Latentes Viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!


pense por um instante
com toda sinceridade
qual seu maior desejo
sua maior vontade
se render ao espírito
aos prazeres da carne
ser realmente livre 
ou fugir da liberdade 
buscar sabedoria
ou fingir que não sabe
ser um gladiador 
ou apenas um covarde   
qual é a sensação
que sua alma invade
indescritível vazio 
ou o peso da saudade    
por quem seu coração
mais fortemente bate
por alguém que partiu
ou dentro do peito arde
pelo menos uma vez
contemple sua verdade
na ausência de certezas
nossa mente se debate
bem vindo ao bom combate
cure todas as feridas
tente se manter de pé
e de cabeça erguida 
existe alguma coisa
pela qual daria a vida?
e por toda eternidade
diariamente lutaria
quem você amaria
sabendo ser imperfeito
repleto de vícios
cheio de defeitos
qual seria a medida
o sentido desta vida
transcende a filosofia 
a humana sabedoria
superei a dialética
o raciocínio lógico
processo é intuitivo
mas nem por isso óbvio
religião é ópio 
já estou habituado
identifico o lobo
em cordeiro disfarçado
visto a máscara do louco
em plena luz do dia 
no coração tenho prece
na mente uma poesia
minha carta de alforria
não está sendo vendida
precisa ser conquistada 
com esforço e disciplina
só assim para viver
imunizado a loucura 
sei que não sou normal
nem acredito na cura
sou a voz que vem de dentro
que anda à sua procura
produzindo sua luz
sua própria penumbra
o meu brilho vem da lua 
percorrendo a noite escura
testemunha ocular
dos terreiros da rua   
sobrevivi ao inferno
conhecendo meu abismo
por fora vivo ao léu
por dentro vivo sorrindo
subi ao sétimo céu
hoje anjo decaído
com corpo de um homem 
e a alma de um menino 


respeito a velha guarda
sou da antiga geração
gosto de brincar na terra
de botar o pé no chão
a palavra de um homem
vale mais que um cifrão
seu caráter está impresso
num firme aperto de mão
olhar dentro dos olhos
e ouvir com a razão
mas quando necessário
agir com o coração
ouvir de mente aberta
a voz da sabedoria
em meio ao barulho
encontrar a calmaria
preciso de silêncio
um pouco mais de calma
pra conversar com Deus
e abrir a minha alma
a porta está fechada
reformas no interior
interditada pra obras
do Poder Superior
já andei com pressa
hoje ando com amor
só quem se perdeu
um dia se encontrou
quis saber de onde vim
me perguntei quem sou?
e hoje com as respostas
sei muito bem onde vou
auto conhecimento
a busca pela verdade
percorrendo o caminho
desvendo a realidade
o que é felicidade
em meio ao nevoeiro
além dos raios de luz
saber que é passageiro
entre lobos traiçoeiros
vou vencendo o desafio
com a alma de guerreiro
e a leveza de um menino
sou eu mesmo o inimigo
no espelho a ser vencido
todo dia quando acordo
preenchendo o meu vazio
com a fé me alimento
movimento no invisível
é necessário crer
no poder do espírito



Voltemos ao nosso universo de reflexões diárias. Desta vez, nada de novo, sempre mais do mesmo. Os dias passam rapidamente e me sinto devorado pela rotina, ligado no piloto automático e fazendo as mesmas coisas, do mesmo jeito e da mesma forma. Tenho uma grande dificuldade de escapar da mesmice, mas juro que tento. A falsa segurança conquistada a duras penas por uma repetitiva rotina desgastante tem consumido, não só minha energia, mas também meus sonhos e ideais. Não sei até que ponto vale a pena caminhar em companhia da esperança: sofre menos quem aceita mais. Até que ponto somos realmente responsáveis por tudo de bom e ruim que acontece ou deixa de acontecer em nossas vidas? Temos realmente a opção de mudarmos drasticamente o nosso destino? Muito fácil emitir um juízo favorável quando não estamos na pele do outro, mas quando a coisa se passa conosco tudo muda de figura, principalmente quando passamos dos trinta anos: as responsabilidades assim como o número de compromissos aumentam e as contas não param de chegar. Assumimos vários papéis, e em todos eles, de forma invariável gostaríamos de desempenhar e dar o nosso melhor. Mas nem sempre isso é possível pois heróis só existem no universo fictício dos filmes, desenhos e quadrinhos. Somos humanos, demasiado humanos, feito carne e osso, com nossas fraquezas, defeitos e limitações. Se por um lado não possuo a receita do sucesso por outro forneço rapidamente a do fracasso: tentar agradar todo mundo. Infelizmente nem mesmo o mestre nazareno consegui esta façanha. E assim sigo minha vida, acreditando que entre a sede de mudar e o medo de permanecer existe a realidade e está não nos deixa esperando pois sempre bate a porta nos convidando ao agir, nos cabe tentar fazer a melhor escolha, sabendo que sorte ou azar só o tempo dirá.


sempre estamos 
em busca de algo
essencialmente insatisfeitos
nada parece nos preencher
apenas o vazio

o amor é apenas uma palavra
para ser balbuciada 
em ocasiões especiais
ou em cima de uma cama

nada dura para sempre
não existe uma chama 
que não se apague

é preciso coragem 
para despirmos 
de nossas certezas

assumimos publicamente 
nossas fraquezas
e convivermos 
com a nossa fragilidade

somos seres vulneráveis
qualquer fortaleza se desmorona 
perante a presença da perda, 
da morte!

nunca mais seremos como antes
não podemos mais voltar
já estamos indo
pra onde?

nunca é tarde
sempre vale a pena 
se questionar...



O Brasil, ainda há de enfrentar, duros golpes, em sua frágil e jovem democracia. Um pequeno grupo de empresários, banqueiros e políticos, que aqui aportaram no único intuito de explorar e consumir as riquezas nacionais em benefício próprio, ainda ousam ignorar solenemente, o fato de outras pessoas co-habitarem o mesmo tempo e espaço. Não queremos ser dirigidos ou novamente teleguiados por forças estranhas a nossa forma de agir, sentir e pensar. Estamos cansados de sermos pisoteados e escravizados por autoridades estranhas a nossa razão. Não queremos ser usurpados do direito a vida e a dignidade. Queremos sonhar com um país que caminhe com as próprias pernas, distante dos moldes capitalistas vigentes. Queremos que um maior número de pessoas possa ser beneficiada e que o direito a terra seja uma prerrogativa de todo e qualquer cidadão dito brasileiro. Não queremos ser reconhecidos como massa ou povo. Temos nome, endereço e identidade. Não somos peças de reposição ou mera mão de obra barata. Somos seres humanos, com os mesmos desejos e vontades. Queremos que nossos filhos frequentem as melhores escolas, que habitem os melhores lugares e possam caminhar livremente, exercendo o direito de ir e vir sem serem revistados. Não queremos em nossa vida, nunca mais, ouvir aquela velha frase, que bem representa a forma como o direito é tratado no Brasil: Você sabe com quem está falando? Já nascemos sem acesso as mais elementares formas de higiene, educação e decência, mas nem por isso gostaríamos de testemunhar a invasão de nossos lares por pessoas armadas que por estarem fardadas dizem nos defender. Não queremos ser os únicos a carregarem o peso e rigor das leis, exigimos que a mesma medida que vocês usam para nos julgar, seja usada para todos de forma indistinta e imparcial. Estamos cansados de sermos iludidos pela justiça. Desejamos, que todo órgão, instituição ou empresa, em nosso país, sirva aos interesses da coletividade acima do mero interesse particular. Que possamos ter acesso ao saber e ao conhecimento. Que nossos filhos possam comungar o mesmo espaço, inclusive o social e imaterial. Que nosso país possa ressurgir da crise com uma nova identidade, fortalecido pelo aprendizado advindo dos próprios erros. Não queremos assistir passivos a vitória de uma classe sobre a outra. Não podemos mais aceitar a distribuição arbitrária e parcial de qualquer tipo de favor ou privilégio.  Não queremos mais habitar o quarto da empregada, queremos comer a mesa em regime de igualdade. Queremos ter acesso aos mesmos modos de produção e facilidades promovidos pelo progresso científico e tecnológico. Queremos ver nossas crianças empunhando livros e não fuzis. Queremos ser reconhecidos como o país do presente e não de um futuro fantasioso e imaginário. Queremos ser um país livre agora. De que necessitamos para nos soltarmos das amarras que nos impedem de caminhar livremente em direção a construção de uma nova e grande nação? Precisamos nos desfazer dos laços que nos prendem a ideia de estado e a todo contrato social estabelecido sem o nosso consentimento. Precisamos de coragem para desvencilharmos, de uma vez por todas, das leis e convenções instituídas com o único propósito de defender os interesses, direitos e posses dos detentores do capital. Precisamos destruir as cercas e muros que nos impedem o acesso a nossa autonomia e auto suficiência. Precisamos gritar nas rádios, nas tvs e nos jornais. Precisaremos reivindicar de forma violenta ou seremos ouvidos de bom grado? Acho que vocês já possuem a resposta. Liberdade ainda que tardia!



como poeta marginal
vivo no fio da navalha
devasso pensamentos
renasço em cada batalha
como oculto vampiro 
seu espírito sondava  
sugava energia
no abismo habitava
com poderes psíquicos 
pela mente alterada
percorrendo caminhos
pelo breu da madrugada 
hoje de mente aberta
com a boca fechada 
observo em silêncio
as feridas na alvorada
quantas almas perdidas
pelo mundo devorada 
elevar a consciência
é a meta desejada
sigo abrindo mentes
com a lâmina afiada
cultivando sementes
em paisagem descampada 
minha matéria prima
é bruta, não lapidada
minha vida pregressa
confusa e complicada
minha vida passada
esquecida e apagada
minha vida presente
só por hoje equilibrada
agora me encontro
preparado na largada
minha mente acelera
coração vem e dispara 
miro a bola da vez
mato numa só tacada
a mente engatilhada 
pensamento rajada
bombardeios de ideias
é a guerra declarada
manual guerrilheiro
meu modus operandi
educação em massa
muitos livros na estante
sou só um militante
da guerrilha cultural
disseminando ideias
meu acervo arsenal   
ignorância é o mal
que deve ser alvejado
diariamente banido
do mundo eliminado
por todos direitos
duramente conquistados
pelo sangue inocente
na história derramado
por todos os mártires
que foram assassinados
por todos os loucos
que nunca se entregaram
por todas cabeças 
que nunca se curvaram
por todos joelhos
que nunca se dobraram
por todos rebeldes 
que nunca se aceitaram
mudei minha postura
nunca minha vontade
lutarei até o fim
por amor a liberdade
nunca me enquadrei
neste sistema arcaico
nasci periferia
e cresci no mesmo bairro
sem pré requisito
ou artigo publicado
não sou nenhum produto
no mercado ofertado
não tenho nenhum preço
na minha testa estampado
não vendo minha alma
para Deus ou o Diabo
não sei se estou certo
ou estarei errado
amanhã é outro dia
não vou me sentir culpado
defendo o que penso
não vou pagar o pato
ser sempre verdadeiro
é o alto preço do ato

Total de visualizações de página

GINO RIBAS MENEGHITTI

Admiro todas as pessoas que ousam pensar por si mesmas.

Blog Archive

Posts mais Lidos e Visualizados

Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

Páginas

Translate