Latentes Viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!


me dê um microfone
beat, caneta e papel
em questão de segundos 
abro as portas do céu

nesta vida sou réu
já nasci condenado
minha alma cumpre pena 
neste corpo aprisionado

não existe injustiçado 
vivendo sem apelação
se Deus é um bom juiz
a consciência não 

pra quem gosta de sermão
e acredita só na prece
Deus ajuda quem se ajuda
esta é a minha tese 

se sentir bem se confesse 
não vá dormir com dúvida 
sua dívida não é minha
minha culpa não é sua  

pelo menos uma noite 
imagine dormir na rua 
ao lado da tristeza 
de frente pra amargura 

teto de estrela e lua 
não é só para enfeitar 
é o recado do universo
mensagem subliminar

de onde viemos
onde queremos chegar
qual é o seu limite 
o que lhe impede de voar 

é hora de acordar 
despertar do pesadelo 
descarte a euforia
se liberte do medo

caminhe sem receio
desfrute a liberdade 
não existe segredo 
a vida é de verdade  

tente por um segundo
adivinhar meus segredos
aquilo que eu digo
loucura aos olhos alheios

já não tenho medo
de ser arremessado 
conheço meu abismo 
de cor e salteado
 
cada metro quadrado
no inferno percorrido
me deu conhecimento
a malícia do maligno

sei quem está comigo
caminhando lado a lado 
mesmo que esteja certo
radicalmente errado 

o peso do meu fardo 
no ombro carregado
me fez um homem forte
um pouco mais sábio 

é bom seguir em frente
firme, atento e vigilante
mantendo um pé atrás
e outro adiante

fui espírito errante
das trevas habitante
até da forma humana
um dia estive distante

será mesmo humilhante
para o homem degradante
chegar no fim da vida 
ser carvão, não diamante 

desde do início sou mutante
me mantenho concentrado
em elevar  a consciência
e alterar o seu estado

tente identificar
minha rima no radar
seu sinal é invisível
difícil de rastrear  

vim pra disseminar
plantar minha semente
enxerto de ideias 
numa mente consciente

no passado fui presente
travei guerras milenares
desbravador de terras
descobridor de mares 

hoje estou pelos ares
irradiando energia 
opero em alta frequência
refinando a sintonia

valorizo minha família
pique Máfia Italiana
no estilo Cosa Nostra
ação siciliana

sem visão de Poliana
já vejo tudo embaçado
meus óculos cor de rosa
pela vida foi quebrado

do abismo retirado
pura bondade celeste
agradeço a Deus
por ser cabra da peste 

As vezes, não nos damos conta, de que os mais caros afetos e afeições podem ser desfeitos pela simples adoção ou abandono, de certos hábitos e lugares. Nunca estamos, verdadeiramente preparados para lidarmos com certas questões que a vida, algumas vezes nos sugere, por outras nos impõe. O sentimento de perda, por exemplo, é um dos mais difíceis e duros de lidar, seja o falecimento de um ente querido ou o término de um relacionamento afetivo. O simples fato de ter parado de beber e de ingerir determinados tipos de substâncias me levou ao distanciamento natural e gradativo de pessoas, que ainda hoje, amo, admiro, estimo e respeito. Apesar do imenso afeto que sinto, não posso abrir mão do que tenho de mais importante: a minha vida. Não posso colocar a minha vida em jogo por um mero capricho da minha e de outras vontades. Estar com certas pessoas em determinados lugares  é um alto fator de risco que deve ser avaliado com carinho e cuidado, pois sei que a recaída nunca é acidental e minha recuperação deve estar sempre em primeiro lugar: "primeiro as coisas primeiras". As pessoas, portadoras de uma doença progressiva, incurável e determinação fatal, como no meu caso, a dependência química, sabem muito bem o que quero dizer. Apesar dos incontáveis convites e dos inúmeros pedidos para estar presente em certos eventos, sei da necessidade que sinto, de me recolher e de me preservar. Por mais difícil que seja, para mim e para o outro, tenho que admitir minha impotência perante a minha doença. Não foi e nunca será fácil, admitir todos os dias que sou um doente e que preciso de ajuda. Que não quero, não posso e não devo, em nenhum minuto sequer, alimentar o ingênuo desejo do uso, nem por um leve suspiro saudosista da vontade. Para quem está de fora, parece se tratar de uma verdadeira batalha, e realmente o é, quando ainda, não nos rendemos e não entregamos nossas vidas e vontades aos cuidados de um Deus da nossa compreensão. No meu caso, acredito que seja extremamente amoroso, zeloso e cuidadoso e que se manifesta, sobretudo, através das pessoas. Por muitos anos, vivi cego e alheio, aos seus mais íntimos desejos e vontades. Minha vida era pautada pela teimosia, pela prepotência e pela arrogância. Hoje, munido das ferramentas do amor e da humildade, possuo mais facilidade de falar de mim mesmo com honestidade e sem restrição. Não tenho medo de meus traumas, medos e fantasmas. Apesar de não serem poucas, as sequelas advindas do uso, não existe maior bem estar do que estar e me sentir limpo só por hoje. É difícil para mim aceitar, que um dia, eu cheguei acreditar, que a felicidade residia num copo, numa seda, numa carreira na quebrada, na boca ou no bar. Perdi muito tempo entre conversas e almas vazias. Transbordava insanidade e era um poço de insatisfação. Projetava nos outros, na família, no governo e na sociedade as minhas expectativas, desejos e frustrações. Nunca assumia, inteiramente, a responsabilidade pelas consequências da minha maneira de agir, sentir e pensar. Sempre buscava saídas e soluções simplistas e pouco razoáveis que pudessem justificar e defender, meu suposto direito ao uso. As vezes sou invadido por uma grande sensação de dor, mágoa e arrependimento, mas me lembro de que tudo serviu para o meu crescimento, afinal, "o que não me mata, me fortalece". Confesso que hoje, sou e estou, mas sábio e sóbrio do que a 24 horas atrás. Só Por Hoje! Funciona!




Após 47 anos da realização de um dos maiores festivais de música do planeta, Woodstock ainda resiste e sobrevive nas mentes férteis e utópicas de jovens revolucionários, que defendem até hoje a difusão dos princípios e valores pregados pelo movimento de contracultura que era constituído desde militantes dos partidos de esquerda a líderes e membros de grupos e seitas esotéricas de cunho místico e religioso. Seremos capazes de olhar pra trás, e dizermos, com honestidade, quais seriam, de fato, as intenções daqueles jovens barbudos, movidos por sexo, drogas e rock n'roll? Alguém possui estas respostas? Em meio a um ambiente repressor, castrador e hostil, marcado por guerras, conflitos e dissensões, os jovens optaram por romper com os hábitos, modelos e costumes instituídos pela sociedade, cujos valores, extremamente, rígidos, inflexíveis e conservadores apontavam para um futuro limitado, arcaico e principalmente, sem música, cultura e arte. Este modelo pode ser, até hoje, facilmente contemplado e compreendido através das similaridades e aparentes coincidências presentes no funcionamento e organização das fábricas, escolas e prisões. Além da marcante presença das muralhas, uma vez que você tenha entrado no recinto, terá que apresentar uma justificativa para sair. Todos estes ambientes são moldados por uma rígida hierarquia formada por diretores distribuídos em departamentos. Os comandos e horários, são emitidos e dispostos, respectivamente, segundo o uso de apitos e sirenes. Os intervalos, que indicam a hora do recreio, são os únicos instantes em que as pessoas se sentem verdadeiramente felizes e satisfeitas, mas esta alegria não faz parte do interior das salas, celas e repartições, ao contrário,
ela tem hora e prazo para acontecer e se manifestar. Era necessário extravasar, de alguma forma, a insatisfação com este estado de coisas. Jovens, de várias partes do planeta, principalmente do ocidente, insurgiram contra a mecanização dos atos, a automatização do pensamentos e a repetição dos dias e das horas. O modo de produção capitalista não permitia, como não permite, a criação de algo genuíno, ousado e original. Pena, que todo este desbunde, e toda esta energia, tenha sido canalizada, de forma negativa, auto destrutiva e prejudicial. O que era para se tornar, uma das mais belas e positivas manifestações de paz e amor, de abertura e expansão da consciência se tornou  num dos piores exemplos colhidos pela juventude através dos atos de seus emissários, astros e porta vozes. Lendárias figuras do rock, símbolos da rebeldia, do inconformismo e da contestação das regras, leis e instituições impostas pelo estado, na sua busca por liberdade, muita das vezes, acabaram encontrando sua prematura morte e prisão. Uma geração ansiava, desesperada, por um estado alterado de coisas e de consciências, por uma perspectiva mais elevada e espiritual da existência, sobretudo mais humana e menos material. Porém o uso exacerbado  de drogas alucinógenas, entre elas ervas, barbitúricos e psicotrópicos, e a alta liberalidade de ideias e de ideais, transformou a liberdade em libertinagem, o uso recreativo e espiritual em vício e veneno. Quantos músicos, artistas e filósofos morreram intoxicados em meio a beberagem narcótica e suicida? Quantos jovens talentos foram desperdiçados, vitimas do excesso de todos os matizes e gênero? Será, que esta, era a vida e o verdadeiro ideal que buscavam? Uma vida acometida por todo tipo de desregramento, vícios e excessos? Creio que não é preciso ser uma pessoa muito inteligente para responder. A busca ainda existe, e o sonho ainda pulsa, mas a fórmula, com certeza, não será mais a mesma.


Alguém que esteja disposto a buscar, com honestidade, as respostas para o atual momento histórico brasileiro, irá se deparar, inevitavelmente, com uma blindagem midiática da imprensa escrita, virtual e televisiva. Nunca, na história deste país, foram inauguradas tantas escolas e institutos federais. Foram 407 no total. Existiam apenas 140 escolas federais sendo que nenhuma delas foi criada no governo anterior. É interessante notar, que nunca, na história deste país, os espaços públicos e privados (universidades, aeroportos e shoppings), antes reservados e utilizados de forma exclusiva e permanente por uma pequena parcela privilegiada (economicamente) da população tinham sido ocupados e destinados a classe dos trabalhadores e excluídos socialmente. Dificilmente iremos, novamente, presenciar e testemunhar, tamanho índice de inserção e de investimentos destinados as áreas de saúde e educação. Quantas instituições e empresas estatais foram privatizadas no governo petista? Ao contrário, alguém poderia citar os números levantados pela privataria tucana? Como iremos explicar a nossos filhos, que uma insatisfação com os preços das passagens de ônibus, a nível municipal, serviu para federalizar e legitimar a revolta a nível nacional, em especial, com a figura da presidenta Dilma Rousseff, que ao contrário de seus acusadores, nunca esteve envolvida em casos ou denúncias de corrupção? Como iremos explicar a nossos filhos, que manifestações políticas realizadas com camisetas vermelhas são "atos de vandalismo" e com as camisas da seleção brasileira "atos de cidadania e prática democrática"? Como iremos explicar aos nossos filhos, que a maior operação policial orquestrada pelo magistrado, defendida com unhas e dentes pela elite econômica brasileira, se limitou a acusar e condenar membros de partidos da esquerda ou anteriormente a eles associados, e a arquivar e absorver políticos cujos nomes e partidos foram citados inúmeras vezes no desenrolar do processo? Como iremos explicar aos nosso filhos, que todas as benesses conquistadas e difundidas pelos partidos de esquerda foram frutos obtidos graças aos procedimentos econômicos realizados pela direita, enquanto toda crise, conflito e perda, neste sentido (econômico) se deve a ingerência e a corrupção dos mesmos? Como iremos explicar aos nossos filhos que os políticos mais corruptos da nação foram aqueles que se recusaram a vender seu patrimônio e que eram os únicos que detinham um projeto nacional a médio e longo prazo, principalmente na área de educação? Como iremos explicar aos nossos filhos uma classe média, que se diz preocupada, com os destinos da nação, conseguiu destituir, através de um golpe, uma presidenta inocenta, e assistir, passiva e inerte a concretização de medidas absurdas ( como a reforma da previdência, trabalhista, o teto dos gastos, a legalização dos jogos, a venda da petrobras, etc)? Como explicar aos nossos filhos o significado de bater panelas à presença do gigante pato amarelo, cujas inscrições já denunciavam as verdadeiras intenções de seus idealizadores: "não vou pagar o pato".  O recado foi dado de forma clara, direta e concisa, qualquer pessoa minimamente informada e esclarecida, sabia quem iria, de fato, pagá-lo. Uma coisa era certa: não seriam os mais ricos nem os mais afortunados. O agravamento do debate de classes se deu, principalmente, pela ascensão das minorias, que passaram a frequentar os shoppings, a marcarem rolezinhos, a causarem ruídos e barulhos nos aeroportos e principalmente, a frequentarem os redutos do saber e do conhecimento, conscientizando-se tanto política quanto academicamente. Nunca na história deste país, conseguimos enxergar tantas pessoas tendo acesso as portas do conforto e da comodidade, do consumo a perspectiva de crescimento econômico e social. Aguardo cenas do próximo capítulo, para que este texto não seja apenas mais um grande imbróglio ideológico, partidário e parcial.             

a história se repete 
sempre o mesmo final 
dificilmente o bem
consegue ganhar do mal 

no hospício universal
entre loucos internados
alguns se dizem donos 
do que por Deus foi criado 

é bom tomar cuidado
para evitar se perder
a sanidade é um fio
invisível que ninguém vê

pela razão tente crer
num princípio imutável
que rege nossas vidas 
controla nossos atos 

me baseio nos fatos 
observando os rastros  
da perfeição divina
na imensidão dos astros



Quando se é um escritor frustrado, como no meu caso, não existe maior prazer e divertimento do que se considerar interiormente um grande gênio incompreendido e bem a frente de seu tempo. É comum, referirmos a estes homens, como seres evoluídos e superiores, quiçá missionários, que aterrissam em nosso meio com a árdua missão de iluminar caminhos e consciências, esclarecendo e ampliando nosso olhar, nos socorrendo, com frequência, das trevas da ignorância e da mediocridade. Indisfarçável encantamento e profunda admiração temos ao recolhermos os resquícios de luz emitidos pelo seu exemplo, vida e obra. Todo filósofo, artista e cientista parece possuir uma certa inadequação com o meio, que lhe confere um certo ar de superioridade e elevação. Este alheamento e distanciamento da realidade faz com que trafeguem pelo mundo com a aparência de seres exilados de um planeta totalmente diverso do nosso. Como se tivesse algo realmente importante para ser dito, mergulho em presunçosos devaneios e doces elucubrações. Gozo da irresponsabilidade conferida a todos pensadores livres das amarras acadêmicas, burocráticas e institucionais. Não tenho nenhum tipo de zelo ou cuidado com a língua, suas normas e regras. Desconheço as regras gramaticais, e elas de fato, pouco me importam ou me interessam. Não tenho nenhum tipo de interesse além de defender e disseminar a prática da escrita e da leitura como um bem em si. Tenho medo das coisas práticas e úteis, sou avesso ao pragmatismo das ideias e das relações humanas. Gosto de me ater, de forma voluntária e consciente ao lado doce e ingênuo da existência, repleto de leveza e espanto, de música e poesia. Mal toca o despertador e sou convidado a despir de meus sonhos e vontade. Mais um dia me convida ao encontro de pessoas e situações estranhas e alheias aos meus sentimentos, percepções e sensibilidade. Ignoro a dinâmica presente nas relações humanas mas sempre procuro esboçar um sorriso na tentativa de ser educado, gentil e agradável mas nem sempre sou correspondido. Não ignoro os motivos que levam as pessoas a serem assim, pois sei que saber (con) viver não é uma tarefa fácil. Não me preocupo com rótulos, títulos e encargos, admiro, sobretudo as pessoas simples e de fácil trato. Tenho dificuldade em lidar com pessoas que se dão uma importância maior do que realmente possuem. Não gosto de desperdiçar meu tempo com o orgulho e a vaidade que só sabem falar de si mesma. Por dentro estão repletos de dúvidas, mas por fora são cheios de certezas. Prefiro ter o direito a dúvida do que acalentar uma hipotética verdade. Procuro olhar nos olhos e sempre dizer a verdade mas nem sempre isso é possível, pois as pessoas tendem a se ferir e a se tornarem suscetíveis perante o excesso de sinceridade. Mergulho com certa facilidade num estado de indiferença e alheamento ao aspecto externo da realidade, o que tende a me caracterizar como uma pessoa aérea, distraída e aluada. Mas sempre ando atento aos sinais: basta a presença de um pássaro para me levar de encontro a dimensão divina e sagrada da existência.   



A sociedade estimula o uso do álcool de forma aberta, direta e escancarada, outras vezes, de forma sutil, indireta e velada. É possível assistir a inúmeros comerciais e propagandas veiculados no intuito de atrair o público jovem. Na ânsia de serem vistos, reconhecidos e admirados, os adolescentes acabam adotando certos hábitos e costumes para serem aceitos sem reservas pela sociedade. Devido a imaturidade e a inexperiência, os jovens representam o público alvo da indústria do álcool, pois são mais suscetíveis e vulneráveis as suas investidas e tentativas de convencimento e manipulação. Portadores de profundos conhecimentos sobre a personalidade e o comportamento humanos, notórios publicitários exploram de forma indiscriminada as fraquezas e reveses desta idade, geradas pela insegurança e pela saudável vontade de se auto afirmarem perante o grupo. A sociedade aceita e absorve, sem crítica alguma, o consumo e presença do álcool em seu meio. Não é preciso ser nenhum especialista para constatar que este hábito, uma vez instalado e adquirido, tende a se tornar nocivo e pernicioso a médio e longo prazo. Quando realizado de maneira compulsiva e obsessiva afeta de forma negativa a vida do indivíduo, em todos os aspectos e sentidos: físico, mental e espiritual. O alcoolismo é um grave problema a nível nacional e suas consequências são imprevisíveis, trágicas e catastróficas. A maioria das ocorrências e delitos policiais realizadas pela parte da noite possui sua presença, senão como mote principal, como figura ilustre e permanente, que aparece presente na maioria dos acidentes de trânsito, da violência doméstica, nos casos de estupros, discussões e assassinatos. O álcool é uma substância que merece posição de destaque e a difusão de seu uso nos ajuda na compreensão e entendimento de grande parte dos problemas do país e do comportamento das pessoas. Não podemos subestimar o efeito negativo deste hábito milenar cultivado a duras penas, a custo de muita dor e sofrimento. Quem possui um membro familiar dependente do álcool, é capaz de dizer e relatar, com lucidez, clareza e propriedade, os males advindos do abuso e uso da substância. Quantas dores e males seriam plenamente evitados com a simples escolha e opção pela não ingestão de bebida alcoólica.
Como é difícil nos contentarmos com uma vida saudável, estável e distantes dos problemas acarretados pela busca desenfreada do prazer e dos alteradores de consciência. O homem busca e necessita sim, de sagrados momentos de prazer, descanso e relaxamento, mas pode e deve, procurar, dentro de suas posses e faculdades, desenvolver e adquirir novos talentos e habilidades, sejam de cunho artístico, científico, filosófico, político ou cultural. Aprender uma nova língua, praticar uma atividade física, tocar um instrumento musical, aprender um novo prato, cuidar das plantas, ter um animal de estimação, estimular e participar da educação e emancipação intelectual dos filhos, ceder seu tempo e energia na realização de um trabalho social voluntário, estender sua mão e mente aos mais necessitados, tanto material quanto espiritualmente. Poderíamos enumerar, várias atividades positivas que lhe auxiliariam a elevar o seu caráter e inteligência.  É inadmissível, nós, enquanto humanos, vivermos uma vida sem reflexão, com o único fim e propósito de atender a satisfação grosseira de nossos apetites materiais em detrimento dos eternos, sutis e espirituais.



Após ter me atualizado e informado sobre as principais notícias e manchetes do Brasil e do Mundo, sou invadido por uma imensa sensação de vazio e de inutilidade. Qual o preço pago para não sermos considerados pessoas alienadas e alheias aos processos políticos, econômicos e sociais do país? O que fazer com tanta informação? Qual vantagem advém do fato de sermos seres extremamente politizados e antenados com os questionamentos e mudanças de nosso tempo se não podemos operar bruscas e profundas transformações na realidade? De que vale refletir diversas vezes sobre o mesmo assunto, problema e tema se nunca seremos capazes de modificar a resposta, mesmo sendo capazes de apontar as soluções? Por diversas vezes, preenchido por um grande sentimento de impotência, abandonei, peremptoriamente, a leitura do jornal pela metade, sem vontade de insistir na sua execução. A mesma novela, com novos personagens: desde escândalos políticos a sugestão de uma nova receita culinária. A eterna repetição corriqueira de fatos e fotos, do mesmo jeito e da mesma forma. Sinceramente: cansa. Mas, tudo vale a pena se a alma não é pequena. 



Estamos vivendo o mesmo período político que a Itália dos anos 70 e a Colômbia dos anos 80 com a grande diferença de termos meios de controle e dominação de massas muito mais sofisticados e tecnologicamente evoluídos. A elite econômica do país, dita de direita, cuja ala mais conservadora e radical é representada por militares, monopolizava sozinha o tráfico de drogas e armas em nosso país sendo que os Estados Unidos (AR-15) eram seus principais fornecedores. Com o nascimento do Crime Organizado, a Queda do Muro de Berlim e o fim do Regime Militar no final da década de 80, outros países passaram a fazer parte deste lucrativo negócio, destacando-se Alemanha (HK), Rússia (AK-47) e Israel (UZI). Vou listar uma série de fatores que determinaram, para o bem e para o mal, a formação desta nova ordem e do nosso sistema político. O ministro das comunicações, pós ditadura, no governo Sarney, Antônio Carlos Magalhães, distribui entre seus amigos e aliados, a concessão de retransmissão dos sinais da rede globo. Roberto Marinho, inteligentemente, utilizou de seu poder e estabeleceu uma perigosa rede de influência política para manter e perpetuar o seu império. A Petrobas, nesta época, começa a assinar contratos com empresas de índole no mínimo duvidosa que já tinham interesse na sua privatização. Veja bem, até então, já temos uma relação promíscua, que se estende até os dias de hoje, entre os meios de comunicação de massa, políticos, empreiteiras e o tráfico de armas e drogas. Financiadas pelos principais cartéis de drogas do mundo (incluindo o de Cali, Medellin e Tijuana) e pelas maiores e principais máfias (na época a italiana, pois hoje já se sabe das ramificações com o Al Queda, Iakuza e a máfia russa), as principais facções criminosas no Brasil passaram a desempenhar importante papel na aquisição de armas e drogas. O Brasil sempre serviu de rota e ponte entre produtores e fornecedores, entre a América e a Europa, se alguém tiver dúvidas pesquise o caso Ilha Bella. Pois bem, para não me alongar muito, mas para fazer com que visualizem com seus próprios olhos este cenário, gostaria de lhe convidar para percorrer os corredores da história e citar uma nação que tenha aceitado em seu meio a realização de tão arriscado consórcio. O aeroporto em Cláudio e o helicóptero de Zezé Perrela são apenas a ponta do iceberg. Hoje, militares e narcotraficantes estão de mãos dadas, sorrindo, perante os cifrões obtidos com seu lucrativo negócio. Os principais e maiores segmentos políticos, econômicos e sociais da sociedade estão corrompidos, desde dos banqueiros, empreiteiros, empresários da comunicação até o menor que empunha seu fuzil e vende um papelote. Para não parecer teoria da conspiração, pesquise os nomes dos deputados que compõem a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, você verá que 50% respondem ou já responderam processo por assassinato. Espero que, após refletirmos sobre estes dados, possamos lançar outro olhar para a realidade e pensarmos melhor sobre a nossa postura frente as urnas.

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Admiro todas as pessoas que ousam pensar por si mesmas.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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