Latentes Viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!


Algarismos geométricos, entes matemáticos, invisíveis abstrações concretas me interessam, repouso sorrateiro no ambiente incrédulo das convenções. Minha alma anseia por espaço mas meu corpo se contenta com o minimo necessário a uma vivência digna porém sem limites imagináveis. Ilusórias são as concepções físicas do corpo e meus atómos anseiam por desintegrar-se no fértil solo das experiências humanas. Como todo aprendiz de feiticeiro que anseia desesperado pela presença de um mestre munido de todas as informações necessárias para dissipar as trevas impostas pela dúvida, caminho sóbrio por entre os últimos resquícios de nossa humanidade, perdida entre o falso brilho de futéis distrações. O ambíguo jogo refinado das pueris considerações sobre o complexo arranjo social, me diz que, todos sem exceção, nos encontramos no presente momento doentes, carentes de um modo de vida simples e completo, daí a necessidade de incorporarmos em nosso dia a dia a idéia heraclítica de sermos um eterno devir, cuja missão primordial se resume na busca pelo equílibrio e pela perfeição. Se estamos distantes desta realidade sombria que anima a maioria dos povos a buscarem o progresso através do desenvolvimento desordenado de algumas tecnologias, corremos o risco de sermos a curto ou médio prazo taxados de loucos ou até mesmo seres subversivos que colaboram para a perpetuidade do pensamento tacanho e retrógrado. No entanto a natureza das coisas nos convida a todo instante ao ato de refletir sobre o por quê de estarmos aqui agora neste planeta cujas condições de realização de nossos mais intímos desejos se afigura distante, perdido em projeções futuras cuja concretização sempre se mostra incerta. Por mais que gozemos de um estado de espírito condizente com nossa essência sempre estaremos de mãos dadas com a vontade de querermos um pouco mais de nós mesmos. O perfeccionismo ingênuo apregoado nos altares foi no decorrer da história substituído por um comportamento competitivo e egoísta que busca acima de tudo a exaltação primária do próprio eu. O valor conferido a personagens que nem de longe podemos chamar de ilustres nos fornece a exata medida do caminho que ainda temos que percorrer. Já não existe tempo para ficarmos atordoados com as messiânicas profecias do final dos tempos pois tudo se desenrola diante de nossos olhos e somente o contato com nossa "sombra" é capaz de fazer com que tenhamos um impulso verdadeiro e consciente rumo a plenificação integral do ser. O viés artístico sempre foi o preferido dos grandes gênios que aterrissaram por alguns instantes no chão da humanidade. O planeta geme sob os acordes desafinados da guerra, impulso primitivo que reflete de forma fidedigna a exacerbação do ser. A medúla óssea do sistema é uma sucessão de miragens criadas sob os moldes de um midiático prazer estéril. A produção em série de seres desajustados com graves distúrbios psíquicos é intensa. Desconectado de nossa realidade intena mergulhamos inertes no tempestuoso mar das aparências sociais, afastando cada vez mais a oportunidade de nos reerguemos perante as adversidades naturais que nos afetam. Existe um abismo entre o que efetivamente somos (ser em si) da pessoa que gostaríamos de ser ( o ser para si), isto nos confere uma certa dualidade que se apresenta imanente ao processo evolutivo. O espírito, portador de conhecimentos milenares muita das vezes desconhece o poder intrínseco de suas faculdades. Adquirimos conhecimentos e acumulamos informações mas nem sempre nos preocupamos em desenvolver de forma justa e saúdavel os bons sentimentos, ao nobres impulsos que nascem do coração cabe a injusticável medida de classificá-los como um sintoma de fraqueza e extremado desespero frente a uma realidade que se afigura muitas vezes cruel e aparentemente sem sentido. As correntes metafísicas ainda repousam esquecidas nos escaninhos da ciência mas é possível entrever de forma intuitiva e racional a unificação de todos os saberes. Muitos serão aqueles que irão professar idéias contrárias ao advento de uma nova era porém diante de tantas ocorrências serão obrigados a se renderem a evidências dos fatos.


Depois de um breve período enclausurado na débil senzala das convenções humanas eis que desponta no horizonte mais um irrecusável convite da vida. Superdimensionamos nossos problemas e nos esquecemos facilmente dos compromissos assumidos em outra dimensão. Aparentemente não temos controle sobre os acontecimentos da vida mas tudo se sucede segundo uma ordem natural, uma sucessão de atos desagua no rio das consequências. O manancial contido no interior do ser humano continua coberto pela hipócrita covardia dos tempos modernos. Revestida de máscaras e desejos inconfessáveis a sociedade busca refúgio na corrupção dos costumes, investindo todas as suas fichas na manutenção da fraqueza humana. Dotada de recursos inquestionáveis na arte do convencimento, faz com que o supérfluo se torne uma real necessidade. Este valor conferido aos objetos é um visível sintoma de cegueira espiritual. Deixando de atender ao chamado do espírito o corpo se rende inerte à um conjunto de falsas imagens projetadas pelo pequeno eu. O ser se rende alegre e feliz aos pés de uma vida preenchida pela etílica miragem de uma vã sexta feira. O pressuposto da felicidade é um sorriso mecânico guiado pelas quatro rodas. O regime extravagante de alguns povos, ditos ascetas, seria a receita correta para empreendermos o caminho de volta à nossa verdadeira natureza. O espírito anseia por despertar e participar ativo do grande concerto da criação. O regente, oculto e invisível, se manifesta na simplicidade sensível ao detalhe. Tanto nos pequenos quanto grandes acontecimentos somos levados a refletir sobre o que originou a sua causa. A magia renovada do amor abre as portas de um mundo justo e verdadeiro, em que a luz abundante não deixa espaço para as dúvidas projetadas pelas nossas sombras. Despido de sua velha couraça de preconceitos o espírito visualiza confiante um futuro repleto de oportunidades de crescimento e aprendizado. Após ter partilhado por algum tempo do banquete promovido pelos porcos seu corpo fragilizado pela ignorância clama por um momento de reflexão. Ao ver descaracterizado seu pomposo aspecto exterior, percebe que sempre se refugiou por detrás da imagem de um falso eu, reconhecido por rótulos e exterioridades sem nenhum tipo de contacto com a realidade. Banalizam o sexo, desconhecem o amor, priorizam o prazer e se transformam em servos da dor. O crucifixo de fato é apenas uma imagem que simboliza uma passagem, a morte do homem velho e o nascimento do homem novo. Uma nova roupagem se anuncia e se antes a natureza lhe servia como guia agora poderá recorrer ao estudo metódico e dedicado dos fatos que desenrolam-se bem debaixo do seu nariz. Sem desconfiar de que pode estar sendo constantemente enganado, o homem cego pelo orgulho continua na sua busca desenfreada pelo poder, tiranizando seres e pagando pelo inferno a prestação. Nunca ouseis levantar o nome de deus em vão, mas por amor ao perdão, saibamos também a nossa hora de dizer não.

Vivemos numa era marcada pela presunção? Pela angústia? Que era? O que é uma coisa moderna? O abestado no plenário ou uma carne sendo vendida no mercado? Somos portadores de uma doença incurável, impossível contemplar feliz e de bom grado um pássaro engaiolado. Somos vítimas e algozes da loucura mas nos contentamos com as migalhas do hedonismo e do prazer proporcionado pelos sentidos... sois suas vestes, seu trabalho e o escárnio sórdido do esquema publicitário. Quem terá a ousadia de arrotar uma guerrilha verbal? O demagogo, o político, o místico ou um ser inclassificável? Vejo bordões ultrapassados, ouço imagens de um diagnóstico pré fabricado, até quando seremos responsáveis pela irresponsabilidade de não assumir a dor alheia? Escrevo para eruditos, pedantes e falsos idólos, mas me diga quem pagou a sua universidade? Licenciatura? Reverter para as vítimas do sistema (que nos bancaram) o que eu aprendi? Nunca será... É, precisamos mesmo usar óculos... pelo menos assim nossa caveira assume um ar interessante. Enfeites, por sexo ou por pura vaidade... Quanto vale para ti o valor sincero e singelo da amizade? O número que enfeita o cabeçalho do seu orkut, ou será que realmente todos que estão inseridos no seu facebook? Gostaria de quebrar uma vidraça, pegar a bola do time adversário e furá-la. Onde está o sentido enigma da vida? No nosso interior? Mas temos medo e desejamos a competitividade, me diga quem foi o primeiro, o melhor da sua classe? A sociedade tem medo de artistas preferem aqueles que se adaptam de forma inconsciente e frívola aos moldes herdados por uma estrutura fria e rígida. Será a religião o ópio do mundo? Será que não podemos ser aquilo que realmente somos, loucos e surdos? Me diga onde estará o seu tesouro pois lá estará seu coração... Abrace o seu ego com carinho, é preciso sim ser si mesmo para poder carregar no peito uma vontade transcedental de mudança. Me diga que você deseja a abastança pois até mesmo nos redutos esquerdistas eu prevejo o desejo oportunista. Estamos mortos na senzala dos desejos, me diga o que queres, eu lhe dou o preço... é isto e mais nada... o resto é bobagem e fantasia, não repare nos meninos que passam a sua infância na esquina... seja indiferente, tolo e selvagem o que vale realmente é a sua cultural bobagem... não pense que pertencestes a humanidade, o que importa é a sua íntima e egoísta felicidade... seja isso, queira aquilo e se possível grite seu nome nos holofotes pois até artistas se transformam em pavões... na selva o que vale é a lei do mais forte, seja no sul, ou seja no norte, a geografia ainda está viva e suas fronteiras são bem delimitadas, não queira pousar no oriente, queira os refinados sepulcros caiados do ocidente... brutal dissonância no país em que o vaticano em 60% de nossas terras ainda manda... políticos são marionetes e as construtoras, empreiteiras , vão bem obrigado... mídias sociais eclodem e fico feliz quando escrevo de forma livre e espontânea para os famigerados e famitos de conhecimento... quero mais é que os acadêmicos se danem... oxalá nos abençõe!!! Um brinde a cachaça e ao tabaco! As maiores invenções do mundo! TIM TIM

não tenho amores
na memória
escondidos

nem comungo
de um mundo ideal,
dito metafísico

sou apenas
mais um
ser-no-mundo
tentando ser mudo

projeto inconsciente
nos outros
minha imagem

estou na infância
respirando outros ares

é a insatisfação comigo
que me une ao verbo
exteriorizar a dor imanente
através de um verso

poeta é aquele
que escreve poesia

independente da palavra,
de sua matéria prima,

a dor é alegria disfarçada

para o sábio o tempo
nunca por ele passa

deveras esperar
sempre o inevitável:
a morte,
o calor do último trago

a xícara de café oculta
o promíscuo instante

decifrar os mistérios
da existência
através dos extáticos
livros da estante

instante, estante,

quanto tempo levei
para poder rimar

num segundo apenas
um neurônio a queimar

somos livres pensadores
ambulantes
sem hemisférios,
ou língua predominante

o que vale na hora h
é a poesia sincera

pensar é uma arte
transcedental
nestes tempos de exercício
virtual

é só isso,
que interessa

o resto é
pura demagogia!

meus sonhos

foram diluídos

pela necessidade

de pagar os impostos,

os dizímos da liberdade

gostaria de neste instante

por um segundo levitar

acima deste humano horizonte

o espírito contemplar

infelizmente em meus versos

consagro o pessimismo

a lucidez do desencanto

é um eterno farol íntimo

no rol das preocupações humanas

destaco a vaidade

no palco da existência

vários atores

e quase nenhuma

pessoa de verdade!!!

hoje escrevo
com as mãos engessadas
preconceito de ser um bandido
poeta lírico com endereço fixo
e hábitos acorrentados

a rotina é uma deusa pervesa
que com destreza adestra
e domestifica os humanos animais...

sou um relés mortal a ansiar
por desventurada liberdade,
num solo de aves de rapinas,
empresários, banqueiros e estelionátarios,
da frágil carne humana fresca

sou a decomposição
de uma sociedade desajustada
conspiro para que tudo acabe em cinzas,
ou desague num rio de lágrimas

sou o afugentado da senzala
a dois mil anos
pedindo sua carta de alforria

sou a tiazinha afogada
no corrego podre do gueto

sou o viciado,
deliquente fudido
a contemplar as fezes podres
que boiam na superficie do rio

sou o sanguinário
a derramar sangue
no dia de amanhã

sou a fada madrinha
que realiza a luz do dia
seus mais pérfidos
e íntimos desejos

sou um zé ninguém
a vociferar bestialidades

um irrísivel pigmento
a definhar sua sórdida carne

sou o vício incontido
do louco mendigo faminto

o escárnio maior
da sociedade capital
o verme autoritário
na esquina a lhe dar geral
sem ao menos poder lhe ver
como mais um igual

o ser desnutrido alheio
a comodidade brutal do sistema
lavo minhas louças divinas
na pia maniqueísta do dilema

o dia dia é meu hino de louvor
a um deus refugiado pelo diabo
sou o pobre comunista a sorrir
de um verso anarquista no muro pixado

eu sou o verso pobre e vil
recitado na periferia
de uma cidade mineira
o bebâdo de cachaça,
o bobo da corte,
que é desprezado
a torto e a direita

eu sou o sonho
de um poeta divagador,
eu sou o desejo renascentista
de um versado e por que não,
jurídico doutor

sou espelho incoerente
do outro que me vê
e sempre me viu
como vil demente

Nasci das entranhas do mundo
Pertenço a selva dos instintos
sou animal poeta incompreendido
estereótipo de um tempo caduco

serei lúcido ou maluco, abissal
desconfigurado pelo mundo dito real
pertenço a classe dos nobres
que mora no centro da periferia

o rebelde político inconformado
com a ditadura imposta pela rotina
o débil verme enclausurado
no limite de sua crença metafísica

idiota ou anjo alado,
serei sempre classificado
o que importa neste momento?
se para a morte remeto o meu aceno?

meu coração pela dor dilacerado
é um órgão sem cor e sem vida
respiro neste instante monotonia
em meio ao tumulto desta selva fria
prevejo um destino cruel e sarcástico
enquanto formos vítimas do descaso
sinto a aurora cabalística do fim dos tempos
em que seremos outros, menos certos
previsível ordem instaurada pela estado
nos oprimem pela força do relógio e do calendário
bato ponto no necessário livro da vida
desperto no silencioso martírio dos suicidas
participo das rezas e quermeces do cotidiano
refletindo sobre o poder do riso e do pranto
estes estados de alma que nos alucina
o poder narcórtico e anestesiante da bebida
nesta noite em que o encanto é pura nostalgia
me resta somente o apelo inocente da magia
na espiritual certeza da verdade adormece
os sonhos de uma vida pura, celeste!

Nesta noite a lua chora
de forma silenciosa
a ausência de seus filhos
perdidos nas vielas escuras
e sombrias do insano vício

Nesta noite caem estrelas
de planetas inumeráveis
habitantes do universo
dos sistemas solares

diante deste enigma
contemplo o mistério
que se finda na esfinge
ou na lápide do cemitério

tudo neste mundo
é ilusório e efêmero
menos nosso ato
e o puro pensamento

meu verso
é um ato incerto

as vozes roucas,
loucas e tolas
comungam comigo
seus ideais

as vidas sofridas,
de fato caídas
são minhas
porções ancestrais

se o que disse é pouco
quanto tem de troco
o servo da ingratidão?

mas se sorrires ainda
com a alma aflita
em meio a escuridão

estarás sendo sincera
deveras modesta,
em sua oração

peregrino do mundo
o olhar tarciturno
é digno de razão

como o ato covarde
que cruamente se debate
nos túmulos da irreflexão


procuramos o alívio imediato
queremos um novo auto retrato
a imagem distorcida da aparência
oculta a invisibilidade da essência
neste louco mundo deslumbro
o aspecto deste tempo dúbio
em que o mal sugere atrativos
iludindo o povo ensandecido
difundido na tela por atores
com anúncio preenchido por cores
a consciência desperta suspeita
com sua sutil forma de destreza
somos artífices de nosso destino
estejemos acordados ou dormindo
quantos erros sombrios cometidos
em nome do vão prazer desmedido
nos assemelhamos aos lobos famintos
guiados exclusivamente pelos instintos
até que chegue a nova era
com sua nova e velha quimera

presto o tributo
necessário a sobrevivência
nas grades de carne
a higiene é decência
limpo minha mente
com o suor do gueto
periferia investe,
no humilde pobre preto
a poesia filosófica
liberta o pensamento
a reflexão sobrevoa
o presente momento
projeto no futuro
a minha sonora felicidade
contemplando os monumentos
históricos da cidade
quantas reformas necessárias
para preservar o passado
enquanto o meu presente
é sempre ignorado
louco fantasia a realidade
para não viver com medo
e ficar louco de verdade
a oração fortalece
o movimento
a irmandade presta
fiel juramento
no céu estrelas
enfeitam o firmamento
eu aqui rogando a deus
o fim do sofrimento



o aluguel consome o meu salário
o relógio consome o meu tempo
o calendário consome os meus dias
o trabalho consome minha energia
meu corpo consome minha alma
o mundo consome minha alegria
a poesia consome minha tristeza
o espelho consome minha vaidade
o ego consome minha vontade
o espírito consome a verdade
o dinheiro consome o consumo
o consumo consome a sociedade
a sociedade consome somente a imagem
tudo está sendo consumido,
neste presente minuto infindável
o mundo está sendo consumado



Na escuridão caminho
sob o impulso do desejo
descortino no horizonte
a vontade de um beijo
O louco desatino
de sempre sonhar acordado
amanheço no sofá
com o corpo desajeitado
água fria no rosto
somente para despertar
saber que foi um sonho,
e ela nunca vai voltar
um tira gosto solitário,
no bar uma cerveja
conto piadas,
passo o tempo,
espero a hora derradeira
a morte é uma certeza
temporário é o destino
ilusório é o canto
o intuito é o grito
liberdade para os fortes
paixão para os fracos
a corrente do desejo
tem o peso da vontade
os grilhões do receio
o medo da liberdade
sintonizo na frequencia
de sua carnal energia
menos um dia
me aproximo da alegria

Quando levo à boca um cigarro apertado

é para acender a distância que nos separa



Quero morar no interior de minas
para ser mais exato, quero morar no mato
com bois, vacas, galinhas, porcos e patos
quero dormir com os grilos e os sapos
acordar com os passarinhos e os galos
no fogão à lenha o cheiro forte de café
pão, leite, manteiga e incenso de guiné
pitar mansamente um cigarro de palha
limpar o curral e ordenhar as vacas
tomar banho de cachoeira e cachaça
sinto saudade deste tempo rural
em que o ritmo era outro
e a vida verdadeira, natural!


A vida nos une para depois nos separar e nos lança de forma abrupta e contundente no ardiloso mundo das formas e necessidades. Enquanto isso reflito sobre o arranjo químico dos atômos. Num formoso ritual magnético doam e recebem elétrons, dança eterna em torno do centro, a gravitacional harmonia dos elementos é um elo quântico, um cântico de louvor da matéria inerte, sutilmente sublimado por Deus. No silêncio de suas observações, alguns cientistas se despem humildemente de sua couraça experimental e surpresos diante de uma nova perspectiva vislumbram com ingênua alegria a certeza irrefutável da imortalidade da alma. Uma nova era se anuncia, irão se realizar as profecias, mas sem o alarido inútil dos grandes cataclismas. Almas serão deportadas por não terem aproveitado a oportunidade de agora e a Terra, renovada, não mais acolherá em seu meio sentimentos negativos que invalidam e descaracterizam a inata bondade e justiça de Deus. O tempo é o rei imponente que norteará o comportamento e o novo conceito espiritual dos povos. Contemplaremos na aurora do espírito o esquecimento deste tempo bárbaro e insano. Após estas ocorrências a humanidade finalmente reconhecerá a Ciência, Filosofia e Religião como irmãs que não podem viver sem o amparo imediato da Arte que lhes fornecerá o alimento estético imprescindível para que possam desenvolver suas potencialidades de forma criativa e verdadeiramente Bela.


Vasto potencial
de desmedida
embriaguez

No clandestino
comércio
com a vida

Valorizo sobretudo
a disciplina
da escassez

Respeito todos
aqueles que sabem
Dividir o bem
além das partes,

Admiro com certeza
a poética naturalidade
do Marquês de Sade

Inato absolutismo reina:

(Certeza da Vida
Morte passageira)

Ilustrissimo Senhor do Portal
Veste penumbra o ser imortal

Vivo o paradoxo
Reino metafísico
Mais um poeta
Em busca do ritmo


Inspirado no blogger: "O poeta aponta a lua, o imbecil olha o dedo" de meu amigo e poeta Rômulo Ferreira



Nossa loucura é um véu insuspeitável
que separa os verdadeiros loucos
dos vermes enclausurados
em seus redutos requintados,
com garfos de ouro
revestem seu tesouro
num hábito externo refinado.

Me sinto impelido,
deveras destinado, ,
a ser o precursor
deste tempo infindável,
em que a poesia
é uma cifra invisível,
incalculável.

Me presto a ser servo do sistema,
enquanto o lema do Planeta Terra
for a sobrevivência em condição extrema

e mesmo que eles implantem um chip
ou regressem ao tempo da barbárie,
nosso pensamento é o ingresso,
o preço da liberdade.


eu gosto é das madrugadas
das noites frias
em que a cachaça nos esquenta

embriago com o amor
o licor que nos sustenta

em uma roda de samba
eu esqueço dos problemas
só bamba

desce uma
estupidamente
gelada

eis o nosso esquema

um maço de cigarro fechado
quer um trago?
eu lhe ofereço um cigarro

sou fraco
mas o vício
é meu artíficio
necessário

tabaco, cachaça, limão, feijoada
a poesia é uma luxúria refinada

peço a humildade,
para nós brasileiros

fomos nascidos e criados
em solo hospitaleiro

quem são nossos heróis?

o malandro da macumba,

o camisa dez do time adversário

o ídolo musical pré fabricado


eu sou brasileiro,
explorado nato

sou um capataz
em forma de gente
disfarçado

um anjo alado
com asas decaídas

sem moral
para reinvidicar
a minha saída

Dona Maria,
a senhora
é o cara

eu sou
latino
americano

passam-se os anos
mas meu aniversário
continua sendo
no mesmo mês

sou brasileiro
no meu verso
trabalho a dor

vem aqui,
vem ver
a realidade

são malabaristas,
diaristas,
santos operários
em suas fábricas

somos decentes
sem educação,
se por isso
sub entende-se
erudição

não estamos matriculados
em nenhuma universidade

mas o açúcar e feijão do vizinho
nos ensinaram a humildade
sobretudo o valor invisível
e metafísico da amizade

mais vale um samba
uma roda de bamba

a nossa efêmera
e fútil alegria

o resto é fantasia
elite suicida

seu veneno
não é eficaz
contra o tempo

por isso temo
e blasfemo
o seu momento...

Total de visualizações de página

GINO RIBAS MENEGHITTI

Admiro todas as pessoas que ousam pensar por si mesmas.

Blog Archive

Posts mais Lidos e Visualizados

Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

Páginas

Translate