lágrimas

sou o afugentado da senzala
a dois mil anos
pedindo sua carta de alforria

sou a tiazinha afogada
no corrego podre do gueto

sou o viciado,
deliquente fudido
a contemplar as fezes podres
que boiam na superficie do rio

sou o sanguinário
a derramar sangue
no dia de amanhã

sou a fada madrinha
que realiza a luz do dia
seus mais pérfidos
e íntimos desejos

sou um zé ninguém
a vociferar bestialidades

um irrísivel pigmento
a definhar sua sórdida carne

sou o vício incontido
do louco mendigo faminto

o escárnio maior
da sociedade capital
o verme autoritário
na esquina a lhe dar geral
sem ao menos poder lhe ver
como mais um igual

o ser desnutrido alheio
a comodidade brutal do sistema
lavo minhas louças divinas
na pia maniqueísta do dilema

o dia dia é meu hino de louvor
a um deus refugiado pelo diabo
sou o pobre comunista a sorrir
de um verso anarquista no muro pixado

eu sou o verso pobre e vil
recitado na periferia
de uma cidade mineira
o bebâdo de cachaça,
o bobo da corte,
que é desprezado
a torto e a direita

eu sou o sonho
de um poeta divagador,
eu sou o desejo renascentista
de um versado e por que não,
jurídico doutor

sou espelho incoerente
do outro que me vê
e sempre me viu
como vil demente

Nasci das entranhas do mundo
Pertenço a selva dos instintos
sou animal poeta incompreendido
estereótipo de um tempo caduco

serei lúcido ou maluco, abissal
desconfigurado pelo mundo dito real
pertenço a classe dos nobres
que mora no centro da periferia

o rebelde político inconformado
com a ditadura imposta pela rotina
o débil verme enclausurado
no limite de sua crença metafísica

idiota ou anjo alado,
serei sempre classificado
o que importa neste momento?
se para a morte remeto o meu aceno?

meu coração pela dor dilacerado
é um órgão sem cor e sem vida
respiro neste instante monotonia
em meio ao tumulto desta selva fria
prevejo um destino cruel e sarcástico
enquanto formos vítimas do descaso
sinto a aurora cabalística do fim dos tempos
em que seremos outros, menos certos
previsível ordem instaurada pela estado
nos oprimem pela força do relógio e do calendário
bato ponto no necessário livro da vida
desperto no silencioso martírio dos suicidas
participo das rezas e quermeces do cotidiano
refletindo sobre o poder do riso e do pranto
estes estados de alma que nos alucina
o poder narcórtico e anestesiante da bebida
nesta noite em que o encanto é pura nostalgia
me resta somente o apelo inocente da magia
na espiritual certeza da verdade adormece
os sonhos de uma vida pura, celeste!

Nesta noite a lua chora
de forma silenciosa
a ausência de seus filhos
perdidos nas vielas escuras
e sombrias do insano vício

Nesta noite caem estrelas
de planetas inumeráveis
habitantes do universo
dos sistemas solares

diante deste enigma
contemplo o mistério
que se finda na esfinge
ou na lápide do cemitério

tudo neste mundo
é ilusório e efêmero
menos nosso ato
e o puro pensamento

meu verso
é um ato incerto

as vozes roucas,
loucas e tolas
comungam comigo
seus ideais

as vidas sofridas,
de fato caídas
são minhas
porções ancestrais

se o que disse é pouco
quanto tem de troco
o servo da ingratidão?

mas se sorrires ainda
com a alma aflita
em meio a escuridão

estarás sendo sincera
deveras modesta,
em sua oração

peregrino do mundo
o olhar tarciturno
é digno de razão

como o ato covarde
que cruamente se debate
nos túmulos da irreflexão


procuramos o alívio imediato
queremos um novo auto retrato
a imagem distorcida da aparência
oculta a invisibilidade da essência
neste louco mundo deslumbro
o aspecto deste tempo dúbio
em que o mal sugere atrativos
iludindo o povo ensandecido
difundido na tela por atores
com anúncio preenchido por cores
a consciência desperta suspeita
com sua sutil forma de destreza
somos artífices de nosso destino
estejemos acordados ou dormindo
quantos erros sombrios cometidos
em nome do vão prazer desmedido
nos assemelhamos aos lobos famintos
guiados exclusivamente pelos instintos
até que chegue a nova era
com sua nova e velha quimera

presto o tributo
necessário a sobrevivência
nas grades de carne
a higiene é decência
limpo minha mente
com o suor do gueto
periferia investe,
no humilde pobre preto
a poesia filosófica
liberta o pensamento
a reflexão sobrevoa
o presente momento
projeto no futuro
a minha sonora felicidade
contemplando os monumentos
históricos da cidade
quantas reformas necessárias
para preservar o passado
enquanto o meu presente
é sempre ignorado
louco fantasia a realidade
para não viver com medo
e ficar louco de verdade
a oração fortalece
o movimento
a irmandade presta
fiel juramento
no céu estrelas
enfeitam o firmamento
eu aqui rogando a deus
o fim do sofrimento



o aluguel consome o meu salário
o relógio consome o meu tempo
o calendário consome os meus dias
o trabalho consome minha energia
meu corpo consome minha alma
o mundo consome minha alegria
a poesia consome minha tristeza
o espelho consome minha vaidade
o ego consome minha vontade
o espírito consome a verdade
o dinheiro consome o consumo
o consumo consome a sociedade
a sociedade consome somente a imagem
tudo está sendo consumido,
neste presente minuto infindável
o mundo está sendo consumado



Na escuridão caminho
sob o impulso do desejo
descortino no horizonte
a vontade de um beijo
O louco desatino
de sempre sonhar acordado
amanheço no sofá
com o corpo desajeitado
água fria no rosto
somente para despertar
saber que foi um sonho,
e ela nunca vai voltar
um tira gosto solitário,
no bar uma cerveja
conto piadas,
passo o tempo,
espero a hora derradeira
a morte é uma certeza
temporário é o destino
ilusório é o canto
o intuito é o grito
liberdade para os fortes
paixão para os fracos
a corrente do desejo
tem o peso da vontade
os grilhões do receio
o medo da liberdade
sintonizo na frequencia
de sua carnal energia
menos um dia
me aproximo da alegria

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Admiro todas as pessoas que ousam pensar por si mesmas.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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