O Brasil, ainda há de enfrentar, duros golpes, em sua frágil e jovem democracia. Um pequeno grupo de empresários, banqueiros e políticos, que aqui aportaram no único intuito de explorar e consumir as riquezas nacionais em benefício próprio, ainda ousam ignorar solenemente, o fato de outras pessoas co-habitarem o mesmo tempo e espaço. Não queremos ser dirigidos ou novamente teleguiados por forças estranhas a nossa forma de agir, sentir e pensar. Estamos cansados de sermos pisoteados e escravizados por autoridades estranhas a nossa razão. Não queremos ser usurpados do direito a vida e a dignidade. Queremos sonhar com um país que caminhe com as próprias pernas, distante dos moldes capitalistas vigentes. Queremos que um maior número de pessoas possa ser beneficiada e que o direito a terra seja uma prerrogativa de todo e qualquer cidadão dito brasileiro. Não queremos ser reconhecidos como massa ou povo. Temos nome, endereço e identidade. Não somos peças de reposição ou mera mão de obra barata. Somos seres humanos, com os mesmos desejos e vontades. Queremos que nossos filhos frequentem as melhores escolas, que habitem os melhores lugares e possam caminhar livremente, exercendo o direito de ir e vir sem serem revistados. Não queremos em nossa vida, nunca mais, ouvir aquela velha frase, que bem representa a forma como o direito é tratado no Brasil: Você sabe com quem está falando? Já nascemos sem acesso as mais elementares formas de higiene, educação e decência, mas nem por isso gostaríamos de testemunhar a invasão de nossos lares por pessoas armadas que por estarem fardadas dizem nos defender. Não queremos ser os únicos a carregarem o peso e rigor das leis, exigimos que a mesma medida que vocês usam para nos julgar, seja usada para todos de forma indistinta e imparcial. Estamos cansados de sermos iludidos pela justiça. Desejamos, que todo órgão, instituição ou empresa, em nosso país, sirva aos interesses da coletividade acima do mero interesse particular. Que possamos ter acesso ao saber e ao conhecimento. Que nossos filhos possam comungar o mesmo espaço, inclusive o social e imaterial. Que nosso país possa ressurgir da crise com uma nova identidade, fortalecido pelo aprendizado advindo dos próprios erros. Não queremos assistir passivos a vitória de uma classe sobre a outra. Não podemos mais aceitar a distribuição arbitrária e parcial de qualquer tipo de favor ou privilégio. Não queremos mais habitar o quarto da empregada, queremos comer a mesa em regime de igualdade. Queremos ter acesso aos mesmos modos de produção e facilidades promovidos pelo progresso científico e tecnológico. Queremos ver nossas crianças empunhando livros e não fuzis. Queremos ser reconhecidos como o país do presente e não de um futuro fantasioso e imaginário. Queremos ser um país livre agora. De que necessitamos para nos soltarmos das amarras que nos impedem de caminhar livremente em direção a construção de uma nova e grande nação? Precisamos nos desfazer dos laços que nos prendem a ideia de estado e a todo contrato social estabelecido sem o nosso consentimento. Precisamos de coragem para desvencilharmos, de uma vez por todas, das leis e convenções instituídas com o único propósito de defender os interesses, direitos e posses dos detentores do capital. Precisamos destruir as cercas e muros que nos impedem o acesso a nossa autonomia e auto suficiência. Precisamos gritar nas rádios, nas tvs e nos jornais. Precisaremos reivindicar de forma violenta ou seremos ouvidos de bom grado? Acho que vocês já possuem a resposta. Liberdade ainda que tardia!
34 milhas percorridas
com direito a nome
escrito no livro da vida
quem se identifica
como um ser alado
com sorriso no rosto
permanente estampado
sei que é possível
basta ter paciência
somente os escolhidos
reconhecem a ciência
desvelam sua essência
muito além da aparência
sabem que sua vida
é uma eterna experiência
adquirem sapiência
humilde sabedoria
por fora a tempestade
por dentro a calmaria
agora o que importa
se nada lhe incomoda
a morte é só um nome
pequeno que abre a porta
a vida vem em ondas
para quem sabe surfar
segredo é deixar fluir
a prancha em alto mar
surfista do universo
do espaço sideral
magnéticas ondas
se propagam no astral
neste oceano abissal
perdidos no exterior
quantos conflitos íntimos
ainda provocam dor
na ausência de amor
daquele humano calor
o homem vira bicho
um animal sem valor
o caminho é solitário
tente andar devagar
abandone toda pressa
todo medo de errar
não se cobre tanto
caso venha a falhar
pois o medo de cair
nos impede de voar
todos erros cometidos
são mestres a ensinar
o que devemos perder
para podermos ganhar
tem que ser para ter
caso queira conquistar
o segredo da vida
é cada coisa em seu lugar
se tem sede de justiça
tem sede de mudança
qual será sua medida
o peso fiel da balança
voltar a ser criança
na pureza dos atos
para habitar o céu
a beleza dos astros
sigo seguindo rastros
sempre atento aos sinais
nunca estamos sozinhos
não ouse olhar pra trás
navego sempre em frente
as ilusões deixei no cais
remando em mar aberto
enfrentando temporais
chuvas ou vendavais
que diferença faz
toda dor é pequena
para quem sofreu demais
eu lhe mostro
o que é real
percepção natural
não sei o que é pior
viver com medo
ou sem revolta






