Minhas lisas lentes lesadas
pressentem
o luto imanente
ao limite do mundo,
no local da labuta
leio na lacuna verbal
o conselho impresso
nos classificados do jornal
Meu lar: labirinto interno indecifrável
Lento sussurro,
licito o céu
atravesso os mundos
e em todos
vejo o enfático destino cruel
morte: terra, pó, verme
No calendário,
dia de finados
um fino trato tardio
no feriado
Na beleza do cheiro flores
Na ternura dos rostos lágrimas
Na lembrança dos corpos temores
Deus no céu se embriaga
Na presença de sua criação
Para a alma basta
um sopro de consolação
eterno sofrimento infindável
irrealizável desejo imediato
viver é ver ao avesso
o que existe
por de trás dos túmulos
vidas, arrepios, murmúrios
chão de lamentação,
degusto sua dor
saboreio sua agonia
experimento com malícia
a textura grelhada de sua carne
algoz que na noite expia
seus sonhos dilacerados
sou um verme
na sua mente
implantado
sou um cadáver
a andar vivo
na luz do dia
sou a quimera
recitada pelo poeta
hoje tudo é fúnebre e cadavérico
neste lindo florido cemitério

Insatisfeito
vocifero bobagens
na esquina
de uma rua qualquer
solitário
caminho errante
vontade de estar
com uma mulher
Me embriagar
com seu cheiro,
preenche-la
de carinhos
mimos e beijos
para na sua ausência
chorar sozinho,
e sentir que sofro
mas estou vivo
Ridicularizado
na medíocre
calçada social
não estampo
em meu corpo
as marcas
indeléveis
do status quo
convencional
ANORMAL


desconheço minha vontade diária
cachoeira, churrasco, bares
ou simplesmente ficar em casa
tecendo comentários elogiosos
seja sob a comida de minha mãe
seja pela índole de meu pai
minha humana condição irredutível
me limita ao sentido perceptível
gostaria de neste momento
em meu rosto esboçar um sorriso
mas me sinto só e indeciso
sobre o que fazer com o meu dia
comprar um jornal ou ler poesia
mais um dia trancado em meu quarto
conversando com os mortos
nietzsche sacode seu sarcófago
para eliminar seu niilismo
augusto dos anjos iluminado
condena hoje seu pessimismo
murilo mendes ajoelhado
entoa um lindo cântico lírico
castro alves revolucionário
nos convida a sermos amigos
a entretermos vigorosos discursos
aparentemente vazios, sem sentidos
com os profundos e necessários livros
neste domingo respiro indecisão
vontade de dizer sim
vontade de dizer não
poderia ter acordado
com tudo planejado:
maracanã no rio lotado
litoral brasileiro ensolarado
cachoeiras delícias de minas
onde estão agora as premissas
dos filósofos existencialistas
que religiosamente rezam suas missas
no altar das convenções idealistas?
Desbaratinado continuo indeciso
se faço isso, ou se faço aquilo
Em minha torre de marfim
de fato me conservo
O pensamento inseguro e incerto
faz parte de nossa reflexão
escolhas permeiam a nossa vida
seja o peso excessivo da rotina
ou o medo imaginário da saída
novidade busca o anseio
ser outro, sendo sempre o mesmo
me alívio com a escrita
minha tarja preta comprimida
entre versos, estrofes e rimas
ainda não sei o que fazer
mas apetece ao espírito escrever
e isto para mim já basta!
ganhei o meu dia
escrevi uma poesia
simples mas sincera!
BOM DOMINGO A TODOS!!!
a hipocrisia atrás dos muros
falsos olhares inquisidores
pintarei quadros belos
em meio ao circo dos horrores
a revolta na ausência de sentido
palhaços de ternos caros rindo
miseráveis da terra, cínicos
estarão colhendo frutos nos abismos
lampejo de trevas e desespero
já não somos homens
e sim lobos traiçoeiros
egoístas por unanimidade
cortejamos celebridades
espantalhos da vaidade
no prazer desmedido
soberbo orgulho
contemplo este tempo caduco
em que homens adoram o absurdo
ajoelham perante ídolos esdrúxulos
ignorantes de sua essência espiritual
diariamente contribuimos para o mal
no desprezo da fome e dor alheia
sorrimos nos bares com cerveja
sobriedade é um estado raro
para o espirito no corpo enjaulado
o sofrimento é imanente, necessário
sabedoria perversa e inversa
ao desejo imediato que nos conserva
vivos, mesmo sem desejarmos
escravos dos sentidos e do estado
escasso!!!
Sons, ruídos, estrelas, cosmos, fascínio
Realidade transmutada por diáfano delírio
Uma multidão de "invisíveis" seres adversos
Compõem o noturno cenário com seu ethos
Cintilantes pirilampos ensaiam sutil dança
Cegos morcegos martirizam a bruma
Na inútil tentativa de dissipá-la perecem
sob o peso do cansaço e da insensatez
Corujas comungam pios em seus buracos
um metro quadrado de necessidade
Enquanto isso:
O devasso poeta arquiteta com suprema malícia
Tendo as palavras sublimadas pela dor como premissa
A morte risível do matemático soneto universal
Na lápide imagens de um tempo surreal
Guerreiros de lanças, escudos e espadas
Flechas entrecruzam o espaço
Em meio a estridentes gargalhadas
Satíricas risadas...
Desventurados amigos que comigo caminham
Não tereis, ao acaso, em um momento sombrio
Pensado em teres como seguro pórtico a morte
O suicídio tardio de uma inocente verdade
Não existe vontade sem liberdade
Repensar o amor sob o peso da cruz
Arrancar de nossa alma o humano pus
Sincretizado pelo indecifrável mistério,
Encerrado num corpo finito sabendo-se eterno,
Os lógicos conceitos arraigados
A mente ao corpo
O tempo ao espaço
A substância etérea, instintivamente lapida
nossa consciência à evolução se alia
de modo vago, repentino
mudamos o destino
de nossa pequena grandeza cósmica!!!
A partir do momento em que a classe burguesa se apossa, não somente dos meios de produção mas do próprio saber, restrigindo e limitando a sua disseminação de forma indiscriminada, utilizando-se de forma criminosa e vil da grande mídia, que exerce a função de inocular o letal vírus da conformidade e da insensatez que faz com que milhões de seres ajoelhem irrefletidamente aos pés de qualquer autoridade, beatificando seres esdrúxulos como Ivete Sangalo (é assim que escreve? - um riso debochado, pelo amor de dadá ) e Claudinha Leite, transformando o big brother num celeiro de celebridades, é de causar enjôo e repugnância a ignorância e o nível de idolatria que nós conseguimos atingir, sem apelar para a esfera do religioso.
Quando optei por fazer filosofia sabia, de antemão, das dificuldades que iria enfrentar... Sempre acreditei na educação como o único meio de transformação real da sociedade, no entanto, não posso deixar de manifestar minha indignação com discursos evasivos de caráter meramente mercadológico que visam acima de tudo acentuar discussões de cunho ideológico duvidoso. A arte de educar é um sacerdócio e as pessoas que não estão satisfeitas com seus salários que procurem outra profissão, conheço domésticas, pedreiros, faxineiros, garis, malabaristas, balconistas, que ganham bem menos e nem por isso saem por aí com este aspecto fúnebre e triste. Infelizmente, em nosso país, uma série de fatores contribui para que nossos jovens e crianças se sintam realmente inferiores. Não temos um incentivo real na formulação de projetos que estimulem a criação de uma tecnologia propriamente nacional. Apenas reproduzimos o que os outros já criaram. Culpados? Políticos, padres, pastores, mídia, pais, sociedade... todos em algum nível contribuem para este atual estado de coisas... Então faço a seguinte proposta, fora microsoft, fora orkut, fora msn, fora honda, fora yamaha, fora multinacionais, fora globo... o jovem brasileiro atingiu um nível de alienação tão profundo que não conseguiria viver sem estes "benefícios", tudo isso em nome de um suposto progresso... Creio que seria mais interessante a discussão em torno das soluções do que simplesmente apontar os erros e fazer comparações descabidas com outros povos e nações. Como diria nosso saudoso Serginho do Rock, não podemos nos tornar "terceiros mundistas revoltados". Façamos nossa parte, de boa vontade e se os políticos - classe esta que me provoca ojeriza - não estão preocupados com isso, façamos como Chico Xavier, Madre Tereza de Calcutá, que não precisaram desta esfera para exemplificar seus atos e propagar seu amor pela grande humanidade sofredora. O homem é um animal político, diria Aristóteles, Bertold Brecht acharia este tipo de discurso inadmissível, mas isto é o que eles pensam e não acredito em nenhum tipo de autoridade para fundamentar qualquer tipo de discurso... Por isso volto a frisar, quem quiser, hoje, no Brasil, se tornar um bom educador, não ignore as dificuldades, abrace a profissão ou a deixe por outra mais satisfatória e mais rentável. Não quero com isso defender abertamente a passividade e a submissão, mas já estamos cansados desta espécie de discurso que enfatiza de forma negativa o papel do professor reduzindo sua perspectiva em relação ao outro à dimensão mercadológica. Paciência e Amor são essenciais. Na verdade, são prerrogativas indispensáveis nesta luta que empreendemos todos os dias contra as mazelas e torpezas que se fazem visíveis aos olhos de todos. Acredito que se alguém lançasse uma bomba no senado não seria cruelmente condenado, ao contrário, seria digno de aplausos e de placa de honra ao mérito. Pense bem, o próprio Che Guevara só acreditou na revolução armada... Não existe meio termo... Se renascesse hoje no Brasil apoiaria com certeza o PCC ou o Comando Vermelho, não duvideis desta louca possibilidade. Ou os educadores procurem meios de atingir seu alvo, ou seja, fazer com que seus alunos apreciem o prazer de conhecer, ou se unam e reivindiquem de forma violenta seus direitos, pois essa lenga lenga de salários, más condições de trabalho, etc, irá se arrastar penosamente por muitas décadas, visto nossos atuais governantes não estarem interessados na elevação do saber e conhecimento da coletividade. Ou procurem outra profissão... ou melhor, deixem tudo do jeito que está.... talvez na ruína e decadência total do sistema esteja a saída, ou melhor, o começo dos novos tempos. Mesmo que nos transformemos em bestas feras, será melhor experimentarmos a dor e o sofrimento do que compactuarmos com o medo e com posturas covardes que não reconhecem este mundo como um lugar inferior e atrasado. Aos maus governantes, o peso de sua consciência e a ação do tempo serão remédios salutares que lhes lançarão no abismo vil de suas ações impensadas e irrefletidas, se não existe por um lado o inferno cristão, existe umbrais e abismos, regiões trevosas habitadas por espíritos malévolos que lhe aplicarão o corretivo necessário. Prefiro crer na justiça divina, pois as dos homens, em especial a dos brasileiros, está dançada desde muito tempo. A esperança é a admissão do sofrimento, é sinal de que as coisas não estão bem no presente e que devemos projetar no futuro nossas expectativas, se Cristo, que era bom, foi crucificado, o que devemos esperar, para nós? O céu das consolações celestiais? Não. Deveríamos, todos nós, sem exceção, sofrer cada vez mais, sorrir cada vez menos e não dividirmos com os outros o peso de nossas dúvidas e aflições. Somos imperfeitos e defeituosos. Deixe o paraíso material para os ricos, o sofrimento terreno para os pobres e o futuro celestial para os justos. O tempo é senhor soberano e verdadeiro de todas as coisas. Se os governantes preferem à rota da ignorância e da indiferença, beleza, colherão por sua vez, os frutos nas manifestações cada vez mais violentas daqueles que estão à margem. Seus filhos serão esquartejados, sequestrados, e eu, por minha vez, não terei nenhum tipo de compaixão. O salmo 109 para inimigo é categórico, que não haja quem tenha compaixão de seus órfãos, para quem sabe ler um pingo é letra. Por uma sociedade mais justa e mais humana, o extremado ódio contra estes princípios medíocres que emanam das esferas públicas, estaduais e federais... O barco da vida continua a navegar sob o mar da existência corporal... Mas o espírito, este sim, imortal e eterno, será objeto de estudo e meditação. Nos estudos econômicos do mundo ainda não estão contidos o egoísmo e a vaidade como os principais obstáculos a serem suplantados caso desejemos de fato vivermos numa sociedade mais justa e igualitária. Isto é só o que eu penso... Nada mais que isso...



na minha seca de um dia
mil baseados apertados na bahia
fuma verde, o mato mata
não se tem para ser
não se faz para viver
falta o mínimo necessário
um sopro vital é apagado
reunião de verbos essenciais
paralelo ao desperdício omisso,
do vale compra da moeda orgânica
a plasticidade invísivel do suicida
nas ruas, pessoas normais transitam
em busca de novidades, verdades e objetos
pode ser um alimento ou um veneno
para continuarem vivendo
cem ratos no apartamento
apetece a vontade ficar parada
uma tarde a tôa, sem fazer nada
observando as pessoas, caladas
senhores de pernas cruzadas
pombas pacatas pousam na praça
enquanto na rua, vertigem
procura, anda, sonda, vasculha
entre bancos, quitandas, viaturas
motores pulsantes emitem um som a mais
alguém persiste em permanecer vivo
acorrentado ao sexto sentido
admiro o despojamento inato dos animais
e eu continuo respirando...
refrigerará minha alma
alegrará minha existência

pressinto um ardente desejo de fusão...
a fissão nuclear ainda não ocorreu,
pelo menos por aqui,
mas alguém continua a perguntar...
e o mistério indecifrável persiste,
a matéria de fato existe?
O vácuo atômico,
prerrogativa quântica,
já foi elaborado,
por magos esclarecidos,
por cientistas pesquisado,
estou persuadido pelo poder do verso
e sinto que um dia estaremos no espaço,
dançando a valsa dos mortos vivos
num ritmo energeticamente insuspeitável
e com um corpo certamente invisível.
Quais notas, instrumentos, ritmos serão tocados?
se por um lado, a essência do universo musical
é revestida por um suave tom enigmático
por outro, sua aparência terráquea é banalizada
pela perspectiva da formiga capitalista
que vive em função da lucratividade do mercado.
e nem mesmo sabemos o que iremos escrever
insistimos, e nossa presunção não se rebaixa
o orgulho, como erva daninha cresce
e o cérebro, paralizado, cede
ao desejo de mais um verso
de mais um arroubo poético
preferível ler e não ser comentado
caminho anônimo, observo telhados
procuro palavras para revestí-las de idéias
ou seria justamente o contrário
o obtuso trago de um cigarro apagado
quando dermos conta da verdade,
talvez seja um pouco tarde...
mas nunca, tarde demais
o tarde demais é uma alegoria
o seu corpo, minha mente fantasia
nesta triste tarde, respiro rotina
hoje é sexta feira, a noite anuncia
os discípulos da alegria agora brindam
numa mesa de um bar qualquer se purificam
e eu aqui, calmamente sentado espero
o meu momento de também ser eterno.
Até que a saidera nos separe!!!
Amém!!!

o limite do réu
a vida sem véu
deus é cruel
sadismo inato
prefiro o oculto
espanto difuso
bandeja de ratos
condenados pelos rastros
de ignóbil pretensão
um verso pobre e vão
um minuto intacto
no silêncio da noite
dueto necessário
ao acorde eternizado
pela analogia dos astros
pulsantes membranas sociais
fragéis desmoronamentos grupais
aterrorizados pelas coisas banais
a morte, o sangue, a dor, a revolta, o ódio
plastificado das prateleiras
no espelho vitrine das lojas brasileiras
pastores, padres, políticos, igrejas
instituições públicas, federais
aparato burocrático indispensável
ao cultivo das amebas ancestrais
em pleno vigor literário
um poeta morreu asfixiado
pelos caos iletrado
do trânsito engarrafado
perdido no abismo trafego
entre feras, ogros e elfos
um laço de magia lasciva
uma chama acesa, viva
permita-me viver só
só viver é permitido
a morte é um artificio rígido
absoluta certeza, cego instinto
no chão terra irei me decompor
mais um poema escrito sem amor
como uma bela flor sendo contemplada
pela multidão distraída e desavisada
andando na contramão, não vi a placa
como uma criança vil e assustada
em meio a parafernália pragmáticas
dieta cultural iminente,
ao corpo espirito a mente se extende
tudo é artificial, neste novo tempo virtual
menos o seu rosto, sua face animal.














