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Gino Ribas Meneghitti
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desperte seu espírito
retenha sua atenção
medite no momento
liberte da distração
respire em silêncio
concentre na oração
veja a chama acesa
em meio a escuridão
receba de mente aberta
muita paz no coração
a vida vem em ciclos
rompendo com a ilusão
é só questão de tempo
reconhecer sua missão
revolução do planeta
se dá em outra dimensão
buscando a religação
conectado a matriz
preso a surto de ecos
entre egos a raiz
do espaço aprendiz
seguindo itinerante
os rastros do universo
paralelo e mutante
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Com certeza uma das maiores vozes e ícones da música popular brasileira. A título de curiosidade e para quem tiver interesse em se aprofundar na vida e obra deste grande músico, indico a obra "Vale Tudo", biografia escrita por Nelson Motta. "O gordinho mais simpático da tijuca" conviveu, desde a infância, com grandes nomes, entre eles Erasmo Carlos e Jorge Ben. Seu primeiro conjunto musical, "The Sputnicks", contava com a presença de Roberto Carlos. Não por acaso, depois de ter sido convidado a se retirar dos Estados Unidos por porte de drogas e prática de pequenos delitos, a gravação da música "Não vou ficar" pelo rei foi essencial para impulsionar sua carreira e lançar seu nome no cenário musical brasileiro. Além de ter sido um dos pioneiros na inserção do "soul" no Brasil, Tim Maia se distingue pelo talento, timbre e polêmicas, mas também pelo seu humor e temperamento. Afeito ao discurso claro, objetivo e direto, não tinha meias palavras, sempre dizendo e agindo de acordo com aquilo que acreditava. Entre inúmeros episódios, podemos citar a vez em que abandonou o palco do programa do Chacrinha. Para convencê-lo a voltar, o velho guerreiro apelou para a única pessoa que ele ouvia sem contestar: sua mãe. Fundou sua própria gravadora, a Vitória Régia Discos (primeiramente batizada de Seroma devido as iniciais de seu nome Sebastião Rodrigues Maia e onde se lê a palavra "amores" ao contrário) "a única que paga aos sábados, domingos, feriados depois das 21 horas!", como bem gostava de frisar. Colecionou inúmeros processos pela sua recorrente ausência nos shows mas sua vida particular desregrada em nada interfere na incontestável genialidade de sua obra.
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Gino Ribas Meneghitti
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mais um dia se inicia
forjado nesta fornalha
se quiser vencer a guerra
se prepare pra batalha
sinta o peso da mortalha
nosso final decadente
testemunha do duelo
eterno com nossa mente
mais um elo da corrente
sempre firme e operante
conheço muitos mistérios
todos infernos de Dante
na fórmula a constante,
cansado das variáveis
de pessoas que oscilam
mudam ao sabor dos ares
percorri os sete mares
conheço sete segredos
conquistei as sete chaves
abri a porta do meio
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Gino Ribas Meneghitti
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Em tempos de acirrada polarização política e ideológica, de nós contra eles, do bem contra o mal, qualquer discurso proferido, no intuito de defender determinada posição, tende a ser considerado parcial e partidário, construído com um viés tendencioso e unilateral. Mas será possível não tomarmos partido? Vivemos num período muito propenso ao exercício da cidadania e, para isso, o indivíduo necessita exercitar sua autonomia e ser responsável por suas escolhas, preferências e opções.
Ser
de esquerda é totalmente diferente de ser de direita, por exemplo. Quem
acredita nos ideais socialistas dificilmente crê no êxito do
capitalismo. O socialista luta por justiça social, pela eliminação das
diferenças econômicas entre os indivíduos, além de defender o fim da
propriedade privada e a divisão de recursos e riquezas. Por
sua vez, o capitalista trabalha pela liberdade individual, pela
preservação e perpetuação da propriedade privada e dos meios de
produção. Acredita no liberalismo econômico, na livre regulação do
mercado e aceita como natural a concentração de riqueza nas mãos de
poucos, em detrimento de muitos.
Um
grande dispêndio de horas e energia está sendo desperdiçado na
tentativa de conciliar os opostos e fazer com que as pessoas não sejam
contra, nem a favor: muito pelo contrário. Tanto
os discursos de esquerda quanto os de direita estão sendo
paulatinamente desconstruídos e moderados para atenderem às exigências e
às demandas ditas democráticas, como se dourar a pílula fosse o caminho
mais eficaz e desejável. Será? Sob
o calor das discussões, a suavização do discurso ameniza as diferenças e
acalma os ânimos mais exaltados, mas não diminui em nada a distância
que separa um ponto de vista do outro.
Somos livres para construirmos e formamos nossos conceitos, ideias e opiniões. Ninguém tem o direito de nos impor sua verdade. Quando
esta se apresenta absoluta e inquestionável, tão somente demonstra a
fragilidade de seus pilares, que são erigidos para sustentar uma
estrutura impregnada de fanatismos, dogmas e certezas.
Devemos
ousar pensar por nós mesmos, e sempre buscar, de maneira humilde e
sincera, dentro das nossas possibilidades, a construção de nosso próprio
sistema de crenças e convicções. Ao invés de optarmos pela mera
reprodução passiva de conceitos formulados e sugeridos por outras
pessoas, devemos aprofundar nossos conhecimentos através de nossas
próprias análises e reflexões. Nosso
repertório de leituras e vivências devem ser digeridas e ruminadas com
paciência e atenção para formamos nosso cabedal de saber e instrução.
As
filhas diletas da ignorância são a violência, a guerra e a barbárie.
Todas nascem, crescem e se desenvolvem numa atmosfera preenchida pelo
ódio, o medo e a intolerância. Um dos mais belos atributos deste pequeno
planeta é a pluralidade de seres e aptidões, cada qual com sua cultura e
identidade. Não importa o nosso posicionamento político, religioso ou
orientação sexual, as questões de classe e de cunho racial, desde que,
não façamos aos outros o que não gostaríamos que fizessem conosco.
Porém, não podemos nos esquecer, o único regime que não tolera qualquer tipo de oposição aos seus ditames chama-se ditadura. Na
inútil tentativa de destituir uma ideia ou pessoa que não nos agrada,
rotulamos a mesma de impassível, radical e intransigente. Com certeza o
mundo seria outro, se as pessoas fossem indiferentes a sua própria dor e
sofrimento, não agissem por aquilo que sentem, e sim por aquilo que
pensam. Quem dera fôssemos seres imperturbáveis ou, se preferirmos,
impassíveis. Como
seria bom se o mundo fosse habitado por pessoas que se preocupassem em
pesquisar a origem de todas as coisas, ir de encontro as suas raízes.
Eis o verdadeiro sentido e significado de ser radical. Se todos nós, sem
exceção, não realizássemos qualquer tipo de concessão à corrupção,
fôssemos inflexíveis quanto à falta de ética, de amor e de respeito, e
não tolerássemos a maledicência, o ciúme e a inveja, não teríamos nenhum
problema em sermos rotulados como seres intransigentes.
Para finalizar, vou reproduzir uma história, no intuito de refletirmos sobre a necessidade de sairmos de cima do muro. “Havia
certo homem que estava em cima do muro. Ele ainda não havia escolhido
qual caminho seguir. De um lado, Deus e os anjos o chamavam para que ele
escolhesse o Reino dos Céus, enquanto, do lado oposto, o diabo e seus
demônios estavam calados, despreocupados, sem fazerem sequer o menor
esforço para convencer o rapaz de ir para o reino deles. O homem,
notando isso, intrigou-se e perguntou ao diabo: "Por que você não está
pedindo para que eu escolha o seu lado, enquanto Deus me chama
insistentemente para o lado Dele?". O diabo, então, respondeu: "Porque o
muro também é meu. Você já está do meu lado".
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Gino Ribas Meneghitti
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Com muita alegria e satisfação aceitei o desafio de ser mais um
colaborador a integrar o vitorioso time do jornal Leopoldinense. Por mais que
esteja habituado a escrever e discorrer sobre diversos temas, confesso ter sido
invadido por aquele "frio na barriga". Diferente daquela ansiedade e
insegurança promovidas pelo medo de não agradar, essa sensação nasce do
compromisso que tenho perante minha consciência e a sociedade, de expor e
defender cada ideia de acordo com os ditames da ética, da beleza e da razão.
Por mais que goze da confiança conferida pelo editor de expor meus
pensamentos de uma forma livre, tentarei primar, sobretudo, pelos interesses
coletivos e sociais, abordando temas e assuntos que possam agregar e
acrescentar algo de bom e positivo na vida dos leitores. Colocarei à disposição
da sociedade, algumas informações relativas à minha experiência com a
dependência química, alcoolismo e recuperação, além de abordar temas atuais sobre
política, educação e cultura.
O ato de escrever, além de ser uma dádiva divina é, ao contrário do que
muitos possam acreditar, resultado de um esforço contínuo e permanente. Nem
mesmo os maiores gênios literários, considerados seres sensíveis e
profundamente inspirados, inclusive por uma força oculta e transcendente, escapam
à tarefa: todos os seus insights
foram frutos de um árduo processo de leitura e reflexão. Como diria Clarice
Lispector, “só se aprende a escrever, escrevendo”, pois não existe excelência
sem prática e determinação. Acredito na lapidação constante de quem se propõe à
hercúlea tarefa de buscar dar o melhor de si em qualquer atividade que venha a
exercer, inclusive na prática da escrita.
Para além do ato de escrever, tenho grande interesse na formação de
novos leitores e em exercer uma influência positiva e benéfica na vida das
pessoas, principalmente em relação aos mais jovens, os quais, muitas vezes,
nunca se empenharam na leitura de livros, revistas e jornais. Poderíamos
enumerar diversos benefícios advindos do hábito de ler, entre eles destaco: o
enriquecimento do vocabulário, maior domínio da língua portuguesa, a melhora
significativa na escrita, aumento do fluxo mental de informações, expansão da
consciência, facilidade ao se expressar, maior oportunidade de emprego,
conhecimento de si mesmo, acesso a outros saberes, dinamismo nas relações
interpessoais, maior capacidade de abstração, aumento da concentração,
desenvolvimento da criatividade e um belo exercício da imaginação. A leitura
opera, de fato, transformações em nossas vidas. Além de provocar um imensurável
prazer, exerce o doce fascínio de nos levar a um novo universo, e para isso só
precisamos de um pouco de boa vontade e mente aberta. O que num primeiro
momento pode parecer um sofrimento insuperável, num segundo se transforma em um
hábito, quase um vício, que dificilmente pode ser extinto naquele que se vê
como seu portador. O livro abre portas, rompe fronteiras e oferece um leque de
possibilidades construtivas e inesperadas ao leitor. Pode ser a simples
constatação de um fato histórico à leitura do horóscopo. Realmente é
fascinante, benéfico e saudável exercitar a mente, estimulando a imaginação e a
criatividade. A leitura de um bom livro alimenta a alma, amplia nosso horizonte
existencial e descerra as portas da ignorância, ajudando-nos a descortinar e
promover o desenvolvimento de nossas potencialidades latentes, além das já
afloradas. É pena, entretanto, perceber que, com o advento dos meios de
comunicação em massa, em especial a internet, estejamos perdendo o hábito e o
costume de nos dirigirmos as bibliotecas e bancas.
A leitura, porém, não é um instrumento interessante aos
que desejam perpetuar o seu domínio opressor, pois forma, educa e
esclarece. Uma massa culta com pensamentos críticos não aceita e não
deixa ser manipulada de forma cega e omissa, afinal a formação de
leitores está intimamente associada à ideia da formação de um povo
consciente, que reflete e questiona. Quem pensa discute, analisa e
pondera, age menos por impulso e não permite ser docilmente conduzido
por ideologias e maneirismos estranhos ao seu modo de sentir e
pensar. De todas as armas presentes em nosso mundo, com certeza a
leitura é a mais poderosa na destruição da ignorância e na extinção
da miséria moral e intelectual dos povos. Toda iniciativa que não visa à
libertação das consciências, aprisiona, condena e escraviza, daí a
importância de se priorizar a educação e a criação de políticas
públicas voltadas para a formação de novos leitores. Só assim os grilhões
da ignorância serão rompidos.
Ler é crescer, ampliar e expandir nossos horizontes, é nos desenvolvermos
enquanto seres pensantes e portadores das mais diversas faculdades. É um
processo catártico que nos funde a uma série de universos que se desdobram num
processo lento, seguro e o principal: realmente necessário. É um manancial de
sabedoria e riqueza que oculta em seu interior a mais singela beleza e o
verdadeiro sentido e significado que repousa em nossa essência.


