carrego desconfiança
várias interrogações
com dúvidas geradas
por supostas conclusões
no mundo das ambições
das relações descartáveis
as pessoas se mostram
cada vez mais vulneráveis
sonhos habitam bares
pesadelo dos lares
um homem embriagado
causa mil diversos males
pergunte aos familiares
se anseiam sua volta
ignoram sua presença
sua ausência ninguém nota
a morte enrola a nota
da vida fecha a porta
indicio de pureza
é a boca meio torta
um brinde a sua derrota
wisque fino importado
desce mais uma dose
daquele drinque mais caro
porta possante carro
como louco diverte
acredita que é o cara
diz que faz e acontece
como muitos se perdem
numa vida sem valor
já não sabem distinguir
paixão cega de amor
na presença da dor
aumenta sua fissura
sua alma é vazia
preenchida de loucura
do outro lado da rua
um demônio observa
pois sabe muito bem
o que a vida lhe reserva
postura obstinada
vale tudo pela fama
sucesso e poder
vem fácil com grana
papo de saudade
sessão de nostalgia
preso a um passado
de ilusão e fantasia
me diz quem financia
essa secular miséria
lucrando com o veneno
nos vicia na matéria
declare sua guerra
e vamos adiante
olhe para si mesmo
para o alto e avante
na vida fui xavante
um negro feiticeiro
estive com Lampião
conversei com Conselheiro
Ajudei Zumbi
no Quilombo de Palmares
hoje mando rajada
de ideia pelos ares
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Gino Ribas Meneghitti
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Gino Ribas Meneghitti
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o mundo é uma vitrine
estou nele de passagem
me diz quantas pessoas
se perderam na viagem
vagaram distraídas
perdidas pela cidade
sem noção de tempo
distantes de sua verdade
escravos da vaidade
maldito ego inferior
submetido à aparência
despreza o que tem valor
não reconhece o amor
por Cristo ensinado
nem mesmo sua dor
quando foi crucificado
testemunho calado
elevando a potência
para viver no mundo
é preciso paciência
conheço a ciência
praticada pelo sábio
ouvir mais que falar
é um preceito básico
sou animal bizarro
em busca da perfeição
guiado pelo instinto
agindo pela razão
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Gino Ribas Meneghitti
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O sistema carcerário brasileiro é reflexo de uma sociedade elitista e preconceituosa que exclui, condena e segrega as pessoas segundo seu nível econômico, político e social. Se ousarmos percorrer todos os presídios brasileiros, iremos constatar, que em sua grande maioria, os mesmos são ocupados por pessoas negras e pardas de baixa renda e escolaridade. Os mesmos, desde do seu nascimento, foram impossibilitados de estudarem nas melhores escolas, de frequentarem os melhores lugares e de terem em sua própria residência os melhores exemplos de conduta, hábitos e atitudes. É muito fácil, para quem teve acesso a isso desde infância, culpar e condenar as pessoas que, por um motivo ou outro, cometem atos que chocam e escandalizam a sociedade, expondo o lado mais brutal, violento e primitivo de nós mesmos. Não defendo a tese de que elas são levadas a cometerem barbaridades por força das circunstâncias, como se fossem vitimas passivas de um destino cruel e implacável, destituídas de força e vontade próprias. Nada justifica o uso da violência e da maldade, porém, é necessário repensar e criar, mecanismos capazes de equilibrar e harmonizar as relações econômicas e sociais entre as classes, principalmente entre as camadas mais pobres da população brasileira. O discurso socialista caiu em desuso e seu declínio, se deve em parte ao mau uso da "res publica" (coisa pública) por parte de alguns membros da esquerda que não resistiram e cederam as tentações promovidas pelo poder. A luta pela igualdade social, que sempre foi uma das principais bandeiras defendidas e hasteadas pela esquerda, se tornou no plano político, motivo de piada e chacota, sendo sua defesa álibi para certas pessoas se manterem no poder. O que leva um indivíduo a cometer um crime ou atentado contra uma instituição ou pessoa? A resposta é complexa e envolve diversos fatores, entre eles destaco os de ordem social, psicológica, econômica e cultural. Vivemos numa sociedade individualista que nos incita, desde a infância, a sermos os primeiros e os melhores. Não nos incita a sermos melhores para superarmos as nossas falhas, deficiências e limitações mas sim para superarmos o outro. Numa sociedade, extremamente competitiva, cujos valores individuais se sobrepõem ao coletivo, não é difícil imaginar o nascimento e surgimento de milhões de pessoas narcisistas e egocêntricas que se preocupam somente com seu próprio umbigo. O egoísmo é a raiz de todos os males. Enquanto não conseguimos compreender que o outro é extensão de nós mesmos, e que necessita da mesma dose de atenção e cuidados, não iremos empreender nenhuma mudança num nível mais profundo de consciência e percepção. Ainda se faz presente em nossa sociedade uma mentalidade arcaica e medieval que nos diz que "bandido bom, é bandido morto" , "bandido tem que morrer", "lugar de bandido é na cadeia", enfim, uma série de afirmações que reforçam o preconceito, o ódio e a exclusão. Sou totalmente a favor do julgamento dos atos cometidos por todo e qualquer ser humano, mas radicalmente contra qualquer juízo emitido sobre a pessoa. Acredito, piamente, na recuperação do ser humano, e que toda pessoa possui o direito de se arrepender e aprender com os próprios erros. Contudo, é extremamente difícil imaginar e acreditar, que uma pessoa irá se recuperar num ambiente que, além de não lhe facultar a possibilidade de se auto conhecer (trabalhando seus pensamentos, sentimentos e ações) retira sua identidade e lhe confere um tratamento desumano, indigno de qualquer animal. Os presídios brasileiros precisam passar por uma reforma e seu modelo precisa ser repensado tendo em vista a real e verdadeira recuperação do ser humano. Um erro não justifica o outro. O modelo ofertado pelo sistema só serve para alimentar e aumentar o ódio e a revolta. O sentenciado errou, e precisa sim, ser mantido sob um regime de ordem, regras e disciplina, porém isto não serve como justificativa para qualquer tipo de abuso que venha a violar seus direitos resguardados em forma de lei. Qual exemplo e mensagem o sentenciado irá colher se o próprio Estado é incapaz de atender e realizar as obrigações impostas por si mesmo?
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Gino Ribas Meneghitti
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Antigamente, vivia numa gangorra existencial promovida pelo consumo excessivo e exacerbado de substâncias psicoativas que agiam diretamente no sistema nervoso central. Oscilando entre a depressão e a euforia, experimentava todo tipo de angústia, dor e sofrimento proporcionado pelo uso. Minha vida pregressa foi marcada por perdas e danos irreparáveis. Era um rolo compressor, que passava por cima, dos meus e dos sentimentos das outras pessoas. Enquanto estive no uso, não conheci nenhum tipo de limite ou restrição, usava muito de tudo: álcool, maconha, cocaína, crack, lsd, ecstasy, cola e cogumelos. Hoje, depois de alguns anos, que abandonei o uso das drogas e de qualquer substância que altere meu humor, posso dizer, sem nenhum traço de mágoa, ódio ou ressentimento, que a vida limpa vale mais. Cada esforço empregado na tentativa de me manter por mais um dia sóbrio vale a pena. Somente quem é ou está envolvido, direta ou indiretamente, com um dependente químico é capaz de dizer com o mínimo de propriedade as consequências negativas advindas pela prática constante do uso. O vício nos leva as últimas consequências físicas, psicológicas e morais. Rouba nossa identidade e nossa vida mental e espiritual fica seriamente comprometida e afetada. Nunca mais seremos os mesmos, principalmente, perante a nós mesmos. O primeiro passo na recuperação de qualquer dependente que esteja seriamente disposto a parar de usar é a realização de seu pedido de ajuda. Só eu posso, mas sozinho eu não consigo. Precisamos vencer a barreira do orgulho e começar por exercitar a humildade, caso quisermos nos ver livre das armadilhas criadas por nossa doença. Você pode surrar, espancar, trancafiar, exorcizar, aconselhar, rezar mas, infelizmente, o dependente só irá parar quando tiver o real de desejo de fazê-lo. A detecção da dependência química é extremamente difícil, visto que somente seu portador será capaz de dizer se é ou não dependente. Vemos todos os dias, pessoas morrerem desta doença que é progressiva, incurável e de determinação fatal. O dependente químico é orgulhoso por natureza. Será extremamente difícil, para não dizer impossível, num primeiro momento, principalmente se jovem, convencê-lo de que está indo por um caminho que fatalmente irá levá-lo de encontro a clínica, cadeia e cemitério. Depois do mesmo, ter realizado, seu pedido de ajuda, é necessário que a família, os amigos e parentes mais próximos se envolvam, no sentido de ampará-lo e fazê-lo se sentir amado e seguro. O mesmo deve ser encaminhado, dependendo do caso e da situação, a uma clínica de recuperação ou as salas de mútua ajuda de Alcoólicos Anônimos ou Narcóticos Anônimos. As salas propiciam um ambiente de confiança e respeito que irá, através do exemplo e da partilha honesta de seus membros, encorajar o recém chegado a dar os primeiros passos em direção a um novo estilo de vida, preenchida por compromissos, disciplina e responsabilidade. Quem procura ajuda pensando que irá encontrar alguma fórmula mágica de fácil resolução está muito enganado quanto ao processo de recuperação, que muita das vezes é lento e demorado, pois demanda tempo, esforço e perseverança. As irmandades de AA e NA oferecem, gratuitamente, o conhecimento e procedimento adequado no tratamento do alcoolismo e da adicção através do programa de 12 passos:
1º. Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.
2º. Viemos a acreditar que um Poder maior do que nós poderia devolver-nos à sanidade.
3º. Decidimos entregar nossa vontade e nossas vidas aos cuidados de Deus, da maneira como nós o compreendíamos.
4º. Fizemos um profundo e destemido inventário moral de nós mesmos.
5º. Admitimos a Deus, a nós mesmos e a outro ser humano a natureza exata das nossas falhas.
6º. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
7º. Humildemente pedimos a Ele que removesse nossos defeitos.
8º. Fizemos uma lista de todas as pessoas que tínhamos prejudicado, e dispusemo-nos a fazer reparações a todas elas.
9º. Fizemos reparações diretas a tais pessoas, sempre que possível, exceto quando faze-lo pudesse prejudica-las ou a outras.
10º. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11º. Procuramos, através de prece e meditação,
melhorar nosso contato consciente com Deus, da maneira como nós O
compreendíamos, rogando apenas o conhecimento da Sua vontade em relação a
nós, e o poder de realizar essa vontade.
12º. Tendo experimentado um despertar espiritual,
como resultado destes passos, procuramos levar esta mensagem a outros
adictos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
O primeiro passo, dentro da programação, é admitir que é impotente perante a doença e que sua vida tinha se tornado incontrolável. Percebo, que a maioria das pessoas, que adentram uma sala, admitem que tem um problema, mas muita das vezes não aceitam. Existe uma grande diferença entre admitir e aceitar. Eu posso admitir que sou alcoólatra mas posso não aceitar o fato de não poder mais beber. No meu caso, mesmo tendo vivenciado o fundo de poço, confesso que não queria parar de usar drogas. Queria sim, uma outra forma de usar. Queria parar com o crack e a cocaína, mas desejava continuar usando a maconha. Queria parar com a cachaça e o uso de destilados, mas queria continuar tomando cerveja. Alguém conhece uma mulher meio grávida? Ou a mulher está grávida ou não está grávida, mesma coisa o adicto: ou está em recuperação ou não. A eficácia do programa reside na abstinência total e completa de qualquer substância que venha a alterar o nosso humor. Uma é pouco e mil não bastam, não temos controle sobre o uso. Temos que admitir nossa derrota, aceitar a nossa condição e nos render as evidências sem nenhum tipo de reservas: somos portadores de uma doença incurável com alto poder destrutivo sobre nós e nossas vidas. O programa é sábio e nos diz, ainda no primeiro passo, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis. Perceba, que não estamos lidando com pessoas que usam de uma forma social e que cumprem religiosamente com seus compromissos e obrigações, mas sim, com pessoas, cujo uso, além de terem comprometido, seriamente, suas faculdades mentais, levam uma vida disfuncional, que muita das vezes foi reduzida ao nível animal. Por mais exagerada que esta frase possa soar, esta foi a realidade vivenciada por muito de nós. Chegamos, em sua grande maioria, empurrados pela dor e pelo sofrimento. Muitos de nós, para não dizer todos, só tiveram direito a recuperação após terem passado pelo fundo de poço. É muito duro para um familiar, amigo ou conhecido ouvir isso, mas é a mais pura realidade. Muitos dependentes nunca irão reconhecer o fracasso e a derrota em suas vidas, a não ser que possam ver e presenciar, a total destruição física e moral. No meu caso, foi preciso ser abandonado pela família e viver em condições sub humanas como farrapo. Não tive outra escolha a não ser pedir, desesperado, ajuda. Tentei parar de todas as formas e de todos os jeitos: mudança geográfica, substituição de uma droga pela outra, promessas, curtos períodos de abstinência, enfim, nada adiantava, sempre voltava ao uso. No dia 02 de Outubro de 2012 empreendi meu pedido de ajuda e fui resgatado pelos meus pais na cidade de São João Del Rei. No dia seguinte, estive com um psiquiatra que me receitou os remédios necessários para aliviar os fortes sintomas decorrentes da abstinência. Pesando 60 kg (1,86m) fui internado numa comunidade terapêutica cujos os 12 passos eram utilizados. Com uma rotina preenchida por estudos, reuniões e atividades laborais comecei a dar os meus primeiros passos em direção a uma vida sóbria e feliz. Me aconselharam a evitar Pessoas, Hábitos e Lugares que pudessem me fazer voltar ao uso e a ter Mente Aberta (para poder absorver novas ideias e principios), Boa Vontade (para poder colocar em prática o conhecimento adquirido) e Honestidade (para poder falar de mim mesmo sem restrição). Ao me deparar com o segundo passo, vim a acreditar que um Poder Maior, o Deus da minha compreensão, pudesse me devolver a sanidade. No terceiro passo, procurei entregar minha vida e a minha vontade aos cuidados de um Deus amoroso, zeloso e cuidadoso. Se eu disser que foi ou está sendo fácil, com certeza, estou mentindo, mas com o tempo a obsessão e a compulsão pelo uso diminuem e a vontade de usar quase não existe. Lidar com isso de uma maneira madura e positiva é um desafio que aceito todos os dias ao acordar. Só por hoje eu tenho uma opção: me manter limpo e sóbrio, afinal é minha vida que está em jogo. Agradeço a Deus, a minha família, o grupo e aos amigos que torcem por mim, por mais um dia de vida. SÓ POR HOJE, 24 HORAS, TAMO JUNTO, FUNCIONA: FORÇA.
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Gino Ribas Meneghitti
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Os limites estabelecidos
pela fronteiriça linha entre a realidade e a fantasia serão dirimidos
por uma razão que não cria mas só pensa, sente e imagina o que lhe foi
imposto e ofertado no intuito de iludir e enganar seus mais doces e
suaves anseios de poder e de mudança. Os sonhos de liberdade e de
libertação, tanto do corpo e da alma, serão projetados num fim
transcendente, que irá conferir verdade e sentido, a uma vida
aparentemente hostil e decadente. A pobreza de ideias e de ideais, irá
promover a grande barbárie e miséria moral dos povos, que serão nutridos
por pastores interessados muito mais no controle individual e coletivo
do bolso, coração e mente das ovelhas do que na sua libertação mental,
física e espiritual. Uma legião de seres dependentes e facilmente
manipuláveis serão domesticados sob a regência bíblica de santificadas
pregações. Mais uma vez, o nome de Deus Pai será usado no intuito de
iludir e ludibriar os mais crentes e devotos. A moral do escravo será,
neste país, por muito tempo e anos, alimentada e introjetada, como forma
de vida e de apoio existencial permanente. Nada de bom irá existir além
de suas muralhas e qualquer diferença ou o menor índice de
originalidade deverá ser visto com desdém e desconfiança, pois o que não
vem de Deus procede do Maligno. O dualismo, promovido por este
maniqueísmo ancestral, será um dos maiores empecilhos a serem vencidos
por todas as pessoas que optarem, de forma sincera e honesta, trilharem o
caminho do auto conhecimento. A busca por si mesmo deve ser operada e
realizada num ambiente sem dogmas, preceitos ou preconceitos: nada deve
ser imposto ou ditado além da voz da própria consciência. Ouvir a si
mesmo será, num futuro, não muito distante, um dos atos mais raros e
escassos deste mundo, pois dificilmente iremos saber distinguir a nossa
das demais "vozes". Ninguém saberá assegurar com o mínimo de certeza se
pensa por si ou pelo outro. O
pensamento futuro terá traços históricos irrecuperáveis, como a ausência
de bem e espaços comum. A privatização e apropriação do pensamento será
o próximo passo no controle e escravização das massas.
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Gino Ribas Meneghitti
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Preocupados mais com a fama do que com o que está sendo propriamente dito, defendido e disseminado, uma legião de escritores estão sendo formados para preencher as lacunas e vazios promovidos pelo mercado, que acena de forma positiva e ativa para os futuros escribas editoriais. Os assuntos serão escolhidos e tratados mediante fria análise dos temas mais vendidos e comentados na Internet. O número de visualizações e de "likes" ditará as novas regras do mercado editorial, cujas produções literárias serão requisitadas como mercadorias a serem produzidas no intuito de atenderem uma demanda e público específicos. A política econômica, mais uma vez, irá reger e conduzir o destino da arte, desde de seus produtos até os seus produtores. Os mecenas contemporâneos porém, não visam a proteção ou produção de algo de elevado teor científico, artístico ou cultural, mas tão somente o lucrativo retorno de seus investimentos iniciais. Os livros não serão considerados ou comercializados como portas de acesso a um mundo superior, mas tão somente como instrumentos de manutenção e reafirmação do status quo presente e operante. O sistema irá se encarregar por rebaixar o nível intelectual das massas com a disseminação de livros ruins e que não tenham nenhum propósito, interesse ou finalidade além de distrair, entreter e fantasiar uma realidade que irá se mostrar, a cada dia, mais dura, perversa e difícil de superar.
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Gino Ribas Meneghitti
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O ano de 2016 ficará para sempre gravado na memória de todos os brasileiros, e com certeza, o memorável fato de termos sediado os Jogos Olímpicos será o menor dos acontecimentos. Impeachment e Propostas de Emendas à Constituição foram e estão sendo feitas mediante critérios de caráter duvidoso e estranho aos reais interesses da população. A Petrobras está sendo desmantelada na surdina, e o principais meios de comunicação de massas do Brasil se calam e silenciam perante medidas extremamente prejudiciais e irreversíveis a pequeno, médio e longo prazo. A reforma da Previdência Social, cujo custo é apenas 3% do PIB, volta a discussão e a conta mais uma vez recai no bolso dos aposentados e no salário dos trabalhadores. O socialismo operado as avessas: aos ricos tudo, aos inimigos (a população) o peso e rigor da lei. O salário dos magistrados (leia-se judiciário) e da classe política, vai bem obrigado. A elite repousa seus pés sob o estrado da ignorância e da impunidade, enquanto a população roga a clemência advinda dos céus. Pastores amenizam suas dores e tribulações com cantos, louvores e promessas, douram a pílula do sofrimento sob o manto da justiça e consolação celestes. Investidos da crença em outro mundo, adiam sua salvação para um futuro preenchido de fé, amor e esperança. O presente se torna um peso insuportável pela pena das leis trabalhistas e dos acordos salariais forjados para beneficiar de forma visível e palpável uma classe em detrimento da outra. A população, via de regra, assiste passiva e inerte a pilhagem e o desmanche de suas riquezas e patrimônio. Amparado pelo discurso da crise econômica, política e social, a elite se move contra os interesses do povo, propondo limite de gastos pelos próximos 20 anos nas áreas de maior carência e necessidade: saúde e educação. A reforma do ensino médio não visa apenas a exclusão de algumas disciplinas (sociologia e filosofia por exemplo) mas o amplo acesso e ingresso nas universidades públicas e federais dos egressos do ensino privado, cujo ensino de qualidade será preservado de qualquer mudança neste sentido. Por quais meios e modos iremos operar uma mudança neste cenário e na realidade de nosso país, sinceramente, não sei dizer, mas tem que ser agora, já.
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Gino Ribas Meneghitti
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E se um dia, você pudesse ser, sem o menor pudor ou constrangimento, de ordem moral, social ou religiosa, o mais irresponsável, louco e inconsequente dos homens, o que faria? Provavelmente andaria pelado pelas ruas, vociferando verdades e bobagens a respeito da vida alheia e da própria. Talvez, rasgasse, com destemida fúria e coragem todos os contratos e formas de controle social. Pediria, humildemente, para que as pessoas parassem por um minuto, e esquecessem a hora, o dia, o mês e ano; o lucro, as dívidas, as mágoas e as ambições; que ignorassem de forma solene, nobre e superior toda e qualquer ação da ordem da necessidade; que não deixassem se dominar e se perder pelo medo de sentir sede e de passar fome. Provar por A + B que todos os dias são diferentes uns dos outros; que ninguém sente dor ou prazer do mesmo jeito e muito menos da mesma forma. Que pensassem uma, duas, mil vezes antes de emitir qualquer juízo condenatório sobre a conduta do outro e que pudessem caminhar na companhia da despreocupação e da leveza. Que se preocupassem excessivamente em enriquecer e em embelezar sua mente, alma e espírito para os novos tempos, que estão próximos. Que eleve as máximas alturas o seu pensamento, e extravase, através da filosofia, da ciência, da religião ou da arte, todo seu potencial latente e criativo. Que seu hino seja de louvor a vida e sua guerra uma batalha contínua e incessante contra os seus mais íntimos inimigos e algozes: a inveja, o ciúme e a traição. Que as vítimas de seu orgulho e ego feridos lhe perdoem sua maneira de agir e de ser no mundo. De mãos dadas, com os olhos firmes fixados ao céu e seus pés cravados no chão, deixem para trás todas as diferenças e divergências de ponto de vistas, crenças e opiniões. Um brinde a pluralidade de seres e as mais diversas formas de vida e comunhão.
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1
Hoje, podemos dizer e escrever o que quisermos, com a grande vantagem de termos a certeza de sermos ouvidos, lidos e analisados. Por outro lado, o menor ruído politicamente incorreto é capaz de despertar os ouvidos mais rudes e grosseiros.
2
Nas redes sociais, podemos emitir um apelo desde a morte das baleias ao excesso de glúten nos alimentos.
3
A busca por uma vida saudável e equilibrada tornou-se nosso vício e obsessão, nossa mais moderna e justificável forma de fuga e distração.
4
Enquanto tudo parece conspirar para o fim ignoramos o soluço e gemido emitido pelo outro em nossa imaginação, pois na realidade não temos tempo nem vontade de testemunharmos, ao vivo e a cores, a dor e o sofrimento alheio. Tudo se passa no mundo das ideias e a fantasia toma as cores da realidade, que lhe empresta uma tonalidade fatalista e trágica, mas bem distante de nossas vistas e olhares.
5
Não basta crer na nossa irresponsabilidade pessoal diante de certos quadros, fatos e situações, é necessário desconstruir a ideia de Deus, dos valores morais e religiosos.
6
Ninguém se satisfaz apenas com seu pequeno ponto de vista particular e pessoal, é necessário disseminar e categorizar seu modo de vida como verdade única, absoluta e universal.
7
Ninguém ousa questionar seus defeitos e vícios pessoais, ao mesmo tempo que querem ser, de forma infantil, tola e ingênua, reconhecidos por suas supostas virtudes e qualidades - adjetivos que mudam ao sabor do vento e de suas paixões.
8
O mundo líquido proposto por Bauman, continua sem identidade e sua feição assume um ar de desconfiança, indiferença e descrédito por tudo aquilo que é e que um dia, ainda sim, será: o nascimento, a doença, a velhice e a morte.
9
O relativismo impresso nas redes sociais e nas páginas da Wikipédia nos fornecem um novo sentido para a palavra verdade.
10
O prazo de validade estendido ao mundo das ideias é a novidade produzida no intuito de abarcar fiéis e devotos ao descartável modo de agir, pensar e raciocinar.
11
O imediatismo de um clique a cada compra com o cartão de crédito tende a nos revelar os níveis superficiais com que lidamos conosco, com o outro e com os objetos.
12
Não por acaso, Nietzsche, em pleno século XIX, já previa o aforismo como o estilo filosófico por excelência: breve, curto e direto, perfeito para atender as exigências e demandas de uma sociedade sem paciência, tempo e vontade de se aprofundar em determinadas questões com método, critério e profundidade.
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Gino Ribas Meneghitti
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Gostaria de viver uma vida enchafurdado na ignorância: cego, surdo e mudo aos apelos emitidos pelo mundo e principalmente pela minha consciência. Talvez assim, parasse de pensar, por um minuto, na crise econômica, política, social e ambiental que se abate sobre este planeta. Vítimas de nós mesmos, somos reféns de nosso estilo de vida consumista, individualista e alienante. Escravos de nossas escolhas, nossos atos gravitam na órbita imediatista de nossos desejos, anseios e vontades. Incitados pelos estímulos, principalmente visuais, promovidos por hábeis empresas, interessadas única e exclusivamente no aumento indiscriminado de zeros em sua receita, somos bombardeados pela compra e venda de produtos de toda ordem, de todos os tipos, para todos os gostos, bolsos e idades. Nunca produzimos tanto mas mesmo assim a sombra da escassez ainda nos ronda, nos persegue e nos mata. Talvez, um pouco de lucidez seja necessário para enxergarmos com mais clareza o quanto temos sido levianos, pueris e insensatos. Levados, por uma legião de ofertas, promessas e produtos, nossos bolsos, corações e mentes são preenchidos para logo em seguida serem esvaziados, principalmente de sentido, critério e significado. A vida resumida num árduo atrito entre forças que estranhamente se atraem e se repelem. O trabalho, auge da dignidade, ápice da existência, é ardorosamente defendido e disseminado como algo que nos enobrece, eleva e nos honra. Às humilhações sofridas neste mundo nos resta as consolações oferecidas em outro, e assim passamos por esta vida, desonestos em nossos atos, escolhas e decisões. Que não pesem as contas sobre a mesa e a segurança promovida pelos muros, cadeados e portas. No fundo ninguém se importa.

