Latentes Viagens

Este espaço é um experimento aberto, amplo, intuitivo e original. Liberto das amarras acadêmicas, sistêmicas e conceituais, sua atmosfera é rarefeita de ideias e ideais. Sua matéria prima é a vida, com seus problemas, desafios e dilemas. Toda angústia relacionada ao existir encontra aqui seu eco e referencial. BOA VIAGEM!

falsidade:

falsa idade

vaidade

vai idade

idade vã

id ao divã!!!

lá se vai a tarde
perdeu sua viagem
dinheiro da passagem
tudo é bom

sozinho canta o louco
só peço um pouco
do que é bom

me lembro daquele tempo
bermuda, ócio e chinelo
onde estão?

acendo um cigarro
de leve dou um trago
como é bom

a noite no cinema
de quebra um fonema
locução

loucos não são poucos
o que é para os outros
nunca são


vi rude virtude
no palco da vida

tudo representa arte
mundo apresenta parte

mundo arte
tudo parte
reapresenta

a arte representa o mundo
projeção divina
esculpida
por uma
subjetiva
estética
analítica
fonte inesgotável de energia
imagine um prisma
com o poder do imã
ponto de vista

controverso
diversificado
diverso
significado
contra o verso
subjuga
o vulgo
confere
o jugo
isto é feio
aquilo é belo

arte, ator, artista

poeta musicista

plástico artista

aretê
ar
et
arte
ator, artista

imitam, protagonizam, inventam

a vida!!!


*****************************

no ideológico céu
de conceitos diversos
a arquitetura do universo
é um pálido reflexo
do poder divino impresso
neste planeta imerso
na caótica razão do verso!!!


******************************


Não me reconheço neste triste e velho adereço

Com facilidade nestes dias sombrios me entristeço

Como gostaria de poder morar em outro endereço

Talvez em Saturno, Marte, melhor Urano reconheço

Nem por um minuto sequer do Cosmos eu esqueço

A solidão com todo o seu peso me sobrecarrega

A esperança neste momento para mim é uma quimera

Quisera me ausentar por um segundo do planeta Terra

Quem me dera, Quem me dera, Quem me dera

Exposições de fantásticos quadros de miséria

Pintados com as fortes cores concretas da guerra

Um acervo emblemático, cujo conteúdo trágico

É banalmente retratado todos os dias no noticiário

(SEMPRE NO MESMO HORÁRIO!!!)

***************************************************

esquecemos de nossas verdadeiras casas,

podaram impunemente as nossas asas

do amor essência só restou a nossa casca

nem mesmo temos o divino poder telepata

Neste corpo selvagem todo instinto é primata

o que verdadeiramente nos envenena e mata

é a substituição da espécie pelo conceito de raça

ingênuas, negras, fortes, brancas, amarelas e pardas

Daquele Jeito!!!


criar atividade

para uma nova idade ativa

na cavidade da vida subjetiva

cavar a vinda de uma era infinda

em que a ida seja ainda infinita

ensejo com isso lhe mostrar

que a mescla casual de palavras

pode ser no fundo inércia

de uma mente sutilmente vaga

embriagada à alma se rende

à estas combinações matemáticas

mas a substância poética é inclassificável

impossível contestar um fato dado

geometricamente linear na prática disforme

aglutinamos pensamentos uniformes

na tentativa inútil de ordenar o caos

premissa irrefutável para nos tornar imortal

no fim vencerão aqueles

que souberem destruir

arrancarem de dentro de si

o sentido de imensurável fruir estético

pois tudo é transitório e efêmero

neste renovável fluir eterno

blasfemo o extático

excomungo o parasita

no fim vale a afirmação da vida

e isto para todo poeta basta.


estimulado pelo medo e pânico generalizado

mais um negro do gueto se sente inferiorizado

sem auto estima para contemplar as belezas da vida

sua ínfima existência passa despercebida, obscurecida

sem sonhos ou estímulos que lhe injetem energia

somente reflete sobre o desprezo e a inevitável hipocrisia

nos olhos da sociedade regida pela indubítável lógica fria

de um sistema que exclui e determina

quem são os escolhidos de sua seita maligna

onde o egoísmo, a vaidade e o orgulho predomina

querem dizimar nossa etnia, enfraquecendo nossa auto estima

mas somos fortes descendentes de negros escravos, lendários

assim como um cometa que atravessa este planeta em segundos

quando morremos não vagamos simplesmente nos transmutamos

e pelo universo juntamente com nossa falange passeamos

e sorrimos quando vemos na mente vulgar estampado

o estranhamento por termos sido previamente avisados

de que no dia do banquete divino seríamos convidados

por muito tempo, desde que pisamos nesta terra, esperados

no céu o solene cortejo de milhares de espíritos

todos unidos pelo poder verdadeiro de um único rito

o amor universal que nos envolve e nos enlaça

fazendo nos esquecer das diferenças de credos e de raças

tecemos nossas vidas de acordo com os nossos atos

mas os pensamentos também neste molde se encaixam

tudo é vida é movimento, e o que para nós é sutil, para outro é palpável

é preciso ter a mente aberta para novas idéias e concepções

se não quisermos nos tornar reféns de nossos preconceitos e ilusões


Hediondo ato suicida
imperdoável

transito pelo mundo invisível,
insondável

diariamente adormeço com dificuldade
por não conseguir apagar da memória
a sua insensata e terrificante imagem

planeta diferente com atos inusitados,
solenes
dias frios, mortos, imprevisíveis e quentes

tudo se mistura neste parâmetro articulado
é como um quebra cabeça montado ao contrário

não entendo muito destas coisas de amor
mas ninguém é livre se não pagar o impostor

o imposto é o tributo deste estado corrupto

o poema político descaracterizado pelo crítico
é um insulto linguístico no meio dito artístico

poetas revolucionários são raros, escassos
e dificilmente se encontram neste espaço

onde todos estão acostumados,
a receberem seus códigos decodificados

um site de procura inaugura uma nova era
onde a preguiça e a letargia mental impera

neste novo tempo de calculadoras e agendas
onde a memória nem se quer se lembra
de seu último esforço empregado

queremos sempre ser os primeiros
mesmos que estejemos errados

a tecnologia nem sempre representa o progresso
e a mediocridade nem sequer reflete sobre o verso

é preferível me rotular e me julgar sequelado
do que por um minuto se imaginar deste lado

continuo na minha rica batalha diária
em que a poesia é minha filha abastada

o luto é apenas temporário, acaba no túmulo

minha roupagem terrena é perecível e pequena
perto da luminosidade eterna que minha alma encerra

verdadeiro profeta é aquele que ousa ser si mesmo
sem medo do preconceito e dos olhares alheios,

normal


o sóbrio menino sombrio
compõe seu ébrio som
dissonante

letras consideradas subversivas
versam sob o sub mundo da vida

desconhece a lei orgânica
regida por um organismo estatal

reconhece a ignorância
de seu regime ancestral

força bruta dilapidada
eternizada nos confrontos

Observo, mudo, o concreto
concerto incerto de credos
verticalmente reto
mirando inconsciente
vertiginoso espaço céu

Naquele prédio o tédio
é burocrático
Precisa-se de alguém para autorizar
Nada anda naquele andar
aleijado
chama-se Estado

Apenas o elevador
eleva a nossa dor

e nossa Miss Éria
Continua desfilando!


Vejo um circo montado às avessas... Os palhaços deste circo, ao contrário dos que conheço, preferem rir do quê propagar a alegria em lar alheio. Sorriem de nosso sofrimento. O jornal precisa da tragédia. A tragédia é o sentido do universo, senão deste planeta. A miséria estampada nas camadas periféricas provoca a repulsa dos que se vestem com a roupa adequada do sistema, não se despem de seus impulsos egoístas, ao contrário, se esforçam para possuírem sempre mais e mais. As nações de caráter beligerante se protegem de uma guerra invisível que se faz presente aos olhos inimigos que desejam ao máximo o excitamento do fogo ardente das paixões humanas. A besta fera que em nós reside gargalha perante a derrota e a tristeza de milhares que no palco da vida nunca terão a mínima chance de se tornarem protagonistas. Os animais descansam despreocupados e nós lutamos contra todos e contra ninguém. Nascemos preenchidos por um enigma, por um mistério insondável. Comportamentos ascéticos, estóicos, radicais religiosos clamam a Alá a benção para poderem matar em seu nome. A liberdade fictícia contida na retina de profetas adormece no idealismo ingênuo de rebeldes visionários. O toque de recolher é uma realidade em diversas cidades. O horário transformado em meio de nos enclausurar. Muralhas de ferro nos separam e cresce assustadoramente o número de fronteiras. Estamos juntos mesmo estando separados, ao mesmo tempo, ao mesmo espaço. Romper com os limites impostos por nossa humana condição não é suficiente, não basta ter certeza é preciso experimentar. O experimento conosco mesmo nos define e nos divide, numa hierarquia infinita, entre aqueles que sabem, aqueles que imaginam e os que nem sequer cogitam da existência de uma possível verdade universal. Caminhamos desprovidos de um olhar mais aguçado e no tempestivo mar das vaidades humanas nos perdemos no colossal labirinto das futilidades e das artimanhas criadas no intuito de iludir nossa mente. Nem mesmo sabemos o que é o verdadeiro amor. Sentimos de fato a dor e até mesmo sua presença não inibe nosso comportamento vil e selvagem. Poetas, mártires, inumeráveis possibilidades de contraste em meio a reduzidas perspectivas convergentes. A revolução coletiva foi abortada em função de um estilo de vida extremamente individualista e alienante. As portas de nosso ser está fechada ao verdadeiro encontro com o outro. Por isso a inexistência de proselitismo no seio espírita me convence da dificuldade de reunirmos quatro corações sinceros, carregados do mesmo propósito e do mesmo fraterno sentimento. Urge defender abertamente uma posição condizente com nossa mais íntima vontade de renovação e mudança.


meu verso
é um protesto
manifesto

contra todo tipo
de amor
ao inverso

doravante levante
uma bandeira
liberdade tardia,
herança mineira

seria a honraria
exibida na prateleira
o enfeite desejado
na hora derradeira?

este
verso
raquítico
requer
um
remédio
salutar

para
que
seu
corpo
que
hoje
se
encontra
em
estado
vegetativo
nunca
deixe
de
res
pirar



Minhas lisas lentes lesadas


pressentem





o luto imanente


ao limite do mundo,





no local da labuta


leio na lacuna verbal


o conselho impresso


nos classificados do jornal





Meu lar: labirinto interno indecifrável





Lento sussurro,


licito o céu





atravesso os mundos


e em todos


vejo o enfático destino cruel





morte: terra, pó, verme





No calendário,


dia de finados





um fino trato tardio


no feriado





Na beleza do cheiro flores


Na ternura dos rostos lágrimas


Na lembrança dos corpos temores





Deus no céu se embriaga


Na presença de sua criação





Para a alma basta


um sopro de consolação





eterno sofrimento infindável


irrealizável desejo imediato





viver é ver ao avesso


o que existe


por de trás dos túmulos





vidas, arrepios, murmúrios


chão de lamentação,





degusto sua dor


saboreio sua agonia


experimento com malícia


a textura grelhada de sua carne





algoz que na noite expia


seus sonhos dilacerados





sou um verme


na sua mente


implantado





sou um cadáver


a andar vivo


na luz do dia





sou a quimera


recitada pelo poeta





hoje tudo é fúnebre e cadavérico


neste lindo florido cemitério






Insatisfeito

vocifero bobagens

na esquina

de uma rua qualquer



solitário

caminho errante

vontade de estar

com uma mulher



Me embriagar

com seu cheiro,

preenche-la
por inteiro

de carinhos

mimos e beijos



para na sua ausência

chorar sozinho,

e sentir que sofro

mas estou vivo



Ridicularizado

na medíocre

calçada social



não estampo

em meu corpo

as marcas

indeléveis

do status quo

convencional


ANORMAL




Continuo omisso

ao artíficio rígido

criado pelo cego

instinto místico


Mas acredito

no plano onírico

e no paradoxal

reino metafísico


Deitado sob o infinito

contemplo

no chão Terra

meus restos, dejetos

carne decomposta,

minúscula

pequena vontade,

astúcia


Microscópicas palavras

me

interessam


Sou a força

que move

o universo


Meu pulso

rio de sangue

segue seu curso

involuntário


no micro corpo

espelho do cosmos

despedaçado


Preferível estar

do que ser


para

no mundo

aparência

não perecer


sóbrio


Neste mundo

transformação

segundo Heráclito

imutável é ilusão

inteligível diria Platão


invisível

desilusão


embriaguez!


Acordo sob a ordenação do destino

desconheço minha vontade diária

cachoeira, churrasco, bares

ou simplesmente ficar em casa



tecendo comentários elogiosos

seja sob a comida de minha mãe

seja pela índole de meu pai



minha humana condição irredutível

me limita ao sentido perceptível



gostaria de neste momento

em meu rosto esboçar um sorriso

mas me sinto só e indeciso

sobre o que fazer com o meu dia

comprar um jornal ou ler poesia



mais um dia trancado em meu quarto

conversando com os mortos



nietzsche sacode seu sarcófago

para eliminar seu niilismo

augusto dos anjos iluminado

condena hoje seu pessimismo

murilo mendes ajoelhado

entoa um lindo cântico lírico

castro alves revolucionário

nos convida a sermos amigos

a entretermos vigorosos discursos

aparentemente vazios, sem sentidos

com os profundos e necessários livros



neste domingo respiro indecisão

vontade de dizer sim

vontade de dizer não



poderia ter acordado

com tudo planejado:



maracanã no rio lotado

litoral brasileiro ensolarado

cachoeiras delícias de minas



onde estão agora as premissas

dos filósofos existencialistas

que religiosamente rezam suas missas

no altar das convenções idealistas?



Desbaratinado continuo indeciso

se faço isso, ou se faço aquilo



Em minha torre de marfim

de fato me conservo



O pensamento inseguro e incerto

faz parte de nossa reflexão

escolhas permeiam a nossa vida

seja o peso excessivo da rotina

ou o medo imaginário da saída

novidade busca o anseio

ser outro, sendo sempre o mesmo



me alívio com a escrita

minha tarja preta comprimida

entre versos, estrofes e rimas



ainda não sei o que fazer

mas apetece ao espírito escrever

e isto para mim já basta!



ganhei o meu dia

escrevi uma poesia



simples mas sincera!



BOM DOMINGO A TODOS!!!


Dilacero com ódio profundo
a hipocrisia atrás dos muros
falsos olhares inquisidores
pintarei quadros belos
em meio ao circo dos horrores
a revolta na ausência de sentido
mundo transformado em circo
palhaços de ternos caros rindo
miseráveis da terra, cínicos
estarão colhendo frutos nos abismos
lampejo de trevas e desespero
já não somos homens
e sim lobos traiçoeiros
egoístas por unanimidade
cortejamos celebridades
espantalhos da vaidade
no prazer desmedido
soberbo orgulho
contemplo este tempo caduco
em que homens adoram o absurdo
ajoelham perante ídolos esdrúxulos
ignorantes de sua essência espiritual
diariamente contribuimos para o mal
no desprezo da fome e dor alheia
sorrimos nos bares com cerveja
sobriedade é um estado raro
para o espirito no corpo enjaulado
o sofrimento é imanente, necessário
sabedoria perversa e inversa
ao desejo imediato que nos conserva
vivos, mesmo sem desejarmos
escravos dos sentidos e do estado
escasso!!!


Vila Rica, Vila pobre... Famílias tradicionais escondem sua riqueza, desigualdade em meio a arquitetônica beleza... veloso, santana, piedade. Mês de festividades, Santa Efigênia com os negros do congo entoam líricos cânticos de angústia e tristeza por ver a soberba e a astúcia com que certas pessoas tentam ludibriar, primeiramente, a si mesmas, depois o outro. Referencial torpe, decadente cenário, na barroca vertigem, um pseudo retrato. No horizonte árcade o alcoól e outras coisitas mais já fazem parte... refém do medo e da ignorância. Militarismo defendido como príncipio. O falso moralismo dos arcanjos do pau oco. Mais um poeta morre. Não foi reverenciado em vida, ao contrário, sua vida e hábitos marcados pela indiferença e pela amarga, porém necessária, amizade com a incompreensão alheia. Nos olhos a revolta, no coração o luto, assim caminho por este antro com aspecto sombrio e noturno. Ouro Preto quem lhe conhece não lhe compra jamais. Resplandece a ambição de outrora nos discursos evasivos de seus políticos e donos ancestrais. O que queres de mim Ouro Preto, se afagas mimosamente a cabeça de afortunados e se ergue majestosa para seres indiferentes ao seu verdadeiro valor. Tu contemplas de forma irreverente e indiscriminada aqueles que não são nativos, da terra. Seus filhos jazem esquecidos nas obrigações estabelecidas pela rotina e seu apetite insaciável nos devora, nos aglutina em escassas condições de vida. Turistas do Mundo, subam o santana, visitem a piedade, vangloriem os cidadãos honestos do veloso. Taciturna Ouro Preto eclode dentro de mim um certo desprezo por sua importância arquitetônica e histórica pois tu és reféns do lucro imediatista e da vitória a qualquer preço. Tiradentes contempla extático as brigas por um pedaço da fatia da grande empresa clandestina que transformaste-te. Núcleo do saber, fonte de sabedoria, palavras vazias numa cidade conhecida pelo alto teor etílico de seus convivas. Rumores de uma procissão, oxalá conserve a paz neste mês de Santa Efigênia.


Labaredas bruxuleantes ecoam no silêncio da noite
Sons, ruídos, estrelas, cosmos, fascínio
Realidade transmutada por diáfano delírio
Uma multidão de "invisíveis" seres adversos
Compõem o noturno cenário com seu ethos
Cintilantes pirilampos ensaiam sutil dança
Cegos morcegos martirizam a bruma
Na inútil tentativa de dissipá-la perecem
sob o peso do cansaço e da insensatez
Corujas comungam pios em seus buracos
um metro quadrado de necessidade

Enquanto isso:

O devasso poeta arquiteta com suprema malícia
Tendo as palavras sublimadas pela dor como premissa
A morte risível do matemático soneto universal
Na lápide imagens de um tempo surreal
Guerreiros de lanças, escudos e espadas
Flechas entrecruzam o espaço
Em meio a estridentes gargalhadas
Satíricas risadas...
Desventurados amigos que comigo caminham
Não tereis, ao acaso, em um momento sombrio
Pensado em teres como seguro pórtico a morte
O suicídio tardio de uma inocente verdade
Não existe vontade sem liberdade
Repensar o amor sob o peso da cruz
Arrancar de nossa alma o humano pus
Sincretizado pelo indecifrável mistério,
Encerrado num corpo finito sabendo-se eterno,

Os lógicos conceitos arraigados

A mente ao corpo
O tempo ao espaço

A substância etérea, instintivamente lapida
nossa consciência à evolução se alia

de modo vago, repentino
mudamos o destino

de nossa pequena grandeza cósmica!!!


É com extremo pesar e tristeza que venho até vós desabafar e por que não, tentar desvencilhar, através da escrita, deste sentimento enfadonho e triste que hoje me aprisiona. Ao constatar a insatisfação crescente dos jovens, que se inserem sem nenhum preparo acadêmico, sem os instrumentos necessários, para que sejam vistos, de fato, como seres dignos de serem elevados ao seio social, percebo o preconceito e o descaso da sociedade em relação aos mesmos . O formato básico do sistema resume-se nas seguintes fases: ensino fundamental, ensino médio, graduação, pós graduação, mestrado, doutorado e phd. Quem não se encaixa nestes moldes e não absorve o saber com este critério de caráter mercadológico está prestes a cometer um autocídio, voluntário ou não.
O conhecimento não é visto como um fim em si mesmo mas sempre como um meio. Ao adentrar o interior de uma biblioteca pública não é raro a interpelação: você está estudando para quê, para qual concurso? Estou estudando para fundir a minha cuca e quem sabe um dia entender os desígnios divinos que estão sendo constantemente ocultados por esta atmosfera nauseabunda e terrificante, caracterizada pela dor multifacetada.
Temos que ser temerários até a morte, caso quisermos gozar de um estado de alma mais elevado, mas não tenhais dúvida, a medida que avançamos no conhecimento das coisas e dos seres, cresce proporcionalmente o nosso sofrimento íntimo, pessoal e instranferível. É o ápice da loucura divina! Cresce assustadoramente o questionamento e na mesma medida, o espanto, que segundo Platão, é a principal condição do conhecimento e o permanente estado que nos permite entrever o mundo das idéias, na verdade, "os homens podem ser considerados superiores e inferiores segundo a sua capacidade de se espantarem" (Shopenhauer, Da Necessidade Metafísica).
A partir do momento em que a classe burguesa se apossa, não somente dos meios de produção mas do próprio saber, restrigindo e limitando a sua disseminação de forma indiscriminada, utilizando-se de forma criminosa e vil da grande mídia, que exerce a função de inocular o letal vírus da conformidade e da insensatez que faz com que milhões de seres ajoelhem irrefletidamente aos pés de qualquer autoridade, beatificando seres esdrúxulos como Ivete Sangalo (é assim que escreve? - um riso debochado, pelo amor de dadá ) e Claudinha Leite, transformando o big brother num celeiro de celebridades, é de causar enjôo e repugnância a ignorância e o nível de idolatria que nós conseguimos atingir, sem apelar para a esfera do religioso.
Seguidores fiéis do modus operandis do sistema, cultuam de forma exarcebada no altar das futilidades, a inércia mental e a letargia como formas de agradar ao seu Senhor. Quando não são sacrificados em nome da sobrevivência, a ocuparem cargos que não condizem com sua aptidão, não conseguem refletir e nem sequer passa pelo crivo de sua razão questionar a sua própria vocação.
Seus sonhos estão mortos e tudo se reduz ao "som do batidão". Sinto uma verdadeira ojeriza por cantores de pagodes, mesmo sambistas consagrados, ou falsos mc´s que tentam romantizar os córregos podres e a miséria estampada nos becos e ruelas das favelas. Não é bom nem saudável morar na favela, e ao tentar minimizar o sofrimento dos que nela habitam, acabam por favorecer a manutenção e perpetuação desta inadmissível desigualdade que permeia a sociedade.
Os valores cristãos também podem ser tomados como um pesado fardo que terão de ser rompidos, deixados para trás, como frutos de um tempo bárbaro em que a fala era um dom raro e para poucos. Ao exaltar a pobreza, a feiúra, os aleijados, coxos, sofredores de todos os matizes Cristo acabou por optar pelo enfraquecimento da espécie e todo aquele que declaresse seu amor pela vida e que auto afirmasse a sua existência estaria condenado às diabólicas brasas do inferno. O Brasil é um país cristão e os jesuítas foram os primeiros responsáveis pela nossa catequização, que se por um lado provocou este comportamento passivo, submisso, por outro trouxe um admirável progresso no campo das belas letras. Uma página não seria suficiente para analisarmos os efeitos positivos e negativos do cristianismo, para tanto, aconselho aqueles que se interessarem pelo assunto a ler o Anticristo de Nietzsche que em nenhum momento apedreja o nazareno, tão somente o "cristianismo" - resultado da interpretação errônea dos atos e ensinamentos de Cristo - e aqueles que se apropriaram e divulgaram a sua doutrina de forma indevida e perigosa, como o apóstolo Paulo, por exemplo, que o mesmo acusa de ser o apóstolo do ressentimento, do ódio e da vingança.
Todos os revolucionários nunca cansarão de repetir, e suas vozes nunca cessarão de dizer o quanto é importante investir na educação. A educação que visa tão somente a perpetuação deste sistema deve ser excluída e modificada por uma que integre e unifique o saber, respeitando os limites de compreensão de cada indivíduo, fazendo que o mesmo, perceba, por si mesmo, a importância e a necessidade de aperfeiçoar o seu intelecto, e acima de tudo, descubra o prazer imanente ao ato de conhecer. Quando estivermos entronizados com este pensamento estaremos nos distanciando sensivelmente dos educadores de outrora, que se dispunham a defender a palmatória com seu discurso rígido, ríspido e autoritário.
Novas reflexões irão surgir, novos discursos irão despontar neste novo cenário virtual, mas os clássicos sempre serão os clássicos e sempre haverá espaço para o diálogo com o passado. Entrementes, tentem imaginar, por um segundo, a geração vindoura, com toda esta gama de informações contidas na internet... bebês filosofando, crianças kamikazes polindo seus fuzis, cantarolando canções em oito idiomas ou simplesmente reproduzindo tudo aquilo que assimila de forma automática, não crítica... imagine...

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GINO RIBAS MENEGHITTI

Admiro todas as pessoas que ousam pensar por si mesmas.

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Frases de Albert Einstein

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

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