
torrentes de luz exploram
células de meu corpo acordam
sinto-me por um minuto elevado
ao contexto do universo integrado
como se houvesse razão em existir
não denegrir a imagem do porvir
esperar amanhacer acordado
mesmo estando bebado, embriagado
da terra sorver o último fluido
na obscura incerteza do futuro
na tentativa de ser outro, mudo
me perco em devaneios surdos
cantarolando um canção antiga
lembrando de alguma poesia
sorrateiro exploro a mente
brinco com as palavras
invejo a fé dos crentes
não tenho motivo para finjir
nem sei se realmente estou aqui
a fazer planos, arquitetando sonhos
tudo conspira para o fim!!!

Diante de um público medíocre e enfadonho nada melhor do que nos darmos o direito de sermos idiotas, ingênuos, bobos mesmo...
Existem certas frases do senso comum que resumem todo um estilo de vida, mesmo que arraigadas a preconceitos e a precipitadas generalizações. Um exemplo é "mãe é tudo igual". Mas reparando o comportamento de determinadas mães, se por um lado não podemos utilizar "todas" por outra podemos perceber que a maioria das mães de hoje em dia adotam uma postura de super proteção exagerada, como que seus filhos fossem mais uma de suas jóias preferidas que devem permanecer sempre guardadas pois o medo de serem roubadas não permite que sejam usadas. Este tipo de comportamento exerce uma influência capital na formação da personalidade. O filho herda, mesmo que de forma inconsciente esta atmosfera de insegurança criada pela mãe. Devemos sempre estar atentos para a realidade de que vivemos em meio a ondas. O universo é um complexo sistema eletromagnético, cuja energia potencializa a vontade de todos os seres, redimensionando sua estrutura psíquica, mental, logo, espiritual. As ondas psíquicas emitidas por nós podem ser captadas e decifradas por uma mente mais sensível. É mais do que palpável a premissa de que as pessoas emanam energia. Considerando o Estado como uma entidade, podemos perceber que ele emana o medo e a insegurança, elementos estes indispensáveis na justificação de sua existência. Sem o medo não teríamos que nos preocupar em nos defender, em nos agregarmos de forma desesperada e sempre na dependência de outras pessoas. Quem teve a oportunidade de assistir ao filme V de Vingança, com certeza, não deixou de refletir sobre os meios de manipulação utilizados pela mídia. Pode parecer um exagero, mas o medo é uma criação humana. Pessoas que passaram por várias experiências dramáticas em sua vida, principalmente aquelas ligadas ao sentimento da perda, tiveram a possibilidade de se verem como realmente são. Quando não estabelecemos mais a relação entre aquilo que somos e aquilo que parecemos ser, rompemos o véu da hipocrisia e deixamos a máscara do orgulho e do preconceito de lado. Deixamos fluir nosso lado mais ingênuo e mais infantil. Esse deixar-se levar pelo momento, de forma descontraída e alegre é o que nos qualifica a emitirmos um juízo espontâneo e sincero. A questão da criatividade humana é amplamente estudada e podemos perceber que todos os seres, sem excessão, possui em si mesmo o maravilhoso dom de modificar o curso de suas vidas de acordo com sua vontade. A firme decisão de ir por um caminho e não por outro é que nos dá condições de poder pensar, nem que seja de forma relativa, o conceito de liberdade. No reino das palavras podemos tentar materializar emoções e sentimentos, mas é no contato com os outros seres que de fato, confrotamos com nosso lado mais obscuro. A inveja, a preguiça, a indolência, males que nos afetam de forma mais ou menos intensa, dependendo das circunstâncias não são identificadas pelo seu possuidor que transfere inconscientes suas sombras nos outros sem nenhum respeito pelo próximo e principalmente por si mesmo. A frieza e a riqueza de detalhes que utilizamos em narrar um mal ato praticado por alguém, reforça a necessidade que temos de nos sentirmos melhores do que os outros. Todos queremos ser de vanguarda, mesmo que isso represente o nada, o vazio, ou até pior, represente a insana satisfação de vermos saciados todos os nossos desejos materiais. A todo custo lutamos para não nos reconhecermos como animais. Nos enfeitamos, nos auto classificamos racionais e quando olhamos no espelho esquecemos de contemplar com profunda admiração o nosso canino. Ao invés de transarmos como os cães nas ruas, preferimos a estreiteza de quatro paredes, e isto chamamos evolução. Não andamos de quatro, não rastejamos em busca de alimento, mas isso não quer dizer que estamos muito distante do modo de viver dos cães, ao contrário, ouso dizer que muitos cães são mais dignos de respeito do que muitos homens. Homens quebebem, comem, trepam e dormem não fazem nada de diferente do que nossos irmãos de evolução. Quantas vezes não subjugamos nossa razão, abrindo mão dos nossos mais caros valores tão somente para agradar alguém. Vivendo na superficie, na incapacidade de enxergar de forma mais clara e dinâmica os convites da vida, permanecemos na infância espiritual, em que ainda nos pegamos discutindo na existência ou não de espíritos. A religião atravessou os séculos, e algumas ainda se auto proclamam as únicas possuidoras da verdade.

Durante anos estive envolvido no submundo das drogas. Experimentei várias substâncias que me propiciaram estados de extâse, relaxamento, angústia e depressão. A felicidade ilusória contida nos comprimidos, nos pós aspirados em demasia, nas sedas apertadas em excesso, nas garrafas aglutinadas na mesa de um bar qualquer, nos não sei quantos mil cigarros apagados no cinzeiro da existência reflete, tão somente, a necessidade que todos temos de buscar fora de si mesmo as respostas relativas às questões existenciais.

Mergulhei de cabeça neste mundo fascinante, mágico e avassalador. As drogas voláteis sempre foram as minhas preferidas... o mundo visto sob a tonalidade vibrante de suas cores inumeráveis, a pupila dilatada, a boca que se cala, o pensamento que divaga e o corpo que se transforma em pura sensação... as portas da percepção se abrem e um novo mundo se descortina, o mistério da existência visto por um buraco na fechadura, nem que seja por minutos, segundos ou milésimos... por um instante gozar da compania dos anjos e demônios que nos cercam.

Neste intérim me envolvi com todo tipo de gente, desde a classe A até a classe Z, do intelectual ao mendigo na praça com sua meiota de cachaça catando bitucas para fazer um cigarro. Já comi com talhares de ouro, já bebi em copos de lata, as aparências sociais nunca me serviram como referência na escolha de minhas amizades. Não participo de tribos, minto, participo de todas, estou com meus amigos punks idealizando algum manifesto, em algum baile funk dançando até o chão, sentado em uma mesa repleta de homossexuais, transitando pelas ruas com a malucada da cidade, com os traficantes dos morros, com o grupo de jovem, com os hippies subversivos relatando suas peripécias, com os poetas sublimando algum ideal, com o grupo de ajuda mútua, com os playboys e sua ideologia, estou assistindo big brother com minha namorada, mandando uma rima improvisada no bar do gilmar, assistindo a uma partida de futebol no maneira mineira, na lan house jogando xadrez, na biblioteca lendo um livro de poesia, na internet explorando seus recursos e repensando a teoria shopenhauriana sobre a vontade, ansiando por um mundo novo e justo onde todo tipo de sacanagem seja excluída de nosso meio, exceto a sexual.

Amo a diversidade e aprecio a singularidade de cada pessoa, de cada lugar e situação. Penso as questões universais de forma intuitiva, ampla e aberta... Cada ser encerra em si mesmo uma variedade infinita de poderes e possibilidades... Tudo depende da abertura de nossa consciência e do amor contido em nossos corações.

No entanto, por muito tempo acreditei, que somente através de substâncias psicoativas poderia contemplar e conhecer de fato a "verdade". Sempre tentei usar a droga como um meio e não como um fim, mas isto nem sempre é possível, pois em alguma parte do processo, que não saberia precisar, ela também começa a reinvindicar seu espaço e a interferir em nossos processos cognitivos, mentais, logo sensoriais. A memória é gravemente lesada, a coordenação motora sofre os efeitos imediatos logo após a ingestão, o cérebro não raciocina com a mesma eficácia e rapidez, sem falar nos prejuízos do pulmão, coração, fígado, rins, estômago... O corpo físico se ressente, o espiritual na mesma medida em que se amplia se enfraquece, e o círculo de amizades já não é mais o mesmo...

Por muitos anos perambulei por lugares a esmo, escadarias imensas, morros, becos e vielas em busca de algo que pudesse me proporcionar um alívio imediato. O dinheiro gasto era o de menos, o que mais importava naquele momento era o prazer a qualquer preço. Remédio, anfetaminas, cocaína, cola, crack e conhaque, um coquetel suicida que se pudesse ser reduzido à um único comprimido e o mesmo fosse diluído em algum rio africano, dizimaria uma porcentagem considerável de hipopótamos e rinocerontes que habitam parte de sua admirável savana.

Neste contexto, não é difícil imaginar a série de conflitos gerados por este modo de vida. Entre eles destaco, sem duvída, o conflito policial. Poderia citar os relacionamentos que não vingaram, os amigos que se distanciaram, a família que se desestruturou, mas não, prefiro fazer este recorte e deflagrar o meio e o modo como o Estado lida com esta situação que perpassa muito mais pelo âmbito da saúde do que propriamente pelo judicial.

Quantas vezes não fui abordado de forma desumana por policiais despreparados que não possuíam a mínima formação necessária para poderem desempenhar um papel que requer um equilíbrio psicológico e um profundo conhecimento das relações humanas. Se formos pensar, um pouco que seja, no porquê de sermos abordados, na melhor das hipóteses, deveríamos pensar que os policiais estão, de fato, preocupados com nossa saúde e com nosso bem estar. Mas ao contrário do que prega a constituição, os "porcos fardados", quando não se utilizam de sua força física armada, muitas das vezes aproveitam de seu poder para humilharem aqueles que são vítimas de seu orgulho imbecil e autoritário. Quantos homens afirmam a sua masculinidade através do uso da farda? No ato da abordagem se sentem verdadeiros deuses encarnados na figura triste e medíocre de seus personagens. O policial também é um ator que se insere na sociedade mediante a teatralidade e o uso de artifícios cênicos. Podemos não ser a favor da legalização mas podemos pensar a respeito da discriminalização. Seria um passo decisivo no resgaste de nossa "humanidade".

A sociedade é regida por uma gama de valores que podem e devem ser contestados à luz de uma reflexão sóbria e sem afetações. Se por um lado somos obrigados a emitir o nosso parecer sobre a melhor pessoa capaz de nos governar por outra temos o direito de reinvindicar melhorias e transformações na nossa realidade. A quantidade de arbitrariedades cometidas por nossos governantes sem o nosso consentimento gera uma revolta e um mal estar coletivo sem precedentes. A forma como a mídia veicula as informações e seu extremo cuidado em velar, por exemplo, as atitudes positivas tomadas por nosso vizinho Hugo Chavez - implementou o maior salário mínimo da América do Sul de quinhetos e cinquenta reais e decretou o preço de cinco reais por quarenta litros de gasolina - nos leva a questionar sobre o esquema político arquitetado pelas grandes emissoras de televisão que ganham milhões com este corrupto jogo de influências e poder.
Não existe capitalismo sem cultura capitalista. Que a indústria cinematográfica hollyowdiana é responsável pela dissimenação da cultura americana, isto todos sabem, mas ninguém sabe o que reza o contrato assinado com o senhor Roberto Marinho na década de sessenta. Várias empresas norte americanas investiram um grande volume de dinheiro para que as emissoras se dispusessem a inserir em suas programações o modus operandi americano. José Sarney e Antônio Carlos Magalhães, na década de 80, foram agraciados com parte das ações da globo. Se fizermos uma análise criteriosa sobre quem são os donos das retransmissoras da globo, das grandes emissoras de rádio e da mídia escrita iríamos constatar que em oitenta por cento dos casos, no mínimo, são de políticos que exercem grande influência nas decisões mais importantes para o país. A estrutura do sistema está nas mãos de pessoas que ignoram e desprezam o bem estar comum e o desenvolvimento intelectual da coletividade. Espaços como este, reservados pela internet, podem ser tomados como parâmetros na construção de uma sociedade mais alternativa e mais justa. Em meio a este aglomerado de víboras e serpentes que rastejam no córrego podre de suas vis ações temos a possibilidade de manifestar toda nossa repulsa e ódio. 
Feito estas considerações não é preciso analisar a sociedade de forma minuciosa para entender o porquê de determinados tipos de comportamento e situações. Em meio ao barulho e a agitação das grandes cidades a percepção da angústia e do vazio, ao contrário do que a maioria das pessoas possa imaginar é um dos primeiros passos para o pensar filosófico. O auto conhecimento tão apregoado por psicólogos e filósofos, desde a antiguidade clássica, necessita deste estado de alma. Esta percepção nasce no silêncio e manifesta-se com maior clareza na solidão. A ausência de distrações e de divertimentos de toda a espécie propiciam o contato do ser consigo seu mesmo. A solidão, que na contemporaneidade é tida como um dos inumeráveis sintomas da depressão, neste caso, aparece como pré condição à uma reflexão mais aprofundada sobre nós mesmos. Os filósofos pós aristótelicos, em especial os estóicos, acreditavam que o homem deveria viver de tal forma que a alteridade entre a solidão e a multidão fosse uma constante em sua vida. O homem moderno, ao preencher seu tempo com um trabalho que não faculta o desenvolvimento de suas potencialidades e que além disso, não exercita sua criatividade tende a se tornar um autômato, a agir de certa forma porque a maioria age assim. A maioria das pessoas ainda está condicionada aos ditames do sistema: a idéia de sucesso e fama no plano material lhes seduzem de tal forma que os apelos emitidos pelo canto da sereia global exerce um fascínio irresistível. Segundo Aristóteles, uma das prerrogativas ao filosofar é o ócio, e não o ócio no sentido da preguiça e da indolência, mas o ócio que faculta o desabrochar de nossas inerentes faculdades. A crise dos valores prevista por Nietzsche foi detuparda em beneficío de uma sociedade condenada a viver escrava de seus desejos e de seus próprios valores. Ao transferir paro o exterior a possibilidade de alcançarmos à tão almejada felicidade, o homem deixou de olhar para si mesmo e de se preocupar com seu desenvolvimento espiritual. Iludidos e embriagados pelo conforto proporcionado pela riqueza e pelo luxo exarcebado, uma minoria de privilegiados usufruem indiscriminadamente de todo tipo de regalias e modormias que o dinheiro pode proporcionar. Mas o mal não está aí. O mal está em todos quererem a todo custo alcançarem este estado. É impossível e incoerente para a economia do universo esta possibilidade. Não sendo universal, a riqueza não deveria ser tida como a coisa mais importante deste planeta. Verdadeiramente sábio é aquele que de menos coisas necessita para viver e que não faz sua felicidade depender de algo que não dependa de si mesmo.

Sempre que falamos sobre as religiões de origem africana, em especial o candomblé, nos remetemos, quase inconscientes, para a capital da Bahia, Salvador, a cidade brasileira com o maior número de terreiros por metro quadrado. As curiosidades e os mistérios do candomblé por muitos anos foram relegados a um plano inferior, de segunda ordem. Ao interpretá-lo pela ótica do catolicismo e reduzí-la a uma religião profana, muitas pessoas erroneamente estabeleceram um paralelo inadmissível entre os orixás e os santos da cristandade. 
A figura de Exu, o orixá mais controverso e difícil de explicar através dos parâmetros morais estabelecidos pelo cristianismo, ficou associada à figura do diabo. Ao se deparar com as imagens de Exu - este representado por uma estátua que ostenta o pênis em permanente ereção e pelas cores vermelho e preto - o homem branco não teve duvídas, é a encarnação do coisa ruim. Mas não é bem por aí. As cores vermelho e preto nos remete às paixões e aos sentimentos mais primitivos dos seres humano. O vermelho, segundo os hindus representa o chakra da genitália responsável pela produção da energia genésica que quando sublimada é capaz de despertar a criatividade e conceber as mais grandiosas obras do espírito, no entanto, dentro do contexto africano, exu aparece como o mensageiro, como o elo entre os orixás e os homens. Brincalhão, astuto, inteligente e principalmente inconsequente exu não é exatamente bom nem mal, apenas exemplifica a nossa ligação mais forte com o planeta Terra. Apreciador de carne de bode, azeite de dendê, cachaça, traz a fama de ser um galanteador e de admirar muitas mulheres, no entanto, podemos colher relatos que desmitificam essa imagem e que provam justamente o contrário, não é raro ouvir dizer que exu se apieda daqueles que se entregam incontinentis às volúpias carnais. Não temos como limitar a área de atuação deste ser que muitas vezes não foi reconhecido como um orixá. Exu é uma das potências da natureza e atua nas esferas mais próximas dos seres humanos, é o dono das encruzilhadas e o responsável pela abertura dos caminhos. 
Uma das curiosidades que podemos perceber ao estudar seriamente as religiões de origem afro é a inexistência, em sua própria terra, de uma religião destinada a fazer e cultuar o mal. Na magia negra podemos destacar o surgimento do vudu, principalmente no haiti. Uma das explicações para o surgimento destas seitas estaria estreitamente ligado ao mal que o homem branco fez ao negro. Ao retirar a sua liberdade e reduzi-lo a um animal de carga os negros que não aceitavam a sua condição e que possuíam a faculdade de comunicar com os espíritos faziam alguns feitiços para que seus agressores fossem punidos pelo mal que praticavam. Era um tipo de vingança e de reação à exploração indiscriminada a que eram submetidos. Dentro deste contexto, é mais fácil entender o porquê do nascimento e surgimento destas seitas no meio de nós. Apesar de muitas pessoas procurarem as seitas ligadas à linha esquerda no intuito de tão somente prejudicarem outras pessoas, seja por vingança ou por inveja, ou por mero capricho de sua vontade, isto não quer dizer que naquela época elas desempenhavam a mesma função e da mesma forma, ou seja, não era uma troca material, de favores, ou a venda de sua alma ao diabo, mas uma reação natural do ser humano diante das adversidades e da privação injusta de sua liberdade. Era um ato de extremado desespero. A partir deste ponto de vista fica mais fácil compreendermos o porque de tantos preconceitos associados ao candomblé. A moral das religiões africanas de maneira alguma correspondem aos nossos conceitos de bem e de mal, ao praticante do candomblé é lícito desejar e querer qualquer coisa, mesmo que para isso prejudique outra pessoa. O desejo, se existe, pode e deve ser realizado no aqui e agora, e não num céu transcendente. A rapidez e a imediata solução dos problemas é um dos fatores que seduz e leva milhares de pessoas ao encontro do candomblé. Todavia a beleza imanente ao culto, as vestimentas dos orixás, sua dança e todo seu simbolismo representam de fato, a sua maior riqueza e herança. Ao som dos atabaques os orixás se manifestam através do médium e dependendo do dia e da festividade cada um é homenageado e adorado segundo suas próprias preferências. Xangô representa a justiça e por muito tempo foi cultuado na figura de são josé, oxôssi o exímio caçador das matas na figura de são sebastião, ogum, o orixá da guerra e senhor dos metais é são jorge, santa bárbara iansã, etc... O candomblé é uma religião essencialmente oral e seus conhecimentos são transmitidos de geração em geração... Cada orixá possui uma característica que lhe é própria e imanente, uma pessoa feita no santo ao se deparar com alguém dançando é capaz de identificar o orixá sem recorrer as roupas e aos adereços. Xangô e seu machado, ogum e sua espada, oxôssi e seu arco, etc.. As danças protagonizadas por Xangô e Iansã são caracterizadas pelas firmeza e precisão dos movimentos e um pai de santo experimentado sabe quando as pessoas estão blefando e fingindo incorporar o orixá. Uma coisa que muito chama atenção a quem não pertence e não conhece os domínios do candomblé são as circulações de dinheiro entre os pais de santo e seus clientes e entre os pais de santo e seus filhos de santo. Os clientes geralmente recorrem ao terreiro interessados nas realizações de seus desejos, geralmente ligados a problemas de ordem econômica, amorosa e de saúde. O prestígio do terreiro também está diretamente ligado a quantidade e à qualidade de clientes que o mesmo possui. Não é raro os terreiros que possuem políticos, artistas e famosos em seu meio. Os filhos de santo possuem suas obrigações e estas podem ser classificadas de diversas formas, como sacrificio pessoal, ajuda nos preparos das festividades e de ajuda efetivamente material. Ao se tornar filho de santo o iniciado penetra nos círculos mais íntimos e começa a fazer parte de fato daquela "família".

Apesar das especulações em torno do novo presidente norte americano serem positivas e o mesmo possuir um histórico multicultural, ainda assim, carregaremos para sempre a certeza de que sempre teremos o direito à dúvida. Embora o clima otimista prevaleça, estamos passando por um período de turbulência mundial: os intermináveis conflitos na faixa de gaza se intensificam e milhares de pessoas morrem vítimas da barbárie e da truculência do governo israelita; o caos ocasionado pela crise financeira afeta todos os setores da economia gerando desemprego e desajustes fiscais; as leis trabalhistas são diariamente reformuladas visando o aumento da produtividade e os interesses das grandes multinacionais; as alterações de fatores climáticos influem diretamente nos ciclos naturais...
Como o novo presidente norte americano irá reagir diante das adversidades e quais serão seus aliados no combate ao terrorismo é uma pergunta pertinente que perpassa pelo âmbito da diplomacia e culmina na coerência de seu discurso em defesa dos direitos humanos. Se por um lado, Barack Obama confirmou a retirada das tropas americanas do Iraque em 2010 por outro não relutou em dizer que permanecerá firme na sua decisão de pressionar o Afeganistão na tentativa de desmantelar as organizações terroristas como a Al Queda. O que constitui uma ameaça aos seus olhos pode no fundo ser um sentimento de insatisfação com as regras do jogo econômico. Além de ter a missão de restaurar a economia norte americana, o novo presidente terá pela frente a difícil tarefa de reconstruir a imagem de seu país, manchada de sangue pelo despótico poder exercido pelo seu antecessor. A desconfiança, neste caso, nos salva da ingênua crença em um possível salvador do mundo. Não podemos nos esquecer que, acima de tudo, Obama primará por defender e fortificar a supremacia dos EUA em relação aos demais povos. Ele não se apossou de uma Instituição de Caridade e não sabemos quais serão seus critérios em sua investida no Afeganistão. Ainda é cedo para acusações ou justificativas descabidas que investem de crédito sua figura. Resta-nos esperar para ver com nossos próprios olhos as mudanças que serão operadas em seu governo, para o bem ou para o mal, pois é desnecessário discorrer sobre a influência e as consequências que tem para o mundo a direção tomada pela maior potência mundial.

Vivemos numa era tão banal, que até esse título é banal. A banalização da violência, da palavra, do sexo, das drogas, enfim, temas que deveriam ser tratados com o mínimo de delicadeza, educação e respeito são tratados de forma midiática, rápida e embusteira. Existem tantos questionamentos em minha cabeça que resolvi me abdicar das leis gramaticais em favor da essência do pensamento. Não quero me expor com começo, meio e fim... lhes introduzir em um assunto para logo após concluir... não, não, mil vezes não... mas também não gostaria de escrever desenfreadamente e abordar muitos temas ao mesmo tempo, seria desgastante e nada prático. Convenhamos, quando transbordamos idéias e ideais parece que somos invadidos por uma crescente necessidade de nos expormos, de reinvidicarmos, junto com João Cabral de Melo Neto, a parte que nos cabe deste latifúndio. A banalização da linguagem é um sério sintoma de como os meios empregados na arte de educar são inúteis e retrógrados. Há uma insatisfação no coração de nossos jovens que reflete na sociedade como um todo. A ausência de valores favoráveis ao crescimento psicológico do indíviduo lhe priva de alçar voos mais altos e entrever horizontes mais amplos. Não há um incentivo verdadeiro de nossos governantes no desenvolvimento das instituições educacionais. Os discursos demagógicos e repletos de alusões referentes a educação não passam de engodo para subordinar o bom senso dos ouvintes ao requinte do palavrório.Não creio, firmemente, que a intelectualização do povo brasileiro é o único meio para atingirmos um certo progresso, óbvio que não. Muitas pessoas não se interessam pela leitura, ainda não descobriram o prazer de ler e devem ter o direito de dar ás suas vidas o destino que quiserem, o que não podemos é compactuar com a postura de um governo omisso, que conhece bem de perto a dura realidade e não fazem jus aos títulos que consigo carregam.Sei, o quanto é importante defendermos o discurso revolucionário, nos engajarmos na luta pela igualdade social e tal, mas não vivemos de ideal. Cristo ao invés de dizer que a felicidade não é deste mundo poderia dizer que o idealismo não é desse mundo, essa é a verdade. Uma coisa é sermos movidos por um nobre ideal, outra é acreditar piamente que um dia todos seremos felizes.... que sonho lindo... sim, sonhar é bom e faz bem para a alma, mas precisamos articular idéias e transformações na realidade.O sistema educacinal brasileiro prima por sua estrutura militar, ou seja, dá uma grande enfâse no ensino de português e de matemática, mas peca pela precariedade com que são tratados as matérias relacionadas as artes: música, filosofia, sociologia, artes plásticas, artes cênicas, teatro, poesia. Será que nosso país será somente habitado por construtores de pontes? Qual o nível de sublimação queremos atingir? Em pleno século XX, após as revoluções feitas pela psicanalise nas diversas áreas da alma humana ainda engatinhamos em matéria de sublimação. Não há uma preocupação com o refinamento da sensibilidade, só com os dos sentidos, no sentido mais grosseiro que essa frase pode ter.Após a exibição do filme tropa de elite, um dos policiais que faziam parte do bope na vida real, foi obrigado a confessar a triste realidade dos morros cariocas que são visitados somente por policiais armados até os ossos. Ele disse que o único órgão do governo que sobe nos morros é o bope e a sociedade espera uma resposta diferente. Veja que o conceito de sociedade em nosso meio é definido apenas como uma parcela da população. Isto é alarmante. Não adianta sensacionalismo, pontos no ibope, financiamento de multinacionais, etc... tudo é loby, tudo é marketing, tudo é comercial...Mas a morte é de verdade, a vida é de verdade e no final irá existir somente o julgamento de cada consciência. É triste, lamentável constatar a crescente corrupção no meio político, e ainda ouvimos nas rádios, tvs, nas ruas, as pessoas reclamando da quantidades de políticos que existem em nosso país... na verdade somos obrigados a admitir, assim como Aristóteles, o homem é um animal político, logo no Brasil, por mais absurdo que essa afirmação possa num primeiro momento parecer, falta políticos. Numa nação constituída de cento e sessata milhões de habitantes no mínimo cem milhões deveriam participar ativamente das decisões políticas. A esfera do político habita a alma humana, todos possuímos em algum grau um certo nível de politização, ao adotarmos certas posturas em detrimentos de outra estamos tomando uma decisão política, daí a política de boa vizinhança, etc... e por falar nisso, vejamos como o aurélio define o termo política:1.conjunto dos fenômenos e das práticas relativos ao estado ou a uma sociedade. 2.arte e ciência de bem governar, de cuidar dos negócios públicos. 3. qualquer modalidade do exercício da política. 4. habilidade no trato das relações humanas. 5.modo acertado de conduzir uma negociação, estratégia.Dessa forma, podemos perceber que a política permeia praticamente toda esfera do humano agir e pensar...

Muitos dos problemas atuais seriam evitados se o ser humano limitasse seus desejos e se conduzisse de acordo com suas reais aspirações. As grandes empresas multinacionais, visando a lucratividade dos seus negócios, disseminam através da grande mídia, a necessidade de incorporarmos seus produtos às nossas vidas como se fossem indispensáveis à nossa felicidade. O cenário decadente dos grandes centros urbanos, em que a desigualdade social favorece o crescimento dos excluídos e marginalizados pelo sistema, reflete o produto gerado pelo excesso de individualismo e indiferença em que vivemos. A existência material passa a ser a única realidade possível e todos os atos e valores ficam a ela atrelados. O ponto de vista estreita-se e todo manancial energético do ser humano passa a ser utilizado em função de sua segurança e de seu bem estar momentâneo, ilusório e passageiro. Aproveitando-se da natural tendência do ser humano em se enfeitar, a vaidade, além de ser vista como algo positivo, é encorajada por estímulos de toda ordem. A prerrogativa do sistema capitalista é o consumo e seu excitamento ao máximo é a missão das grandes corporações. Aproveitando-se do cansaço físico e mental, as grandes emissoras, no fim de todos os dias, e principalmente em sua programação noturna, repetem incessantemente os apelos comerciais, sem nenhum respeito ou consideração pelas nossas escolhas e opções existenciais. Se por um lado a revolução industrial proporcionou o aumento da produção, possibilitando o acesso de um mesmo produto à um grande número de pessoas por outro, anulou nossas diferenças nos tornando iguais. O conceito de igualdade sempre foi visto como uma premissa para toda e qualquer sociedade que queira pautar suas leis e normas para todos os cidadãos indistintamente. Independente do grau de escolaridade, de esclarecimento e de desenvolvimento intelectual todos somos iguais perante as leis. O não cumprimento de alguma ação obrigatória estabelecida pelo estado por parte de qualquer pessoa será passível de punição. Mas as diferenças, que nos marcam e nos diferem essencialmente, tão importante como este tipo de igualdade, foi esquecido e até mesmo rechaçado de nosso meio. Nas grandes cidades ainda temos a possibilidade de nos afinizarmos entre tribos, no interior, ou nos enquadramos ou somos isolados e discriminados por nossas escolhas por nosso jeito "diferente" de ser. Nossas roupas e a forma com que penteamos nossos cabelos passa a representar nosso estilo, e através deles podemos reconhecer a ideologia que está por trás de nossas ações e escolhas. Todo discurso ideológico oculta sua verdadeira finalidade, que é justamente a de esconder os interesses de uma minoria que lucra com a ignorância alheia. O capitalismo transmite mensagens preconceituosas que podem ser decifradas à luz de um pensar crítico e racional. O despertar da consciência espiritual é um dos meios de se elevar acima das teias do cotidiano mecânico e repetitivo.
A familiaridade com que nos relacionamos com as máquinas e as facilidades por elas proporcionadas realça a intensa necessidade que temos de não nos movermos em direção a nada. Se o propósito da natureza, se é que existe algum propósito, for a criação de uma espécie hierarquizada pela força de sua vontade, com certeza os excluídos do processo de inserção digital serão os maiores beneficiados, visto estarem acostumados, habituados a se entregarem com ardor ao trabalho braçal pesado que muitos continuam a considerá-los como inferior. Aos trabalhos mais pesados, os piores salários e a mais alta cotação nos mercados dos céus... o reino celeste celebra a vinda destes homens e mulheres que com afinco dedicaram sua força e capacidade tão somente a manutenção de sua vida, à sua sobrevivência. E me pergunto: o intelectual erudito que se submeteu ao crivo da razão e que destinou horas e mais horas ao desenvolvimento de seu aparato cognitivo será submetido ao férreo julgamento da massa inculta e ressentida?
As diferenças sociais marcantes, em países subdesenvolvidos como o nosso, que não contam com o apoio maciço da implantação de uma política voltada para a criação de uma tecnologia nacional provoca um sentimento de revolta e de desprezo por aqueles que detêm o poder e a possibilidade de transformar teoria em prática, sonho em realidade.
O comércio clandestino praticado em Brasília não sofre sequer a vista grossa do rappa, enquanto isso, os excluídos, os marginalizados comerciantes da vinte e cinco de março convivem com esta dura realidade.
Enquanto isso, em Ilha Grande no Estado do Rio de Janeiro podemos contemplar o imenso contigente de turistas estrangeiros que aportam em terras amerindias em busca do desbravamento de nossas matas e mares... as belezas naturais brasileiras sendo apreciadas pelos olhos do colonizador...na verdade, creio que não somente eu, mas muitos brasileiros que lá estiveram nesta alta temporada de janeiro de 2009 se sentiram, de fato, os estrangeiros, tão grande era o número de alemães e franceses que se acotovelam na vila do abraão.

O tempo, este deus da transformação, atua de forma desconcertante, fomentando em nosso íntimo o doce desejo da transformação. Vivemos em uma sociedade marcada por visíveis contradições, entre o ser e o ter entre a essência e a aparência. De forma brusca, repentina, a roda da vira movimenta-se e tudo que antes parecia de forma certa e indubitável agora nos afigura incerto e duvidoso. O incessante progresso científico e tecnológico nos leva a uma infinidade de avanços nas mais diversas áreas do conhecimento humano, proporcionando uma série de comodidades e de facilidades. A medicina evoluiu no diagnótico das mais variadas doenças, quase todos os setores da sociedade são beneficiados pela presença da informática, e assim por diante. Os efeitos são enormes, as consequências inumeráveis, e entre os aspectos positivos podemos destacar o encurtamento das distâncias entre os povos e o intercâmbio entre as culturas. A globalização redimensionou o globo terrestre às suas justas proporções. O que nos afigurava longe e distante, hoje pode ser visto ao vivo em questões de segundos. No entanto corremos o risco de estarmos vivendo uma vida virtual, superficial, vigiada e controlada. Os relacionamentos amorosos por exemplo podem nascer de um ambiente totalmente virtual, como as salas de bate papo. O cheiro da pele, os olhos nos olhos e aquele friozinho na barriga são desconhecidos e nem sequer desejados por quem acredita nessa forma de "encontro". Os mecanismos utilizados pelas grandes seguradoras se transformaram em elementos indispensáveis ao bom funcionamento do sistema. Milhares de lojas, empresas e condomínios aderem ao sistema de câmeras vinte e quatro horas, ficamos expostos aos olhos alheios em nome da nossa própria segurança.

Depois de algum tempo perdido, de uma infindável tristeza, de um temporal de lágrimas derramadas no sensível solo da alma, a consciência debruça-se, instantânea, sobre si mesma, procurando respostas, revendo conceitos, alterando rotas, buscando alicerçar-se em novos fundamentos, criando novos paradigmas...
Pessoas que cruzam nossos caminhos, para o bem e para o mal, como se não tivessemos outra escolha, senão aceitar de imediato nossa limitada condição... as imagens oníricas se diluem, o entusiamo de antes não persevera, instala-se novamente uma crise, e os músculos da alma se enfraquecem, tornando sua cor opaca, roubando sua vivacidade sob a tônica do pessimismo reinante...alguns buscam no suícidio a saída, outros vagam pelas ruas, estradas, calçadas, solitários no pensar e no sentir, indiferentes ao frenético movimento das renovações apregoadas pela tecnologia e pela sociedade midiática... Enormes aparelhos televisivos que descortinam, todos os dias, a mesma programação, disseminando a rotina como algo normal, estável, seguro... todos buscam segurança, alguns através de um concurso público, federal, estadual, outros através de camêras e sensores, outros guardam seus verdes papéis nos cofres e passa ano após anos e vivenciamos os mesmos ritos, as mesmas celebrações, os mesmos feriados, respirando a nostálgica repetição incoerente que nos incita a refletir sobre a nossa condição humana... o nascer do sol já não nos afigura como uma novidade, nem mesmo como uma benção celeste, a noite nem sempre nos agracia com o fulgor de seus astros e os olhares marcados pela dor nem sequer questionam sobre sua própria essência. A existência, vazia de sentido e de perspectiva, se afigura como um tenebroso jogo de interesses e de posições... a febril necessidade de sempre estarmos antenados a novidade, atrelados a valores superficiais que com seu colorido anestesiam os nobres valores da alma, pouco a pouco minam a possibilidade de uma real transformação na consciência dos seres humanos. Enquanto isso, em algum matadouro qualquer, ouvem-se os gritos estridentes de um porco sendo morto, seus restos mortais que alimentam nossa fome e nossa intriseca necessidade de viver da morte alheia. O gosto selvagem da vísceras de um animal doméstico e inofensivo.

um grito inaudível,
sozinho transito por ruas escuras,
ébrio, sedento de desejos,
me despero por não poder vivenciar
um momento de solidão na noite.
Um copo de uma bebida quente,
na mente voláteis pensamentos,
saudáveis opiniões sobre si mesmo,
nem que seja por um momento,
por um fugaz instante,
gozar o passamento de espíritos errantes.

a vida sem poesia,
sem regra estabelecida
sem normas, sem leis, sem bíblia
apenas sentimento,
eu sinto, tu sentes, ele sente
nós sentimos...
Pena, compaixão, misericórdia
ódio, impiedade, insana glória
rompe-se ao meio dia o véu
gritos estridentes ao léu
a hierarquia dos fluidos
a qualidade do desejo
o espírito carne insatisfeito
na carne espírito rarefeito
o tempo dilui-se
esvai-se... como as horas...
irremediável
o tempo
não volta...
um segundo é uma eternidade
se tivermos em vista a brevidade
de nossa curta vida carne!!

Engraçado, não temos a dimensão exata de nossa liberdade. Somos responsáveis por nossas escolhas, desde as mais insignificantes, como a cor de nossas peças íntimas até as mais decisivas, como a escolha de nossa profissão. Apenas esboçamos escolhas referentes ao exterior, imagina a escolha de nossos pensamentos, a construção de nossas idéias, o desenvolvimento contínuo e não linear de nossa consciência. Nossas escolhas baseiam-se em nossos referenciais, em nossos modelos, em nossas crenças, em nossos padrões estéticos enfim em nosso conhecimento. Podemos ter como modelo um grande filósofo como Platão ou Nietzsche, ou uma alma nobre como madre Tereza de Calcutá ou Chico Xavier, ou um grande artista, como Picasso e Rafael, ou um operante lavrador, pedreiro e pintor... são vários os motivos que nos levam a escolher uma coisa em detrimento de outra, mas não podemos deixar de refletir sobre isso, afinal, como bem nos lembra Platão, quando fazemos uma escolha deixamos, na verdade de fazer outras mil possíveis. Sejamos sinceros, não ficaríamos espantados se um dia soubéssemos que fomos nós mesmos que escolhemos nosso sexo, nossa família e a cidade que iria nos acolher? Pois então, muitos de nós gozaram desta oportunidade, e acredite, muitos gostariam de estar em seu lugar, enfrentado seus conflitos e passando pelas mesmas dificuldades. Para compreendermos esta assertiva precisamos nos convencer da pré existência do espírito, mortal e eterno e logo após estudarmos as propriedades do corpo espiritual. É normal e compreensível nos identificarmos mais fortemente com o corpo, é a parte mais visível de nós mesmos, é o meio pelo qual nos reconhecemos e nos relacionamos, é a nossa primeira experiência como espíritos, é uma das formas de evolução que nos permite rever o conteúdo estudado e assimilado no plano astral além de nos permitir uma observação mais consciosa dos diversos estágios pelo qual transitam os seres humanos e por quais vias a evolução se opera. Num primeiro estágio temos o reino mineral, no segundo o vegetal e no terceiro o animal, no quarto o ser humano e suas diferentes hierarquias espirituais. No reino mineral podemos observar a inércia e como as substâncias afetam umas ás outras, é o velho ditado, água mole pedra dura tanto bate até que fura, as modificações naturais se operam num tempo milenar incalculável e inconcebível para nós seres humanos; já no estágio vegetal gozamos de uma vida de nutrição e de crescimento; no estágio animal experimentamos nosso primeiro contato com a vida guiada somente pelos instintos, com raras excessões de alguns mamíferos que possuem um certo nível de inteligência, mesmo que maquinal, como no caso dos chimpanzés e dos golfinhos. Mas é no corpo humano que se opera e se dá a mudança mais drástica, evoluimos ao ponto de nos percebemos como uma entidade única, portadora de um eu e vontade totalmente particular. O ego é o casulo protetor, é o botão de rosa fechado, centrado em si mesmo, fase necessária para que no futuro o ser possa se desvencilhar de seu si e interagir de forma harmônica com as outras pessoas. A fase do espelho, de nos vermos a nós mesmos nos outros, esta identificação que nos permite ao menos nos vermos, de certa forma semelhante nos outros. Se formos pensar em toda sua profundidade, é interessante notar como que todos possuímos as mesmas necessidades básicas, vestuário, alimentação e sexo, mas interiormente possuímos tendências, gostos e vocações totalmente diversos e complementares visto vivermos em sociedade e sermos seres progressivamente gregários. Num primeiro momento fazemos parte da família, depois de nosso bairro, da cidade, do estado, do país, do continente, do planeta, do universo, assim sucessivamente. A principal ferramenta de expansão de nossa consciência é a linguagem e o seu surgimento permitiu uma maior compreensão do mundo à nossa volta, os símbolos compartilhados e estruturados por nossa percepção e sensibilidade nos permitiram acumular uma grande quantidade de conhecimento e de informação referente a história de outros povos, comparando costumes, leis e regras dos mais diversos povos, passamos a entender o porquê de agirmos de determinada maneira e não de outra, somos herdeiros de nosso meio, e a nossa família aparece como nosso primeiro referencial. Os fatores religiosos por exemplo exercem uma grande influência na construção de nossa estrutura psíquica ora nos libertando ora nos proporcionando traumas e conflitos que muitas das vezes nos afiguram insuperáveis. Dependendo da religião, os deuses estão sempre próximos, e ao contrário da maioria das religiões monoteístas cada um encerra em si um arquétipo que corresponde às virtudes e aos vícios que predominam na personalidade de cada um de nós. No Brasil, é inevitável a constatação e a admissão da predominância da religião de cunho cristã, em especial à católica , que crê na existência de um único Deus e na vida após a morte, sendo que os bons estão destinados ao céu e os maus ao inferno. O demônio, as vezes, nos afigura como o professor, o mestre astuto que a todos instante coloca a fé dos discípulos em provação, nos incitando ao mal de acordo com sua vontade e desejo, como se pudesse dominar nossa vontade, exercendo um fascinio irrecusável, tirando nossa responsabilidade e a liberdade por nossas escolhas, devido a este tipo de crença muitas vezes deixamos de assumir a total responsabilidade por nossos atos, preferimos nos refugiar na figura de um ser destinado eternamente ao mal. Outras religiões não são precursoras desta idéia mas afirmam existir seres invisíveis que nos influênciam negativamente para que soframos como eles sofrem, destes dois pontos de vista podemos concluir que se por um lado não existe a lendária figura do diabo, por outro não podemos ser tão ingênuos a ponto de negar a maldade de certos espiritos e pessoas. Ainda transitamos por um mundo de prova e de expiações que se caracteriza pela predominância temporária da ignorância como consequência sofremos os mais diversos males e podemos contemplar a tragédia em suas infinitas faces sangrentas e cruéis. Por outro lado, somos entusiasmos e guiados pelos grandes gênios da humanidade que através de um árduo esforço e de um processo de sucessivas reencarnações conseguiram sublimar sua energia nos fornecendo nobres exemplos de bondade e de bom gosto. Cultivaram as qualidades da alma e exemplificaram o grau maior que podemos atingir aqui na Terra, Jesus Cristo e Krishna com certeza foram os maiores seres que a habitaram nosso orbe, trazendo inestimáveis lições de cunho moral, alicerçando os pilares éticos no amor e na caridade, nos encorajando a trilharmos o caminho do bem e da boa vontade, a acreditarmos na existência de um ser superior, que a todos nós criou, referindo ao mesmo como Pai. Nos chamou de filhos de deus, sendo que também possuímos parte da centelha cósmica e fazemos parte de uma única família e que planetas inumeráveis pululam no universo. A visão se amplia para além da vida presente, o futuro nos é descortinado através das revelações e do ensinamento dos espíritos, através da intocável mediunidade de Chico Xavier.

meus nervos cortantes escondem a verdade
de meu ser fragmentado em partes
meus olhos enxergam além da própria visão
sou um mendigo em busca de perdão
me sinto fraco, sou fraco, mas são
culpado, irresponsável e inconsequente
irei ser sugado pelo abismo do erro
gostaria de nesta noite ser devorado por deus
gostaria que deus me matasse
e não me concedesse a eternidade
não gostaria de ter nascido neste mundo
pobre mundo, habitado por tolos humanos
querem que eu lute
que não seja um covarde
mas não consigo sequer pensar em prosseguir
não tenho desejo materiais
sim, tenho, muitos
sou insano e contraditório.
não sei falar de nada além de mim mesmo
e a isso, a esta arte de não querer falar dos outros
chamam egocentrismo, narcisismo, vaidade
qual a validade dos conceitos humanos?
sei lá, vai entender a humanidade

Qual a origem do medo? O medo pode ser real ou imaginário, e talvez o medo existente na cavidade subjetiva se mostre de fato, mais real e forte do que o primeiro, pois o medo que nasce de um fator determinado pela realidade tende a ser dissipado logo se passe às circunstâncias que o ocasionaram, enquanto o imaginado tem a possibilidade de perdurar, e a lembrança de sua presença tende a se tornar a principal constante que perpetua o sofrimento imaginário e irreal.
Uma das principais criações mentais que nos aprisionam a um mundo de penas eternas, onde almas danadas são destinadas a se alimentarem do infortúnio alheio com um prazer imensurável é a imagem do inferno cristão, onde impera absoluto e intransigente o invencível diabo, que após ter decretado sua sentença, cabe ao supliciado, somente a misericórdia de uma alma boa e benevolente que lhe dedique um pouco de seu tempo e de sua atenção. A escassez de bons exemplos e de pessoas dispostas a participarem do aprimoramento da humanidade como um todo, tende a produzir um certo mal estar, gerador de insegurança e de uma contínua desconfiança. Por onde transitamos vemos somente olhares inquiridores de nossos atos e pensamentos, e as vezes nos sentimos inferiores e derrotados, como que se a auto humilhação fosse o único meio de nos redimirmos perante a divindade, que assiste inerte aos nossos mais íntimos sofrimentos, que mesmo que sejam revestidos pelo véu temporário da ilusão nos afiguram reais, e deploravelmente necessários. É a instalação e manutenção de um círculo vicioso interminável, onde a pessoa que dele padece sente uma indefinível e cruel angústia, responsável por um ambiente de desespero e de desesperança. Estas palavras são excludentes, onde uma está a outra não está, são irmãs que se vêem mas não se tocam. A esperança é a afirmação do sofrimento humano, onde há esperança, há insatisfação, por que quem espera, espera por alguém ou alguma coisa que não tem no presente, logo transfere para o futuro a possibilidade de desfrutar de um estado de coisas mais promissor, mais feliz. Claro que para quem sofre e se vê no aqui agora privado de algo que não possa ser satisfeito de imediato é mais do que reconfortante e necessário se projetar no futuro. Mas para que essa imagem não se transforme em mero devaneio devemos ensinar as pessoas a aproveitarem o tempo presente em função de seus sonhos, de seus desejos, fazer com busquem dentro de si um estímulo que as façam despertar de seus letárgico estado físico, moral, logo, social. A fragilidade humana é imensa, mas a fortaleza também, pois ela emana do Pai que faculta a seus filhos iguais oportunidades no vasto horizonte da evolução. O que é muito fácil constatar nos dias de hoje, é o escárnio com que alguns crentes dirigem aos ricos do mundo. No fundo gostariam de estar gozando dos mesmos privilégios e comodidades, mas ao invés de lutarem por se aperfeiçoarem intelectualmente preferem lançar tenebrosos sermões, e condenar os irmãos ao fogo do inferno. E assim, ao invés de nos unirmos no amor de cristo, e nos reconhecermos como uma só família, caminhamos distanciados dos ensinos do mestre e nos atemos somente ao aspecto imediato da vida, atendendo de bom grado os convites e chamados do mundo das aparências sociais, onde nos vestimos de acordo com os mandamentos das igrejas mas por dentro não comungamos de seus ideais, nas palavras de jesus, somos sepulcros caiados por fora e podres por dentro. È triste e lamentável como se porta a civilização ocidental diante de uma novidade tecnológica, todos ávidos por consumir, possuir no intuito de mostrar o quanto somos capazes de participar ativamente deste pobre jogo descartável e superficial. Medimos nossa força e o poder de nossas faculdades meramente pela capacidade que temos de possuir as coisas e os seres, sim, não queremos apenas as coisas, queremos ser aplaudidos e reverenciados, não por nossas qualidades – o que também já seria uma vaidade, menos vulgar obviamente – mas por nossos objetos. Claro que não iremos abrir mão de coisas que foram feitas no intuito de nos entreter e nos distrair saudavelmente, mas não iremos colocar a carroça na frente dos bois. A violência aparece de forma incontestável e os alarmantes índices de assassinatos, roubos, tão somente comprovam a ineficácia do sistema capitalista. E qual seria a solução? Um novo sistema político? Um novo presidente? Mais segurança nas ruas, ou seja, mais polícia? Bem, podemos conferir ao outro algumas responsabilidades, até mesmo por sermos diferentes e por existirem pessoas mais aptas do que as outras para exercerem certas funções. Não somos, absolutamente, iguais. Somos semelhantes na aparência e nas necessidades fisiológicas mas internamente cada um encerra em si mesmo um universo de infindas possibilidades. O que é necessário para um não é para o outro, muitos possuem a frieza de abrirem um corpo humano e se tornam exímios médicos, outros com a mesma habilidade se tornam assassinos sanguinários que assinam suas obras com visíveis resquícios de maldade premeditada, minuciosamente calculada. Podemos, através de uma analise sociológica, comportamental buscar justificativas para tal tipo de comportamento ou simplesmente atestar a existência de pessoas que gostam, de fato, de praticar atos bárbaros. Os presídios se tornam verdadeiros laboratórios para se praticar o estudo da mente humana, o que leva uma pessoa a cometer atos deste tipo? Não vamos nos prender a isto por não ser o cerne da questão. Entretanto não podemos deixar de admitir que a existência de tais seres em nosso meio também provoca medo e insegurança. Se Deus existe, por que motivo Ele nos concedeu a oportunidade de vivermos em meio ao pânico e o terror? Porque?

O Planeta começa a sofrer os primeiros impactos das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global, entre elas a descaracterização das estações do ano que não mais se apresentam de forma cíclica e linear afetando a produção e o cultivo dos alimentos necessários à nossa subsistência. Num primeiro momento podemos dirigir nossos julgadores olhares para as nações mais ricas dos planetas, as denominadas potências mundiais, detentoras de um maior número de fábricas e indústrias com alto teor de poluição atmosférica. No entanto, seremos obrigados a nos olharmos de frente e admitirmos o quanto não participamos ativos deste jogo. Quando adquirimos produtos artificiais, desnecessários a nossa sobrevivência, ajudamos a aumentar o lixo do planeta. O processo de decomposição não se opera num passe de mágica e apesar de uma considerável quantidade de lixo ser orgânico e reciclável, a grande parte ainda fica depositada nos chamados lixões, verdadeiras feridas expostas a céu aberto. Como ainda não encontramos outro meio de acumular o lixo, poderíamos nos conscientizar da importância de constarmos em nosso cardápio alimentar, frutas, verduras e derivados do leite.

o berço da civilização ocidental originou-se na grécia antiga
as primeiras epopéias narradas por Homero: Odisséia e Ilíada
Os atos heroícos, virtudes da época, era de fato a sua paidéia
aedos e rapsodos cantavam a poesia
enquanto a matemática, herança egípcia
ficou sendo a premissa de toda metafísica
filósofos pré-socráticos, questionaram a origem da Terra
aguá, terra, ar, fogo e éter, substâncias primevas
empédocles de agrigento, parmênides de eléia
heráclito de éfeso dizia que o devir é a essência
diante de tantas teorias platão não titubeou
reuniu todos filósofos e um novo mundo instaurou
o mundo dividido em mundos paralelos
de um lado, o sensível, perceptível pelos sentidos
de outro o intelígivel, alcançado pela ascese mística
que se compunha dos principios básicos da geometria
a filosofia deu luz à todas as ciências
é a mãe querida, a verdadeira essência
o questionamento, a reflexão, atributos do espírito
imanentes instrumentos da evolução
na contemplação da verdade em si mesma
o mundo das formas, das aparências
em plena transformação, pura fluidez
em contraposição com o mundo extático
eterno, infinito, imutável
orfeu músico da trácia, conhecedor do lete
o rio do esquecimento, foi o primeiro
a fazer a distinção entre alma e corpo
entre a moldura de barro e o etéreo sopro
assim se inicia os processos vindouros
desde os primórdios até a época do ouro
o pós aristotelismo, o neo platonismo e a "santa inquisição"
a ciência cartesiana, o ceticismo e a copernica revolução
o renascentismo, o barroco, iluminismo, racionalismo
expressões artísticas de inalterável valor
pensamentos originais de inestimável teor
assim caminha a humanidade,
processo ciclicamente catártico,
visceralmente lamentável,
ao mesmo tempo ousado e espantoso
como tudo que é grande e misterioso
enfim, é e não pode deixar de ser assim...
a nossa história, ocidental...
orgulho ou vergonha, só nos resta o agora...
refletir sempre




