Latentes Viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!






Insatisfeito

vocifero bobagens

na esquina

de uma rua qualquer



solitário

caminho errante

vontade de estar

com uma mulher



Me embriagar

com seu cheiro,

preenche-la
por inteiro

de carinhos

mimos e beijos



para na sua ausência

chorar sozinho,

e sentir que sofro

mas estou vivo



Ridicularizado

na medíocre

calçada social



não estampo

em meu corpo

as marcas

indeléveis

do status quo

convencional


ANORMAL




Continuo omisso

ao artíficio rígido

criado pelo cego

instinto místico


Mas acredito

no plano onírico

e no paradoxal

reino metafísico


Deitado sob o infinito

contemplo

no chão Terra

meus restos, dejetos

carne decomposta,

minúscula

pequena vontade,

astúcia


Microscópicas palavras

me

interessam


Sou a força

que move

o universo


Meu pulso

rio de sangue

segue seu curso

involuntário


no micro corpo

espelho do cosmos

despedaçado


Preferível estar

do que ser


para

no mundo

aparência

não perecer


sóbrio


Neste mundo

transformação

segundo Heráclito

imutável é ilusão

inteligível diria Platão


invisível

desilusão


embriaguez!


Acordo sob a ordenação do destino

desconheço minha vontade diária

cachoeira, churrasco, bares

ou simplesmente ficar em casa



tecendo comentários elogiosos

seja sob a comida de minha mãe

seja pela índole de meu pai



minha humana condição irredutível

me limita ao sentido perceptível



gostaria de neste momento

em meu rosto esboçar um sorriso

mas me sinto só e indeciso

sobre o que fazer com o meu dia

comprar um jornal ou ler poesia



mais um dia trancado em meu quarto

conversando com os mortos



nietzsche sacode seu sarcófago

para eliminar seu niilismo

augusto dos anjos iluminado

condena hoje seu pessimismo

murilo mendes ajoelhado

entoa um lindo cântico lírico

castro alves revolucionário

nos convida a sermos amigos

a entretermos vigorosos discursos

aparentemente vazios, sem sentidos

com os profundos e necessários livros



neste domingo respiro indecisão

vontade de dizer sim

vontade de dizer não



poderia ter acordado

com tudo planejado:



maracanã no rio lotado

litoral brasileiro ensolarado

cachoeiras delícias de minas



onde estão agora as premissas

dos filósofos existencialistas

que religiosamente rezam suas missas

no altar das convenções idealistas?



Desbaratinado continuo indeciso

se faço isso, ou se faço aquilo



Em minha torre de marfim

de fato me conservo



O pensamento inseguro e incerto

faz parte de nossa reflexão

escolhas permeiam a nossa vida

seja o peso excessivo da rotina

ou o medo imaginário da saída

novidade busca o anseio

ser outro, sendo sempre o mesmo



me alívio com a escrita

minha tarja preta comprimida

entre versos, estrofes e rimas



ainda não sei o que fazer

mas apetece ao espírito escrever

e isto para mim já basta!



ganhei o meu dia

escrevi uma poesia



simples mas sincera!



BOM DOMINGO A TODOS!!!


Dilacero com ódio profundo
a hipocrisia atrás dos muros
falsos olhares inquisidores
pintarei quadros belos
em meio ao circo dos horrores
a revolta na ausência de sentido
mundo transformado em circo
palhaços de ternos caros rindo
miseráveis da terra, cínicos
estarão colhendo frutos nos abismos
lampejo de trevas e desespero
já não somos homens
e sim lobos traiçoeiros
egoístas por unanimidade
cortejamos celebridades
espantalhos da vaidade
no prazer desmedido
soberbo orgulho
contemplo este tempo caduco
em que homens adoram o absurdo
ajoelham perante ídolos esdrúxulos
ignorantes de sua essência espiritual
diariamente contribuimos para o mal
no desprezo da fome e dor alheia
sorrimos nos bares com cerveja
sobriedade é um estado raro
para o espirito no corpo enjaulado
o sofrimento é imanente, necessário
sabedoria perversa e inversa
ao desejo imediato que nos conserva
vivos, mesmo sem desejarmos
escravos dos sentidos e do estado
escasso!!!


Vila Rica, Vila pobre... Famílias tradicionais escondem sua riqueza, desigualdade em meio a arquitetônica beleza... veloso, santana, piedade. Mês de festividades, Santa Efigênia com os negros do congo entoam líricos cânticos de angústia e tristeza por ver a soberba e a astúcia com que certas pessoas tentam ludibriar, primeiramente, a si mesmas, depois o outro. Referencial torpe, decadente cenário, na barroca vertigem, um pseudo retrato. No horizonte árcade o alcoól e outras coisitas mais já fazem parte... refém do medo e da ignorância. Militarismo defendido como príncipio. O falso moralismo dos arcanjos do pau oco. Mais um poeta morre. Não foi reverenciado em vida, ao contrário, sua vida e hábitos marcados pela indiferença e pela amarga, porém necessária, amizade com a incompreensão alheia. Nos olhos a revolta, no coração o luto, assim caminho por este antro com aspecto sombrio e noturno. Ouro Preto quem lhe conhece não lhe compra jamais. Resplandece a ambição de outrora nos discursos evasivos de seus políticos e donos ancestrais. O que queres de mim Ouro Preto, se afagas mimosamente a cabeça de afortunados e se ergue majestosa para seres indiferentes ao seu verdadeiro valor. Tu contemplas de forma irreverente e indiscriminada aqueles que não são nativos, da terra. Seus filhos jazem esquecidos nas obrigações estabelecidas pela rotina e seu apetite insaciável nos devora, nos aglutina em escassas condições de vida. Turistas do Mundo, subam o santana, visitem a piedade, vangloriem os cidadãos honestos do veloso. Taciturna Ouro Preto eclode dentro de mim um certo desprezo por sua importância arquitetônica e histórica pois tu és reféns do lucro imediatista e da vitória a qualquer preço. Tiradentes contempla extático as brigas por um pedaço da fatia da grande empresa clandestina que transformaste-te. Núcleo do saber, fonte de sabedoria, palavras vazias numa cidade conhecida pelo alto teor etílico de seus convivas. Rumores de uma procissão, oxalá conserve a paz neste mês de Santa Efigênia.


Labaredas bruxuleantes ecoam no silêncio da noite
Sons, ruídos, estrelas, cosmos, fascínio
Realidade transmutada por diáfano delírio
Uma multidão de "invisíveis" seres adversos
Compõem o noturno cenário com seu ethos
Cintilantes pirilampos ensaiam sutil dança
Cegos morcegos martirizam a bruma
Na inútil tentativa de dissipá-la perecem
sob o peso do cansaço e da insensatez
Corujas comungam pios em seus buracos
um metro quadrado de necessidade

Enquanto isso:

O devasso poeta arquiteta com suprema malícia
Tendo as palavras sublimadas pela dor como premissa
A morte risível do matemático soneto universal
Na lápide imagens de um tempo surreal
Guerreiros de lanças, escudos e espadas
Flechas entrecruzam o espaço
Em meio a estridentes gargalhadas
Satíricas risadas...
Desventurados amigos que comigo caminham
Não tereis, ao acaso, em um momento sombrio
Pensado em teres como seguro pórtico a morte
O suicídio tardio de uma inocente verdade
Não existe vontade sem liberdade
Repensar o amor sob o peso da cruz
Arrancar de nossa alma o humano pus
Sincretizado pelo indecifrável mistério,
Encerrado num corpo finito sabendo-se eterno,

Os lógicos conceitos arraigados

A mente ao corpo
O tempo ao espaço

A substância etérea, instintivamente lapida
nossa consciência à evolução se alia

de modo vago, repentino
mudamos o destino

de nossa pequena grandeza cósmica!!!


É com extremo pesar e tristeza que venho até vós desabafar e por que não, tentar desvencilhar, através da escrita, deste sentimento enfadonho e triste que hoje me aprisiona. Ao constatar a insatisfação crescente dos jovens, que se inserem sem nenhum preparo acadêmico, sem os instrumentos necessários, para que sejam vistos, de fato, como seres dignos de serem elevados ao seio social, percebo o preconceito e o descaso da sociedade em relação aos mesmos . O formato básico do sistema resume-se nas seguintes fases: ensino fundamental, ensino médio, graduação, pós graduação, mestrado, doutorado e phd. Quem não se encaixa nestes moldes e não absorve o saber com este critério de caráter mercadológico está prestes a cometer um autocídio, voluntário ou não.
O conhecimento não é visto como um fim em si mesmo mas sempre como um meio. Ao adentrar o interior de uma biblioteca pública não é raro a interpelação: você está estudando para quê, para qual concurso? Estou estudando para fundir a minha cuca e quem sabe um dia entender os desígnios divinos que estão sendo constantemente ocultados por esta atmosfera nauseabunda e terrificante, caracterizada pela dor multifacetada.
Temos que ser temerários até a morte, caso quisermos gozar de um estado de alma mais elevado, mas não tenhais dúvida, a medida que avançamos no conhecimento das coisas e dos seres, cresce proporcionalmente o nosso sofrimento íntimo, pessoal e instranferível. É o ápice da loucura divina! Cresce assustadoramente o questionamento e na mesma medida, o espanto, que segundo Platão, é a principal condição do conhecimento e o permanente estado que nos permite entrever o mundo das idéias, na verdade, "os homens podem ser considerados superiores e inferiores segundo a sua capacidade de se espantarem" (Shopenhauer, Da Necessidade Metafísica).
A partir do momento em que a classe burguesa se apossa, não somente dos meios de produção mas do próprio saber, restrigindo e limitando a sua disseminação de forma indiscriminada, utilizando-se de forma criminosa e vil da grande mídia, que exerce a função de inocular o letal vírus da conformidade e da insensatez que faz com que milhões de seres ajoelhem irrefletidamente aos pés de qualquer autoridade, beatificando seres esdrúxulos como Ivete Sangalo (é assim que escreve? - um riso debochado, pelo amor de dadá ) e Claudinha Leite, transformando o big brother num celeiro de celebridades, é de causar enjôo e repugnância a ignorância e o nível de idolatria que nós conseguimos atingir, sem apelar para a esfera do religioso.
Seguidores fiéis do modus operandis do sistema, cultuam de forma exarcebada no altar das futilidades, a inércia mental e a letargia como formas de agradar ao seu Senhor. Quando não são sacrificados em nome da sobrevivência, a ocuparem cargos que não condizem com sua aptidão, não conseguem refletir e nem sequer passa pelo crivo de sua razão questionar a sua própria vocação.
Seus sonhos estão mortos e tudo se reduz ao "som do batidão". Sinto uma verdadeira ojeriza por cantores de pagodes, mesmo sambistas consagrados, ou falsos mc´s que tentam romantizar os córregos podres e a miséria estampada nos becos e ruelas das favelas. Não é bom nem saudável morar na favela, e ao tentar minimizar o sofrimento dos que nela habitam, acabam por favorecer a manutenção e perpetuação desta inadmissível desigualdade que permeia a sociedade.
Os valores cristãos também podem ser tomados como um pesado fardo que terão de ser rompidos, deixados para trás, como frutos de um tempo bárbaro em que a fala era um dom raro e para poucos. Ao exaltar a pobreza, a feiúra, os aleijados, coxos, sofredores de todos os matizes Cristo acabou por optar pelo enfraquecimento da espécie e todo aquele que declaresse seu amor pela vida e que auto afirmasse a sua existência estaria condenado às diabólicas brasas do inferno. O Brasil é um país cristão e os jesuítas foram os primeiros responsáveis pela nossa catequização, que se por um lado provocou este comportamento passivo, submisso, por outro trouxe um admirável progresso no campo das belas letras. Uma página não seria suficiente para analisarmos os efeitos positivos e negativos do cristianismo, para tanto, aconselho aqueles que se interessarem pelo assunto a ler o Anticristo de Nietzsche que em nenhum momento apedreja o nazareno, tão somente o "cristianismo" - resultado da interpretação errônea dos atos e ensinamentos de Cristo - e aqueles que se apropriaram e divulgaram a sua doutrina de forma indevida e perigosa, como o apóstolo Paulo, por exemplo, que o mesmo acusa de ser o apóstolo do ressentimento, do ódio e da vingança.
Todos os revolucionários nunca cansarão de repetir, e suas vozes nunca cessarão de dizer o quanto é importante investir na educação. A educação que visa tão somente a perpetuação deste sistema deve ser excluída e modificada por uma que integre e unifique o saber, respeitando os limites de compreensão de cada indivíduo, fazendo que o mesmo, perceba, por si mesmo, a importância e a necessidade de aperfeiçoar o seu intelecto, e acima de tudo, descubra o prazer imanente ao ato de conhecer. Quando estivermos entronizados com este pensamento estaremos nos distanciando sensivelmente dos educadores de outrora, que se dispunham a defender a palmatória com seu discurso rígido, ríspido e autoritário.
Novas reflexões irão surgir, novos discursos irão despontar neste novo cenário virtual, mas os clássicos sempre serão os clássicos e sempre haverá espaço para o diálogo com o passado. Entrementes, tentem imaginar, por um segundo, a geração vindoura, com toda esta gama de informações contidas na internet... bebês filosofando, crianças kamikazes polindo seus fuzis, cantarolando canções em oito idiomas ou simplesmente reproduzindo tudo aquilo que assimila de forma automática, não crítica... imagine...

Quando optei por fazer filosofia sabia, de antemão, das dificuldades que iria enfrentar... Sempre acreditei na educação como o único meio de transformação real da sociedade, no entanto, não posso deixar de manifestar minha indignação com discursos evasivos de caráter meramente mercadológico que visam acima de tudo acentuar discussões de cunho ideológico duvidoso. A arte de educar é um sacerdócio e as pessoas que não estão satisfeitas com seus salários que procurem outra profissão, conheço domésticas, pedreiros, faxineiros, garis, malabaristas, balconistas, que ganham bem menos e nem por isso saem por aí com este aspecto fúnebre e triste. Infelizmente, em nosso país, uma série de fatores contribui para que nossos jovens e crianças se sintam realmente inferiores. Não temos um incentivo real na formulação de projetos que estimulem a criação de uma tecnologia propriamente nacional. Apenas reproduzimos o que os outros já criaram. Culpados? Políticos, padres, pastores, mídia, pais, sociedade... todos em algum nível contribuem para este atual estado de coisas... Então faço a seguinte proposta, fora microsoft, fora orkut, fora msn, fora honda, fora yamaha, fora multinacionais, fora globo... o jovem brasileiro atingiu um nível de alienação tão profundo que não conseguiria viver sem estes "benefícios", tudo isso em nome de um suposto progresso... Creio que seria mais interessante a discussão em torno das soluções do que simplesmente apontar os erros e fazer comparações descabidas com outros povos e nações. Como diria nosso saudoso Serginho do Rock, não podemos nos tornar "terceiros mundistas revoltados". Façamos nossa parte, de boa vontade e se os políticos - classe esta que me provoca ojeriza - não estão preocupados com isso, façamos como Chico Xavier, Madre Tereza de Calcutá, que não precisaram desta esfera para exemplificar seus atos e propagar seu amor pela grande humanidade sofredora. O homem é um animal político, diria Aristóteles, Bertold Brecht acharia este tipo de discurso inadmissível, mas isto é o que eles pensam e não acredito em nenhum tipo de autoridade para fundamentar qualquer tipo de discurso... Por isso volto a frisar, quem quiser, hoje, no Brasil, se tornar um bom educador, não ignore as dificuldades, abrace a profissão ou a deixe por outra mais satisfatória e mais rentável. Não quero com isso defender abertamente a passividade e a submissão, mas já estamos cansados desta espécie de discurso que enfatiza de forma negativa o papel do professor reduzindo sua perspectiva em relação ao outro à dimensão mercadológica. Paciência e Amor são essenciais. Na verdade, são prerrogativas indispensáveis nesta luta que empreendemos todos os dias contra as mazelas e torpezas que se fazem visíveis aos olhos de todos. Acredito que se alguém lançasse uma bomba no senado não seria cruelmente condenado, ao contrário, seria digno de aplausos e de placa de honra ao mérito. Pense bem, o próprio Che Guevara só acreditou na revolução armada... Não existe meio termo... Se renascesse hoje no Brasil apoiaria com certeza o PCC ou o Comando Vermelho, não duvideis desta louca possibilidade. Ou os educadores procurem meios de atingir seu alvo, ou seja, fazer com que seus alunos apreciem o prazer de conhecer, ou se unam e reivindiquem de forma violenta seus direitos, pois essa lenga lenga de salários, más condições de trabalho, etc, irá se arrastar penosamente por muitas décadas, visto nossos atuais governantes não estarem interessados na elevação do saber e conhecimento da coletividade. Ou procurem outra profissão... ou melhor, deixem tudo do jeito que está.... talvez na ruína e decadência total do sistema esteja a saída, ou melhor, o começo dos novos tempos. Mesmo que nos transformemos em bestas feras, será melhor experimentarmos a dor e o sofrimento do que compactuarmos com o medo e com posturas covardes que não reconhecem este mundo como um lugar inferior e atrasado. Aos maus governantes, o peso de sua consciência e a ação do tempo serão remédios salutares que lhes lançarão no abismo vil de suas ações impensadas e irrefletidas, se não existe por um lado o inferno cristão, existe umbrais e abismos, regiões trevosas habitadas por espíritos malévolos que lhe aplicarão o corretivo necessário. Prefiro crer na justiça divina, pois as dos homens, em especial a dos brasileiros, está dançada desde muito tempo. A esperança é a admissão do sofrimento, é sinal de que as coisas não estão bem no presente e que devemos projetar no futuro nossas expectativas, se Cristo, que era bom, foi crucificado, o que devemos esperar, para nós? O céu das consolações celestiais? Não. Deveríamos, todos nós, sem exceção, sofrer cada vez mais, sorrir cada vez menos e não dividirmos com os outros o peso de nossas dúvidas e aflições. Somos imperfeitos e defeituosos. Deixe o paraíso material para os ricos, o sofrimento terreno para os pobres e o futuro celestial para os justos. O tempo é senhor soberano e verdadeiro de todas as coisas. Se os governantes preferem à rota da ignorância e da indiferença, beleza, colherão por sua vez, os frutos nas manifestações cada vez mais violentas daqueles que estão à margem. Seus filhos serão esquartejados, sequestrados, e eu, por minha vez, não terei nenhum tipo de compaixão. O salmo 109 para inimigo é categórico, que não haja quem tenha compaixão de seus órfãos, para quem sabe ler um pingo é letra. Por uma sociedade mais justa e mais humana, o extremado ódio contra estes princípios medíocres que emanam das esferas públicas, estaduais e federais... O barco da vida continua a navegar sob o mar da existência corporal... Mas o espírito, este sim, imortal e eterno, será objeto de estudo e meditação. Nos estudos econômicos do mundo ainda não estão contidos o egoísmo e a vaidade como os principais obstáculos a serem suplantados caso desejemos de fato vivermos numa sociedade mais justa e igualitária. Isto é só o que eu penso... Nada mais que isso...


Diante de um mundo repleto de seres incapazes de sacrificarem seus desejos em prol do bem estar coletivo, me sinto impelido a escrever sobre as misérias e torpezas humanas. Como se não bastasse o mal inerente a nossa espécie e condição, ainda somos obrigados a conviver com nossas próprias mazelas. Pressinto um fim trágico e respiro o ar fúnebre e decadente de um parasita social que vive as expensas do estado... Não me considero digno de pena nem mesmo faço minhas apostas em nenhum tipo de revolução, muito menos social. O egoísmo é o sentimento predominante e na eminência de refletir sobre certos aspectos considerados como dados imanentes a esta realidade, não posso aceitar de bom grado o respaldo de ser considerado membro ativo de uma sociedade frívola e incrédula que brincam ingenuamente à imagem e semelhança de deus. Quem são, estes seres, que a todo instante, nos submetem ao pesado fardo de seus delírios megalomaníacos e completamente incompatíveis com a realidade do espírito eterno e imortal.




O cenário cosmopolita, desejado por todos aqueles que apreciam verdadeiramente a singularidade e a diversidade, como fatores indispensáveis ao enriquecimento cultural de uma nação está sendo desestruturado e desmotivado em função de um comportamento estereotipado e dito universal. Ao queremos realizar a unificação dos povos pela igualdade de costumes estamos reduzindo as possibilidades de nos expressarmos e agirmos de acordo com nosso “estilo” inato.




Os povos ocidentais sempre se projetaram com uma falsa superioridade na tentativa de exportarem seu modelo de vida como sendo o único capaz de atingir a verdade. As possibilidades dos povos primitivos e das pessoas que não possuem o acesso ao seu modo de conhecimento sempre foram considerados mínimo e por que não insignificantes. A hierarquização da espécie sempre foi uma prerrogativa dos grandes ditadores e de todos aqueles que não conseguem enxergar na diferença a verdadeira razão de ser de nossa existência. O sentido da vida está justamente relacionado ao fato de nos expressarmos de maneira única e individual.







Enquanto determinados trabalhos são valorizados outros são considerados medíocres e capazes de serem realizados por qualquer pessoa sem instrução ou sem as ferramentas básicas do conhecimento dito acadêmico. A quantidade de horas, que deveria servir como o termômetro de nosso salário acaba por ser tornar um conceito obsoleto e injusto. O conceito de justiça está relacionado a manutenção do poder de uns poucos sobre a grande maioria. Quem dita as regras do jogo econômico? Quantas bombas atômicas serão construídas no intuito de nos auto defendermos de maneira errônea das grandes potências mundiais, reproduzindo desta maneira a sua forma de agir e pensar. A paz armada é uma realidade e enquanto investimos parte de nosso tempo e energia na construção de aparatos bélicos e perniciosos à manutenção de nossa vida no planeta estaremos retrocedendo no tempo e voltando ao estado de barbárie mesmo em meio a todas estas comodidades tecnológicas proporcionada pelo progressivo avanço da ciência.


mato verde, verde mato

come mato, mata a sede

fuma mato, mata verde

na minha seca de um dia

mil baseados apertados na bahia

fuma verde, o mato mata

o sol arretado veste escassez

no palidez do rosto o remédio

na miséria do solo dejetos

olhos convulsos desconexos

dívida com a vida sendo paga

pela dor cura-se a chaga

ou seria mesmo a vida ingrata

de certa forma a origem desconheço

na divindade dos fatos me baseio

ao soluço do mundo algemado

passo a bola baseado

contemplo no pasto deitado

a imensidão e beleza dos astros

me dito a ação!!!

quando

não existe prazer no lazer

não se tem para ser
não se faz para viver

falta o mínimo necessário
um sopro vital é apagado

reunião de verbos essenciais
na ausência de valores reais

paralelo ao desperdício omisso,
do vale compra da moeda orgânica

a plasticidade invísivel do suicida
que nunca renova sua espera ânsia

nas ruas, pessoas normais transitam
em busca de novidades, verdades e objetos
pode ser um alimento ou um veneno
para continuarem vivendo


cem ratos no apartamento


apetece a vontade ficar parada
uma tarde a tôa, sem fazer nada
observando as pessoas, caladas
senhores de pernas cruzadas
pombas pacatas pousam na praça

enquanto na rua, vertigem
procura, anda, sonda, vasculha
entre bancos, quitandas, viaturas

motores pulsantes emitem um som a mais
alguém persiste em permanecer vivo
acorrentado ao sexto sentido
admiro o despojamento inato dos animais

e eu continuo respirando...



Há de brotar uma bela flor

neste tenebroso jardim

onde habita a dor



Ignoro o seu nome,

a sua cor,

a sua essência,

mas creio ingenuamente no amor


pressinto sua passagem,

como uma nevada,

preenchida por sutis cristais

refrigerará minha alma


alegrará minha existência


nos dias frios

destarte solitário

sua presença

em minha memória

me fortalecerá


ela me transforma


não sei seu nome

sua existência

neste instante passa

no interior de um ventre

macio e cálido


anseio por sua presença

amena, pequena,

antes de tudo

saudável



penso em ti

como em mim

à anos atrás



a distância

que nos separa

desperta a saudade

mesmo não tendo nascido

sinto

a sua ausência declarada



será uma menina sapeca e levada

destas que se machucam

correndo pelas calçadas?



não existe limite

para a imaginação



não consigo parar

por um instante sequer

de nela pensar

quando for mulher

reconhecerá

em meu rosto,

traços seus


sua vida

versos meus

escrito inocente

avassalador

estou pertubado

perplexo

pelo excesso

de Amor...


Em meio a um aglomerado de átomos lascivos,

pressinto um ardente desejo de fusão...

a fissão nuclear ainda não ocorreu,

pelo menos por aqui,

mas alguém continua a perguntar...

e o mistério indecifrável persiste,

a matéria de fato existe?

O vácuo atômico,

prerrogativa quântica,

já foi elaborado,

por magos esclarecidos,

por cientistas pesquisado,

estou persuadido pelo poder do verso

e sinto que um dia estaremos no espaço,

dançando a valsa dos mortos vivos

num ritmo energeticamente insuspeitável

e com um corpo certamente invisível.

Quais notas, instrumentos, ritmos serão tocados?

se por um lado, a essência do universo musical

é revestida por um suave tom enigmático

por outro, sua aparência terráquea é banalizada

pela perspectiva da formiga capitalista

que vive em função da lucratividade do mercado.



quando não temos nada mais para dizer
e nem mesmo sabemos o que iremos escrever
insistimos, e nossa presunção não se rebaixa
o orgulho, como erva daninha cresce
e o cérebro, paralizado, cede
ao desejo de mais um verso
de mais um arroubo poético
preferível ler e não ser comentado
caminho anônimo, observo telhados
procuro palavras para revestí-las de idéias
ou seria justamente o contrário
o obtuso trago de um cigarro apagado
quando dermos conta da verdade,
talvez seja um pouco tarde...
mas nunca, tarde demais
o tarde demais é uma alegoria
o seu corpo, minha mente fantasia
nesta triste tarde, respiro rotina
hoje é sexta feira, a noite anuncia
os discípulos da alegria agora brindam
numa mesa de um bar qualquer se purificam
e eu aqui, calmamente sentado espero
o meu momento de também ser eterno.

Até que a saidera nos separe!!!
Amém!!!



Na natureza é vísivel a existência dos fortes e dos fracos, daqueles que nascem para matar (o leão por exemplo) e daqueles que nascem para morrer, que são sacrificados para que outros possam sobreviver ( o gnu por exemplo). Mas, se por um lado, gostamos de nos ver distantes da nossa animalidade ancestral, por outros ignoramos os princípios éticos e morais que deveriam permear nossa conduta e enriquecer a existência com valores nobres e dignos que nos elevem enquanto seres destinados a compartilhar dos segredos imanentes à Criação. Sem quaisquer considerações metafísicas ou espirituais, mas devemos nos conscientizar que todos estamos interligados de uma forma dinâmica, onde o todo afeta as partes e as partes afetam o todo. A população é responsável por uma porcentagem de lixo e resíduos tóxicos emitidos no meio ambiente, mas as grandes empresas, ainda sim, são as maiores causadoras do problema e todos aqueles que se beneficiam e utilizam seus produtos, alimentam de forma direta, esta indústria do consumo onde objetos são descartados de forma compulsória e sistemática, sendo taxados de ultrapassados. O conceito de progresso, hoje, não representa o conceito de felicidade. Nossas crianças não são criadas nas sombras dos velhos quintais e não raro já se acham atenados as novidades tecnológicas apregoadas pelo sistema. Ontem davámos banho em nossos cachorros com sabão de coco e água fria e nunca ninguém passou mal. Contávamos casos e tinhámos tempo de trocarmos nossas experiências e comungar nossos ideais. Os olhos nos olhos, está expressão tão rara e tão escassa, cede, cada vez mais, lugar a um cenário decadente em que a ausência de diálogo provoca a todo instante, fraturas expostas e aparentemente incuráveis como a violência e o aumento de ingestão de alcoól e outras drogas. O ser humano perdeu o contato consigo mesmo. Isto é apenas o reflexo desta crise de valores em que vivemos, em que mulheres jaca, melão, ainda servem como referência para nossas ingênuas crianças.


o limite do réu
a vida sem véu
deus é cruel
sadismo inato
prefiro o oculto
espanto difuso
bandeja de ratos
condenados pelos rastros
de ignóbil pretensão
um verso pobre e vão
um minuto intacto
no silêncio da noite
dueto necessário
ao acorde eternizado
pela analogia dos astros
pulsantes membranas sociais
fragéis desmoronamentos grupais
aterrorizados pelas coisas banais
a morte, o sangue, a dor, a revolta, o ódio
plastificado das prateleiras
no espelho vitrine das lojas brasileiras
pastores, padres, políticos, igrejas
instituições públicas, federais
aparato burocrático indispensável
ao cultivo das amebas ancestrais
em pleno vigor literário
um poeta morreu asfixiado
pelos caos iletrado
do trânsito engarrafado
perdido no abismo trafego
entre feras, ogros e elfos
um laço de magia lasciva
uma chama acesa, viva
permita-me viver só
só viver é permitido
a morte é um artificio rígido
absoluta certeza, cego instinto
no chão terra irei me decompor
mais um poema escrito sem amor
como uma bela flor sendo contemplada
pela multidão distraída e desavisada
andando na contramão, não vi a placa
como uma criança vil e assustada
em meio a parafernália pragmáticas
dieta cultural iminente,
ao corpo espirito a mente se extende
tudo é artificial, neste novo tempo virtual
menos o seu rosto, sua face animal.

malabaristas, diaristas, motoristas,
funções exercidas pela escravizada maioria
no suor de seu rosto, o peso da saliva
sob o cansaço físico, o exercício mental
em outros planos, a dimensão espiritual
a revolta com o tráflico de drogas,
saberes ideais ocultados na forma de um paradigma
meninos e meninas que já não brincam na esquina
alguém acabou de assaltar uma padaria
na faixa de gaza tiros a luz do dia
mais um banco quebra na suiça
um palhaço anestesia o sentido da mídia
alguém ri e destroí milhares de sonhos
abortos, contorções, falsos planos
alguém nasce no palco da existência
a sua idade espiritual que revela
o conceito mórbido da selva
vive em benefício da mudança genética
dna inscrito em cada parasitária célula
recebe o conteúdo informativo como guia
vive as expensas da rotina
fantasia com delicada ternura a alegria
estimula com encanto e doçura a nostalgia
em meio a multidão enfurecida
acorrentado aos desejos consumistas
de uma sociedade patética e rídicula
com letras garrafais seduz e glorifica
os propensos ídolos globais
servidores fiéis de satanáz
trabalho árduo e competitivo
poesia traduzida como lixo
quântico, maquinal, repetitivo
iludido caminho entristecido
rostos sofridos, corações corrompidos
um minuto de sacríficio em benefício
da paz e ordem mundial
atrás de um imposto universal
pagar com amor a moeda de césar
aglutinar a dor com a salvação eterna
o medo do desconhecido que encerra
a porta de um novo mundo,
de uma nova era
com diversas teorias, ideologias e sistemas
psicologia adversa, com destreza educa,
desde cedo reza, um hábito que despreza
o raciocinio culto, vítima de uma quimera
supostas guerrilhas verbais
no espaço demarcado por animais
sorrir da desgraça e da tragédia
chorar no berço de uma nova existência




As questões políticas sempre estarão em primeira instância se considerarmos o seu aspecto dinâmico e prático de influenciar decisivamente a vida de um grande número de pessoas de forma imediata e "espontânea". Até pouco tempo atrás, não era raro atribuir a denominação intelectual a quem defendia de forma impetuosa e ousada os ideais da esquerda. Ser de esquerda ou ser intelectual era praticamente a mesma coisa, prinpalmente na Europa em que a expressão intelectual de esquerda soava como uma redundância. No entanto, após o declínio do comunismo e do enfraquecimento do discurso marxista no seio das principais potências mundiais, o capitalismo e seus tentáculos multinacionais acenaram como uma luz no fim do túnel. Os grandes avanços tecnológicos na área das comunicações, o advento da internet, proporcionou uma ligeira vertigem às grandes corporações de reduzir o globo à uma única aldeia global. A indústria cultural, em especial a cinematográfica, serviu e ainda serve como difusor de um modelo de vida baseado no consumo e no status quo. O grande dragão do Estado vê sua máquina burocrática crescer assustadoramente, e com ela a chama de seu fogo em forma de impostos injustificáveis e emendas descabíveis que em sua grande maioria visa apenas o enriquecimento ilícito e imoral de seus servos eleitos por uma população ignorante do poder do voto. Diante desta perspectiva, podemos dizer que atravessamos um período em que as reflexões sobre um novo modo de governo se faz urgente e necessária. A idéia do Estado unificado e centralizado cujo poder emana de uma única pessoa, nos remetendo a monarquia, deve ser discutida e analisada de forma criteriosa por todo os segmentos da sociedade. Invariavelmente, os grandes centros urbanos já enfrentam o "problema" do poder paralelo que, mesmo que seja de forma autoritária, arca com certas responsabilidades que caberiam exclusivamente ao Estado. Jean Paul Sartre, filósofo e romancista francês,um dos principais expoentes do existencialismo do século passado, em sua obra "O que é Literatura" expõe de maneira clara e contudente o principal argumento que o levou a duvidar das poucas possibilidades de governabilidade existentes em nosso meio. Segundo o filósofo, é muito mais fácil pensarmos que só existem o socialismo, o comunismo, o anarquismo e capitalismo do que afirmarmos a possibilidade de cada ser pensar e agir de por si só, de forma autônoma e independente, sem a força coercitiva do Estado; cada ser é em si mesmo um governo a parte, e diante das diversidade seria incoerente a defesa de um único Estado vigente em nossa sociedade. A idéia de Estado Paralelo sempre esteve diretamente ligado ao crime organizado, ou seja, às facções criminosas presentes nos grandes centros urbanos e que hoje possuem ramificações por todo o país. Se Che Guevara renascesse hoje no Brasil com os mesmos ideais que defendeu na revolução cubana, com certeza não menosprezaria a possibilidade de uma luta armada contra o atual governo. A tomada de poder pelos militares provocou uma das maiores feridas na história de nosso país e no fundo, ainda somos herdeiros dessa geração que além de ter sido financiada pela corte americana, foi a principal responsável pela manuntenção dos grandes latifúndios e pelos grandes monopólios.



Não tenho tempo de postar um texto
não sei o título, a métrica e o adereço
excluído do mundo louco por um minuto me lanço
perdidamente apaixonado no espaço agora danço

não aceno com alegria para meu passado
nem procuro no futuro um diferente retrato
vivo agora, sou fugaz e transitório
procuro no vazio da escrita a realização do ócio

entre históricas paisagens um insight letal
em meio as romagens de um período feudal
passeio pelo tempo procurando as luzes
procurando fogo, para queimar as cruzes

não tenho tempo para lamentar minhas perdas
no plano metafísico guardo algumas certezas
sem o dogmatismo estéril das bestas
rio do discurso evasivo de algumas igrejas

transporto para dentro de mim a visão
na certeza do EU-SOU posso ser então
pois todo louco certamente guarda
dentro de si como jóia rara

a plenitude da imortalidade
nas nuvens do céu vejo a liberdade

atravesso este portal com um riso
debochado, irônico e esquisito
me vejo menor do que um mosquito
para poder viver imune ao sentido

deste teatro barato e ridículo


Sobreviver em meio ao caos é uma atitude que exige garra, persistência e sobretudo criatividade, no entanto estes atributos indispensáveis para o sucesso de qualquer empreendimento tornam-se vazio de sentido quando os resultados alcançados não atendem as expectativas esperadas. As realizações que empreendemos ao longo de nossa existência nos facultam valiosas experiências, lapidando nosso discernimento e nos conferindo a maturidade na escolha de nossas ações. De qualquer forma, sempre que emitimos um juízo coletivo, ocultamos de forma tendeciosa nossas diferenças e singularidades. No plano social esta discrepância é notoriamente visível e palpável. Uma transformação radical na forma de pensar e agir deve ser operada dentro do sistema e o melhor recurso para que isso aconteça de forma livre e dinâmica é a educação. Esta mesma educação que é tratada com descaso em com desdém, hoje, satisfaz os interesses do Estado, em especial o brasileiro, vejamos por quê. Se fizermos uma análise da história política do país iremos constatar que o poder sempre esteve na mão das mesmas facções, digo famílias, sendo que o fim último de suas ações sempre foi o mesmo, utilizar-se da máquina pública para enriquecimento pessoal. Um dos principais artíficios utilizados por todos os ditadores e por todos aqueles que visem a sua perpetuação no poder é o sutil, mas perceptível, velamento de seus verdadeiros interesses e intenções. A confecção desta capa ideológica é feita mediante o sucateamento das instituições de ensino, escassez de investimentos na área educacional e salários irrisórios para o corpo docente público. O efeito destas medidas produz drásticas consequências no universo psíquico de cada indivíduo que além de ser obrigado a pagar os impostos estatais e privados (energia, água, comunicação, transportes, etc.) se vê privado da possibilidade de reinvindicar seus direitos visto a porta da justiça se encontrar distante da sua realidade. . Como se não bastasse a fúria do sistema, os grandes telejornais ainda propagam o medo de forma generalizada. Neste ambiente insosso, em que todo e qualquer tipo de pensamento contrário é conceituado como radical, trafegam multidões de seres destinados tão somente a pocriar, trabalhar, e viver uma vida medíocre, sem perspectivas reais de crescimento interno ou de uma suposta prosperidade externa. Tudo se justifica pelo atual estado de coisas, e uma crise mundial já se transforma em justificativa para o aumento descabido de preços e tarifas. Podemos constatar que a miséria espiritual, além de provocar o embrutecimento do espírito, distorce os valores éticos e morais em função de um comportamento estereotipado e neurótico que vive em função do relógio e da produtividade: o tempo, que deveria ser utilizado a favor do homem, torna-se seu principal inimigo. É extremamente infímo o número de seres humanos que possuem a liberdade de estarem mais com suas famílias do que em seu trabalho. No mercado reina a soberana competitividade que transfere a responsabilidade do malogro pessoal ao indivíduo, independente das condições que o mesmo tenha de se aperfeiçoar e de conhecer de fato as regras deste jogo sórdido e mesquinho. A libertação das consciências representa, de fato, um perigo para a elite brasileira que se apropria de forma covarde e desumana da força de trabalho alheia. Pode soar como mais um discurso marxista, mas quando os trabalhadores brasileiros tiverem a real dimensão de seu poder e da sua importância a elite brasileira será obrigada a se ver como realmente é: hipócrita, egoísta, fútil e individualista. A inversão de valores é tão forte que os seres mais egóistas já possuem revistas próprias, em que são exaltados os valores superficiais da matéria, e toda sua vaidade exarcebada é estampada vulgarmente nas fotos tiradas em lugares exóticos e paradisíacos que lhe proporcionem a mais podre futilidade humana, a de querer ser reconhecido pelos seus bens materias e não pelas suas qualidades espirituais, ou pelos seus supostos talentos inatos. E vamos que vamos!!!!

Total de visualizações de página

GINO RIBAS MENEGHITTI

Admiro todas as pessoas que ousam pensar por si mesmas.

Blog Archive

Posts mais Lidos e Visualizados

Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

Páginas

Translate