Latentes Viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!

 
Escrito pelo jornalista mineiro Fernando de Morais, o livro retrata as ações políticas executadas durante as primeira décadas pós revolução. Cuba sempre será um país que incita a discussão gerando controvérsias e polêmicas, contra ou a favor, vale a pena empreender esta viagem em direção ao passado e aprender com os acertos promovidos por Fidel e sua equipe. Após um mês de permanência no país é possível perceber as contradições imanentes ao regime, como o pagamento de um maior salário aos trabalhadores responsáveis pela produção de açúcar e tabaco, a venda de produtos importados à um preço inferior para estrangeiros do que para os próprios cidadãos cubanos, a existência de um limite de compra para os produtos ofertados no supermercados e a proibição de se ter o próprio negócio. Por outro lado, quartéis se transformaram em escola fazendo com que o índice de analfabetismo caísse de 40 para 3%. A obrigatoriedade do estudo e do trabalho fizeram de Cuba um país socialmente ativo, com pequenos índices de pobreza e miséria, a reforma agrária implantada fez com que todo cubano tivesse acesso a um pedaço de terra, as casas e comércios abandonados pelos que não quiseram aderir ao regime serviu de moradia aos "companheiros" forma de tratamento utilizado pelos revolucionários. Com forte incentivo do governo, as mulheres foram emancipadas e a proibição do trabalho doméstico fez com que as mesmas pudessem ocupar, mesmo que de forma pouco ostensiva, cargos políticos e outras posições dentro do seio da sociedade. É interessante notar que o regime socialista desenvolvido em Cuba não encontra precedentes em qualquer outro lugar do mundo, apesar de ter sofrido embargo econômico promovido pelos EUA, Cuba foi auxiliado diretamente pelos soviéticos, que passaram a importar o açúcar cubano, principal produto produzido na Ilha, lentamente as reformas implementadas geraram resultados, Cuba ainda hoje, é responsável pela formação de excelentes médicos, com um organograma de atividades estabelecidos pelo governo, os jovens, além de possuírem acesso garantido ao ensino superior possuem emprego e são obrigados a desenvolverem atividades físicas, a prática de esportes ocorre de acordo com a escolha de modalidades (basquete, futebol, natação, beisebol, vôlei, etc) feita pelo aluno. Apesar de despertar suspeitas e de ser quase impossível reproduzir estes conceitos nos mesmos moldes cubanos, ainda sim, é possível afirmar que algumas atitudes produziram bons resultados. Não se trata de emitir um juízo contra ou a favor, mas simplesmente de constatar a existência de uma realidade totalmente diversa da nossa.  

 
Uma deliciosa aventura empreendida pelo fluminense de Paraty, Amy Klink, que ousou atravessar o Atlântico com um simples barco a remo. Foram necessários dois anos de estudos metódicos e o trabalho de uma equipe formada desde nutricionista à engenheiro naval. A história preenchida de curiosidades e misteriosas coincidências exercem uma doce influência no leitor, que vagarosamente é convidado a adentrar nos fascinantes segredos do mar, de uma forma inteligente e bem humorada, Amyr consegue fazer com que sua experiência se torne também um pouco nossa, a forma com que descreve os detalhes nos leva a exercitar de forma criativa a imaginação. A sua determinação e ousadia podem ser exemplificadas na escolha de sua meta: partir da Namíbia em direção ao Brasil, especificamente Salvador, com um barco a remo. Contrariando todas as estatísticas e recusando qualquer opinião contrária ao seu único propósito e desejo, mesmo sendo advertido por "marujos" experientes, diante de medidas cautelares, de estudos aprofundados da região, de suas correntes e geografia, portando conhecimentos marítimos indispensáveis para um empreendimento de tal monta, Amyr superou todos os obstáculos, principalmente os burocráticos, e partindo de uma trama forjada por fantásticas coincidências o mesmo nos transmite valiosas lições, desde do valor das coisas relativamente simples como aspectos de cunho existencial, mesmo estando distante de sua terra, longe de tudo e de todos, o mesmo não sentiu por um instante sequer o sentimento de solidão, em nenhum momento pensou que não iria conseguir, superando as adversidades, encarando os desafios com paciência e resignação, venceu a distância dia após dia, nos fornecendo uma linda lição de coragem, ousadia e determinação, um livro para ser lido com os olhos do espirito pois fala diretamente ao coração de quem lê, com certeza uma bela experiência que merece sim, ser compartilhada, boa leitura a todos.     

 
é um copo de água gelada
é uma pia com louças lavadas
é um quintal limpo, arrumado
é um banho no corpo suado
é algo simples, inusitado
é o cheiro quente e forte de café
é a manteiga derretida no pão
é o alho na panela de arroz torrado
é o bom dia do vizinho ao lado
é a janela aberta ao sol
é o convite que a vida reserva
é a roupa secando suave no varal
é o cheiro de chuva na terra
é sua canção no rádio tocada
é um poema no livro declamado
é um minuto de ócio despreocupado
é a prece realizada no mesmo horário
é um ritual de alegre sacrifício
é um sorriso aberto espontâneo
é um oficio exercido com paciência
é a disciplina transmutada em ciência
é a liberdade de criar o inesperado
é respirar o ar puro de uma floresta
é ouvir o sereno assobio dos pássaros
é consultar os deuses e os astros
é extasiar-se perante o grito de um macaco
e contemplar um crente na igreja ajoelhado
é respeitar as rugas dos mais velhos
é viver tranquilo consigo, na serenidade
é ajudar na construção de um novo mundo
é transformar os valores da sociedade
é a amizade de infância cultivada
é o elo mais forte de uma corrente
é saber dar a quem te pede
é o silêncio no intimo auscultado
é o desejo, o sabor do pecado
é ser humano na sua plenitude
é ter vontade e as vezes ser rude
é ser poeta convivendo com feras
é filosofar com os antigos numa era moderna
é deleitar-se com a mais nova canção
é distrair-se sem perder a razão
é confundir-se na imanência de ser outro
é ser processo, sempre algo vindouro
é o futuro que habita nosso presente
é o passado que a gente não ressente
é a memória no quintal estendida
é um espirito, um comportamento
é uma atitude de ousadia e contentamento
é valorizar cada gesto empregado
é respeitar o que é para ser respeitado
é não distinguir o profano do sagrado
é ser falível e aprender com os erros
é ser humilde perante a divindade
é ser humano e desejar a verdade
é sofrer no silêncio com dignidade
é esperar o nascer de uma nova humanidade

 
O livro foi escrito por dois jornalistas, Rogério Medeiros e Marcelo Netto,e descreve em detalhes as atrocidades cometidas pelo delegado capixaba Cláudio Guerra, que na época da ditadura era delegado do DOPs. Guerra foi um dos nomes mais temidos no tempos da ditadura, sua reputação inspirava temor e respeito, apesar de ter assassinado centenas de pessoas contrárias ao regime, era totalmente contra a prática de torturas. Com detalhes reveladores, o livro revela a face mais cruel e sórdida dos meios utilizados pelos militares para permanecerem no poder, desde reuniões secretas num tradicional restaurante do Rio de Janeiro, o Angu do Gomes, até o treinamento e financiamento por parte da Agência Central de Inteligência dos EUA, a CIA. O livro relata de forma cronológica acontecimentos trágicos de uma época marcada pelo medo e pela insegurança. Sua atuação se concentrava em toda região sudeste. Uma das táticas utilizadas pelos militares era o recrutamento de civis e militares para desempenharem atividades fora do seu estado de origem pois era uma das formas dos envolvidos não serem reconhecidos e agirem com mais liberdade e segurança. O livro cita nome conhecidos, do meio artístico, político e empresarial, nos deparamos com as ilustres figuras de Roberto Marinho, Brizola, Gabeira, Lucio Mauro, Boni, Maluf, Abílio Diniz. Vários atentados foram orquestrados contra a figura de Brizola por exemplo, todos sempre mal sucedidos. Gabeira foi outro a ser fortemente perseguido. Após ter voltado do exílio, era vigiado habilmente por um coronel linha dura, que não perdoara o fato de ter uma das pernas fraturadas em função de um tiro dado pelo mesmo, apesar de Gabeira negar veemente este fato. Guerra fora incumbido da missão de plantar uma bomba no avião que iria embarcar com o futuro deputado, no entanto, além de não ter identificado a presença de Gabeira o mesmo se deparou com uma cena que o fez voltar atrás: a quantidade de crianças e idosos a bordo. A bomba foi deixada no banheiro do aeroporto, fato este acobertado pela imprensa. Os relatos seguem uma sucessão de cenas dignas de um filme de terror, desde torturas, decapitação de membros, incineração de corpos, tiros a queima roupa, afogamentos e aparentes mortes acidentais. Todo um esquema montado em função de um só objetivo: a manutenção do poder e do regime na mão dos militares. Qualquer pessoa que representasse um risco e pudesse ser forte instrumento para alavancar os ideais de ordem democrática poderia se tornar num alvo que deveria ser rapidamente eliminado, sem rastros e pistas, sem direito a ser velado. A casa da morte em Petrópolis aparece como possível local de desova, assim como uma usina de cana de açúcar em Campos, que pertencia a um famoso empresário e era utilizada na incineração de corpos. A relação com os empresários e fazendeiros locais era estreita, os mesmos faziam parte de um grande esquema de tráfico de armas internacional. Na iminência de estourar uma possível rebelião a favor da reforma agrária, agentes americanos abasteciam os fazendeiros através dos militares, que utilizavam toda sua influência na compra e venda de armas. Além de terem sido fortemente treinados pela CIA os mesmos chegaram a receber a incumbência de executarem determinadas missões, entre elas a de explodir uma rádio comunista em Angola. Na época a presença maciça de cubanos fez com que o ataque se desdobrasse numa guerra sem precedentes, envolvendo todas as partes. Os militares voltaram no mesmo dia, e isto nunca veio a tona, até então. O empresário Roberto Marinho, das Organizações Globo, que sempre teve boas relações com os militares, no  final dos anos de chumbo, numa inútil tentativa de dissociar seu nome do regime, chegou a arquitetar com os mesmos um plano para que a sociedade pudesse acreditar que ele também era mais uma vitima da ditadura. O ataque em sua casa foi um plano bem bolado para que todos pudessem sair ganhando, os militares sabiam de antemão que a casa estaria vazia e a mando do senhor Roberto Marinho explodiram uma bomba, nenhum vestígio foi encontrado e ninguém foi notificado ou processado.  As reuniões entre os coronéis se dava num tradicional restaurante do Rio de Janeiro que foi recentemente reinaugurado, o Angu do Gomes, era um restaurante frequentado por políticos, militares e artistas, entre eles Boni, Lúcio Mauro, Wagner Montes e Moacir Franco, todos com ligação direta com o regime. O sequestro do empresário do grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz foi efetuado numa frustrada tentativa de manchar a reputação do PT, que naquela ocasião disputava um cargo a presidência, sendo a principal força oposicionista, com o candidato Luis Inácio "Lula" da Silva que viria a ser derrotado após uma descarada manipulação do debate televisivo em favor de Fernando Collor. Cláudio Guerra era apenas um civil cumprindo ordens dos seus superiores, geralmente era o responsável pelo tiro de misericórdia. Entre tantos acontecimentos, é possível entrever a atmosfera de medo e desconfiança que permeava seu universo intimo e particular, presenciou a morte de milhares, assim como o favorecimento ilícito de tantos outros, entre eles, podemos citar um grupo particular, o dos bicheiros. Após a queda do regime, teve como padrinho o famoso bicheiro carioca, Castor de Andrade, que após ter lhe revelado o funcionamento de sua engenhosa estrutura, ajudou a aplicar o mesmo procedimento no Espirito Santo, Guerra seria eternamente grato por isso, se não fosse seu encontro com Deus e sua conversão a uma religião de origem evangélica, movido por este sentimento de remissão e arrependimento, ele abre o jogo num livro surpreendente e que com certeza merece ser lido por todo aquele que de fato interesse um pouco pela história recente de seu país. Um belo convite, boa leitura a todos. 

São as crônicas nascidas de nossas experiências que nos tocam e nos levam as mais belas reflexões, pois é preciso sentir dentro de si um caos para poder parir uma estrela, já dizia um célebre filósofo explosivo e antidogmático. A origem dos dogmas reside na presença do autoritarismo e sua existência permanece somente em ambientes coercitivos, cuja marca indelével é a incondicional submissão aos valores e conceitos disseminados como verdades eternas e absolutas. Estas discussões me levam de encontro à preguiça e a indolência, nada melhor do que deitar e em absolutamente nada pensar, pois não existe nada mais importante no momento do que esta chuva que cai deliciosamente lá fora, depois de ter presenciado a queda de uma tempestade, com raios e trovões, abro a janela e me deparo com um fim de tarde ensolarado, o que fez surgir um lindo Arco Iris, que sempre consegue resgatar, de forma direta e espontânea, a minha ingênua e saudosa infância. Diante de um mundo destituído de valores e de presença, olhar dentro dos olhos constitui algo de inestimável importância e valor, os antigos reconheciam as pessoas pela forma como pegavam em sua mão e dependendo da força e da firmeza era possível medir e prever o caráter e compromisso impresso naquele aperto, registros de um tempo marcado pelo famoso fio de bigode, em que a palavra dada valia a honra e dignidade de toda uma existência, cedendo aos apelos do momento, sou impelido a este tempo, que será irremediavelmente perdido e esquecido, quiçá se tornará imemorável. As sementes plantadas em meu coração parecem brotar com esta chuva de reflexões, os grãos de uma filosofia ativa florescem no solo da mente, a poesia dissemina temas, a história sugere ciclos, os caminhos não são únicos, são distintos e nada neste mundo permanece, a tristeza contida nos lábios, a maldade persistente da língua, os fósforos riscados no quarto, o preço pago pelo suicida, a morte é extensão da vida, e os quadros serão restaurados, na inútil tentativa de resgatar a sua imanente originalidade, nomeiam presidentes, vendem-se esperanças, brincam com o destino do povo, esquecem-se de quem são filhos, aumentam as tarifas, reduzem a educação, o número de livrarias extintas em Nova York é o reflexo do mais novo modelo defendido pela cultura do capital, procuram perspectivas, apontam caminhos, sugerem especulações, nada de novo parece ser criado, alguém contempla uma nova peça de teatro, o aumento dos preços no mercado e na conta de energia, baldes espalhados no quintal evidenciam as consequências da seca, uma nova consciência ressurge no horizonte trágico, a dor novamente impulsiona o progresso, e um novo jogador contratado ainda anima as conversas descontraídas dos distraídos que ainda permanecem parados na esquina, o tempo se avizinha das horas, o mundo se aproxima do medo no elo de chaves e paredes, janelas e portas, muros e portões, alguém picha no muro a sua própria miséria, revoluções artísticas da matéria inauguram uma nova era, onde a hipocrisia e a letargia mental impera, nada de novo, nenhuma novidade, aumentei um ano em minha idade, o posicionamento dos astros reconstrói minha nova atmosfera, o homem fera novamente enjaulado, permaneço trancado, no corpo cela a alma contempla no futuro a sua liberdade, do futuro ainda hoje sinto saudade, até que me despeça mais uma vez do planeta Terra.  A busca incessante pela perfeição, pelo mínimo teor literário destilado nos versos, pelo respeito contido no mínimo de amor próprio.

Bem vindos ao ano de 2015. Poderíamos enumerar os aspectos positivos do ano que se inicia e logo em seguida fazer um formidável convite ao leitor para que se delicie e aproveite as oportunidades, porém, as profecias apocalípticas parecem estar se realizando bem diante dos nossos olhos. Apesar do espasmo coletivo com o número de ocorrências lamentáveis registradas na Petrobrás, do índice inflacionário, das sombrias previsões econômicas, das reduzidas perspectivas de crescimento e da possibilidade de testemunharmos o maior racionamento de água e energia do País, milhares de pessoas ainda preferem viver sem nenhum tipo de reflexão e aprofundamento relativo às questões existenciais. A maioria prefere optar pela adoção cega e irrefletida de valores ilusórios e imediatistas, adiando mudanças importantes em suas vidas, sobretudo em relação ao comportamento perante a própria vida, que se torna destituída de valor e de um significado maior. No passado poderíamos recorrer ao célebre ditado incorporado pelos mestres da auto ajuda que dizia de maneira incisiva que onde algumas pessoas enxergam crise outras veem oportunidades, mas diante da escassez de recursos indispensáveis a manutenção da vida é impossível não aderir ao apelo promovido pelo pânico e o desespero. Se por um lado condutas alarmistas servem para influenciar de forma decisiva o futuro de uma geração ou de simplesmente tornar mais fácil os meios de manipula-la por outro não podemos ignorar que as drásticas mudanças climáticas promovidos pelo aquecimento global tem repercutido de forma negativa na vida de grande parcela da população mundial, fazendo com que algumas atitudes e valores até então tido como absolutos passem a ser revisados e discutidos sobre uma nova ótica mundial, ou seja, de que a falta de alguns recursos naturais, inclusive os considerados renováveis, tendem a ser um fator de grande risco para a extinção deste modo de vida capitalista, que valorizou em demasia os objetos mais do que os próprios seres. A reflexão não está sendo mais direcionada para o aspecto do consumo mas sim para o da produção, ou seja, não é simplesmente saber e afirmar que precisamos reduzir o consumo das coisas e sim a produção de artefatos e artigos inúteis, desnecessários, é hora de repensarmos, em caráter emergencial, a real necessidade de certos produtos e utensílios. O simples hábito de não comer carne pode ser um dos maiores atos em favor da manutenção e da preservação de nascentes por exemplo, a quantidade de água utilizada no cultivo da soja e na alimentação de aves, bovinos e suínos ultrapassa em números a utilizada por nós, humanos. Deveríamos repensar a produção de novas tecnologias e passar a valorizar a própria vida em si, valores como o amor e a amizade, temas corriqueiros inscritos nas mentes de ingênuos idealistas pode ser apontado como caminhos a serem seguidos por todos aqueles que acreditam em algo bem maior do que suas próprias crenças e vontades.

Alguém lhe convence apenas com discurso?


Alguém se alimenta apenas de palavras?


Alguém se limita a dizer somente o que sabe,


e não o que acha ou supostamente acredita?


Não existe crença na política


Não existe credo no plenário


Não existe povo atendido


Muito menos povo beneficiado


Quem financia a mentira


Também promove a miséria


Quem hoje acredita na política


É infelizmente a favor da guerra


O meu voto não é meu


Ele já foi tomado


Nenhum partido me representa


Nenhum candidato é meu aliado


Não acredito em políticos


Nem mesmo em boas intenções


Acredito no anarquismo


e nas leis inscritas nos corações


Por um pedaço de terra


E uma fatia de pão


Que seu sim seja sempre sim


E o não seja sempre não!

seu silêncio
seu grito
a sua verdade

seu pão
o seu circo
a sua vontade

seu irmão
seu amigo
a sua coragem

imprevisível
destino
a sua
engrenagem

seu sorriso
oficio
a sua arte

intimo
segredo
agora
revelado

o mistério
o planeta
o cometa
sou cosmos

do sol
os seus
raios

a certeza
da vida
a sua morte

o vento
que sopra
do sul
ao norte

um tapete
no chão
estendido
para pés
delicados

a imagem
cinzenta
de um dia
nublado

a parede
a moldura
o divino
quadro

o singelo
arquiteto
quiçá
o mercenário

uma prece
quermesse
o visionário

o profeta
o alerta

o que
segue
calado

Escrevo poemas
Aberto a discussões
Ser sempre sincero
São as minhas condições
O resto é desperdício
Fruto das vis ambições
Não tenho segredos
mas tenho minhas visões
Ontem tive medo
Hoje tenho revelações
De um lado desespero
Do outro as ilusões
Valorizo o respeito
Em todas ocasiões
Não carrego o desprezo
Mas tenho minhas opções
A verdade tem seu preço
Eu tenho minhas decisões
Reconheço o seu peso
Em todas resoluções
O tempo traz a certeza
Para alguns corações
Eis a minha fortaleza
O porquê das orações
Dissipo toda tristeza
Na pureza das canções
Vivo sempre com destreza
No silêncio das missões
A vida possui beleza
Além de suas dimensões
Sei que não sou perfeito
Tenho minhas limitações
No mundo de incertezas
Carrego intuições
O destino é incerto
Mas tem suas previsões
O futuro será passado
No presente das ações
Me sinto elevado
Levado por vibrações
Mergulho em mim mesmo
Dissipo as distrações
Me recolho no silêncio
Abstraio situações
Evito julgamentos
Não acredito em sermões
Aceito o que sou
Não permito projeções
Vivencio a verdade
No mundo das mirações
Já estive na trincheira
Entre balas e canhões
Hoje poeta da fronteira
Entre ritos e razões

Lanço agora ao universo
As minhas opiniões
Se é verdade o que penso
Chegue as suas conclusões
Pois pensar por si mesmo
É o preço das reflexões!

Viva o ócio
o óbvio
a filosofia

Risque
o fósforo

acenda
uma
poesia

O desafio
é viver,
sem
temer,
sem 
   duvidar,  
 acreditar,

minha 
vida
entregar,

vontade
sublimar,

desejo
é alimento,
combustível
da alma,

pensamentos
são atos,
preconiza
a calma,

paciência
ameniza
o aflito,

o padrão
mental
normal
é o conflito,

vivo
o meu
 dia,
 
valorizo
o ar
que
respiro,

a dimensão
que habito,

na
busca
pelo
equilíbrio,

exercito
a terapia
do grito,

converso
com
espíritos
e amigos,

evito
discussão,

escolho
hoje ser
feliz
do que
sempre ter
a razão

sentiu se
preso
ao tempo
aos poros
à pele

sentiu
o peso
do tempo
nos poros
da pele

despiu-se
do tempo
dos poros
da pele

descobriu-se
desespero
deserto

fantasmas
fantasiam
penumbras

ninguém
por perto
em si
testemunha

após o
grito
o silêncio
escuta

o olhar
do outro
lhe trouxe
pra perto

do seu
sabor
seu cheiro
seu credo

sua humana
carne
colhida

seu espirito
alma
descoberto

desespero
interno
findou-se

pequena
mácula
ninguém
enxerga

a sua
vida
triste
é um
doce

a sua
guerra
pública
decreta

o fim
da vida
particular
secreta

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nada
oculto
neste
mundo
fica

mas
o
segredo
seleciona
a espécie

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Todos os dias,
motivos estão,
estendidos na pia,
calçada, menina,
há diversão,
antigos quintais,
nas sombras das frutas,
roupas nos varais,
nada demais,
apenas o vento,
me leva no tempo
dos meus currais,
antigos demais,
sempre essenciais,
os milharais,
crianças correndo,
sorrindo, vivendo,
agora tanto faz,
nada demais,
o tempo me traz,
além dos dilemas,
infância um tema,
emite sinais,
dos meus ancestrais,
repousam em paz,
sacode a memória,
baú de estórias,
que bem me faz,
o tempo atrás,
vivido em paz,
com coisas reais,
que satisfaz,
nada demais...

no inicio é muito tranquilo,

confortável,
o sabor do primeiro gole,
inevitável,
o prazer do primeiro porre,
inimaginável,
sobre isso,
ninguém discorre,
é claro,
inofensivo no principio,
parece diversão,
ameniza os conflitos,
torna o inimigo irmão,
nos finais de semana,
sua presença exala,
auto confiança, segurança, emboscada,
beber não pegar nada,
parece até piada,
a gente se diverte,
torna a vida engraçada,
preenche o vazio,
nem parece vício,
impossível lembrar
que isto leva ao alcoolismo,
entre tantas festas,
clima de euforia,
acenderam um baseado
e eu entrei naquela brisa, 
amor a primeira vista,
quanta alegria,
minha mente vagava,
a consciência distraia,
tudo bem corria,
nada preocupava,
a vida era uma festa
e eu me embriagava,
varava madrugada,
valorizava as noitadas,
todos eram amigos
somente a família não prestava,
nunca me apoiava,
ainda criticava,
o estilo de vida que eu adotara,
minha presença era rara,
nunca estava em casa,
somente na quebrada,
junto com os caras,
quebrando um de boa
conhecendo a malucada,
com o tempo,
foi se o bom momento,
a novidade acabou,
restou o sofrimento,  
nada para amenizar a dor,
optei por experimentar, 
o louco pó branco em dose cavalar,
picos de euforia,
insana alegria,
encontrei comigo mesmo
usando cocaína,
doce ilusão,
tremenda perdição,
afundei o nariz
distanciei dos irmãos,
de nada adiantava os conselhos,
nunca tive medo,
minha primeira ilusão,
acreditar se dono da situação,
em meio a compulsão,
pura obsessão,
o que era liberdade
tornou-se minha prisão,
difícil admitir e aceitar
que para ser feliz
era preciso cheirar,
uma dose virar,
baseado fumar,
viver na porta do bar,
esperar a primeira dose do dia,
para acabar com a fissura,
e poder voltar a vida,
usava pra viver,
vivia pra usar,
esta história é verdadeira,
você pode acreditar,
difícil imaginar,
mas tente evitar,
se possível for
nunca ouse experimentar,
se já estava ruim,
ainda podia piorar,
ao conhecer a pedra
fiquei entusiasmado,
no primeiro puxo,
gatilho disparado,
mais um viciado,
quiçá um noíado ,
andando pelas ruas,
perdido e chapado,
apenas mais um trago,
nada quero mais,
viver já não satisfaz
percorri este caminho
com demônios e vampiros
escravo da adicção
conheci o fundo do poço
desespero e solidão
muita dor e sofrimento
mil pedidos de perdão
pedi ajuda, fui socorrido
agradeço a Deus por isso
assumi o compromisso
de buscar a recuperação
conheci os 12 Passos
princípios espirituais
mente aberta
boa vontade
aceitação e humildade
para recuperar a sanidade
vivo com a reflexão
só por hoje
na minha vida
eu tenho uma opção
ser assertivo comigo
sendo meu sim, sim
e meu não, não
agradeço a Deus
por estar vivo
pelos meus novos amigos
e pela vida em comunhão
conheci o valor da prece
o poder da meditação
hoje tenho dificuldades
mas também aceitação
pois tenho humildade
para poder lidar com a vida
sem devaneio e ilusão
só por hoje
lhe desejo
um dia de superação
estar limpo é desafio
viver sóbrio
a solução
a vida vale mais
sinto isso
na alma
e no coração!

meus versos são gestos incertos
marcados por indizível saudade
não sei bem aquilo que quero
mas estou perto da minha verdade

não alimento pensamentos cruentos
sou refém desta nova cidade
entre cifras, multidões de credos
respiro a margem da modernidade

o ar fresco com cheiro de relva
domina a mental paisagem
testemunho a beleza da selva
prevalece somente a vontade

instintos, rumores de guerra
ecoam em suas miragens
exercem o domínio das feras
nas esferas além das paragens

navega a esmo o silêncio
portador de bela mensagem
os pequenos ruídos do tempo
são diluídos na eternidade

carrego comigo os lamentos
tormentos da crua saudade
liberdade contida nos versos
há luta no manto de carne

Imagine por um segundo a seguinte cena: um professor de filosofia dando aula sobre a importância de nós pensarmos por nós mesmos, em seguida, o aluno emite um juízo e o professor indaga: qual filósofo sustenta sua argumentação? Por estas e outras, me distanciei sensivelmente do ensino acadêmico e de suas diretrizes, suas matrizes respiram o ar decadente de velhos embusteiros do intelecto, professores que se ocultam sob uma espessa névoa de conceitos, preenchidos por vãs miragens subjetivas, reféns do medo, do orgulho e da insana vaidade de se julgarem os únicos detentores da verdadeira interpretação e sentido de um texto.  A maioria além de não  permitir ao aluno criar suas próprias ideias e sistemas, de certa forma o impede de percorrer o seu próprio caminho, criar suas próprias sentenças, crenças e afirmações, afinal, quem ele pensa que é para poder ousar este movimento livre e criativo? Tenho certeza que muitos filósofos se estremeceram de raiva e pararam de ler este texto quando se depararam com a palavra "crença", afinal, na filosofia em nada se crê, tudo se sabe, mas ouso dizer que tudo se renova, inclusive o sentido aqui empregado. Temos a crença que para se filosofar é necessário recorrer a terminologia filosófica utilizada na academia, quando várias questões poderiam ser formuladas sem necessariamente apelar para seu próprio ensino inclusive. Realmente, a primeira vista pode parecer contraditório, para um professor de filosofia defender este tipo de ideia, mas os questionamentos mais importantes sobre a nossa existência está próximo não só do filósofo como do comum dos mortais. Não existe nenhum ser humano, em sã consciência que não tenha pensado sobre a morte, a origem da vida e dos seres, que não tenha de certa forma se espantando diante da existência. A condição para todo processo filosófico é a capacidade de se espantar, pois as coisas não são tão simples como parecem, a realidade das coisas não reside naquilo que elas aparentam, mas naquilo que elas são de fato, a cortina de elétrons, nêutrons e prótons vela a essência de todas as coisas, a combinação de certos elementos, a troca incessante de moléculas, partículas, de matéria, proporciona a ideia de um incessante fluxo que sugere a ideia do permanente movimento. Questionar por si mesmo a sua própria origem é um ato de extrema coragem e beleza, pois quem indaga, pensa, quem pensa, além de refletir, busca por respostas, e estas não estão prontas, como estão inseridas no devir, estão sempre em constante mutação, apesar de alguns possuírem a crença no mundo das ideias, na existência de um plano imutável que pode ser alcançado pela pura abstração do intelecto, ainda temos algumas questões perturbadoras que nos levam de encontro ao pensar filosófico. A certeza inabalável da morte física é algo que nos leva a questionar a finalidade da vida, apesar de muitos acreditarem na ocorrência casual dos fenômenos, de rejeitarem sistematicamente toda ideia que possa estabelecer um certo sentido para o caos, isto não quer dizer que a mesma não possua um sentido maior totalmente diferente deste difundido pela sociedade contemporânea, que se apoia no saber como meio para atingir a realização de seus desejos e anseios mais íntimos e próximos, nem tudo aquilo que existe pode ser medido, mensurado e tocado, pelo menos nos termos estabelecidos pela ciência de hoje, no futuro as pessoas poderão admitir a possibilidade de cada pensamento emitido pelo ser humano possuir uma frequência e peso específicos, o que parece invisível, leve e sem nenhuma propriedade latente poderá ser estudado sob a mesma perspectiva com que estudamos um objeto. O estudo do ser irá nos levar de encontro a algumas questões importantes, que ao serem tratadas por instituições de cunho religioso, por exemplo, provoca divisões, discussões e todo tipo de sectarismo, ainda estamos longe de alcançarmos uma base comum, seja no âmbito do discurso, das práticas e dos ritos, apesar de algumas se apresentarem mais como filosofia e ciência, é na esfera do religioso que se concentra as suas atenções, temos um fascínio por tudo aquilo que ainda não conseguimos entender e explicar de forma racional, necessitamos buscar novos meios e modos para podermos compreender e entender determinados fenômenos. As leis da física são regidas por observações e experimentos, e cada uma tem a sua função enquanto agente especifico naquele tempo e espaço, pois de acordo com o espírito de cada época, todo cientista, filósofo e artista goza de um pequeno resquício da eternidade, além de serem sempre evocados dentro dos colégios e das universidades, suas obras refletem sobretudo a tentativa de compreenderem a origem e o fim último de todas as coisas, imprimir um sentido universal através de sua lente particular sempre foram as principais tentativas de todos os sistematizadores e fundadores de religião, fazer com que sua crença na imortalidade seja aceita como algo dado sem passar pelo crivo da experiência e da razão é algo bem improvável, e poucos ousariam optar pela admissão pura e simples desta possibilidade, acredito piamente, que se todos tivessem o poder e a capacidade de desenvolverem suas faculdades e terem de fato a prova irrefutável de certos fenômenos e princípios a partir da analise e do conhecimento de si mesmos, o mundo estaria repleto de seres conscientes e despertos, seres que já se despiram da falta de humildade de reconhecer a legitimidade de um criador e da existência do espírito eterno e imortal, sem romantismo ou qualquer tipo de idealidade religiosa ou ancestral, o mundo perdido se transformaria no mundo a ser buscado, pois a esperança se tornaria certeza, e a nossa percepção do tempo e do espaço se dilataria pela eternidade dos anos, os números e a vida seriam reduzidas as suas justas medidas e proporções, o futuro não seria algo a ser temido, mas sim entendido e perfeitamente previsto e modificável, visto as dimensões do tempo estarem todas intimamente entrelaçadas pelas leis de causa e efeito, ação e reação, não nos cabe aqui, delinear um quadro e oferecer fartos argumentos para que as pessoas possam sair convencidas de sua imortalidade, mas podemos sim, estar certos que existem certos convites que não podem e não devem passar despercebidos a uma alma mais atenta e sensível aos apelos do intelecto. A formação de todos os seres perpassa pelo contato consciente com o Ser Superior imanente a própria criação, a nossa maior preocupação deveria ser pela busca incessante da verdade, custe o que custar, o desvelamento ininterrupto e continuo da realidade a nossa meta e a sensibilização gradativa das nossas potencialidades o alvo, pois somente através da educação, da sutilização do espirito poderemos travar um contato direto e imediato com os seres de outras esferas, sem nenhum tipo de obstáculo ou perturbação proveniente de nossa inferioridade e da nossa ignorância. Precisamos nos abrir a certas realidades, caso estejamos interessados na melhoria individual e coletiva do planeta, a criação de escolas destinada a educar pessoas que reconheçam a importância e a necessidade de preservamos os recursos naturais, de mantermos uma postura de respeito e de afeto pelo outro, de valorizar sobretudo as relações humanas, mais do que a relação homem máquina, de restabelecer o ser ao seu verdadeiro lugar, pois apesar de não sermos o centro do universo, é preciso exercer o auto respeito e o auto amor, isto só será possível com o estimulo e o incentivo de fazerem as pessoas pensarem e agirem por si mesmas, de forma autônoma, totalmente livre e original, para isso "serve" a filosofia!  

A dependência química é uma doença incurável, progressiva e de determinação fatal. Seu diagnóstico é de difícil detecção visto que somente seu portador pode afirmar que o é. Vários são os motivos que podem levar as pessoas a usarem drogas entre eles podemos destacar os principais fatores: cultural, social e curiosidade. Movidos pelo ímpeto das novidades e para se auto afirmarem perante o grupo, milhares de jovens se aventuram por um caminho que muita das vezes se afigura sem volta. A primeira vista parece um exagero esta consideração, mas ao analisarmos friamente os números levantados pelas estatísticas iremos constatar que somente três por cento das pessoas que desenvolvem a dependência conseguem interromper o seu uso e ter sua vida de volta. O primeiro contato e estimulo ocorre de diversas formas. Acima de tudo devemos nos lembrar que nossa sociedade é essencialmente alcoolista e todos nós em algum ponto da existência já usamos drogas. Num primeiro momento, pode parecer absurdo mas ao questionarmos seriamente as pessoas, poucas seriam aquelas que não saberiam dizer qual o gosto de uma simples cerveja. As pessoas são impelidas, estimuladas a terem um comportamento ditado pela regras sociais e de convivência além da mídia que propaga e divulga o consumo de álcool como algo positivo, onde jovens se divertem felizes e contentes: seus belos corpos e alegria contagiante nem de longe corresponde a realidade de quem vive o drama de ter um familiar ou mesmo ser vitima direta do alcoolismo. O álcool, ao contrário do que é apregoado, é um droga pesadíssima e seu uso continuo leva a degradação física, mental, espiritual e social. A perda de auto estima, de amor próprio, de dignidade e auto respeito são apenas alguns dos aspectos negativos e perniciosos além das discussões, do desequilíbrio nas relações sócio afetivas, no ambiente de trabalho, no seio familiar e social. A pessoa se transforma num membro improdutivo da sociedade e sua vida torna-se em todos os sentidos e aspectos totalmente disfuncional. O  mesmo perde uma das mais preciosas faculdades de todo ser humano: o direito de fazer escolhas. Não tendo mais o poder de controlar a própria existência, se torna dependente da substância, de pessoas, lugares e principalmente de seu próprio comportamento insano e auto destrutivo. É interessante notar que um dos efeitos mais deletérios ocorre na personalidade do indivíduo, como passou anos se escondendo atrás do uso de substâncias que alteram seu humor, ele é incapaz de lidar com a vida como ela é: não amadureceu, pois não se confrontou; não se deu a oportunidade de crescer perante os desafios e adversidades normais da existência: preferiu fugir, se esconder, interromper seu processo evolutivo para ceder aos apelos imediatos do instinto e do prazer. O seu auto engano, a sua imaturidade e principalmente suas vontades, de origem egocêntrica, tirânica e individualista o levou a cometer os mais excêntricos abusos e excessos. Incapaz de olhar para si mesmo sem o véu das sensações promovidas pelas drogas, o mesmo se habituou a viver numa cortina de ferro, que só pode ser aberta mediante uma auto avaliação honesta, para tanto é preciso ter a mente aberta e uma dose generosa de boa vontade. Um dos maiores prejuízos sofridos por quem fez ou faz uso de qualquer tipo de substância é o déficit no seu coeficiente emocional. O mesmo não possui as ferramentas necessárias para lidar com os problemas que surgem no cotidiano da vida de qualquer pessoa, procrastina aquilo que deve ser feito no aqui e agora. Isto pode ser percebido no adiamento daquelas tarefas que comumente achamos chatas, pequenas e monótonas, como arrumar a cama, estender a toalha, arrumar as gavetas, colocar as coisas em ordem. Levando para aspectos mais relevantes da vida podemos perceber que se trata essencialmente de um pessoa que não sabe cuidar de si, que possui descuidos com seu aspecto pessoal. A maioria dos dependentes são pessoas imaturas e irresponsáveis que possuem a estranha mania de culpar pessoas, hábitos e lugares pelos seus fracassos, não assumem as rédeas da sua vida, são os primeiros a apontar e a fazer críticas ao estado, a família e a sociedade. Eternos insatisfeitos buscam a causa de seus problemas no exterior, se preferível, bem longe de si próprios, não passa pela suas cabeças que a causa de tantos males, insucessos e fracassos resida ao contrário, bem perto, dentro deles mesmos. Se tornaram mestres da manipulação, anos convivendo com uma farsa que acabaram por se tornar a própria, vivem sob a máscara do orgulho e da prepotência, arrogantes, se julgam melhores do que realmente são e vendem a imagem de serem possuidores de grandes virtudes quando na verdade sofrem de um terrível mal: a adicção.  O seu comportamento é totalmente modelado pelas convenções externas e não possuem parâmetros internos para auferirem seu auto valor. Caem repetidas vezes em avaliações errôneas sobre si mesmos e sobre as pessoas a sua volta, projetam suas insatisfações e não possuem nenhum pudor em apontar os erros e defeitos dos outros e da sociedade. Não possuem a honestidade para fazerem uma auto análise sincera, de reconhecerem em si mesmos os seus defeitos, não possuem a coragem e a lucidez para se auto criticarem, são verdadeiramente cegos em relação ao universo interno de si mesmos. Não se conhecem, por isto julgam, e ao julgar se sentem superiores somente para ocultarem a sua própria inferioridade, que se viesse a ser descoberta poderia distanciar aqueles que são objetos de suas atenções e mantenedores de seu estado de espírito doente, carente e deplorável. É possível a toda pessoa que sofre deste mal se recuperar desde que peça e aceite ajuda, desde que possua o real e sincero desejo de parar de usar. O uso deve ser interrompido imediatamente, e não há escolha: a abstinência deve ser completa e total. Uma para eles é muito e mil não bastam, uma vez que tenham ingerido qualquer quantidade de qualquer substância por mínimo que seja, já basta para desencadear a abertura de um ciclo vicioso marcado pela obsessão e pela compulsão de usar. A obsessão corresponde ao aspecto mental da doença: a sucessão de pensamentos e ideias relacionadas ao uso. A compulsão ao aspecto físico: uma vez que se inicia o uso não consegue parar. É uma doença com um poder extremamente auto destrutivo, de grama em grama de bar em bar o usuário vai cavando com suas próprias mãos o seu fundo de poço. Muitos acreditam que somente ao atingir este nível de completa destruição o indivíduo se rende e busca de fato as vias da recuperação. Muitos permanecerão no auto engano justamente pelo fato de não presenciarem e não atingirem este nível, pois sua doença se oculta na aparência dos jogos sociais, profissionais e familiares. Como possui relativo equilíbrio e não sofreu nenhum dano e perda grave acredita-se detentor do controle e dono de sua própria vida, ledo engano. Muitos não precisaram chegar ao fundo de poço para reconhecerem que possuíam sérios problemas com as drogas, inclusive o álcool, bastou uma auto analise sincera para poderem admitir que eram impotentes perante o uso. Isto varia muito, de pessoa para pessoa, pois é muito difícil definir e estabelecer, como foi dito acima, os parâmetros para afirmar que uma pessoa é realmente dependente. Um dos melhores caminhos para aqueles que querem e podem se tratar, é o encaminhamento as comunidades terapêuticas que ofereçam tratamento especializado baseado nos doze passos da irmandade de Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos. Os passos se resumem em princípios espirituais que se postos em prática levam o indivíduo a ter um contato consciente com Deus e a ter uma vida positiva, saudável e produtiva. É de suma importância as frequências regulares as reuniões. A prática do programa possibilita um crescimento efetivo e satisfatório. É possível perceber a mudança em questões de dias: o físico é o primeiro a manifestar as diferenças e a adoção de novas ideias e princípios provoca uma mudança na mente, que passa a canalizar suas energias para a recuperação. O espiritual é totalmente renovado pois há uma mudança significativa na sua personalidade, ou seja, o mesmo além de evitar pessoas, hábitos e lugares, procura novas pessoas, novos ambientes e novos hábitos que além de agregar valor acrescente algo positivo em sua vida. É uma mudança que se dá paulatinamente, dia após dia. As vinte e quatro horas são adotadas como meio para aliviar o peso do passado e o medo do futuro: é uma medida terapêutica para que o indivíduo possa exercitar sua liberdade diária, sem perder o foco e a diretriz do essencial, que é não usar, custe o que custar. Um adicto limpo em pouco tempo colhe os benefícios da sua abstinência. Além das pessoas a sua volta notarem a diferença, ele recupera dia após dia a sua liberdade e sobretudo a sua vida, que se torna alegre e divertida sem necessitar de fazer uso de nada, pois já tem tudo: a própria vida.

perpétua poeira
 no baú
dos sonhos

assimetria
de sentimentos
passados

loucos,
surdos,
desventurados

pequenos surtos
vendidos
por ambulantes

traumas varrem
minhas eternas
sequelas

nos escombros
do tempo
vasculho miragens

pilhagens
de memórias
estendidas
no varal
da vida

lavo
minhas máculas
no tanque
da existência

varro
a poeira
do desanimo

limpo
a gelatinosa
ideia
do fracasso

aceito
e acolho
a luz do dia

nos refolhos
da alma

surgem
as caravelas
da coragem

os fantasmas
da aurora

os desatinos
de outrora

a espera
de alguém

experimento
o vazio
dos dias

no silêncio
das horas

na imensidão
da saudade

nos oceanos
da vida

cicatrizes
abertas

ações
curam
feridas

alguém
parte
em busca

de tesouros
longínquos

em terras
estranhas

profundos
abismos

seres
desconhecidos
entoam
líricos hinos

fantasiam
as dores

mitificam
pecados

adornam
virtudes

enterram o ser
na virtualidade
do momento
pregresso

pressinto
o prenúncio
da carne

algema
invisível
que se
rompe
nos delírios
concretos
da noite

açoite
de desejos,
martírio
da vontade

estradas
repisadas
pelo caos

amaldiçoam
os bêbados
o trepados
e os sóbrios

sarcasmo
inerte
da matéria

os loucos
respiram
a margem

descansam
da cidade

suas retinas
viajam

nas dimensões
do ócio

nos abrigos
invisíveis
da alma

as sutis
sensações
do agora

navegam
na nostalgia
dos mares

respiram
a solidão
dos oceanos

acenam
alegres
para suas
próprias
dores

despedem-se
da humanidade
seu último
resquício

se despem
do imediatismo

da úlcera
suprema

vivem
no agora
livre
e fugaz
nada demais

ao homem
plantado
no chão

das convenções
e das certezas

cheio de si
e de outros
iguais

na mesmice
imposta
por suas
vistas

perece
o grito
sufocado
pela
aparência

se submete
ao crivo
e ao dito
dos dilemas!

ser
ou ter
eis
a questão!

 
 

talvez seja escravo da tristeza
ou mero servo da saudade
o que reside em meu peito
é a presença da vontade

toco o céu das cores loucas
dos tons cinzas de prata
o dia se despe, se despede
resta a noite, a madrugada

nem se quer por um momento
deixo de em ti pensar
será porque não me lembro
ou porque não sei amar

tanto faz se este verso
faz para ti algum sentido
ninguém no mundo sabe
a dor que no agora sinto

as palavras são pequenas
não podem expressar
a saudade dilacera
entristece o meu olhar

queria ser uma ave
para o céu atravessar
em um segundo estaria
pronto para te amar

os meus versos são simples
são escritos com verdade
o sentimento é verdadeiro
traiçoeiro como a realidade

sua presença na memória
me faz sempre despertar
menos um dia se aproxima
da hora de te beijar

seu olhar é algo doce
que eu gosto de fitar
ficaria a tarde inteira
somente a te observar

minha felicidade é simples
bem pequena e vulgar
está na sua companhia
no seu jeito de ser e estar

a longa distância me devora
me leva contigo a sonhar
não existe nenhum remédio
só me resta somente esperar


sinto vontade de te ver
somente lhe abraçar
contemplar a sua face
o brilho do seu olhar

é querer só estar perto
sem nada ter o que falar
ouvindo manso o silêncio
nós dois a se completar


ficaria a vida inteira
escrevendo apaixonado
só eu sei como sou feliz
por ter você ao me lado

o amor é uma semente
no coração semeado
cresce assustadoramente
em solo apaixonado

estes versos singelos
eu fiz para você lembrar
que existe um homem louco
pronto para te amar

olho agora para o céu
imenso e estrelado
faço apenas um pedido
permaneça do meu lado
 

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Admiro todas as pessoas que ousam pensar por si mesmas.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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