sou seu divino mistério
sua dor imaculada
seu filho pródigo tempo
sua secreta cilada
sou seu sabor
seu veneno
o grito sufocado
sou seu alivio remédio
sou seu senhor
seu escravo
não tenha pressa
eu lhe peço
fique um pouco
calada
ouça a prece
do silêncio
segredo
desta jornada
ouvi o canto
das almas
num dia
vestido
triste
ainda
lembro
seu rosto
condeno
seu
dedo
em riste
nada de mim
conservo
além de
sua amizade
sou seu poeta
sou servo
sou filho
desta cidade
sou fruto
raro da selva
sou flor
sou morte
sou arte
sou seu divino segredo
sou o seu porta estandarte
nada desta vida levo
além da chama sagrada
já estive no templo
caminho na encruzilhada
perambulei universo
dentro achei a morada
hoje sou assim confesso
o amor é minha estrada
Aos padrões globais
Destes tempos imorais
Rezando por temporais
Cansado de tanto faz
Daqui nada se leva
não quero negociar
mas se for possível
sua alma elevar
darei asas pra voar
olhos para enxergar
ouvidos pra escutar
pernas para caminhar
Neste sombrio precipício
errante eu caminhei
por quantas veredas
alamedas me encontrei
perdido na esquina
no boteco travado
tomando uma cerveja
acendendo um baseado
um cego escravizado
ao vício acorrentado
destruindo minha vida
sorrindo desnorteado
já estive do outro lado
hoje um sequelado
carrego as feridas
da química o estrago
se soubesse o que sei
nunca aceitaria
nem mesmo um dois
cocaína ou tequila
com certeza evitaria
mandaria passear
dá linha na pipa
está ideia não vou comprar
na serenidade
aceito a verdade
avesso a mentira
rejeito a futilidade
quanto tempo
perdido na loucura
vagando pela rua
atento à viatura
assumo outra postura
assisto passivo
o seu carnaval
omisso na política
ativo transcendental
neste mundo imoral
comédia pagando pau
até se achando o tal
mas no fundo é um boçal
fazendo sempre igual
a arte é um instrumento
de lapidação interna
através da poesia
sublimo a minha guerra
Alguém se alimenta apenas de palavras?
Alguém se limita a dizer somente o que sabe,
e não o que acha ou supostamente acredita?
Não existe crença na política
Não existe credo no plenário
Não existe povo atendido
Muito menos povo beneficiado
Quem financia a mentira
Também promove a miséria
Quem hoje acredita na política
É infelizmente a favor da guerra
O meu voto não é meu
Ele já foi tomado
Nenhum partido me representa
Nenhum candidato é meu aliado
Não acredito em políticos
Nem mesmo em boas intenções
Acredito no anarquismo
e nas leis inscritas nos corações
Por um pedaço de terra
E uma fatia de pão
Que seu sim seja sempre sim
E o não seja sempre não!
seu silêncio
seu grito
a sua verdade
seu pão
o seu circo
a sua vontade
seu irmão
seu amigo
a sua coragem
imprevisível
destino
a sua
engrenagem
seu sorriso
oficio
a sua arte
intimo
segredo
agora
revelado
o mistério
o planeta
o cometa
sou cosmos
do sol
os seus
raios
a certeza
da vida
a sua morte
o vento
que sopra
do sul
ao norte
um tapete
no chão
estendido
para pés
delicados
a imagem
cinzenta
de um dia
nublado
a parede
a moldura
o divino
quadro
o singelo
arquiteto
quiçá
o mercenário
uma prece
quermesse
o visionário
o profeta
o alerta
o que
segue
calado
Escrevo poemas
Aberto a discussões
Ser sempre sincero
São as minhas condições
O resto é desperdício
Fruto das vis ambições
Não tenho segredos
mas tenho minhas visões
Ontem tive medo
Hoje tenho revelações
De um lado desespero
Do outro as ilusões
Valorizo o respeito
Em todas ocasiões
Não carrego o desprezo
Mas tenho minhas opções
A verdade tem seu preço
Eu tenho minhas decisões
Reconheço o seu peso
Em todas resoluções
O tempo traz a certeza
Para alguns corações
Eis a minha fortaleza
O porquê das orações
Dissipo toda tristeza
Na pureza das canções
Vivo sempre com destreza
No silêncio das missões
A vida possui beleza
Além de suas dimensões
Sei que não sou perfeito
Tenho minhas limitações
No mundo de incertezas
Carrego intuições
O destino é incerto
Mas tem suas previsões
O futuro será passado
No presente das ações
Me sinto elevado
Levado por vibrações
Mergulho em mim mesmo
Dissipo as distrações
Me recolho no silêncio
Abstraio situações
Evito julgamentos
Não acredito em sermões
Aceito o que sou
Não permito projeções
Vivencio a verdade
No mundo das mirações
Já estive na trincheira
Entre balas e canhões
Hoje poeta da fronteira
Entre ritos e razões
Lanço agora ao universo
As minhas opiniões
Se é verdade o que penso
Chegue as suas conclusões
Pois pensar por si mesmo
É o preço das reflexões!








